Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Andrew Bird – Things Are Really Great Here, Sort Of…

Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais. Este músico americano nascido em Chicago tem vivido um período de composição bastante intenso; Em março de 2012 divulguei o excelente Break It Yourself, no final desse ano lançou Hands Of Glory, mais um álbum, em 2013 uma série de EPs e agora, no verão de 2014 presenteia-nos com mais uma coleção de canções, dez versões de temas dos Handsome Family, do casal Sparks, uma dupla de referência do cenário alt-country. Things Are Really Great Here, Sort Off... foi lançado pelo selo Mom + Pop Records e serve para complementar uma discografia já bastante rica, que assenta numa lógica de continuidade e onde a habitual simplicidade da sua música fica mais uma vez patente.

Things Are Really Great Here, Sort Of..., foi gravado com a ajuda dos Hands of Glory, um grupo de músicos que Andrew juntou quando gravou o disco com esse nome e que continuam a acompanhá-lo aso vivo e em estúdio. Os Handsome Family sempre foram uma referência para Bird que tocou no disco In The Air (2000) desse projeto e no Weather Symptoms (2003), um trabalho do seu cardápio, já tinha feito uma versão de Don't Be Scared, um dos temas mais importantes da carreira dos Handsome Family.

A essência dos temas dos Handsome Family recriados por Bird não é abalada nestas novas roupagens, mas há um cuidado nos arranjos, criados por um músico conhecido pela arte de tocar o violino, mas que sabe dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também gosta de incluir a sua própria voz. Esse registo vocal de um dos simbolos atuais da folk norte americana, capaz de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo, firma-se cada vez mais como uma das marcas identitárias da sua arte e em Things Are Really Great Here, Sort Of... há vários exemplos de canções que soam como novas e ganham uma maior personalidade e solidez devido ao rgisto vocal de Andrew. É como se, de algum modo e sem maldade, Bird se apropriasse dessas canções e com graciosidade, charme e estilo e fizesse de temas como Far From Any Road (Be My Hand) ou My Sister’s Tiny Hands momentos cuja audição se recomenda naqueles dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores.

A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, alem de ser mais um instante precioso na discografia de um músico notável e uma forma curiosa de nos sentirmos impelidos a conhecer melhor a discografia exemplar dos Hansome Family. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - Things Are Really Great Here, Sort Of...

01. Cathedral In The Dell
02. Tin Foiled
03. Giant Of Illinois
04. So Much Wine, Merry Christmas
05. My Sister’s Tiny Hands
06. The Sad Milkman
07. Don’t Be Scared
08. Frogs Singing
09. Drunk By Noon
10. Far From Any Road (Be My Hand)


autor stipe07 às 09:48
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Manic Street Preachers – Futurology

Lançado no passado dia sete de julho por intermédio da Columbia Records, Futurology é o décimo segundo capítulo da extraordinária discografia dos galeses Manic Street Preachers, de James Bradfield, uma banda com quase vinte anos de carreira e que continua a surpreender pelo fulgor e pela capacidade de inovar e de reinventar as suas propostas, sem descurarem a sua herança e algumas das tendências sonoras atuais que mais agradam aos seus seguidores. Com as participações especiais de Green Gartside, Nina Hoss, Georgia Ruth, Cian Ciaran e Cate Le Bon, Futorology foi produzido pelos próprios Manic Street Preachers e por Loz Williams e Alex Silva.

Falar da história do rock alternativo britânico das duas últimas décadas e ocultar a contribuição dos Manic Street Preachers, uma instituição nacional e imaculada, para alguns dos alicerces que inspiram determinados novos projetos que vão surgindo por terras de Sua Majestade, é um crime porque, apesar da banda nunca ter atingido uma performance de vendas espetacular, manteve-se sempre fiel à sua bitola sonora, assente, quase sempre, numa vertente instrumental fortemente elétrica, densa mas melodiosa, uma percussão vincada e uma voz apaixonada, que nunca deixou de escrever letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea e de refletir sobre os diferentes rumos que o mundo tem tomado e como o progresso é, por estranho que possa parecer, tantas vezes prejudicial ao bem estar e à felicidade de cada um.

Futurology tem como ideia central o futurismo russo, um movimento poético que fez escola nos anos vinte do século passado e que teve em Mayakovsky o seu maior nome, elogiado com o fantástico rock progressivo do instrumental que encerra o alinhamento do disco. Já agora, Dreaming A City (Hugheskova), homenageia a fundador galês da cidade ucraniana de Donetsk, o comerciante John Hughes. O disco é mais um passo nessa demanda dos Manic Street Preachers de procurar alertar cada um de nós para o apetite voraz que define as obrigações de todos os dias, num presente que vive do tilintar das caixas registadoras e dos extratos chorudos e como esta sociedade regida pelos números não nos permite ter tempo para o essencial, com o amor a ser, na opinião de Bradfield, vocalista, baixista e compositor do grupo, um sentimento cada vez mais descurado, o que coloca em risco o futuro e o bem estar de todos nós.

Depois de Rewind The Film, o enigmático e acústico antecessor, Futurology volta a mostrar uns Manic Street Preachers esplendorosos e completamente ligados à corrente, com a roqueira e dançante Sex, Power, Love and Money, a excelente Between The Clock And The Bed, conduzida por uma bateria magistral, o baixo de Dreaming A City, a otimista Black Square e a sinuosa Miguided Missile, a serem excelentes exemplos da boa forma de um grupo coerente que sabe como lidar com os temas que os aflige, de forma refinada, vigorosa, intensa e intrincada.

Os Manic Street Preachers são uma daquelas bandas em quem se pode confiar verdadeiramente e que nunca defraudam e que sabem como juntar com talento todas as peças do indie rock para formar puzzles de pouco mais de quatro minutos verdadeiramente aditivos e orelhudos, que possam servir de combate a alguns dos inimigos mais visíveis do mundo atual, nomeadamente a ganância, a pobreza, a poluição e a desigualdade e que a letra de Black Square tão bem desmonta. Espero que aprecies a sugestão... 

Manic Street Preachers - Futurology

01. Futurology
02. Walk Me To The Bridge
03. Let’s Go to War
04. The Next Jet To Leave Moscow
05. Europa Geht Durch Mich (Feat. Nina Hoss)
06. Divine Youth (Feat. Georgia Ruth Williams)
07. Sex, Power, Love And Money
08. Dreaming a City (Hugheskova)
09. Black Square
10. Between the Clock And The Bed (Feat. Green Gartside)
11. Misguided Missile
12. The View From Stow Hill
13. Mayakovsky

 


autor stipe07 às 22:28
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Ladada - Coin Toss

Ladada

Ladada é Josiah Schlater, um músico oriundo de Virginia Beach que costumava tocar com a banda punk Mae, entre outras. Ultimamente resolveu compôr a solo e o indie rock de garagem, com um elevado pendor lo fi é o estilo sonoro que mais aprecia.

Coin Toss é o primeiro avanço para um EP homónimo que vai chegar aos escaparates a cinco de agosto, por intermédio da Gold Robot, uma canção que faz um casamento feliz e muito atual entre o rock psicadélico dos anos sessenta e o mais alternativo dos anos noventa. Confere...


autor stipe07 às 11:38
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Beverly – Careers

Lançado pela Kanine Records no passado dia um de julho, Careers é o disco de estreia das Beverly, uma dupla formada por Frankie Rose, uma artista que fez parte dos projetos Vivian Girls, Crystal Stilts e Dum Dum Girls e Drew Citron, cabendo à primeira liderar o processo de composição, quase sempre assente em arranjos delicados e muito melódicos e à segunda escrever as letras. A elas junta-se o músico convidado Scott Rosenthal no baixo.

Em dez canções que não chegam a ultrapassar a meia hora, as Beverly estreiam-se nestas andanças com um indie rock com forte cariz lo fi, numa sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É, pois, um disco rápido, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições.

No fundo, Careers acaba por não andar muito longe do estilo reproduzido por Frankie nos seus projetos anteriores, com a ausência do sintetizador a ser talvez aquela fronteira que separa as Beverly desse seu passado. O facto de ela ser baterista de formação, instrumento que assume nas Beverly, enquanto Citron canta e toca guitarra e a opção por ser restringirem à básica tríade baixo, guitarra e bateria, faz com Careers tenha de ser analisado, no que concerne à apresentação de algo de novo e excitante, não propriamente pela componente instrumental, mas antes pelas opções melódicas e dos arranjos que sustentam o seu conteúdo.

Quando se escuta o baixo encorpado e a batida hipnótica de Planet Birthday, ou a partir do momento em que somos invadidos pela surf pop de Honey Doo noise de Ambular ou a nostalgia de Hong Kong HotelCareers coloca todos os seus trunfos na mesa e nos nossos ouvidos e torna-se num disco divertido e muito convidativo, um trabalho dinâmico e que se escuta com particular fluidez, sem deixar de haver coesão entre as canções, apesar das várias facetas e estilos sonoros que as duas belas miúdas exploram, numa variedade estilistica que nao descura a apenas aparente contradição entre o groove e o lo fi.

As Beverly acabam por ser mais uma visão atual da herança deixada pelas guitarras barulhentas e os sons analógicos e rugosos que pontuaram a alvorada do rock alternativo em finais dos anos setenta, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho de Careers é, ao ouvir-se o disco, ter-se a perceção que essa época foi usada não como plágio, mas em forma de uma inspirada homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir anteriores trabalhos de grupos onde Rosie fez carreira ou uma inovação musical da semana passada. Espero que aprecies a sugestão.

Beverly - Careers

01. Madora
02. Honey Do
03. Planet Birthday
04. All The Things
05. Yale’s Life
06. Ambular
07. Out On A Ride
08. Hong Kong Hotel
09. You Can’t Get It Right
10. Black And Grey

 


autor stipe07 às 22:20
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Craft Spells - Nausea

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells estão de regresso aos discos Nausea, um trabalho que viu a luz do dia a dez de junho por intermédio da Captured Tracks e que sucede a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.


Os Craft Spells são mais um daqueles projetos que aposta numa indie pop com um cariz tipicamente lo fi e shoegaze, plasmada em composições recheadas com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.  Os anos oitenta e a psicadelia de décadas anteriores preenchem o disco e ao longo da audição de Nausea percebemos que o álbum reforça a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora da estreia, à medida que entregamos os ouvidos a um disco fresco e hipnótico e assente numa chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos.

Nausea é, portanto, um compêndio de onze canções construídas em redor de uma bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições, algumas delas verdadeiros tratados de dream pop, carregadas de detalhes deliciosos, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco, um esforço que sobressai em alguns temas de maior duração, nomeadamente a apaixonante Komorebi e a lisérgica Changing Faces, mas com a luminosa e divertida Twirl ou mesmo a espiral sonora de Laughing for My Life a serem bons exemplos da mestria com que os Craft Spells tocam para criar uma obra equilibrada e assertiva.

Disponibilizado para download gratuito no soundcloud da editora, Breaking The Angle Against The Tide é o primeiro single divulgado de Nausea, um grandioso tratado musical de indie rock e outro destaque de um trabalho que teve uma difícil gestação e que ganhou vida depois de Vallesteros ter confessado estar a atravessar um período difícil em termos criativos, que fez com que o próprio se tivesse isolado do mundo, de modo a reencontrar-se, apenas acompanhado pela música de Haroumi Hosono e Yukihiro Takahashi, a dupla dos Yellow Magic Orchestra e que acabaram por ser uma influência decisiva em Nausea.

Liricamente mais direto e incisivo e menos inocente e idealista que o disco de estreia, Nausea fala sobre o amor e fá-lo já de forma madura e consciente e que nos conquista, por se servir de uma sonoridade envolvente e sedutora e mesmo nas instrumentais Instrumental e Still Fields (October 10, 1987) percebe-se que o amor está lá e que as melodias foram criadas tendo em conta esse sentimento único. No entanto, Komorebi é, talvez, a canção onde esta temática vibra de forma mais vincada e apaixonada, com o cruzamento entre uma melodia hipnótica e cativante com uma letra profunda e consistente, a ganhar contornos verdadeiramente únicos.

Ouvir Nausea é acompanhar os Craft Spells numa curiosa viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas e diretas, mas sentidas na forma como resgatam as confissões amorosas de Vallesteros e as nossas, caso partilhemos da mesma compreensão sentimental. Espero que aprecies a sugestão...

Craft Spells - Nausea

01. Nausea
02. Komorebi
03. Changing Faces
04. Instrumental
05. Dwindle
06. Twirl
07. Laughing For My Life
08. First Snow
09. If I Could
10. Breaking The Angle Against The Tide
11. Still Fields (October 10, 1987)

 


autor stipe07 às 21:44
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Slowness – How To Keep From Falling Off A Mountain

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e no ano passado surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Agora, no passado dia três de junho, foi editado How to Keep From Falling Off a Mountain, o sempre difícil segundo disco.

Algures entre Stereolab, os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar em 2014. Produzido, como é habitual, por Vallier, How To Keep From Falling Off A Mountain são oito canções tranquilas, com leves pitadas de shoegaze e pós rock, mas nada de muito barulhento, apesar de uma forte componente experimental, explícita logo no início na sobreposição de distorções e efeitos de guitarras em Mountain. Division e Illuminate têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e são para mim os grandes momentos do disco, belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa.
As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se a já citada Illuminate remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Anon (Part I), usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E nos restantes temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por How To Keep From Falling Off A Mountain.
De certa forma, os Slowness seguem as pisadas do pós punk mais sombrio, que busca uma sonoridade menos comercial e mergulha num oceano de ruídos, com um certo toque de psicadelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.
How To Keep From Falling Off A Mountain não vai dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica. É um disco bom para ouvir enquanto se contempla o céu naqueles finais de tarde junto a um mar sem ondas. Espero que aprecies a sugestão...

Slowness - How To Keep From Falling Off A Mountain

01. Mountain
02. Division
03. Illuminate
04. Anon (Part I)
05. Anon (Part II)
06. Anon (Part III)
07. Anon (Part IV)
08. Anon (A Requiem In Four Parts)


autor stipe07 às 22:17
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Mark Lanegan Band – Sad Lover

Mark Lanegan está de regresso e com muitas novidades. Além de ter anunciado o lançamento de No Bells On Sunday, um EP, para o dia vinte e cinco de agosto, apenas em formato vinil, também já é público que haverá novo disco até ao final do ano e que o mesmo irá chamar-se Phantom Radio.

Sad Lover é o primeiro avanço divulgado de No Bells On Sunday e além da habitual postura vocal de Mark, impressiona por piscar o olho ao krautrock, por causa da percussão e dos efeitos da guitarra. Uma canção potente e hipnótica que antecipa dois possíveis excelentes lançamentos discográficos. Confere...

Mark Lanegan Band - Sad Lover


autor stipe07 às 11:37
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Zero 7 – Simple Science

Os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave e que já não davam sinais de vida há quatro anos, desde Yeah Ghost (2009), além de um sete polegadas com dois temas editado no final do ano passado, estão de volta com um EP com quatro canções intitulado Simple Science, cujo lançamento está previsto para dezoito de agosto via Make Records. O respetivo tema homónimo conta com a voz do cantor australiano Danny Pratt.

Nesta canção, Sam Hardaker e Henry Binns mantêm a inflexão na sua sonoridade, agora mais virada para a pop e para o house, certamente com as pistas de dança ainda mais na mira. Este tema é um registo muito quente e a apelar à soul. Confere...

 

Zero 7 - Simple Science (Radio Edit)


autor stipe07 às 10:54
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Domingo, 20 de Julho de 2014

The KVB – Out Of Body EP

Nicholas Wood e Kat Day são o núcelo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós-punk britânico dos anos oitenta. Out Of Body é o mais recente registo de originais da dupla, um EP com seis canções lançado pela a Recordings.

Gravado por Fabien Leseure nos estúdios da editora e nos estúdios H1-3, em Funkhaus, nos arredores de Berlim e com a participações especial de Joe Dilworth, na bateria, Out Of Body é um exemplo claro de que é possível ainda apresentar uma sonoridade própria e um som adulto e jovial, mesmo que o género musical esteja já algo saturado de propostas que pretendem destacar-se e obter uma posição relevante. Os The KVB não esmorecem perante a concorrência e neste EP esmeraram-se na construção de canções volumosas, viabilizadas por se deixarem conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras e na bateria, instrumentos que se entrelaçam na construção dos melhores momentos do trabalho, com especial destaque para Heavy Eyes, música onde a banda espreita perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

No entanto, instrumentalmente, From Afar e, principalmente, Cartesian Bodies, são os momentos altos do EP, canções conduzidas por um baixo vibrante e que recordam-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva do sintetizador. No final, Between Suns segue as pisadas deixadas pelos cinco temas anteriores mas, além do baixo vibrante e de uma guitarra carregada de fuzz e distorção, há uma toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com metais quase impercetiveis.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Out Of Body é um excelente EP e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os The KVB provam já a sua na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, de algo novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Out Of Body

01. All Around You
02. From Afar
03. Heavy Eyes
04. Cartesian Bodies
05. Across The Sea
06. Between Suns

 

 


autor stipe07 às 23:38
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Say Hi – Endless Wonder

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente é Endless Wonder, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de junho, por intermédio da Barsuk Records e já o oitavo da carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental, mas sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, onde não falta o rock setentista, o rock de garagem e o blues é a pedra de toque incial deste disco, já que Hurt In The Morning e Such A Drag, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e num baixo bastante encorpado, além de guitarras plenas de groove e distorção. Critters abranda um pouco o ritmo mas a receita mantém-se, agora numa toada mais nostálgica e torna-se claro que Eric merece obter um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Com uma década de carreira, o músico parece ter atingido o ponto mais alto de uma discografia com alguns momentos marcantes, apresentando agora novas nuances e um som mais experimental, que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem potencial para um elevado airplay.

Momentos como o groove que destila imensa soul de When I Think About You,  o baixo de Like Apples Like Pears, o efeito arrojado e a secção de metais de Figure It Out ou o sintetizador minimal que abre The Trouble With Youth e que depois desliza até ao krautrock, são outros quatro exemplos que mostram que Say Hi estará no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojado do que nunca, na sua viagem de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o ADN da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido à voz fantástica de Eric, que atinge o apogeu interpretativo em Figure It Out, mas que ao longo do trabalho preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Endless Wonder

01. Hurt In The Morning
02. Such A Drag
03. Critters
04. When I Think About You
05. Like Apples Like Pears
06. Figure It Out
07. Clicks And Bangs
08. Sweat Like The Dew
09. Love Love Love
10. The Trouble With Youth


autor stipe07 às 21:15
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