Segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016

James Supercave – Better Strange

Joaquin Pastor, Patrick Logothetti e Andrés Villalobos são os James Supercave, uma banda que acaba de se estrear nos discos abrigada pela insuspeita Fairfax Recordings. Better Strange é o nome desse trabalho, doze canções com uma abrangência pop bastante atual, que da eletrónica ao rock progressivo, impressiona pela forma subtil como, ao criar um ambiente muito próprio e único através da forma como se sustenta instrumentalmente, alberga diferentes géneros sonoros e, sendo um disco mutante, cria um universo que até parece algo obscuro, uma percepção que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante.

Os sintetizadores, o falsete impecável de Pastor, o groove do baixo e da bateria, os efeitos radiososo e a melodia intensa de Better Strange abrem-nos portas para um alinhamento de canções que não deixa ninguém indiferente. Logo de seguida, o ritmo e nos efeitos da pulsante Whatever You Want firmam a primeira impressão positiva e consubstanciam uma verdadeira entrada a matar num registo de forte pendor hipnótico, ora catártico devido à batida, ora em busca de uma psicadelia que, muitas vezes, só um baixo picado a lançar-se sobre o avanço infatigável de todo o corpo eletrónico que sustenta as canções e que também usa a voz como camada sonora, consegue proporcionar.

A partir daí, no groove sedutor de Brun, mais um exemplo que plasma a forte importância do baixo na filosofia sonora dos James Supercave, na linha rugosa mas surpreendentemente delicada da guitarra que conduz Body Monsters, na distorção desse mesmo instrumento no imponente piscar de olhos à brit pop em Get Over Yourself e no curioso pendor acústico e solarengo da frenética e exuberante The Right Thing, assistimos, consumidos e absortos, a uma verdadeira revisão histórica da pop dos últimos vinte anos, uma revisão eufórica que nos desperta para uns Radiohead imaginários e futuristas ao som da visceral Virtually A Girl  e da divertida Chairman Gou, uns Radiohead que certamente não se importariam de ser manipulados digitalmente com tal mestria se for este o resultado final dessa apropriação.

Daqui em diante ainda há tempo para sentir no piano e no falsete de With You, um toque de lustro livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor e no efeito da guitarra de Just Repeating What’s Around Me uma impressiva mescla entre R&B e eletrónica ambiental, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica. Better Strange é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

James Supercave - Better Strange

01. Better Strange
02. Whatever You Want
03. Burn
04. Body Monsters
05. How To Start
06. Get Over Yourself
07. The Right Thing
08. Virtually A Girl
09. Chairman Gou
10. With You
11. Just Repeating What’s Around Me
12. Overloaded


autor stipe07 às 21:07
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Sábado, 27 de Fevereiro de 2016

Yuck - Stranger Things

Em 2016 os britânicos Yuck estão de regresso aos discos com Stranger Things, um álbum lançado ontem, dia vinte e seis de fevereiro, através da Mamé. Este é o terceiro disco dos Yuck do guitarrista Max Bloom, acompanhado por Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes e mais uma compêndio de canções abastecido por aquele rock alternativo dominado pelas guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, mas já não só.

Banda em plena fase de maturação e cada vez mais assertiva, não só no que diz respeito à componente melódica e à criatividade estilística, mas também no que concerne ao sempre importante trabalho de produção, estes Yuck chegam ao terceiro tomo da sua discografia num momento de forma açucarado, conseguindo misturar a sempre indispensável sujidade rugosa das guitarras, imponente no rock de garagem que domina Cannonball e que é uma caraterística fundamental do adn do projeto, com uma luminosidade e um ligeiro toque psicadélico, que logo na guitarra de Hold Me Closer se deteta com nitidez.

Num disco equilibrado, seguro e coerente, estes dois primeiros temas de Stranger Things têm esse efeito curioso de mostrarem os dois diferentes rumos que guiam a banda, ou melhor, tudo aquilo que faz parte da herança da mesma e os caminhos que eles parecem dispostos a querer trilhar, quem sabe já nos próximos discos, de forma ainda mais efusiva e que poderão vir a ter um forte cariz experimentalista. O ambiente nostálgico fortemente impressivo de Like A Moth e, quase no ocaso, a mesma receita, mas num ambiente mais shoegaze, em Swirling, mostra não só um acréscimo em termos de sensibilidade e profundidade emotiva e, sem poupar no reverb, oferece-nos uma limpidez inédita e, ao mesmo tempo, uma salutar complexidade que coloca os Yuck também rumo aquela típica pop que puxa os autores para um patamar superior de abrangência, não só pela miríade sonora que abrange, mas também, e principalmente, por estarmos a falar de canções que misturam acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, tudo com enorme eficácia.

Até ao final do alinhamento, o clássico indie rock da sorridente Only Silence, o novo piscar de olhos à pop em As I Walk Away e uma nova avalanche de distorção de I'm Ok, mantêm esse compromisso relativamente à nova filosofia sonora deste quarteto britânico, estabelecendo pontes de modo interessante, não faltando até uma certa subtileza psicadélica, em determinados arranjos e um charme geral ao qual é difícil ficar indiferente. Espero que aprecies a sugestão...

Yuck - Stranger Things

01. Hold Me Closer
02. Cannonball
03. Like A Moth
04. Only Silence
05. Stranger Things
06. I’m OK
07. As I Walk Away
08. Hearts In Motion
09. Swirling
10. Down
11. Yr Face


autor stipe07 às 14:38
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Cross Record – Wabi-Sabi

Emily Cross e Dan Duszynski são o casal de esposos que estende o manto em redor de Cross Record, um projeto que gravou o seu disco de estreia, intitulado Wabi-Sabi, num rancho de dezoito hectares, chamado Moon Phase, arrendado por ambos, perto de uma reserva de aves, em Dripping Springs, a trinta minutos de Austin, em pleno Texas, para onde se mudaram da metrópole Chicago. E a verdade é que este álbum soa a um disco incubado, concebido e gravado num rancho, tal é a força e a dimensão de um alinhamento de canções que plasma, com particular minúcia, uma simbiose feliz entre a naturalidade e a pureza que se observa no contraste do cinza e do laranja que dominou os céus durante a sua gravação, porque sucedeu, quase sempre, nas fases iniciais e finais dos dias e o ruído e o rigor estrutural de uma grande cidade. Steady Waves, o grandioso single já retirado de Wabi-Sabi, demonstra esta junção na simplicidade das cordas da viola e a imponência da distorção da guitarra de High Rise amplifica-a, só para citar dois exemplos que sustentam o universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Cross Record, exímios a dar asas às emoções que exalam desde as profundezas do refúgio bucólico onde agora residem e que, pelos vistos, os inspira de modo particularmente sensorial.

Tendo visto a luz do dia abrigado pela sempre recomendável Ba Da Bing Records, Wabi-Sabi impressiona, portanto, pela dinâmica fortemente ambiental, como se percebe dede logo nas várias camadas de efeitos e sopros sintetizados de The Curtains Part, canção que lança o disco numa espiral emotiva e onde tudo é quase sempre filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso.

Depois dos dois temas acima referidos, ficamos logo esclarecidos que, partindo do princípio que aceitamos uma audição atenta e dedicada deste disco, somos naturalmente convocados para uma viagem que nos conduz a diferentes universos sonoros, sempre na óptica da tal relação simbiótica bastante sedutora e que, sonoramente, se firma entre indie rock, punk e post rock, por um lado e folk e dream pop, por outro. E logo a seguir, a indisfarçável toada folk de de Something Unseen Touches A Flower To My Fore, que nem o pedal de uma guitarra e os tambores disfarçam, proporciona-nos um momento de rara frescura e pureza sonora, com o charme lo fi dos ruídos de fundo por baixo das cordas de The Depths, pouco depois, a fazerem-nos levitar rumo a uma nuvem repleta de sensações fortemente nostálgicas e contemplativas, enquanto atestam o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram algumas tendências sonoras mais atuais, onde muitas vezes o minimalismo se confunde com aquilo que é esculpido e complexo, sendo ténue a fronteira entre ambos e real um claro encadeamento entre dois pólos aparentemente opostos e que nos obrigam a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.

Até ao final deste trabalho absolutamente maravilhoso, em Basket ouve-se estranheza, ouve-se escuridão. Mas também se ouve harmonias de vozes de outro planeta. E logo depois, em Wasp In A Jar, há sensualidade em jeito de lamúria ou desabafo e a certeza que ouvir Wabi-Sabi é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Cross Record - Wabi Sabi

01. The Curtains Part
02. Two Rings
03. Steady Waves
04. High Rise
05. Something Unseen Touches A Flower To My Forehead
06. The Depths
07. Basket
08. Wasp In A Jar
09. Lemon


autor stipe07 às 20:40
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

Scott Orr - Undeniable

Scott Orr - UndeniableNatural de Hamilton, no Ontário, o canadiano Scott Orr está prestes a regressar aos lançamentos discográficos com Everything, aquele que será o quinto registo de originais da sua carreira. Uma lindíssima canção de amor intitulada Undeniable, sobre o final de um relacionamento de dezasseis anos, à semelhança da temática das restantes canções de Everything, é o primeiro avanço divulgado de um disco bastante pessoal, gravado num sotão no último meio ano e que, de algum modo, exorciza vários fantasmas que assolaram a vida pessoal mais recente deste músico.

Undeniable contém uma exuberância folk muito particular e contagiante, em três minutos onde a viola e a guitarra se entrelaçam com o charme inconfundível da voz do autor, um lançamento disponível gratuitamente na página oficial de Scott Orr e que tem a chancela da editora independente Other Songs Music Co.. Confere...


autor stipe07 às 22:20
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

Les Crazy Coconuts - Les Crazy Coconuts

Com arraiais assentes em Leiria, Adriana, Tiago e Gil formam os Les Crazy Coconuts, uma das maiores lufadas de ar fresco do panorama indie nacional dos últimos tempos, devido a um excelente homónimo lançado recentemente com a chancela da insuspeita Omnichord Records.

(pic, Joaquim Dâmaso - Região de Leiria)

Quando em 2012 Adriana Jaulino terminou a licenciatura e imaginou criar um projeto sonoro e artístico que envolvesse música e sapateado, não fazia ainda a miníma ideia que estava a criar os alicerces de algo que rapidamente e com toda a justiça se tornou num verdadeiro fenómeno musical, sem paralelo por cá. Com estreia na excelente compilação Leiria Calling e depois de terem sido considerados a melhor banda nacional do Festival Termómetro e de estarem na final do concurso Nacional de Bandas da Antena 3 e de terem pisado palcos do NOS ALIVE, Paredes de Coura, o Indie Music Fest ou o Monkey Week, em terras de nuestros hermanos, o longa duração de estreia tornou-se num passo óbvio e esperado já por muitos seguidores e críticos. E a verdade é que as dez canções de Les Crazy Coconuts, homenageando claramente o conceito de programa de rádio de autor e os anos dourados, tanto do sapateado como da rádio, nomeadamente nas décadas de vinte e trinta do século passado norte americano, impressionam pelo charme vintage, mas contêm uma contemporaneidade invulgar que vai beber a alguns dos fundamentos essenciais da pop e do indie rock, com um travo glam fortemente eletrificado, assente em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas, onde não falta um piscar de olhos ao punk. A receita, simples mas eficaz, fica completa com sintetizações impregnadas com indisfarçável groove, com a bateria a colar todos estes elementos com uma coerência exemplar e com uma voz sentida e imponente, a dar substância e cor às melodias, que em temas como Words Unsaid ou Myself, parecem, liricamente, ser pouco ficcionais e quase autobiográficos, com a chancela do Gil, o autor das letras.

Les Crazy Coconuts, quer como nome da banda, quer como opção para título do álbum, acaba por saber, no modo como soa, a uma espécie de grito de revolta colorido, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. A feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgem nas músicas, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação festiva e solarenga, define esta janela imensa de luz e cor, que nos convida a espreitar para um mundo envolvido por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana e mística, mas igualmente descontraída e jovial, sempre presente durante os quase quarenta minutos que dura este trabalho.

Produzido por Paulo Mouta Pereira quase na sua totalidade, Les Crazy Coconuts é, volto a frisar, uma estreia particularmente inspirada de um projeto que demonstra uma elevada elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um significativo plano de destaque, rebocado por canções com uma sonoridade impar, que plasmam um disco que deve ser tragado como um todo, mas sem que isso evite que a entrega aos pequenos detalhes que o preenchem, não resulte na mais pura satisfação, como se estes Les Crazy Coconuts quisessem projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada um dos fragmentos deste alinhamento. Confere, já de seguida, a entrevista que a banda me concedeu e espero que aprecies a sugestão...

Les Crazy Coconuts

Hello
Belong
Words Unsaid
Speed Shoes
Myself
Define
Human Radio Station
Party Dancer
Sailormoon
Closing Credits

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de Les Crazy Coconuts, o vosso primeiro registo discográfico, começo com uma questão clichê… Como é que nasceu este projeto em 2012, oriundo da zona de Leiria?

Foi de mim (Adriana), depois de terminar a licenciatura em dança fiquei com vontade de ter um projecto qualquer que envolvesse sapateado e música. Na altura não me passou pela cabeça que pudesse vir a ter uma banda, mas um ano mais tarde dei por mim no festival Paredes de Coura a convencer o Tiago de que íamos ter uma banda juntos. Já de regresso convidámos o Gil para se juntar a nós e a partir daí foi sempre a andar, ou a tocar neste caso.

Desde então, até esta estreia discográfica, o vosso percurso tem sido fulminante em termos de crescimento, visibilidade e aceitação. Além de terem já tocado em vários festivais, foram aclamados pelo júri do Festival Termómetro como melhor formação nacional de 2014 e pela Antena 3 como uma das 3 melhores novas bandas nacionais no Concurso Nacional de Bandas, entre outras distinções. Como foi conciliar este percurso ascendente com o processo de gravação do disco de estreia?

Foi bastante fácil porque não precisámos propriamente de conciliar nada, já tínhamos estipulado que numa determinada fase iríamos tentar a nossa sorte nos concursos, até porque nos prémios estavam incluídos a gravação de uma música ou de um ep o que nos poderias vir a dar jeito, mas não aconteceu. Na gravação do disco de estreia decidimos que tínhamos de “x” a “y” para gravar, e nesse período só nos focámos mesmo nisso.

Com canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da pop e do indie rock, com um travo glam fortemente eletrificado, assente em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas, onde não falta um piscar de olhos ao punk e sintetizações impregnadas com indisfarçável groove, com a bateria a colar todos estes elementos com uma coerência exemplar e uma voz sentida e imponente, a dar substância e cor às melodias, Les Crazy Coconuts é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram, no vosso seio, para este primeiro passo de um percurso que espero que venha a ser longo?

Tentámos ser fiéis a nós próprios tanto que também não nos regemos só por um estilo musical. Também tivemos consciência desde o início que iríamos ter dois tipos de trabalho diferentes, um ao vivo e outro em albúm devido à especifícidade do nosso projecto. Não gostamos de criar expectativas, o que vier é sempre bem vindo.

Confesso que o que mais me agradou na audição de Les Crazy Coconuts foi uma feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgiam nas músicas, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, festiva e solarengo e onde, apesar do esplendor das guitarras, a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem, frequentemente, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona por um certo charme vintage. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

A base foi sempre a mesma desde o início, o que aconteceu é que naturalmente tivemos de fazer alguns ajustes para tornar todo o álbum mais coeso. Inspirámos-nos em tudo, todos e nada. Ouvimos e vemos muita coisa, naturalmente somos influenciados por isso, consciente ou inconscientemente. Mas nunca partimos de um ponto em que definíssemos uma melodia.

Les Crazy Coconuts, quer como nome da banda, quer como opção para título do vosso primeiro álbum, sabe-me, no modo como soa, a uma espécie de grito de revolta colorido, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. Por que motivo deram o nome da banda ao vosso primeiro disco?

Foi natural, é o nosso primeiro álbum e também é uma maneira de dizer Olá, somos os Les Crazy Coconuts e aqui estamos.

Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos Les Crazy Coconuts? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?

Acontece sempre tudo naturalmente, e geralmente em jam sessions. Nunca é o mesmo a começar e normalmente as melhores músicas até nascem de brincandeiras.

Olhando um pouco para a escrita das canções, em temas como Words Unsaid ou Myself, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica de escreverem sobre aquilo que vos rodeia, em vez de inventarem, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais nunca teriam à partida de se comprometer? Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?

Essa parte é domínio do Gil Jerónimo que é um picuinhas e escreve sobre as cenas da vida. Às vezes até chora. E faz birras.

Belong é um tema particularmente imponente, grandioso, mas adoro o ambiente sonoro da canção Speed Shoes. E o grupo, tem um tema preferido em Les Crazy Coconuts?

Tem pois, é redutor mas por maioria absoluta a Myself é a preferida.

Les Crazy Coconuts foi produzido por Paulo Mouta Pereira, quase na sua totalidade. Como surgiu a oportunidade de trabalhar com ele e, já agora, com o islandês Birgir Jón Birgisson em Belong?

O Paulo já nos tem vindo a acompanhar na estrada há algum tempo e como excelente profissional que é fez todo o sentido que fosse ele a produzir o nosso álbum e também já estava mais familiarizado com os nossos gostos e trabalho. Com o Birgir foi por intermédio do nosso amigo e grande músico André Barros que estagiou no estúdio dele e surgiu a oportunidade do Birgir nos masterizar o tema Belong para a compilação Leiria Calling.

A Omnichord Records é a casa de alguns dos nomes fundamentais do universo sonoro musical nacional. É importante para vocês pertencer a essa família que parece apostar convictamente no vosso trabalho?

Claro que sim. E é mesmo esse espírito de familía, ajudamo-nos todos uns aos outros e sentimo-nos muito acarinhados. Assim ainda dá mais gosto trabalhar, temos muito a agradecer a esta grande e espectacular família.


autor stipe07 às 21:04
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Animal Flag – Animal Flag EP 2

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Animal Flag de Matthew Politoski, de regresso aos lançamentos discográficos com Animal Flag EP 2, cinco canções que viram a luz do dia no ocaso de 2015, à boleia da 1997 Recordings e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp.

(Pic by Nick DiNatale)

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste pequeno cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que Jealous Lovers, a primeira canção, claramente exemplifica. Se Angels não foge a esta bitola, uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que faz de Animal Flag, um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição do EP, vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Wayside e ao clássico Swallowed dos Bush em Cathedrals atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas,  possam e devam ser apreciadas com a relevância e o valor que, por direito, merecem. Para ampliar este espírito ainda mais suadosista, este Ep teve direito a uma lindíssima edição em formato cassete, através da Broken World. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Animal Flag EP 2

01. Jealous Lover
02. Angels
03. Wayside
04. Cathedrals
05. Prone

 


autor stipe07 às 18:12
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2016

Wild Nothing – Life Of Pause

Depois de Gemini (2010) e Nocturnal (2012), já viu a luz do dia e através da insuspeita Carpak Records Life Of Pause, o terceiro registo de originais de Jack Tantum, um músico, artista e compositor norte americano, oriundo da Virgínia, que assina a sua música como Wild Nothing e que quando começou a pensar no conteúdo deste trabalho não imaginou a criação de mais um simples alinhamento de canções, mas num novo mundo audível, cheio de exuberância, cor, texturas e possibilidades ilimitadas que, distinguindo-se dos demais, proporcionasse ao ouvinte uma manancial de interpretações físicas, psiquicas e sensoriais, proporcionadas por onze canções abrigadas numa indie pop que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos e agregados sonoros alegres e cheios de luz.

Com uma mão num noise vintage luxuriante que, no caso das guitarras e dos sintetizadores de Lady Blue, ofusca e atrai como um íman magnetizado, numa melodia que se cola aos nossos ouvidos sem qualquer pudor e outra numa indie pop mais clássica, que, como se percebe na riqueza instrumental de Reichpop e nos efeitos robustos e na percussão de A Woman’s Wisdom, nunca descura uma indisfarçavel grandeza e epicidade, Tantum é um verdadeiro prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, outras vezes felizes e confiantes, um pouco à imagem da dicotomia e do contraste agridoce de uma américa que nunca dorme e que, apesar de parecer viver em constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho de uma vida.

Mas não se julgue que o clássico indie rock efervescente e visceral não faz parte do cardápio de Life Of Pause. Os amantes deste género sonoro poderão deliciar-se com a potência e rugosidade das guitarras de Japanese Alice e com os flashes inebriantes libertados pelo baixo impetuoso de TV Queen, duas canções para dançar de punhos cerrados e que encontram sequência em Life Of Pause, o tema homónimo, que abrandando no ritmo, recebe uma poderosa sintetização, nomeadamente no refrão, oferecendo-nos uma inevitável sensação positiva, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, que nos faça abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arranque um sorriso que terá de ser sempre espontâneo.

Estas onze novas canções de Wild Nothing não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e sendo uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como a extravagante Alien ou o piano e o saxofone de Whenever I claramente demonstram. São cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões, memórias que Tantum foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e compositores mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

Wild Nothing - Life Of Pause

01. Reichpop
02. Lady Blue
03. A Woman’s Wisdom
04. Japanese Alice
05. Life Of Pause
06. Alien
07. To Know You
08. Adore
09. TV Queen
10. Whenever I
11. Love Underneath My Thumb


autor stipe07 às 18:34
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2016

Is Tropical – Black Anything Pt. 4

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Três anos depois do espantoso I'm Leaving, os londrinos Is Tropical, um quarteto constituido por ☮ ☯ † e ∞, estão de regresso aos discos com Black Anything, um álbum que irá ver a luz do dia a onze de março e que está a ser revelado através do lançamento de alguns temas em formato vinil e digital, já disponíveis na Axis Mundi Records

Duas dessas composições são Follow The Sun e Now Stop, com a primeira a abrigar-se num ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada, prosseguindo, durante quase três minutos, numa demanda triunfal rumo a uma salutar insanidade desconstrutiva e psicadélica. Já Now Stop contém um groove intenso e um inconfundível perfume jazzístico, bastante aditivo e que termina num arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou o tema. No próximo mês este álbum será, certamente, alvo de análise detalhada por cá. Confere...

Is Tropical - Black Anything Pt. 4

01. Follow The Sun
02. Now Stop


autor stipe07 às 18:08
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2016

Bat For Lashes - I Do

 

A ternurenta simplicidade de I Do é o primeiro tema divulgado por Natasha Khan de Til Death Do Us Apart, o próximo registo de originais do projeto Bat For Lashes, que esta artista, cantora e compositora britânica, oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há praticamente uma década.

Este novo álbum de Bat For Lashes deverá ver a luz do dia a um de julho e um lindíssimo para de sapatos vermelho, publicado na página de Facebook da autora, juntamente com um convite de casamento, deverá ser a capa de uma nova coleção de canções que já é aguardada por cá com enorme expetativa. Confere...

Bat For Lashes - I Do


autor stipe07 às 14:19
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016

Shores. – Neitherwise EP

Brian, Billy, Sean, Pat e Brent são os Shores., um projeto oriundo de Grand Rapids, uma cidade norte americana localizada no estado americano do Michigan e que andam por cá desde 2010, a criar canções abrigadas à sombra de um indie rock com elevada toada melancólica, alicerçado num salutar experimentalismo que abraça um interessante e algo inédito leque de influências, sempre com uma vincada filosofia vintage. Neitherwise é o mais recente lançamento destes Shores., um EP com três canções que viu a luz do dia através da No Idea Records e disponível na plataforma bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes Shores. compõem temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada intrincada de sensações profundas e até algo inquietantes, mas que apelam intensamente à introspeção reflexiva. O modo como a guitarra elétrica de Hale And Hearty possui o ónus da condução melódica, mas também a forte presença da bateria e do baixo, introduzem eficazmente uma composição inebriante, que termina num memorável instante épico, bastante ousado e incisivo. Já o rock angular e rugoso de Murderer [Low] é uma cavalgada intermitente, mas entusiástica e delirante, perfeita para se ouvir no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar, enquanto Seize afaga-nos com uma espiral de distorções que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, quer no entusiasmo lírico.

Percebe-se uma grande disponibilidade destes Shores. para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Com um forte cariz urbano e atual, Neitherwise é um EP excitante e intenso, que nos prende numa bolha dinâmica adornada por aquele rock pastiche que nos desperta para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nos apoquente. Pleno de cenários complexos e repletos de sensações únicas, que os Shores. conseguem muito bem transmitir à boleia de um cardápio instrumental bastante diversificado, Neitherwise vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme. Espero que aprecies a sugestão...

Shores - Neitherwise

01. Hale And Hearty
02. Murderer [Low]
03. Seize


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