Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

The Feelies – In Between

Há já quatro décadas a ditar regras e a tornarem-se influência primordial no cenário do indie rock norte americano, os The Feelies estão de regresso aos discos com In Between, onze canções abrigadas pela insuspeita Bar None Records e que além de não envergonharem toda a herança deste grupo de Nova Jersey, acrescentam ainda ao seu cardápio alguns instantes sonoros que merecem figurar num plano de elevado destaque no momento de referir algumas das melhores canções que atualmente suportam o espetro sonoro em que os The Feelies navegam e que nomes como os Wilco, The New Pornographers, Yo La Tengo ou Stereolab, entre outros, têm sabido respeitar e elogiar.

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Com momentos discográficos tão relevantes como Crazy Rhythms (1980), o soberbo disco Only Life (1988), ou o antecessor Here Before (2011), os The Feelies não se podem dar ao luxo de se exporem sonoramente sem que tal não signifique que existirá uma elevada bitola qualitativa por trás das suas novas canções. E este In Between é uma segura e confiante adição à lista dos melhores álbuns de um grupo que com a herança de nomes tão díspares como os The Velvet Underground ou os The Kinks, por trás da sua filosofia sonora, tem-se abrigado à sombra de uma fórmula de composição muito específica e que faz da luminosidade lo fi das cordas e da criação de melodias aditivas a sua maior premissa.

Logo no tema homónimo deste In Between conseguimos imaginar um enorme e amplo prado verdejante num dia de sol ameno e no dedilhar pulsante da guitarra de Turn Back Time percebe-se essa incessante busca de texturas em que sobressaia uma curiosa leveza rugosa que nos incite a viajar por aqueles recantos mais amplos de uma América também profundamente selvagem e mística. Essa demanda mais real que nunca também em Stay The Course, tema que tem como curiosidade maior o facto de a bateria se chegar à frente na condução e também na eletrificação da guitarra de Flag Days, que nos oferece o que de melhor ainda tem o vigor e a autenticidade de um povo hoje mais dividido que nunca, mas que encontra a sua génese numa vasta miscelânea de culturas e raízes.

A música dos The Feelies sempre teve essa capacidade de plasmar autênticos quadros impressionistas de uma América cheia de contrastes e o forte odor à herança de um Lou Reed em Been Replaced ou, em oposição, a vibe psicadélica assertiva de Pass The Time, assim como a sensibilidade emotiva das cordas e dos metais que vagueiam por Time Will Tell, tornam bem sucedido esse desejo que o grupo certamente conjura de levar os seus ouvintes a viajarem através das suas canções, intensas, poéticas e cheias de alma, até aos mais diversos cenários naturais e espirituais que lhes servem de inspiração e que, ainda mais do que isso, ajudaram a moldar aquelas que são as suas vidas atuais.

Aos quarenta anos de idade, os The Feelies deslumbram intensamente pelo à vontade com que, nas várias inflexões e variações, quer de sons quer de arranjos, que colocam nas suas músicas, ainda navegam em segurança e vigor nos meandros intrincados e sinuosos de um indie rock que entre uma toada mais grunge, progressiva e psicadélica e uma leveza pop mais intimista, nunca deixam de exalar um sedutor entusiasmo lírico, uma atmosfera amável mesmo no meio de algum fuzz constante e um clima geral luminoso, enérgico e até algo frenético, num disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda cada vez mais protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Feelies - In Between

01. In Between
02. Turn Back Time
03. Stay The Course
04. Flag Days
05. Pass The Time
06. When To Go
07. Been Replaced
08. Gone, Gone, Gone
09. Time Will Tell
10. Make It Clear
11. In Between (Reprise)


autor stipe07 às 11:50
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

Jens Lekman - Life Will See You Now

Depois de em 2015 o músico e compositor sueco Jens Lekman ter voltado às luzes da ribalta com um assumido compromisso de todas as semanas compor e gravar um novo tema, através do seu projeto Smalltalk, do quel resultou o EP Ghostwriting, uma espécie de complemento dessa hercúlea tarefa onde o autor e a banda que o tem acompanhado transformaram as suas histórias pessoais em canções, assentes numa folk acústica intensa, próxima  e subtilmente encantadora, agora, no dealbar de 2017, este artista que desde 2000 tem revelado o seu charme melancólico e romântico com inegável bom gosto, está de regresso ao formato longa duração, com Life Will See You Now, o quarto álbum da sua carreira, editado a dezassete de fevereiro através da Secretly Canadian.

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Hábil poeta e permanentemente focado e apaixonado pelo processo de escrita e composição, Jens Lekman é exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sensações em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Neste trabalho, o modo como a sua voz e o piano se apresentam logo na abertura do tema homónimo, causando espanto, faz-nos também entender, com clareza, aquilo que nos espera, em dez canções onde o autor se particularmente intimista e reflexivo, sobrepondo as palavras dos seus poemas com uma evidente exaltação instrumental, necessária e preciosa para a materialização da clara honestidade poética e melódica que sempre o guiou. E essa permissa transforma-se, neste artista, num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo.

Na verdade, Lekman é único e universal a traduzir com simplicidade musical tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia, mas também de euforia e exaltação.  What’s That Perfume That You Wear?, tema que inclui um sample do tema The Path de Ralph MacDonald, que data do ano 1978 e que é uma das músicas favoritas do sueco, é um notável exemplo do modo como Lekman retrata o tenebroso final de uma relação amorosa, mas de modo a fazer desse evento uma espécie de desabrochar e a possibilidade de um novo recomeço. E essa capacidade que Lekman tem de nos mostrar sempre o lado positivo e radioso de um qualquer evento, por muito catastrófico que possa parecer, é um dos seus maiores atributos sonoros, audível na exuberância não só das teclas, mas também das cordas e dos metais que tanto se escutam nas suas canções, que nunca descuram a busca de ritmos dançantes e de uma curiosa tropicalidade, também sublime na leveza divertida e primaveril de Wedding In Finistére. Outro bom exemplo dessa estranha dicotomia entre tragédia e celebração está plasmada em Evening Prayer, instante pop também bastante dançante e que se debruça sobre alguém que descobriu que tem cancro e que decide fazer uma cópia do tumor entretanto retirado do próprio corpo numa impressora 3-D. Outra notável canção deste trabalho é, sem dúvida, Our First Fight, composição onde o autor aprimora a sua habitual delicadeza e na pele de um contemporâneo trovador, arrasta-nos, através de soberbos arranjos, para um cenário bucólico bastante impressivo, onde a paixão dá lugar à saudade, o beijo converte-se em despedida e o que é aparentemente grandioso serve agora para nos confortar.

Produzido por Ewan Pearson (M83, Goldfrapp, Chemical Brothers), Life Will See You Now é um festim para os nossos ouvidos e uma boa dose de humor, um verdadeiro caleidoscópio de sensações realisticamente agradáveis, mas também profundamente reflexivas, em que cada uma das suas canções tem tudo para transformar-se num memorável clássico do indie pop, um disco que recheia o curriculum deste sueco com um atestado superior de magnificiência sonora, assente também versos pegajosos e um tipo de atmosfera quase mágica que apenas ele parece capaz de desenvolver. Espero que aprecies a sugestão...

Jens Lekman - Life Will See You Now

01. To Know Your Mission
02. Evening Prayer
03. Hotwire The Ferris Wheel
04. What’s That Perfume That You Wear?
05. Our First Fight
06. Wedding In Finistére
07. How We Met, The Long Version
08. How Can I Tell Him
09. Postcard #17
10. Dandelion Seed


autor stipe07 às 17:32
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017

Foxygen - Hang

Com uma salutar obsessão pelos Brian Jonestown Massacre, os Foxygen são hoje estrelas maiores do firmamento indie e estão de regresso aos lançamentos discográficos com Hang, oito canções que são um impressionante passo em frente na carreira de uma dupla natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles e apaixonada pela sonoridade pop e psicadélica de segunda metade do século passado, um período localizado no tempo e que semeou grandes ideias e nos deu canções inesquecíveis, lançou carreiras e ainda hoje é matéria prima de reflexão para inúmeros projetos.

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Se na estreia, com Take the Kids Off Broadway (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte), os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones e se dois anos depois, com uma melhor produção, a cargo de Richard Swift e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, trazia o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz e se em 2014 as mais de vinte canções de ...And Star Power alargaram ainda mais os horizontes do projeto, libertando-o definitivamente de qualquer amarra que ainda o pudesse limitar, agora, ao quarto disco, os Foxygen atingem o auge de maturação e refinamento, num alinhamento onde a criatividade se evidencia nas mais diversas formas, fruto de um psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e um sentido de liberdade e prazer juvenil que é suficientemente atual nesta dupla, exatamente por experimentar tantas referências do passado.

Editado pela Jagjaguwar que desde sempre abriga os Foxygen, Hang está cheio de instantes obrigatórios e surpreendentes. Se Follow The Leader é conduzido por aquele charme negro com fortes ligações ao melhor da motown setentista e se a descarada homenagem de Avalon ao rock progressivo e ao clássico Waterloo dos suecos Abba, ajuda a plasmar o modo como Sam France e Jonathan Rado não se envergonham de elevar ao panteão nomes e figuras de outros tempos que sempre os encantaram, principlamente quando houve um aumento no volume de acidez que sempre abasteceu a dupla, já o sintetizador glam e o piano insinuante de Mrs. Adams são um bom exemplo do modo como os Foxygen são geniais a colar e sobrepôr melodias e instrumentos sem perderem o norte e, naturalmente, quase sempre com um tom sexy e algo subtil. Depois, quando a guitarra pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

Até ao final, num disco que de Eddie Holland a Smoking Robinson e Martha Reeves, passando pelos britânicos Electric Light Orchestra de Jeff Lynne tem em si impresso aquele espírito nativo único e genuíno, uma típica canção de natal chamada America, que bem precisa de um Pai Natal generoso que a salve dos tempos tenebrosos que vive, um intenso e melancólico tema com forte travo country chamado On Lankershim e Rise Up, talvez a canção que melhor exemplifica a filosofia experimentalista, ao nível instrumental deste projeto, que se aproxima muitas do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos, são outros instantes que reúnem, também através das letras, todo um manancial de imagens e referências que evocam a era de ouro de Hollywood e, tendo em conta o período temporal acima descrito, principalmente os mágicos anos setenta.

Hang conta com várias participações especiais, entre elas Trey Pollard, Matthew E. White, os The Lemon Twigs e Steven Drozd dos Flaming Lips, músicos experientes e conceituados, que adicionaram há já habitual receita cósmica da dupla, vários ingredientes assertivos, conseguindo-se sintonizar sempre no ambiente certo, sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um deles trouxe consigo. O resultado é um verdadeiro tratado sonoro carregado de emoção, cor e alegria, uma verdadeira viagem no tempo, mas também um disco intemporal na forma como plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage. Mas Hang também aponta caminhos para o futuro não só da dupla, como de todo um género musical que não se deve esgotar apenas na recriação de algumas das referências fundamentais do passado, mas também subsistir numa demanda constante por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro. O modo como o misticismo exótico dos Foxygen recria a música de outrora, faz já deles um modelo a seguir para outros projetos que queiram trilhar este caminho sinuoso e claramente aditivo, principalmente pelo modo como, não só neste disco, mas mesmo em cada música, conseguem ser transversais e estabelecer pontes entre o passado e o futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Foxygen - Hang (2017)

01. Follow the Leader
02. Avalon
03. Mrs. Adams
04. America
05. On Lankershim
06. Upon a Hill
07. Trauma
08. Rise Up


autor stipe07 às 09:19
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017

Strand Of Oaks – Hard Love

Dois anos e meio depois do excelente Heal, o projeto Strand Of Oaks do norte americano Timothy Showalter, está de regresso com Hard Love, nove pulsantes temas produzidos por Nicolas Vernhes (The War on Drugs, Spoon) e que são mais uma fervorosa demonstração de saudável alienação por parte de um músico que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu ausente do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas e angústias.

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Quase duas décadas depois dessa visão premonitória, Timothy é hoje uma espécie de reverendo que vagueia pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young ou Devendra Banhart, tendo sempre como permissa a busca de uma súmula de referências noise, folk e psicadélicas. Para isso, pega no piano, na viola elétrica e em sintetizadores cheios de efeitos e canta sobre tudo aquilo que o impeliu para o mundo da música, mas também sobre viagens sem destino, o amor, o desapego às coisas terrenas e a solidão.

O aparecimento de Devendra Banhart no começo da década passada teve uma importância única para o resgate das influências hippies bem como o fortalecimento de um som de oposição ao que propunham as guitarras típicas da cena indie norte americana, principalmente o que era construído em Brooklyn, Nova Iorque. Strand Of Oaks é mais um que arrisca, e neste caso com enorme sucesso, a mergulhar fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas fá-lo apoiado num som montado em cima de um imenso cardápio sonoro e musical que, de mãos dadas com uma produção irrepreensível, nos proporciona muito do que de melhor propõe hoje a música independente americana contemporânea.

Neste Hard Love, Strand Of Oaks consegue ir do caraterístico punk rock feito com um baixo proeminente e guitarras simultaneamente sombrias e carregadas de distorção, como se escuta em Radio Kids ou, principalmente, na monumental e tenebrosa Everything, até a uma toada mais pop, que no piano e nos samples de Cry até comove e em Hard Love, o tema que abre de forma magnífica o disco, serve-se da tal guitarra, mas acompanhada por um sintetizador épico e sedutor, adornado por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, mas que nunca ofuscam o desejo de serem as cordas do guitarra, na primeira, e as teclas, na segunda, as pedras de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema.

Hard Love tem uma atmosfera viciante e extrovertida, é um disco que se ouve de punhos cerrados com a convicção plena que tem conteúdo e que o mesmo, ao impelir-nos à reflexão interior, pode dar um pequeno contributo para que aconteça algo que faça o bem a nós próprios. É um disco que exala certeza e coerência nas opções sonoras que replica, um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie que preenche cada instante de um álbum tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pelo experimentalismo punk lisérgico como pela soul, referências que expandem os territórios deste artista verdadeiramente singular. A simbiose entre estes dois géneros possibilita que frequentemente se encontrem, como em On The Hill, canção que explora ambas as referências de igual forma e que prova uma feliz aproximação com todos os alicerces do cancioneiro indígena do último meio século, algo que também sucede, mas numa abordagem mais calorosa e próxima do universo de um Springsteen, na vibrante Rest Of It.

Hard Love é, em suma, um trabalho que do vintage ao contemporâneo consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Timothy irreverente mas também bucólico, através de uma viagem cheia de versos intimistas que flutuam livremente, um compêndio de várias narrativas onde convive uma miríade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências do músico, mas também sobre o presente, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, o existencialismo e as perceções humanas, fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a habitual riqueza instrumental da folk não foi descurada, mas com o rock no seu estado mais puro a ser também uma das forças motrizes que dá vida à pouco mais de meia hora que este disco dura. Espero que aprecies a nossa sugestão...

Strand Of Oaks - Hard Love

01. Hard Love
02. Radio Kids
03. Everything
04. Salt Brothers
05. On The Hill
06. Cry
07. Quit It
08. Rest Of It
09. Taking Acid And Talking To My Brother


autor stipe07 às 21:35
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Dutch Uncles – Big Balloon

Cerca de dois anos após o excelente O Shudder, os britânicos Dutch Uncles estão de regresso aos discos com Big Balloon e novamente sob a chancela da insuspeita Memphis Industries, Falo de um registo discográfico intenso, charmoso e e efusivo, incubado por este quarteto sedeado em Marple e atualmente formado por Duncan Wallis, Andy Proudfoot, Robin Richards e Peter Broadhead e que é já o quinto álbum da carreira de um projeto que deu o ponto de partida em 2009 com um homónimo editado pela Tapete Records e que com Cadenza e Out Of Touch In The Wild, conseguiu começar a ser olhado pela crítica com particular devoção, sendo ainda hoje um dos melhores segredos do universo sonoro indie e alternativo.

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Ainda mais inebriantes, musculados e seguros do que aquilo que mostraram em O Shudder, neste Big Balloon os Dutch Uncles mostram porque chegaram a um ponto da carreira em que não era mais possível abrigarem-se apenas à sombra de uma certa penumbra e de um limitado nicho de fiéis seguidores. Aceitaram essa fatalidade sem receios e arregaçaram as mangas de modo a compôr canções que pudessem, com mérito próprio, extravasar as anteriores fronteiras e assim atingirem, finalmente, uma projeção superior e universal. Logo na guitarra serpenteante que conduz o tema homónimo essa permissa fica expressa de modo indelével e com o fulgor pop oitocentista de Baskin' é ainda mais vincada, com o disco a não defraudar, logo à partida, quem, como eu, estava à espera de uma proposta sonora ambiciosa e sofisticada, criada por uns Dutch Uncles que sempre souberam provar conhecer os melhores atalhos para aprimorar uma queda acentuada para a vertente experimental, mas sem descurar a oferta de canções acessíveis à maioria dos ouvidos, com o período aúreo da pop europeia de final do século passado em ponto de mira.

O piano de Combo Box acaba por ser mais uma acha preciosa para a fogueira de esplendor e sofisticação que define a filosofia sonora dos Dutch Uncles, assim como o efeito sintetizado de Hiccup ou a linha melódica que introduz a epicidade visceral de Streetlight, três dos melhores momentos de Big Balloon e que comprovam que nem só das cordas vive este quarteto, mas também das teclas que, quer num campo orgânico ou com um perfil mais sintético, são também um ingrediente primordial para o grupo. Já em Oh Yeah, se o sintetizador também assume a batuta, a bateria chama para si os holofotes no modo como define o andamento da canção e a alma e a alegria que dela transborda. Depois, em Sink, apesar da distorção da guitarra ser esplendorosa, a bateria ganha de novo relevo pelo modo como se abriga claramente na herança da synthpop típica dos anos oitenta, que, como se percebe, e já referi, está fortemente representada na vertente instrumental, mas também no próprio clima vocal. O registo vocal em falsete de Duncan, algo emotivo,que ajuda à aproximação entre a banda e o ouvinte, ao mesmo tempo que confere a densidade correta às letras, ajudando a que o conjunto final de muitas canções tenha vida e um pulsar que não nos passa despercebido, vai de encontro à habitual estética dos Dutch Uncles que têm abraçado, também através da voz, a simbiose entre pop vintage e contemporânea e ajudado imenso ao seu enriquecimento, pelo modo inédito como olham para o passado sem se deixarem seduzir demasiado por ele.

Disco com uma sonoridade muito particular e com um balanço temporal equilibrado que apresenta uma mescla de referências que ganham vida de mãos dadas com a ponte entre o presente e o passado, quer pelo modo curioso como a voz é reproduzida, mas também pela disposição das cordas e das teclas nas melodias e o uso do reverb, Big Balloon abre-se de par em par como uma enorme janela de luz, cimentando a firmeza sonora identitária dos Dutch Uncles, que atingem com estas dez canções o momento mais alto da sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...

Dutch Uncles - Big Balloon

01. Big Balloon
02. Baskin’
03. Combo Box
04. Same Plane Dream
05. Achameleon
06. Hiccup
07. Streetlight
08. Oh Yeah
09. Sink
10. Overton


autor stipe07 às 16:07
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Vaarwell - You

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É já no próximo mês de março que os Vaarwell de Margarida Falcão, Ricardo Correia e Luis Monteiro, editam Homebound 456, um lindíssimo trabalho que será o longa duração de estreia de um projeto de indie pop nascido em Lisboa em finais de 2014 e que lançou, em Maio de 2015, Love and Forgiveness, o EP de estreia.

Já chegou à nossa redação este Homebound 456, um alinhamento de doze canções gravadas por Joaquim Monte no Namouche Estúdio, misturadas e co-produzidas por Paulo Mouta Pereira e masterizadas por Miguel Pinheiro Marques (SDB Mastering). Para além dos Vaarwell, o disco conta ainda com a participação de Tomás Borralho (Anthony Left) e Diogo Teixeira de Abreu (Lotus Fever) nas baterias, Paulo Mouta Pereira (David Fonseca) no piano e Bernardo Afonso (Lotus Fever) nas teclas. O design foi da responsabilidade d​e​ Manuela Abreu Peixoto.

O álbum será apresentado ao vivo no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém no dia 16 de Março e no Salao Brazil, em Coimbra e You é o primeiro single divulgado do disco, um doce e reconfortante tratado sonoro já com direito a um vídeo realizado por Rui Vieira e produzido por João Abreu e Ricardo Miranda. Confere...


autor stipe07 às 11:21
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Thievery Corporation – The Temple Of I And I

Sem um daqueles sucessos radiofónicos que catapultam um projeto para o éden durante um longo período de tempo, sem uma portentosa máquina de marketing por trás, vídeos com milhões de visualizações ou uma editora internacional nos seus créditos, os Thievery Corporation continuam, quase duas décadas após a estreia, a ser um dos nomes mais consensuais e influentes da chamada música de fusão, tendo uma base de seguidores fiel e numerosa em todo o mundo, a sua própria editora, a ESL Music Label, assento destacado em cartazes de alguns dos mais relevantes festivais de música e, mais importante que tudo isso, uma carreira recheada de extraordinários momentos sonoros. Assim, em 2017 os Thievery Corporation chegam ao seu oitavo disco de originais e embarcam em mais uma digressão que passa hoje por Portugal e que será certamente recheada de excelentes concertos, assentes não só neste novo disco, mas num extenso e eclético catálogo capaz de agradar a todos aqueles que se predisponham a dançar ao som desta dupla de Washington, formada por Rob Garza e Eric Hilton.

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Se em 2014 os Thievery Corporation olharam profundamente para o Brasil no disco Saudade, agora em The Temple Of I And I, é a Jamaica que os seduz, com as quinze canções do registo a captarem muita da essência mítica e do poder da música deste arquipélago caribenho, resultado de uma prolongada estadia da dupla em 2015 numa das suas principais cidades, Port Antonio. Repleto de participações especiais das quais se destacam, por exemplo, os rappers Zee e Notch ou a norte americana Lou Lou Ghelichkhani, acaba por ser à boleia da jamaicana Raquel Jones, quer na contagiante Letter To The Editor, quer na interventiva Road Block, que melhor é absorvida e explanada toda a influência e exotismo deste pedaço de mundo onde nasceu, como todos sabemos, o reggae.

Estando, portanto, toda a herança sonora da Jamaica em ponto de mira para os Thievery Corporation neste The Temple Of I And I, esse mesmo reggae firma-se, naturalmente, como o grande suporte estilístico da sonoridade do seu alinhamento, com o dubb, o jazz, o rap e a eletrónica e fornecerem a base para arranjos, batidas, efeitos e até trechos melódicos, destacando-se, como grandes instantes do disco, o excelente baixo que conduz Strike The Root e True Sons Of Zion, a cadência algo inebriante e hipnótica do instrumental Let The Chalize Blaze e também do tema homónimo e as batidas de Babylon Falling. O objetivo primordial é que se mantém o de sempre; Fazer o ouvinte dançar mas também refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea. nomeadamente os de cariz eminentemente político.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso ir ao génese de alguns dos movimentos musicais essenciais da dita música do mundo, num disco onde, de acordo com os próprios, os Thievery Corporation dão vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência do reggae e completam um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica e, no exato momento anterior a este registo, pela bossa nova, viajaram agora para algo ainda eminentemente orgânico, construindo mais um tronco do túnel do tempo musical que é a sua discografia, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - The Temple Of I And I

01. Thief Rockers (Feat. Zee)
02. Letter To The Editor (Feat. Racquel Jones)
03. Strike The Root (Feat. Notch)
04. Ghetto Matrix (Feat. Mr. Lif)
05. True Sons of Zion (Feat. Notch)
06. The Temple of I And I
07. Time + Space (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
08. Love Has No Heart (Feat. Shana Halligan)
09. Lose To Find (Feat. Elin Melgarejo)
10. Let The Chalice Blaze
11. Weapons Of Distraction (Feat. Notch)
12. Road Block (Feat. Raquel Jones)
13. Fight To Survive (Feat. Mr. Lif)
14. Babylon Falling (Feat. Puma)
15. Drop Your Guns (Feat. Notch)


autor stipe07 às 21:09
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

Generationals – Keep It Low

Generationals - Keep It Low

Aproximadamente dois anos após o excelente álbum Alix, a dupla norte americana Generationals, de Louisiana, está de regresso com uma nova canção intitulada Keep It Low, um tratado de indie rock repleto de fuzz e incisivo e feliz no modo como nos faz dançar e despertar em nós aquela alegria e boa disposição que muitas vezes buscamos na música e raramente encontramos com este acerto criativo. Desconhece-se, para já, se esta composição irá fazer parte de um novo registo de originais do projeto. Confere...


autor stipe07 às 18:32
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

STRFKR – Being No One, Going Nowhere

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris.

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Com Interspace a dividir o alinhamento do disco em dois momentos distintos, Being No One, Going Nowhere foi produzido pelo próprio Josh hodges, o carismático líder do grupo e configura numa espécie de álbum concetual que, lirica e sentimentalmente, se debruça sobre os dois aspetos temáticos que trilham o seu título. Assim, se as primeiras cinco canções se debruçam, basicamente, sobre a perca e a deriva quando se vive uma vida inócua e sem objetivos, a partir de In The End os STRFKR procuram dar pistas e traçar um roteiro para uma vida mais feliz, apontando algumas consequências nefastas no eu de cada ouvinte caso a teimosia ou a cobardia continuem a vencer os conflitos interiores. Esta In The End é mesmo uma canção essencial para o entendimento cabal deste ideário, porque nela Hodges expôe com brilhantismo tudo aquilo que sentiu quando se isolou para compôr o disco (Stranger light; on the highway; golden; hours; hover and retreat. She said I want someone I can grow into).

A pop sintética dos anos oitenta do século passado e alguns dos detalhes mais relevantes da eletrónica de igual período, marcam musicalmente este disco coeso, com instantes mais animados e divertidos e outros onde a melancolia impera. Impregnado, como é natural tendo em conta a filosofia do seu alinhamento, com letras de forte cariz introspetivo, tem um resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, apesar dos filmes de ficção e o espaço aparecerem, constantemente, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo. Assim, de Being No One, Going Nowhere importa apreciar cuidadosamente a forte cadência do baixo que conduz Satellite, o cariz acessível, pop e radiante do single Never Ever, um tema que fica marcado na mente com enorme fluidez e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Something Ain't Right, uma das melhores canções do disco.

Tratado musical leve e cuidado e que encanta, ao mesmo tempo que abarca um conteúdo grandioso e repleto de experimentações que interagem com a pop convencional, Being no One, Going Nowhere transporta-nos para uma dimensão paralela, onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Being No One, Going Nowhere

01. Tape Machine
02. Satellite
03. Never Ever
04. Something Ain’t Right
05. Open Your Eyes
06. Interspace
07. In The End
08. Maps
09. When I’m With You
10. Dark Days
11. Being No One, Going Nowhere


autor stipe07 às 17:50
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Porcelain Raft – Microclimate

Depois de Strange Weekend (2012) e Permanent Signal (2013), Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com o seu projeto Porcelain Raft, fazendo-o à boleia de Microclimate, doze canções gravadas pelo músico em los Angeles, cidade californiana onde também foram misturadas por Chris Coady, tendo sido masterizadas já na costa leste por Heba Kaby.

Resultado de imagem para porcelain raft remiddi 2017

Remiddi é, claramente, um caso especial no universo sonoro indie e alternativo, pois pertence a uma geração que sempre se colou a uma sonoridade mais rock ou, pelo menos, algo distante do som típico deste projeto que batizou de Porcelain Raft. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011, este projeto foi ganhando respeito no seio da crítica devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno das suas composições, com os dois discos anteriores a este Microclimate não só a confirmarem as enormes expetativas de elevada bitola qualitativa do projeto, mas também a alargarem a amplitude e a abrangência sonora do mesmo.

Assim, e porque o cardápio sonoro de Porcelain Raft é cada vez mais heterógeneo e abrangente convém, antes de colocar um olhar e um ouvido clínicos em Microclimate, fazer uma espécie de exercício de auto contextualização e definir sobre que prisma queremos interpretar estas doze canções. Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e acaba por nos contagiar também com tal abrangência.

Portanto, em Microclimate, a primeira pedra do edifício que Porcelain Raft escolheu para sustentar a sua música é aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida, com as batidas e o clima de Kookaburra e Distant Shore, por exemplo, a colocarem os anos oitenta em ponto de mira e com Rising a perpetuar este olhar de um modo mais introvertido e sentimental. E depois, porque esse também é um aspeto primordial da sua filosofia melódica e interpretativa, deu elevado relevo à sua voz andrógena, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e intenso em temros de nitidez no modo com expressa as sensações que a sua escrita pretende transmitir. Em Big Sur, canção inspirada numa localidade com o mesmo nome da Califórnia que Remiddi visitou e que o inspirou para este disco, é exemplar o modo como ele implora a uma terceira pessoa que regresse do casulo onde vive e o acompanhe vida fora e no mundo real, porque tudo irá ficar bem de novo (before you know it, all the answers are on the way).

Microclimate é o termo científico utilizado para designar uma área relativamente pequena cujas condições atmosféricas diferem da zona exterior e que surgem porque há barreiras geomorfológicas ou elementos naturais que confinam tal espaço. Remiddi terá escolhido este título para o seu terceiro álbum porque quer que cada uma das canções do seu alinhamento tenha uma identidade própria e única e que cada uma delas nos transporte para um universo psicossomático diferente e inédito. Missão cumprida. Espero que aprecies a sugestão...

Porcelain Raft - Microclimate

01. The Earth Before Us
02. Distant Shore
03. Big Sur
04. Rolling Over
05. Rising
06. Kookaburra
07. The Greatest View
08. Bring Me To The River
09. Accelerating Curve
10. The Poets Were Right
11. Zero Frame Per Second
12. Inside The White Whale


autor stipe07 às 18:16
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