Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
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His Name Is Alive - African Violet Casts A Spell

hnia

Liderados por Warren Defever, o único elemento do grupo que se mantém desde a formação, os norte americanos His Name Is Alive são uma banda de rock experimental oriunda de Livonia, uma pequena cidade no estado do Michigan. Depois de algumas cassetes gravadas em nome próprio, estrearam-se nos discos no início da década de noventa, através da conceituada 4AD Records e, de então para cá, entre EPs e álbuns, nunca ficaram muito tempo sem gravar, durante duas décadas de apreciável consistência e forte identidade, com Warren a conseguir manter a sonoridade do grupo, apesar da enorme variedade de músicos que têm passado pelo projeto.

No próximo dia vinte e oito de outubro chegará aos escaparates Tecuciztecatl, via HNIA, o novo disco dos His Name Is Alive e descrito por Warren como um compêndio de ópera rock que serviu para exorcizar alguns demónios que vinha carregando consigo. African Violets Cast A Spell, o primeiro single divulgado, é uma canção preenchida com arranjos que têm tanto de lindíssimo como de bizarro, uma espécie de mistura entre uma folk clássica com uma pop luxuriante e sem paralelo. Confere...


autor stipe07 às 13:41
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Thom Yorke – Tomorrow’s Modern Boxes

Vocalista da banda que ocupa o trono do indie rock alternativo há quase duas décadas e um dos criativos musicais fundamentais da história da música contemporânea, Thom Yorke está claramente apostado em deixar uma marca indelével na história da música e não apenas e só por causa do conteúdo do seu cardápio sonoro, mas também na forma inovadora como pretende revelar e disponibilizar o mesmo. Crítico assumido sobre a forma como a indústria fonográfica tem assumido as rédeas da distribuição, Yorke disponibilizou no passado dia vinte e seis de setembro Tomorrow's Modern Boxes, o seu segundo disco a solo, para download digital e também em vinil na página oficial, experimentando uma nova forma de edição e distribuição, através da tecnologia BitTorrent, criada por uma empresa norte-americana e que permite a cada consumidor partilhar e gerir ficheiros sem intermediários.

Num comunicado que assina com Nigel Godrich, o produtor do disco e divulgado no dia do lançamento, ambos explicavam que Tomorrow’s Modern Boxes é uma experiência e que, se correr bem, poderá ser o caminho para que os criadores artísticos voltem a ter controlo sobre o comércio na Internet. Seja como for, e independemente do sucesso desta nova abordagem comercial, importa é, desde já, debruçarmo-nos sobre aquilo que realmente importa, o conteúdo deste registo de um músico que promete, como já referi, deixar uma marca indelével na história da música, particularmente a eletrónica.

Uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante e elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente, quase sempre livres de constrangimentos estéticos e que nos provocam um saudável torpor, são já a imagem de marca da música de Thom Yorke, alguém que parece decididamente apostado em compôr música principalmente para si e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar uma abordagem eminentemente sintética. Os oito temas do alinhamento de Tomorrow's Modern Boxes vivem, portanto, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espetral e meditativo que o disco vive, um registo que espelha a elevada maturidade do autor e espelha a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe, muitas vezes de forma bastante implícita e quase inaudível o baixo e a bateria.

Analisar a música de Thom Yorke e não falar da sua voz é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é também em Tomorrow's Modern Boxes um fio condutor das canções, seja através do habitual falsete, amiúde manipulado em A Brain In A Bottle, o tema onde essa forma de cantar é mais explícita,ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais. E este último registo ganha contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste disco quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb em temas como Truth Ray ou There Is No Ice (For My Drink) e transforma-se numa das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Yorke está ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. Curiosamente, o piano costuma ser um fiel companheiro do músico e um instrumento que se alia com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge destacado em Pink Section, por sinal um tema onde o protagonismo da voz é ínfimo.

Tomorrow's Modern Boxes é de um subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Thom Yorke.

Nigel Goodrich já tinha produzido The Eraser, o primeiro registo a solo de Yorke e também foi ele que OkComputorizou os Radiohead, pelo que este novo manifesto de eletrónica experimental é também certamente responsabilidade sua, assim como a opção pela ausência total das guitarras e pela primazia do trabalho de computador, da construção de samples, no fundo, da incubação de uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual.

Mais apontado para satisfazer o seu umbigo do que propriamente saciar a fome de excelência de quem o venera e exulta a cada suspiro ruidoso que o autor exala, Tomorrow's Modern Boxes é um despertar maquinal, onde a pureza da voz contrasta com a agressividade de uma modernidade plasmada em letras que mostram o mesmo Thom Yorke de sempre, irreverente, meio perdido, entre o compreensível e o mundo dele, estando, no meio, a sua luta constante com a sociedade e a sua vertente intervencionista politica, ambiental e social. Espero que aprecies a sugestão... 

Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes

01. A Brain In A Bottle
02. Guess Again!
03. Interference
04. The Mother Lode
05. Truth Ray
06. There Is No Ice (For My Drink)
07. Pink Section
08. Nose Grows Some


autor stipe07 às 22:46
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Peace - Lost On Me

Peace - Lost On Me

Oriundo de Birmingham, o quarteto inglês Peace continua a revelar novos detalhes do seu segundo disco de originais. Lost On Me é o novo single retirado do álbum e já tem direito a vídeo oficial, por sinal bastante engraçado e criativo. Nele, a banda fica presa num loop infinito de passos de dança que os levam a arriscar as suas vidas e, ao que parece, a morrer ao final. Confere...


autor stipe07 às 13:17
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Domingo, 28 de Setembro de 2014

Roadkill Ghost Choir – In Tongues

Oriundos de Deland, na Flórida, os norte americanos Roadkill Ghost Choir de Andrew Shepard, Zach Shepard, Maxx Shepard, Stephen Garza e Kiffy Myers, estrearam-se no passado dia vinte e cinco de agosto nos discos com In Tongues, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Greatest Hiss Records e que foi gravado com a ajuda do produtor Dough Boehm (Girls, Dr. Dog), em Athens, na Georgia e no estúdio da banda localizado na sua terra natal.

Com concertos recentes em festivais tão emblemáticos como Bonnaroo e Lollapalooza, estes Roadkill Ghost Choir começam a ganhar um lugar de relevo no panorama indie norte americano, muito por causa do conteúdo deste In Tongues que, pelos vistos, também se inspirou bastante na vida de uma banda na estrada, em plena digressão e do sentimento de solidão e de distanciamento do mundo real que os músicos tantas vezes sentem, quando estão fora de casa e do seu habitat natural por um longo período de tempo.

In Tongues contém dez canções que combinam elementos clássicos da pop e do rock americano, de forma a criar um som com melodias apelativas, através de uma mistura de diferentes personalidades, todas com enorme talento e capazes de criar excelentes canções. Os músicos, vários deles irmãos, que compôem esta banda fizeram um excelente trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre os instrumentos de sopro, a percurssão e as guitarras que o sustenta e, na verdade, a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. O trompete acaba por ser um significativo detalhe para a envolvência do disco, um instrumento que em Hwy define mesmo o processo de construção melódica, mas é o banjo o protagonista maior de um cardápio instrumental que não renega a replicação de vários subgéneros da pop que se misturam com o clássico rock e que fazem deste trabalho uma verdadeira súmula de algumas das melhores caraterísticas do ideário sonoro de terras do Tio Sam.

A particularidade que estes Roadkill Ghost Choir parecem ter de conseguirem soar simultaneamente familiares e únicos é um aspeto que brota do conteúdo geral de um disco que, conseguindo passear entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica (I Could See Everything), onde se inclui um baixo amiúde esplendoroso (A Blow To The Head), com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica (Down & Out), origina algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece não ter nunca qualquer receio em deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do próprio post punk, o indie rock mais épico. Apesar de as canções serem conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz de Andrew se posiciona e se destaca à medida que canta sobre o presente, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas.

Há definitivamente algo de especial nestes Roadkill Ghost Choir e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk e do rock norte americano contemporâneo para criar um som cheio de frescura e vitalidade, apresentando em In Tongues um pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Andrew Shepard sabe muito bem como encaixar. Espero que aprecies a sugestão... 

Roadkill Ghost Choir - In Tongues

01. Slow Knife
02. HWY
03. Down And Out
04. A Blow To The Head
05. I Could See Everything
06. No Enemy
07. Womb
08. Lazarus, You’ve Been Dreaming
09. Dead Friend
10. See You Soon


autor stipe07 às 21:10
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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Perfume Genius - Too Bright

Editado no passado dia vinte e três de setembro por intermédio da Matador Records, Too Bright é o novo álbum de Perfume Genius, aka Mike Hadreas, um músico natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos nomes mais excitantes do cenário alternativo. Dois anos depois, Put Your Back N 2 It ofereceu-nos momentos sonoros soturnos e abertamente sofridos e agora, em Too Bright, Hadreas amplia as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam  connosco com elevada empatia.

Gravado com Adrian Utley dos Portishead e com a participação especial de John Parish em vários temas, Too Bright é um disco inteiramente dominado por uma voz que se faz acompanhar de um ilustre piano, enquanto relata eventos de uma vida com alguns detalhes que nem sempre são particularmente agradáveis. Mike teve grandes dificuldades em lidar com a homofobia que sempre sentiu em redor devido à sua condição sexual e ao processo de recuperação que teve de encetar devido a uma dependência do álcool e das drogas, algo que a atmosfera lo-fi dos seus álbuns ilustra como uma necessidade confessional de resolução e redenção. Como o próprio Hadreas, os seus discos são delicados, emocionantes, e inerentemente tristes.

Too Bright não é uma inflexão radical em relação à toada dos trabalhos anteriores, mas há aqui algo mais intenso, também por causa das suas mudanças na vida pessoal e que, ao escutarmos a sua música, sentimos enorme curiosidade em conhecer. A forma contundente como Mike abre-nos o seu coração, impele-nos ao desejo de conhecer melhor o homem por detrás do piano e dos sintetizadores, os dois grandes pilares instrumentais de Too Bright e que, no caso dos últimos, alargaram exponencialmente o leque de possibilidades melódicas e de tomada de decisões ao nível dos arranjos.

Sendo então um artista que já confessou que não consegue fazer música se ela não falar sobre si próprio e que aproveitou, ainda, para referir que continua a guardar muitos segredos dentro de si, em Too Bright os timbres distorcidos de Queen, a dinâmica melosa e emotiva de Fool e a pop vintage de Grid, são exemplos nítidos sobre a forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e, simultaneamente, novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial para a mente criativa do músico, tendo em conta as especificidades da sua realidade que já referi, apenas genericamente. A voz grave e algo enraivecida e ferida que se escuta em I'm A Mother e que se distorce ainda mais em My Body, à medida que a componente instrumental sintética cria, nesta última, um ambiente sinistro e nos suga para o interior do âmago de Hadreas, provoca em nós um sentimento de repulsa, porque sentimos vontade de lutar contra essa evidência mas, por outro lado, causa uma atração intensa, como se não quisessemos deixar tão cedo de escutar este momento de verdadeiro delírio.

Perfume Genius é, como vemos, mestre na forma como utiliza a dor para transformar a sua intimidade em algo universal e na maneira como aborda de forma inédita as relações e a fragilidade humana. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada por ele na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Too Bright faz justiça ao nome porque traz-nos luz... Não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas o contacto e a tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. É uma luz suplicante, que luta contra os nossos desejos, ou que quer apenas ser a materialização deles, emanada de um disco sombrio e, por isso, muito forte, enquanto plasma uma nova faceta do percurso discográfico do autor. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Too Bright

01. I Decline
02. Queen
03. Fool
04. No Good
05. My Body
06. Don’t Let Them In
07. Grid
08. Longpig
09. I’m A Mother
10. Too Bright
11. All Along

 


autor stipe07 às 13:59
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

The Rentals – Lost In Alphaville

Liderados por Matt Sharp, o emblemático baixista fundador dos Weezer, os  The Rentals editaram no passado dia a vinte e seis de agosto, por intermédio da Polyvinyl Records, Lost In Alphaville, um disco que contou também com as contribuições de Jess Wolfe e Holly Laessig (Lucius), Ryen Slegr (Ozma), Lauren Chipman (The Section Quartet) e Patrick Carney (The Black Keys). Misturado por D. Sardy (Jay-Z, LCD Soundsystem), Lost In Alphaville é a materialização sonora do ideário musical de um cérebro, que foi, tantas vezes, o grande responsável pelas melodias de uns Weezer repletos de glória e tradições, onde havia um Rivers Cuomo que dava a cara com as letras e a voz, mas era Sharp quem, criativamente, dominava o processo de composição melódica de vários hinos que fizeram as delícias de milhões de seguidores em todo o mundo, no período aúreo dessa banda norte americana, em finais do século passado.

Nos The Rentals Matt aposta num indie rock essencialmente progressivo, com sintetizadores vintage e guitarras futuristas à cebeça, uma espécie de modernismo retro tão em voga nos dias de hoje. Neste terceiro disco do projeto atingiu o topo, com a preciosa ajuda de nomes tão importantes como Carney, na bateria, o guitarrista Ryen, da dupla feminina constituida por Jess Wolfe e Holly Laessig e a violinista Lauren, como referi acima. Além disso, Joey Santiago (Pixies) també aparece nos créditos de um cardápio de dez canções surpreendentes, onde dominam as tais guitarras e sintetizadores, mas onde o baixo tem um papel preponderante já que é o manto sobre o qual assenta todo o arsenal inastrumental que as preenche. Esse baixo começa cumprir o seu papel logo em It's Time To Come Home, com as vozes, as guitarras em catadupa e os teclados cheios de detalhes e efeitos inspirados, a darem ao tema uma toada vintage que a voz sussurrada de Sharp amplia. 

Traces Of Our Tears, acelera e aumenta o clima de festa e a partir daí, guitarras distorcidas que se confudem com sons sintetizados e a bateria de Carney sempre em polvorosa, mesmo que algumas vezes não seja o centro nevrálgico, são a receita que apenas abranda um pouco nas baladas Stardust e Damaris, a última sobre amores impossiveis e que atinge o clímax no cariz épico e vincadamente emotivo que os violinos ajudam a recriar em Irrational Things, uma espécie de falasa balada. 1000 Seasons, o tema já escolhido para single, situa-se no ponto nevrálgico de Lost In Alphaville, uma canção que fala de memórias escritas num diário secreto.

O tal rock progressivo que referi no início, resplandesce em Tought Of Sound e acaba por ser um excelente começo de um novo momento alto do disco, que também inclui Song Of Remembering, uma das melhores canções de Lost In Alphaville e que  brilha, sobretudo, devido às guitarras em looping e o rock clássico e nostálgico de Seven Years. A psicadelia também faz a sua aparição com The Future, um tema lento, mas algo inebriante e que encerra em beleza um conjunto de dez canções que  não deixam de recuperar aquela veia experimental que definiu o rock alternativo dos anos noventa, mas que também aponta a outros períodos passados e deixa excelentes pistas sobre como poderá ser o amanhã do género sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

The Rentals - Lost In Alphaville

01. It’s Time To Come Home
02. Traces Of Our Tears
03. Stardust
04. 1000 Seasons
05. Damaris
06. Irrational Things
07. Thought Of Sound
08. Song Of Remembering
09. Seven Years
10. The Future

 


autor stipe07 às 19:07
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Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes preview

Thom Yorke tem novo disco a solo. O trabalho chama-se Tomorrow's Modern Boxes e está já disponível para download digital e também em vinil na página oficial. Além disso, também já é oficial que os Radiohead se encontram em estúdio a gravar um novo longa duração do grupo. Em breve este novo disco de Thom Yorke será dissecado por cá.

Deixo-vos um aperitivo do disco e a tracklist. Fica atento...

"A Brain in a Bottle"
"Guess Again!"
"Interference"
"The Mother Lode"
"Truth Ray"
"There is No Ice (For my Drink)"
"Pink Section"
"Nose Grows Some"


autor stipe07 às 17:40
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SLUG - Cockeyed Rabbit Wrapped In Plastic

SLUG

Peter Brewis é o carismático líder dos Field Music, mas não deixa de se envolver em outros projetos. Além de estar a trabalhar num disco de música orquestral com Paul Smith, também tem colocado o dedo no disco de estreia dos SLUG,uma banda liderada por Ian Black, o seu baixista nos Field Music.

Disponível abaixo para download gratuito, Cockeyed Rabbit Wrapped In Plastic são dois minutos de punk rock progressivo de primeira água, com uma toada funk particularmente inédita, uma canção que soa tão estranha e igualmente criativa como a imagem do single. Tendo em conta o pedigree dos músicos envolvidos no tema e o seu conteúdo sonoro, é uma excelente apresentação de um projeto que dará certamente cartas no próximo ano. Confere...

2620


autor stipe07 às 13:27
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Alt-J (∆) – This Is All Yours

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, está de regresso aos lançamentos com This Is All Yours, através da Infectious, um álbum que, além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a eleva para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

As treze canções de An Awesome Wave encaixavam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito; Eram canções que nos faziam descobrir a sua complexidade à medida que se escutava o alinhamento de forma viciante. A atmosfera dançante de Brezeblocks e de Fitzpleasure, misturava-se com músicas mais calmas e relaxantes como Something Good e Taro e, na verdade, talvez ainda estejamos todos demasiado conetados com essa doce recordação para aceitarmos com facilidade a nova vida deste (agora) trio que aposta num som mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

Mais uma vez, os Alt-J (∆) têm como base insturmental o uso de sintetizadores e continuam a ser exímios na replicação de harmonias vocais belíssimas, mantendo-se aquela impressão de que as canções nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente. Mas, o grande motivo de verdadeira celebração relativamente ao conteúdo do sempre difícil segundo disco deste projeto de Leeds, certamente um dos mais excitantes do cenário indie atual, é a forma particularmente viva e espontânea com que celebram os ideais de charme e delicadeza; Eles ficam explícitos durante a viagem que o alinhamento de This Is All Yours nos permite fazer entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, uma epopeia de treze canções onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de ofrma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual.

Ao longo deste álbum abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Escuta-se a forte comoção latente de Hunger Of The Pine, o punk blues enérgico e libertário de Left Hand Free, o momento de maior excelência deste disco, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a The Gospel of John Hurt e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar na sequência final feita com Bloodfood Pt. II Leaving Nara, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar a esses dois universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras.

Se An Awesome Wave tinha momentos que, como já referi, convidavam ao abanar de ancas explícito e propositado, este sucessor impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno, mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Além do já referido sintetizador, uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instrumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Ao confrontar-se com a saída de Gwil, para muitos o líder do projeto, o trio que manteve o barco à tona teve de arregaçar as mangas e, talvez liberto de uma certa formatação criativa bem balizada que esse músico impunha, dedicar-se de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, feita de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Em equipa que ganha às vezes também se mexe e o som complexo e profundo dos Alt-J (∆) resistiu com solidez e de modo exemplar à mudança, já que This Is All Yours comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Alt-J (∆) e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - This Is All Yours

01. Intro
02. Arrival In Nara
03. Nara
04. Every Other Freckle
05. Left Hand Free
06. Garden Of England
07. Choice Kingdom
08. Hunger Of The Pine
09. Warm Foothills
10. The Gospel Of John Hurt
11. Pusher
12. Bloodflood Pt. II
13. Leaving Nara


autor stipe07 às 21:33
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