Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

Sam Duckworth – Amazing Grace

Natural de Essex, na Inglaterra, Sam Duckworth tem cerca de três décadas de existência mas uma carreira musical já bastante cimentada. Aos dezoito anos decidiu que iria viver da música e adoptou para o seu projeto a solo o peculiar nome Get Cape. Wear Cape. Fly., retirado de um artigo da revista de jogos de vídeo ZX Spectrum. Pouco depois consegue um contrato com a Atlantic Records e em 2006 estreia-se nos discos com The Chronicles Of A Bohemian Teenager. Dois discos depois dessa estreia e de uma aventura a solo em 2011 (The Mannequin), regressou em 2012 com Maps, um trabalho que juntamente com o sucessor, London Royal, lançado dois anos depois, conseguiu cimentar uma posição de relevo junto da massa crítica que passou a acompanhá-lo com superior atenção.

Agora, em 2015, Sam volta a virar agulhas para o seu projeto em nome próprio, com Amazing Grace, onze narrativas emocionais onde o músico tenta criar, à boleia da Alcopop! e de cerca de quarenta músicos que participam em diferentes instantes do disco, a sua própria marca de indie alegre e extrovertida, mas também intensa e emocional, através das cordas de uma viola, quase sempre plena de luz e esplendor, com temas do calibre da animada e charmosa Only A Fool ou da boémia El Loco a demonstrarem a versatilidade deste compositor londrino e o bom gosto com que seleciona arranjos que conferem à sua música uma graciosidade e uma delicadeza incomuns. Basta escutar-se os violinos e o coro de vozes que decoram Property Pages ou o clamor que brota do dedilhar das cordas e das teclas de um teclado em Long Division, depois surpreendidos pelo sopro angustiado de um tímido trompete para se ter a perceção plena que estamos na presença de um registo discográfico com bases sólidas para não darmos por perdido o tempo que dispendermos a saborear um cardápio de canções que deveriam estar ao alcance do mais comum dos mortais e fazer parte das suas obrigações diárias, como receita eficaz para a preservação da integridade sentimental e espiritual de cada um de nós, duas das facetas que, conjugadas com a inteligência, nos distinguem dos outros animais.

Sam Duckworth coloca então a viola como principal veículo de diálogo com a sua voz, em canções que falam sobre o amor, a autoestima, a morte e a solidão, fazendo de Amazing Grace uma plena evolução relativamente a The Mannequin, mostrando-se mais intenso nas palavras e alargando a possibilidade no plano dos arranjos, invulgarmente deliciosos nos efeitos da guitarra e na percussão em Hiding Place, redefinindo, assim, as fundações de uma obra que faz já do seu autor, um dos nomes mais importantes da indie pop folk deste tempo, num disco ideal para se ouvir quando o sol finalmente decide ir dormir. Espero que aprecies a sugestão...

Sam Duckworth - Amazing Grace

01. El Loco
02. Hiding Place
03. Only A Fool
04. As It Is
05. Get By
06. Long Division
07. Cities In The Sky / Defence
08. Geldermalsen Cargo
09. Property Pages
10. The Way You Said
11. High Achievers


autor stipe07 às 21:54
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Amber Leaves - Love Song

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou novamente, desta vez com Love Song, o segundo de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este ano, à boleia da Lost In The Manor e que irá ver a luz do dia a dezasseis de outubro.

Acordes de um baixo com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com hip-hop e o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Love Song, canção efervescente e refrescante, que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 18:53
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2015

Cayucas – Dancing At The Blue Lagoon

Editado a vinte três de abril pela Secretly Canadian, Dancing At The Blue Lagoon é o sucessor de Bigfoot (2012), o disco de estreia dos Cayucas, uma banda sedeada em Santa Mónica, na Califórnia e formada pelos gémeos Zach e Ben.

Produzido por Ryan Hadlock, Dancing At The Blue Lagoon é um retrato feliz de uma Califórnia cheia de sol, praias e pessoas que vivem algo alienadas do mundo real, por mergulharem constantemente nas ondas salgadas de um pacífico que estableece pontes com uma costa oeste cheia de oportunidades e todo auqele conforto que o capitalismo pode foerecer, com Hollywood a ser, de certo modo, o expoente máximo deste modo de viver tão exuberante e frenético como Big Winter Jacket, a canção que nos abre a porta para Dancing At The Blue Lagoon.

Ao segundo disco, os irmãos Yudin resolvem construir o seu próprio filme que narra a infância vivida em Davis, nos arredores de Los Angeles, oferecendo-nos assim um disco verdadeiramente conceptual, com um alinhamento que nos oferece diferentes experiências e sensações que permanecem impressas com detalhe nas mentes dos autores. E os Cayucas fazem-no à boleia de uma sonoridade que se apoia em guitarras eletrificadas e que mesclam algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo, com destaque evidente natural para a surf music, deslumbrante em Moony Eyed Walrus e colorida em Hella, mas que também não descura uma vertente acústica, audivel em Blue Lagoon (Theme Song). Mas as cordas não são só feitas com guitarras; Os violinos de mãos dadas com o piano em Ditches fazem deste tema um dos mais profundos e sentimentais de Dancing At The Blue Lagoon, uma balada intensa e emocionante, com todos os ingredientes que uma canção desse género exige para atingir os pressupostos habituais.

Todo o clima deste disco, expresso com relevo no próprio artwork, é uma experiência divertida e nostálgica de um mundo diferente do nosso, visto pelos olhos de uma dupla que certamente procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa e que ilumina as seuas memórias, sem serem demasiado complicados no momento de criar sons e melodias que revivem um passado feliz, fazendo-o com canções que fluem naturalmente e, em alguns momentos, transmissoras daquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Espero que aprecies a sugestão...

Cayucas - Dancing At The Blue Lagoon

01. Big Winter Jacket
02. Moony Eyed Walrus
03. Hella
04. Champion
05. Ditches
06. Dancing At The Blue Lagoon
07. Backstroke
08. A Shadow In The Dark
09. Blue Lagoon (Theme Song)


autor stipe07 às 21:05
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2015

Kurt Vile - b’lieve i’m goin down…

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011 e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile está de regresso com b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro por intermédio da Matador Records e já o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

Cantautor sempre intenso e profundo no modo como expôe os dilemas e as agruras da vida, comuns à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar, Kurt Vile encontra-se aos trinta e cinco anos numa fase da sua carreira que reflete, de certo modo, o seu posicionamento posicional no mundo em que vive e vivemos, duas realidades diferentes, mas no seu caso paralelas, porque caminham a par e passo, não fosse este músico norte americano natural de Lansdowne, na Pensilvânea, profundamente autobiográfico e auto reflexivo, servindo-se da música que cria para expiar os seus pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta.

É assim a música de Vile, intensamente pessoal e rica em descrições quer da sua existência quer de outros alteregos que cria, geralmente para desafiar o destino a oferecer-lhe sonhos e anseios que não quer deixar de experimentar um dia, não só a boleia do banjo que o pai lhe ofereceu aos catorze anos, mas também da viola e da guitarra, outros fiéis companheiros nesta jornada única e sentimental, sobre a vida de um músico, mas também de uma américa cheia de encruzilhadas e dilemas. 

b’lieve i’m going down, este extraordinário novo disco de Vile é, pois, um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções, doze canções que mostram esse Kurt Vile reflexivo, mas também auto confiante. Pretty Pimpin, o primeiro single divulgado desse trabalho, realça, principalmente, o segundo aspeto referido, já que a canção mostra o músico embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com as propostas mais intimistas de discos antecessores, apresentando-o menos tímido e mais grandioso. E essa luminosidade não abandona quase nunca o registo, com I’m An Outlaw a mostrar-nos como Vile lida com a sua constante necessidade de fuga aos padrões sociais e aos cânones pré estabelecidos, algo que todos nós desejamos muitas vezes fazer, mas nem sempre temos espírito e ousadia para avançar e com Dust Bunnies a fazer-nos embarcar numa incrível viagem ao rock psicadélico da década de setenta, mantendo-se o derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas.

Daí em diante não faltam momentos em que prevalece essa sensação nada abstrata, que mostra um músico que procura sempre deixar o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais, quase sempre feitas com o simples dedilhar de cordas, que pintam instantes que podem ser possíveis pontos de reflexão silenciosa, que todos experimentamos diariamente e que nos dizem muitas vezes bastante mais e de modo superiormente sábio, do que conversas de circunstância com quem nos é próximo mas tem apenas um conhecimento circunstancial e superficial do nosso âmago. Lindíssimas baladas como Stand Inside ou Lost My Head Tere, mas também o experimentalismo patente em Life Like This e as variações percussivas e os acordes deambulantes que empoeiram Wheelhouse, manifestam instrumentalmente estas experiências de vida sincera, que também precisa de ser uma jornada espiritual, para ser apreciada e saboreada em plenitude.

Demanda temática sobre um só ser que pode conjugar em si a esmagora maioria dos seres deste mundos, já que é profundamente genuíno no modo como expõe as principais virtudes e fragilidades da condição humana, b’lieve i’m goin down… discute melancolicamente sobre o amor, a saudade e outras futilidades diárias, à sombra de narrativas criadas por um músico que prova so sexto disco ser capaz de observar o tempo passar e de ser capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele, à boleia das cordas,pelo menos durante mais trinta e cinco anos.

Kurt Vile estará em Lisboa a vinte e quatro de novembro, onde irá apresentar em nome próprio o novo álbum. A atuação está marcada para o Armazém F e a primeira parte está a cargo de Waxahatchee. Espero que aprecies a sugestão...

Kurt Vile - B'lieve I'm Goin Down...

01. Pretty Pimpin
02. I’m An Outlaw
03. Dust Bunnies
04. That’s Life, Tho (Almost Hate To Say)
05. Wheelhouse
06. Life Like This
07. All In A Daze Work
08. Lost My Head there
09. Stand Inside
10. Bad Omens
11. Kidding Around
12. Wild Imagination

 


autor stipe07 às 17:16
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Broken Bells – It’s That Talk Again

Broken Bells - It's That Talk Again

Os Broken Bells de Danger Mouse e James Mercer, vocalista dos The Shins, estão de regresso aos lançamentos  com It’s That Talk Again, a primeira música divulgada pela desde o lançamento de After The Disco, o ultimo disco do grupo, lançado em 2014.

Este tema surge quase em simultâneo com o filme Broken Bells: Live At The Orpheum, sendo uma canção cheia de harmonias subtis embrulhadas na voz efusiva de Mercer e com uma forte toada pop, proporcionada por uma batida cheia de groove e que clama pelas pistas de dança. Confere...


autor stipe07 às 16:43
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Domingo, 27 de Setembro de 2015

Sleepy Crash - Sleepy Crash

Oriundo de Bellmore, em Nova Iorque, Brian Sendrowitz é o grande mentor do projeto Beat Radio, algumas vezes referido neste blogue, mas desta vez ele está de regresso com um outro intitulado Sleepy Crash, onde colabora com Tim Lannen dos The Diggs, à boleia da Awkward For Life Records.

Sleepy Crash, um pequeno EP com dois temas, é uma singela coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num ambiente melancólico e sedutor, capaz de nos fazer acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. PWTB, a primeira canção, tem algo de fresco e hipnótico, uma pop com um pendor eletrónico simples, bonito e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. Os sintetizadores têm um tempero muito particular e sustentam a base melódica e sabem como dar o tempero ideal à composição, dando-lhe  que, com frequência, duvidam delas próprias sem saberem se querem avançar para uma sonoridade futurista, ou se preferem viver na firme intenção de ficarem a levitar na pop dos anos oitenta. Depois, em Name Every Storm, a densidade um pouco lo fi e shoegaze, confere aquele encanto retro e relaxante e amplia a atmosfera de brilho e cor em movimento que sustenta esta obra, que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana.

Sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, estas canções carecem de cantos escuros e projetam a Sleepy Crash inúmeras possibilidades sobre o seu futuro discográfico próximo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:47
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Sábado, 26 de Setembro de 2015

Say Hi – Bleeders Digest

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente tem o sugestivo nome de Bleeders Digest, um trabalho que chegou aos escaparates pela mão da Barsuk Records e o nono na carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental e sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Bleeders Digest sucede a Endless Wonder, um álbum editado o ano passado e marca mais um capítulo numa saga fictional onde cada tomo se debruça sobre uma temática precisa, com os vampiros a serem, desta vez, o mote de onze canções onde não falta uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, o rock setentista, o rock de garagem e o blues. Se temas como The Grass Is Always Greener e Creatures Of The Night, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e numa percussão convincente, além de guitarras plenas de groove e distorção, já Teeth Only For You abranda um pouco o clima, mas não o ritmo, já que a receita mantém-se, mas numa toada mais nostálgica e épica.

Se o disco merece audição atenta pelo seu todo, a diversidade plasmada nesses três exemplos acentua a justeza da necessidade de este músico obter, finalmente, um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Aliás, o modo convincente como em Transylvania (Torrents Of Rain, Yeah) e Pirates Of The Cities, Pirates Of The Suburbs, Say Hi serve-se da grandiosidade das guitarras e de variações ritmícas e melódicas constantes, enquanto se debruça a fundo no universo sobrenatural e menos empírico dos vampiros, além de carimbar a enorme dose de criatividade que nele habita, sugere que este autor busca sempre novas nuances para o seu cardápio, curiosamente dentro de um som mais experimental e que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem, quanto a mim, potencial para um elevado airplay.

Até ao ocaso de Bleeders Digest, a imensa soul que desliza pelo piano arrebatador e pelos detalhes sintéticos de Galaxies Will Be Born e a monumentalidade instrumental de Volcanoes Erupt, que desliza até ao krautrock, são outros pontos de paragem obrigatória numa viagem única de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o adn da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido a uma voz que, ao longo do trabalho, preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Bleeders Digest

01. The Grass Is Always Greener
02. It’s A Hunger
03. Creatures Of The Night
04. Transylvania (Torrents Of Rain, Yeah)
05. Lover’s Lane (Smitten With Doom)
06. Teeth Only For You
07. Time Travel Part Two
08. Pirates Of The Cities, Pirates Of The Suburbs
09. Galaxies Will Be Born
10. Volcanoes Erupt
11. Cobblestones

 


autor stipe07 às 21:36
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015

Sean Taylor - The Only Good Addiction Is love

Natural de Londres, o britânico Sean Taylor editou a quinze de junho The Only Good Addiction Is Love, um disco gravado nos estúdios Congress House em Austin. Produzido por Mark Hallman (Carole King, Ani Di Franco), o álbum conta com a participação especial de lendário baixista Danny Thompson, que também costuma acompanhar Taylor nas suas digressões.

Muitas vezes as conexões que se estabelecem entre o escritor de canções e o seu próprio coração quando se encontra apaixonado, revelam-se para o próprio com maior clareza quando o mesmo se predispôe a revelar aos outros o seu estado de alma, em vez de, por exemplo, se debruçar, liricamente, sobre uma situação depressiva ou de quebra e término de uma relação amorosa. Depois de nos discos anteriores este músico se ter debruçado sobre a sua vida em Londres e as dificuldades de um trovador, The Only Good Addiciton Is Love é um compêndio de canções inspiradas ainda no próprio autor e, obviamente com um conteúdo autobiográfico, mas que serve para Taylor perceber melhor os seus sentimentos num instante paticularmente feliz da sua vida pessoal e também para o próprio se revelar um pouco mais aos outros, utlizando a música como veículo privilegiado para essa exposição e para opinar acerca do amor, considerando-o o melhor sentimento que se pode apoderar de cada um de nós.

Inspirado numa frase do presidente do Uruguay, José Mujica que doou uma elevada percentagem do seu salário para instituições de caridade e que se recusava a viver no palácio presidencial, preferindo a pacatez da sua quinta e a companhia da sua esposa e de três cães, o título deste disco é, então, uma chamada de atenção para todos nós, sugerida por um excelente guitarrista que se serve da viola acústica e do esplendor das cordas para a criação de um ambiente sonoro emotivo e honesto.

Mas as inspirações de Taylor para este disco não se ficam apenas por Mujica, já que todo ele é um compêndio de referências a artistas que têm tocado no âmago do autor e ensinado o músico a ver o amor de várias perspetivas. O ambiente nublado e contemplativo da belíssima Rothko é uma homenagem sincera ao pintor abstracto expressionista Mark Rothko que cria formas ambientais que são verdadeiros hinos ao conceito de beleza e o instrumental Lorca refere-se, naturalmente, ao espanhol Federico Garcia Lorca, o poeta preferido deste músico e que, de acordo com o proprio, o inspirou a escrever algumas dezenas de canções logo após a primeira vez que leu algo dele. Depois, a calorosa e enleante Tienes Mi Alma En Tus Manos, canção que conta com alguns arranjos de violinos e de piano assombrosos, tem o seu título inspirado num trecho de The Power of Dog, um romance algo violento mas pleno de humanidade, da autoria de Don Wislow. O minimalismo acústico e percussivo mas intensamente melódico de Desolation Angels refere-se a um romance com o mesmo nome de Jack Kerouac, onde o protagonista foge das tentações da grande cidade para se refugiar numa floresta e, serenamente, sem constrangimentos, criar aquilo que considera ser a sua obra de arte perfeita e, finalmente, a contemplativa Les Rouges Et Les Noirs, inspira-se numa pintura da autoria de Paul Klee, um artista plástico multifacetado e que aborda diferentes movimentos nas suas obras.

Músico com um lado muito humano e que faz questão de se mostrar próximo de nós e de partilhar connosco as coisas boas e menos boas que a vida lhe vai proporcionando e, com essa abertura, faz-nos, quase sem darmos por isso, retribuir do mesmo modo, Sean Taylor é um cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Na verdade, ele demonstra em The Only Good Addiction Is Love uma superior capacidade para suscitar sensações concretas no nosso íntimo, através de um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão... 

Sean Taylor - The Only Good Addiction Is Love

01. The Only Good Addiction Is Love
02. Bad Light
03. Rothko
04. Lorca
05. Tienes Mi Alma En Tus Manos
06. Flesh And Mind
07. We Can Burn
08. MOMA
09. Desolation Angels
10. Les Rouges Et Les Noirs
11. The White Birds (WB Yeats)


autor stipe07 às 20:07
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2015

On An On – And The Wave Has Two Sides

Editado no passado dia vinte e quatro de julho com a chancela da Roll Call Records, And The Wave Has Two Sides é o novo registo de originais dos ON AN ON, um trio norte americano de Minneapolis formado por Nate Eiesland, Alissa Ricci e Ryne Estwing, três antigos membros dos Scattered Trees. Gravado em Los Angeles com o produtor Joe Chiccarelli (Spoon, The White Stripes, My Morning Jacket) depois de uma longa mas bem sucedida digressão, este disco, o terceiro da carreira do grupo, sucede ao aclamado Give In, editado em 2013 e na altura dissecado por cá.

Com um percurso discográfico e sonoro já consolidado e amplamento reconhecido, os ON AN ON sobrevivem à luz de um indie rock que se mistura, muitas vezes, com uma pop eletrónica de forte cariz ambiental, feita com uma míriade imensa de instrumentos e elaboradas cenografias sonoras, que transcendem as noções de género e fronteira, sem nunca se perder de vista a ideia da canção.

And The Wave Has Two Sides não foge à regra no modo como utiliza os sintetizadores, mas também o baixo e a guitarra, para criar telas sonoras que muitas vezes explodem como fogos de artifício, como se percebe em Behind The Gun, mas sem nunca descurar uma forte toada nostálgica e sentimentalmentme impressiva. Já Icon Love é uma viagem letárgica fortemente intimista que obedece a este paradigma, sendo-nos oferecida por todo o arquétipo instrumental acima referenciado e por uma harmonia vocal eloquente e que amplia o brilho da canção. Logo nesta composição percebe-se que o registo vocal de Nate está mais apurado e imbuído com uma aúrea de encantamento superior, sendo depois, no restante alinhamento, um elemento essencial para ampliar o contraste e acrescentar novas cores aos temas dos ON AN ON, que são, quase todos, muito cativantes.

Canções como Alright Alright ou Drifting são dois festins inebriantes de cor e luz reluzente e inspiradora, temas com uma forte vertente épica, emotiva e grandiosa. Algo divergentes em termos estruturais, com o primeiro exemplo a sustentar-se num efeito de guitarra grandioso e o segundo num dedilhar de cordas acústico absolutamente sedutor, convergem, no entanto, no rigor hipnótico com que se servem de um filtro de texturas saturadas para, à boleia de arranjos bem conseguidos e uma riqueza compositória claramente intuita e cerebral, nos oferecerem sensações fortemente melancólicas e que se desbravam num misto de euforia e contemplação, à medida que os diferentes efeitos vão-se revezando na linha da frente da estrutura melódica das composições e comfirmando a sua espantosa solidez. Mesmo as linhas de guitarra mais agrestes de Wait For The Kill ou as variações ritmícas que o baixo e a bateria definem em You Were So Scared, de mãos dadas com um efeito de guitarra curioso, exalam um intimismo romântico bastante peculiar, além de serem excelentes exemplos do que melhor se vai ouvindo no indie rock atual, aprimorando eficazmente a atmosfera sonora de um grupo com uma direção sonora que às vezes parece recuar duas décadas, no modo como cruza sintetizadores e vozes, com cordas e percussão, sempre com uma forte toada nostálgica e contemplativa.

Simples e intrigante, fortemente hermético e fechado num casulo muito próprio, And The Wave Has Two Sides está revestido com uma sonoridade que exige particular dedicação, mas que recompensa quem se atrever a tentar descobrir os seus recantos mais profundos e a procurar desbravar os territórios sonoros queeste disco decalca. Espero que aprecies a sugestão... 

On An On - And The Wave Has Two Sides

01. Behind The Gun
02. Icon Love
03. Alright Alright
04. I Can’t Escape It
05. It’s Not Over
06. Drifting
07. Wait For The Kill
08. Stay The Same
09. You Were So Scared
10. Secret Drone
11. Synth Interlude
12. All At Once


autor stipe07 às 20:18
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2015

Summer Heart – Thinkin Of U EP

Oriundos de Malmö, na Suécia, os Summer Heart são um projeto encabeçado por David Alexander, ao qual se junta Frederick RQ e que aposta numa sonoridade com uuma elevada componente lo fi e com aquele espírito tipicamente nórdico, com imensos traços que cruzam pop e psicadelia, com uma tonalidade muito própria, plena de reverb, mas que não ofusca o espíirito claramente juvenil de canções que contêm uma luminosidade muito própria.

O conceito de intensidade, neste caso nas guitarras e na percussão, mas também nos efeitos sintetizados, é transversal às cinco canções de um EP que exalta a melancolia, fazendo-o à boleia de melodias capazes de vergar o coração mais empedernido e às quais é impossível resistir. The Cross é um excelente exemplo da capacidade inebriante que os Summer Heart têm de nos convidar a darmos as mãos e fazermos uma roda em seu redor, enquanto dançamos ao som de uma canção que brilha no modo como palpita, guiada por ma guitarra que parece ter vida própria e que em determinados instantes até nem receia ousar. Depois, e tomando como exemplo a notável e festiva Beat Of your Heart, tema que pisca o olho a um certo travo psicadélico, ficamos impressionados pelo modo harmonioso como os Summer Heart conseguem eletrificar a guitarra e, num clima mais rock, abraçando esse salutar experimentalismo ainda com maior convicção, não resvalarem nunca para exageros desnecessários, conseguindo assim manter intato um precioso charme genuíno e provando que estamos na presença de uma banda criadora de belos instantes sonoros, que, apesar do constante reverb, se estendem pelos nossos ouvidos sem a mínima sensação de desconforto.

O que não falta neste disco são canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que dão expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana. Além dos exemplos já referidos, quando em Sleep os Summer Heart se servem da combinação da guitarra com outros sons e detalhes sintetizados, nunca roubam às cordas o merecido protagonismo, com esta canção a ser capaz de nos fazer refletir, com um romantismo e uma cândura que nos confrontam com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Talvez seja do clima sueco, ou do frio polar que obriga a que mentes que viajam constantemente entre a ressaca e um estado mais ébrio, tenham de se aquecer de qualquer forma, a verdade é que estes Summer Heart conseguem esse efeito reconfortante através da sua música, sem dúvida uma excelente porta de entrada para um mundo mais confortável e acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Summer Heart - Thinkin Of U

01. Sleep
02. Thinkin Of U
03. The Cross
04. Beat Of Your Heart
05. U Got All I’m Looking 4


autor stipe07 às 18:04
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