Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Hamilton Leithauser – Black Hours

Hamilton Leithauser, vocalista dos The Walkmen, estreou-se recentemente nos discos em nome próprio com Black Hours, um álbum editado através da Ribbon Music e que, não deixando de aclarar, em alguns momentos, a relação de Hamilton com a sua banda, evidencia o assumir de novos rumos, menos soturnos e mais expansivos, à custa de emoções fortes embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop.

É importante escutar e escrever sobre Black Hours e não descurar a importância de alguns nomes que são protagonistas ativos e presentes no seu conteúdo. Colaboram com Leithauser neste álbum outros artistas significativos da cena alternativa atual, nomeadamente Paul Maroon, antigo parceiro nos The Walkmen, Amber Coffman dos Dirty Projectors e Richard Swift do The Shins, além de Rostam Batmanglij, multi instrumentista dos Vampire Weekend e responsável pela produção de Black Hours, obra onde não se inibiu de balançar entre dois opostos, uma base mais comercial, percetível, por exemplo, em Alexandra e otra onde o enfoque sonoro abraçou com particular mestria o experimentalismo, exemplificado nos batuques e nas distorções psicadélicas de Bless Your Heart.

Há uma incontida vontade do músico em conquistar um público bem definido e diferente dos admiradores habituais dos The Walkmen; Escuta-se o piano de 5 AM e de St Mary's County e a forma como a sua voz irrequieta se posiciona perante os desafios que as duas melodias colocam e percebe-se imediatamente que não é também inocente a escolha do artwork do disco e que estamos na presença de um artista que pretende sair do nicho indie e alternativo, onde os The Walkmen são uma importante referência, para procurar atingir um universo mais abrangente e onde reinam referências obrigatórias da história da música da segunda metade do século passado, algures entre Paul Simon, Springsteen, Randy Newman e Sinatra.

O que Black Hours tem e facilmente nos fascina é uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo a cor, o sonho e o erotismo de The Silent Orchestra, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca, sem percebermos muito bem como e porquê. Há, por exemplo, nas marimbas dessa canção e de O'Clock Friday Night, aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhadas por um sintetizador delicioso, que fazem das canções uma festa pop, psicadélica e sensual. E depois há, na já referida Alexandra, uma escolha feliz para single, uma composição sonora onde Leithauser aventura-se na sua própria imaginação, construída entre a sua devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e a indie pop fresca e luminosa, onde cabem todos os sonhos.

Nas dez canções de Black Hours, Hamilton Leithauser contorna todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é sonoramente tão bem retratado em I Don't Need Anyone, uma canção onde tudo o que o atrai e influencia é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, inclusivamente o habitual cardápio que propunha nos The Walkmen, especialmente em Heaven. Longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, este artista reforça o brilho raro que tem acompanhado a sua carreira artística na simplicidade do trabalho e que esta nova fase a solo parece querer reforçar. Espero que aprecies a sugestão...

Hamilton Leithauser - Black Hours

01. 5 AM
02. The Silent Orchestra
03. Alexandra
04. 11 O’Clock Friday Night
05. St Mary’s County
06. Self Pity
07. I Retired
08. I Don’t Need Anyone
09. Bless Your Heart
10. The Smallest Splinter


autor stipe07 às 17:24
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Shy Boys - Life Is Peachy

Shy Boys

Oriundos de Kansas City, os norte americanos Shy Boys são Collin Rausch, Kyle Rausch e Konnor Ervin, um trio que surpreendeu em 2013 com Peachy, o disco de estreia e que está de regresso com Life Is Peachy, um novo single, que terá edição física no próximo dia quinze de julho, via High Dive Records.

Uma voz única, produzida com o vintage eco lo fi tão em voga atualmente e conduzida por uma percurssão acelerada e distorções de guitarra que vão beber ao cruzamento da surf music com a psicadelia, fazem a receita desta nova canção dos Shy Boys, disponbilizada para download e que se espera ser o avanço para um novo trabalho da banda. Confere...


autor stipe07 às 10:54
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Domingo, 29 de Junho de 2014

Sleaford Mods - Divide And Exit

Lançado no passado dia vinte e oito de abril pela Harbinger Sound, Divide And Exit é o novo álbum dos Sleaford Mods de Andrew Fearn e Jason Williamson, uma dupla oriunda de Grantham, o local onde nasceu Margaret Thatcher e que aposta na herança punk que, na Inglaterra de onde são oriundos, floresceu, curiosamente, num período conturbado da história do reino, devido à contestação social ao governo dessa ex primeira ministra britânica, no início da década de oitenta.

O punk rock está de regresso e em força com os Sleaford Mods, uma verdadeira lufada de ar frasco que se sente em catorze canções que não encontram facilmente paralelo no cenário indie atual e que aposta num hardcore que tem na voz agressiva, no baixo e nas guitarras que vão beber ao punk dos anos oitenta, os traços identitários mais significativos. Na verdade, basta ouvir cinco segundos da primeira música do disco para se antecipar com elevado grau de certeza o restante conteúdo do álbum, feito com canções construídas em cima de uma batida quase sempre com o mesmo andamento.

Definido pela crítica britânica como o novo som do medo e do delírio em East Midlands, Divide and Exit é raiva e energia, algo que os Sleaford Mods têm de sobra e debitam através de um som barulhento e agressivo, cerca de quarenta minutos onde a dupla explora, com muito gosto e sucesso, as possibilidades infinitas da herança punk rock que nomes como ou os The Clash, The Chuddy Nuddies, os Sex Pistols e, já nos anos noventa, os The Streets foram fiéis depositários. O próprio registo vocal dos Sleaford Mods remete-nos claramente para o reportório de Mike Skinner.

Com uma linguagem explícita em quase todo o alinhamento e com várias referências aos problemas da assim como ao uso de substâncias psicotrópicas, incluindo as drogas duras (The Corgi), os Sleaford Mods tentam transformar em hinos sonoros as diferentes manifestações de raiva adolescente que costumam preencher o ideário juvenil típico dos subúrbios das grandes metrópoles britânicas e da diversidade social e cultural que aí existe, transportanto essa luta diaria pela sobrevivência para o cenário lírico das suas canções, encaixadas de forma a criar um alinhamento fluído e acessível, apesar da especificidade do som que os carateriza.

 

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, onde se destacam alguns arranjos sintetizados e samples de sons e ruídos, Divide And Exit merece toda a nossa atençao a partir do momento em que usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Sleaford Mods de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos e que façam com que a dupla tenha direito a agitar a bandeira de novos líderes sonoros de uma faixa etária sempre ávida de referências e de hinos que sirvam de banda sonora para os instantes de pura rebeldia e confronto com os cânones e o poder instalado.

Em suma, durante Divide and Exit os Sleaford Mods não fogem muito da sua habitual zona de conforto e procuram lutar com garra, criatividade e uma apurada dose de diversão contra os estereótipos da sociedade dominada por uma classe média alta alinhada quase sempre com um certo conservadorismo tépido, através de uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário musical britânico há mais de três décadas. Espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 23:21
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Sábado, 28 de Junho de 2014

Strand of Oaks - Heal

Goshen, no estado de Indiana, é o porto de abrigo do norte americano Timothy Showalter, o grande mentor do projeto Strand Of Oaks que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu alienado do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas eangúsitas. Esta é a ideia que suporta Goshen '97, o tema de abertura de Heal (cura), um disco que acaba de surpreender o universo sonoro, um compêndio de dez belíssimas canções, editado no passado dia vinte e quatro por intermédio da Dead Oceans.

Década e meia depois dessa visão, Timothy é hoje uma espécie de reverendo barbudo e cabeludo, que vagueia pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young ou Devendra Banhart; Encharcado, pega no piano, na viola elétrica e em sintetizadores cheios de efeitos e canta sobre tudo aquilo que o impeliu para o mundo da música, mas também sobre viagens sem destino, o amor, o desapego às coisas terrenas e a solidão.

O aparecimento de Devendra Banhart no começo da década passada teve uma importância única para o resgate das influências hippies bem como o fortalecimento de um som de oposição ao que propunham as guitarras típicas da cena indie norte americana, principalmente o que era construído em Brooklyn, Nova Iorque. Strand Of Oaks é mais um novo nome que arrisca, com sucesso, a mergulhar fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas apoiado num som montado em cima de um imenso cardápio sonoro e musical que, de mãos dadas com uma produção irrepreensível, nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

É curioso atravessar as pontes que Timothy construiu em Heal, tendo sempre como permissa a busca de uma súmula de referências noise, folk e psicadélicas. Ele consegue ir do caraterístico punk rock feito com um baixo proeminente e guitarras simultaneamente sombrias e carregadas de distorção, como se escuta em For Me ou na homónima Heal, até a uma toada mais pop que em Plymouth e Wait For Love, o tema que encerra de forma magnífica o disco, servem-se do mesmo baixo, mas agora acompanhado por um piano épico e sedutor, adornado por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, mas que nunca ofuscam o desejo de serem as cordas do baixo, na primeira, e as teclas do piano, na segunda, as pedras de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema.

Heal tem uma atmosfera viciante e introspetiva, é um disco que se ouve de punhos cerrados com a convicção plena que tem conteúdo e que o mesmo, ao impelir-nos à reflexão interior, pode dar um pequeno contributo para que aconteça algo que faça o bem a nós próprios. É um disco que exala certeza e coerência nas opções sonoras que replica, um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie que preenche cada instante de um álbum tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem também algumas das dez canções e expandem os territórios deste artista verdadeiramente singular. A simbiose entre estes dois géneros possibilita que frequentemente se encontrem, como em Shut In, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma feliz aproximação com o cancioneiro norte americano, suportado na herança de Bruce Springsteen.

Heal é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Timothy sereno e bucólico, através de uma viagem cheia de versos intimistas que flutuam livremente, um compêndio de várias narrativas onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, o existencialismo e as perceções humanas, fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a habitual riqueza instrumental da folk não foi descurada, mas com a eletrónica a ser também uma das forças motrizes que dá vida aos cerca de quarenta minutos que este disco dura. Obrigado ao Ricardo Fernandes pela dica e pela presença constante neste espaço e espero que aprecies a nossa sugestão...

1. Goshen '97
2. HEAL
3. Same Emotions
4. Shut In
5. Woke Up To The Light
6. JM
7. Plymouth
8. Mirage Year
9. For Me
10. Wait For Love


autor stipe07 às 14:32
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Thee Oh Sees - Drop

Depois de ter anunciado que os The Oh Sees de John Dwyer estariam numa espécie de período sabático e que Dwyer estava concentrado num novo projeto a solo chamado Damaged Bug, a banda surpreendeu, mostrou-se ativa e tem um novo disco lançado. O novo álbum desta banda onde a Dwyer se junta a roliça Brigid Dawson, chama-se Drop e viu a luz do dia a dezanove de abril, o último Record Store Day, através da Castle Face, a editora do prório Dwyer.

Penetrating Eye, o visceral tema de abertura de Drop, foi o primeiro single do álbum divulgado e depois da introdução sombria, a canção explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca da manutenção do ADN dos Thee Oh Sees ao longo dos poucos mai de trinta minutos que duram as nove cançoes do disco, que curiosamente conclui com a balada The Lens, uma canção que surpreende pelos belíssimos arranjos orquestrais, onde não faltam inéditos instrumentos de sopro.

Oriundo do sempre profícuo cenário musical de São Francisco, uma cidade onde reside um verdadeiro manancial de bandas e projetos que assumem o gosto por sonoridades alternativas e onde sobressaiem nomes como Ty Segall ou Mikal Cronin, os Thee Oh Sees são outra referência local obrigatória e um dos grupos mais bem sucedidos do cenário indie norte americano. Já agora, Cronin participa em Drop, assim como Chris Woodhouse, Greer McGettrick e Casafis, outros intervenientes ativos do atual indie rock alternativo norte americano.

A viverem um período de intensa criação musical e aditar em média um disco por ano, apesar do tal anúncio de pausa, em Drop o casal continua a espicaçar ainda mais o arsenal instrumental que guarda no estúdio, com uma visão um pouco mais domesticada das guitarras relativamente a Floating Coffin ou Carrion Crawler/The Dream, dois antecessores da banda, mas ainda a transbordar de fuzz e de distorção, numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, à medida que se sucedem canções simples, mas verdadeiramente capazes de empolgar os ouvintes.

Mas Drop não vive só das guitarras; Basta escutar-se o baixo em Savage Victory e em Transparent World para se perceber a importância que este instrumento também tem para a exploração de um som alongado, além de ser um factor decisivo para o abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente nostálgica e hipnotizante.

Escuta-se Drop e a sensação que fica é que os The Oh Sees atravessaram novamente as barreiras do tempo até uns vinte anos atrás mas, ao mesmo tempo, mantêm-se joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo de São Francisco mantém a sua insana cartilha de garage folk e rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deles é uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão... 

01 – Penetrating Eye
02 – Encrypted Bounce (A Queer Song)
03 – Savage Victory
04 – Put Some Reverb on My Brother
05 – Drop
06 – Camera
07 – The Kings Nose
08 – Transparent World
09 – The Lens


autor stipe07 às 17:27
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Viet Cong - Static Wall

Viet Cong

Uma das melhores surpresas do ano são os Viet Cong, uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou suadades no universo sonoro alternativo.

No próximo dia oito de julho os Viet Cong vão editar através da Mexican Summer, Cassette, um EP que irá incluir no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos leva numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta, uma sonoridade que já tinha ficado patente em outros dois temas editados em stembro do ano passado no bandcamp do grupo e partilhados abaixo. Confere...


autor stipe07 às 14:04
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Hallelujah The Hills – Have You Ever Done Something Evil?

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em 2005 e com Ryan Walsh, Joseph Marrett, Ryan Connelly, Briant Rutledge e Nicholas Ward na formação. Depois de Collective Psychsis Begone (2007) e Colonial Drones (2009), conheci-os em 2012 com No One Knows What Happens Next, um disco disponível para download gratuito no bandcamp da banda e agora, dois anos depois, regressaram aos lançamentos discográficos, no passado dia treze de maio, com Have You Ever Done Something Evil?, um álbum que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago, tendo sido gravado nos estúdios 1809 Studios, em Nova Iorque e produzido pela própria banda e Dave Drago.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em discos que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, álbuns que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.
Esta banda de Boston incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas também não descura o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk. As cordas de Home Movies e de Pick Up An Old Phone, o primeiro single retirado do disco, a distorção subsequente nos dois temas e a secção de sopros do primeiro, transportam-nos para o âmago do cancioneiro norte americano e a aproximação a ambientes mais psicadélicos pressente-se em A Domestic Zone e em Do You Have Romantic Courage. O single é uma canção que deve a sua pujança à bateria e ao baixo, instrumentos com os quais a voz de Ryan encaixa na perfeição, algo sublimado com os coros que preenchem o refrão.
Mas o som dos Hallelujah The Hills também é capaz de ir à costa oeste, com o cariz lo fi mais típico da Califórnia a prevalecer em temas como We Are What We Say We Are, onde as guitarras aproximam-se particularmente do surf rock típico da década de sessenta.
Have You Ever Done Something Evil? é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, que se destaca particularmente em Destroy This Poem e em The Possible Nows, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.
Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Have You Ever Done Something Evil? usa letras simples e guitarras aditivas, sendo clara a capacidade deste quinteto norte-americano em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que tem-se repetido à medida que cresce o catálogo da banda, que vai compilando com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Ryan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Hallelujah The Hills - Have You Ever Done Something Evil

01. We Are What We Say We Are
02. Try This Instead
03. Destroy This Poem
04. Do You Have Romantic Courage?
05. I Stand Corrected
06. Home Movies
07. A Domestic Zone
08. Pick Up An Old Phone
09. The Possible Nows
10. MCMLIV (Continuity Error)
11. Phenomenonology
12. You Got Fooled

 


autor stipe07 às 22:00
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Dom - My Drug Buddy (Lemonheads Cover)

Dom

Há já algum tempo que não havia novidades dos Dom, nomeadamente desde que no último outono lançaram uma série de instrumentais com uma forte compomente eletrónica. Mas esta banda de Worcester parece querer regressar ao rock, agora que acabam de gravar uma cover de Drug Buddy, um clássico de 1992 dos Lemonheads incluído no disco It’s A Shame About Ray. A cover está disponível para download, via Stereogum. Confere...


autor stipe07 às 21:51
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Sleep Party People – Floating

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. Já tinha falado deste projeto há cerca de dois anos quando divulguei We Were Drifting On A Sad Song, o quarto EP do grupo, lançado a nove de abril de 2012. Agora, no passado dia dois de junho, chegou aos escaparates Floating, o terceiro longa duração dos Sleep Party People, uma banda que ao vivo, além de Brian Batz, conta com os contributos de Kaspar Kaae, Ask Bock, Rasmus Lindahl e Jacob Haubjerg.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Change In Time, a canção de abertura do álbum, In Another World e Floating Blood Of Mine, os três tremas que a voz de coelho entretanto divulgou, localizam-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transportam-nos até aquele limbo matinal e intimista, mas Batz, um produtor cada vez mais maduro e assertivo, parece desta vez apostado em sair um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostar num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, que as guitarras de I See The Moon também apontam, adornadas pela belíssima voz de Lisa Light, a vocalista dos The Lovemakers.

Se estas quatro canções, por si só, já justificam uma audição dedicada de Floating, há outros temas que merecem destaque, nomeadamente I See The Sun, Harold, aquela em que Batz mais se afasta da sua habitual zona de conforto, em oposição a Only a Shadow, um momento em que os pianos caberiam exemplarmente no alinhamento de We Were Drifting On A Sad Song.

Ouvir Floating é, em suma, apreciar um conjunto de nove canções que transmite todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. A Stranger Among Us, a melhor música do álbum, vem descortinar isso mesmo. Estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, mas agora com melodias que exploram uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente o invade. A melancolia continua nas notas do piano e do violino, mas a bateria e os sintetizadores deixam uma marca mais profunda em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Floating serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Floating

01. Change In Time
02. Floating Blood Of Mine
03. A Stranger Among Us
04. In Another World
05. Death Is The Future
06. I See The Sun, Harold
07. I See The Moon
08. Only A Shadow
09. Scattered Glass


autor stipe07 às 20:54
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Mazes - Astigmatism

Mazes - "Astigmatism"

Os Mazes são Conan, Jack e Neil, um trio de indie rock britânico e acabam de anunciar o lançamento de Wooden Aquarium, o terceiro disco de originais da carreira da banda e que irá ver a luz do dia já a oito de setembro através da Fat Cat.

Os Mazes recrutaram Jonathan Schenle, habitual colaborador dos Parquet Courts, para produzir o álbum e Astigmatism, o primeiro single retirado do disco, já plasma essa influência ao incorporar uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e de movimento da composição.

Confere Astigmatism e depois recorda Ores & Minerals, o último disco dos Mazes, que abre com a fantástica e hipnótica Bodies, uma das canções do último ano...


autor stipe07 às 18:22
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