Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Dog Bite - Tranquilizers

Dog Bite é um projeto musical que nasceu na mente de Phil Jones, um músico norte americano com raízes em Atlanta, que depois de andar em digressão com os Washed Out, ao comando das teclas, resolveu convidar membros dos Mood Rings e dos Red Sea, assim como Cameron Gradner, baterista que também andou em digressão com os Washed Out, para formar uma banda. Velvet Changes, o disco de estreia dos Dog Bite, foi editado em fevereiro de 2013 pela Carpark Records, uma editora de Washington, casa de Toro Y Moy e dos Cloud Nothing, dois projetos cuja simbiose das duas sonoridades, a chillwave do primeiro e o rock experimental do segundo, descrevem com alguma precisão a sonoridade deste projeto, que está de regresso com Tranquilizers, um novo registo de originais, editado no passado dia 21 janeiro pela mesma Carpark Records.

OLD IS NEW: Dog Bite is not a new trick for Phil Jones (middle), who was recording under the name before collaborating with Washed Out.

Fortemente influenciado por nomes como J Dilla, Portishead, Caribou e os The Roots, Jones vive num mundo carregado de detalhes com um forte pendor psicadélico, onde as vozes sintetizadas e uma chillwave nostálgica são a pedra de toque dos dez temas de Tranquilizers, o seu novo álbum. Logo a abrir, o sintetizador etéreo do instrumental There Was Time é uma importante referência para o arsenal eletrónico que sustenta Tranquilizers. A voz faz a sua aparição, timidamente, em We e com ela uma batida algo hipnótica que nos obriga a descolar da realidade que nos rodeia, caso haja interesse em assimilar a doutrina sonora que Jones tem para nos oferecer.

É preciso chegar a We Are Queen para sentirmos a abafo de uma guitarra que, não sendo esplendorosa, ao dar as mãos a um baixo bem vincado e a um sintetizador eloquente, criam um dos temas mais complexos e, por isso, mais ricos deste disco. A percussão de Tuesdays é a trave mestra que dá equilibrio a uma guitarra que resiste e mantém-se protagonista maior de uma canção que se assume como um dos maiores destaques de Tranquilizers, a mesma percussão que alimentsa o potente groove de Wonder Dark e nos faz cerrar punho enquanto Phil repete, insistentemente, que tem a receita para atingirmos todos os sonhos que Dream Feast, um dos singles deste Tranquilizers, revela, ao mesmo tempo que Royals não deixa que acordemos naquele preciso momento em que o sonho atinge o seu auge. Para esse acordar tranquilo e em beleza estão lá os acordes de L'Oiseau Storm e o sintetizador hipnótico de Rest Assured.

Desde que nomes como os Best Coast, The Walkmen ou Wavves, entre tantos e tantos outros, começaram a replicar com sucesso um subgénero da pop algo vintage, feito de uma chillwave lo fi, muitos outros se seguiram com apreciável sucesso. Os Dog Bite acompanham a tendência, ainda por cima com a particularidade de adicionarem em maior quantidade ao sintetizador detalhes da chillwave e da eletrónica e assim criarem um caldeirão sonoro algo retro. Espero que aprecies a sugestão...

Dog Bite - Tranquilizers

01. There Was Time
02. We
03. Lady Queen
04. Tuesdays
05. Clarinets
06. Wonder Dark
07. Dream Feast
08. Royals
09. L’oiseau Storm
10. Rest Assured0

 

 

 


autor stipe07 às 21:20
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Passenger Peru - More Than This (Roxy Music cover)

Depois de ter divulgado Heavy Drugs e Dirt Nap, regresso aos Passenger Peru, agora para dar conta de uma cover que esta dupla de Brooklyn, Nova Iorque, formada por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, criou para o clássico de 1982 More Than This, dos Roxy Music.

É muito curioso escutar a forma como os Passenger Peru deram uma nova roupagem a este tema, sem colocar em causa a sua essência, através de toada igualmente contemplativa e melodicamente sensível, mas verdadeiramente experimental e até psicadélica, com o sintetizador a proporcionar o toque perfeito de modernidade e a sustentar a sonoridade algo cósmica, tão cara aos Passenger Peru. Confere...


autor stipe07 às 19:02
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Yuck - Athena

yuck-band-interview-2013-cover2

Os Yuck lançaram Glow and Behold na segunda metade de 2013 e esse segundo disco personificou uma espécie de segunda estreia desta banda britânica já que o anterior líder da banda, Daniel Blumberg, tinha abandonado o projeto e agora é o vocalista e guitarrista Max Bloom a assumir a voz e as rédeas dos Yuck, reduzidos a trio.

A veia criativa dos Yuck continua muito ativa e foi anunciado um novo EP para a primavera intitulado Southern Skies. Athena é o primeiro avanço conhecido desse EP, uma balada pop, com uns efeitos envolventes de guitarra no fundo, perfumada pelo passado e a navegar numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Confere...


autor stipe07 às 12:43
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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014

Haunted House - Haunted House EP

Haunted House - Guts

Naturais de Detroit, os norte americanos Haunted House fazem um punk rock carregado de contrastes e acabam de mostrar ao mundo um EP homónimo que o comprova, lançado pelos próprios Haunted House no passado dia catorze de janeiro, através do seu site.

Disponível para download, Guts, o grande destaque do EP, atesta esta tese, sendo notória a antítese entre teclas e guitarras polidas e carregadas de brilho e uma percussão dura e abrasiva, que poderá muito bem ser uma metáfora perfeita da dureza de uma Detroit em tempos fortemente industrializada e hoje uma cidade a atravessar um dos períodos mais negros da sua hitória. O próprio jogo de vozes entre Joe Walmsley e Jeff Supina, os membros dos Haunted House, está carregado de uma certa dor e sofrimento, que parece não estar em concordância com a beleza da melodia pela qual vai navegando a canção.

Mas nem só de punk rock abrasivo vive este EP; Guts existe em contraste com a suavidade da batida etérea de Castle Death e Initiation, temas com uma forte componente vintage e pop e onde o tal jogo de vozes volta a sobressair e cria o universo cinzento e nublado, para que nunca se perca o charme que é intrínseco ao cardápio sonoro deste grupo.

Em suma, os Haunted House, à semelhança de várias bandas conterrâneas, vivem muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte. A procurar dissecar uma já clássica relação estreita entre a pop, o rock de garagem e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz aquele cariz algo sombrio que tão bem os carateriza, neste EP apresentam-nos cinco canções viscerais e cheias de estilo, tão enevoadas como a penumbra que rodeia o próprio grupo, mas também tão luminosas como só as bandas que sabem ser eficazes à sombra das suas próprias regras conseguem ser. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:26
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Darkside (feat Tamara) - Things Behind The Sun (Nick Drake cover)

Darkside by Jed DeMoss

Depois da obra prima Psychic, os Darkside voltam a surpreender, agora com uma belíssima cover de Things Behind The Sun, um original de 1972 retirado do álbum Pink Moon, um clássico da autoria de Nick Drake.

Como seria de esperar nesta dupla formada por Nicolas Jaar, que no projeto Darkside une esforços com o não menos talentoso David Harrington, seu colega de palco e da faculdade, a nova roupagem que deram a esta canção que tinha, originalmente, um forte pendor folk, vai da chillwave à eletrónica ambiental e impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta, muito por culpa da participação especial da inebriante voz de Tamara.

Este tema abre um set criado pelos Darkside para a Modular (Modcast #173: Darkside), disponível para download e que, além de Nick Drake, conta também com temas de David Lynch, Gang Gang Dance e Laurie Anderson, entre outros. Confere... 




autor stipe07 às 21:03
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Allah-Las – Had It All / Every Girl

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las têm um novo single intitulado Had It All e que tem como lado b Every Girl, tendo sido lançado por intermédio da Innovative Leisure. Depois de terem impressionado com um disco homónimo, estes dois temas mantêm a toada e levam-nos numa viagem psicadélica até aos anos sessenta, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente numa guitarra vintage, muito próxima dos Velevet Undergorund. Confere...

 

Allah-Las - Had It All - Every Girl

01. Had It All
02. Every Girl

 


autor stipe07 às 12:56
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Damien Jurado - Brothers and Sisters of the Eternal Son

A indie folk de Damien Jurado está de regresso, mais bela do que nunca, com Brothers and Sisters of the Eternal Son, o décimo primeiro disco do músico, lançado no passado dia vinte e um de janeiro por intermédio da Secretly Canadian. Brothers And Sisters of the Eternal Son foi produzido por Richard Swift (The Shins), que já tinha trabalhado com Jurado em Maraqopa, a obra prima que o músico lançou em 2012

 

Brothers And Sisters of the Eternal Son é, de acordo com o próprio Damien, baseado num sonho que o músico teve sobre alguém que desaparece e que sai de casa sem nada que o identifique, com o único e simples propósito de desaparecer sem deixar qualquer rasto. O disco é uma sequela de Maraqopa, um álbum que já abordava a temática da ideia de fuga, como a forma mais eficaz de cada um se reencontrar e captar com exatidão a sua essência, mas é, acima de tudo, o retrato de uma América que poucos conhecem, tornada personagem principal do disco no rufar dos tambores que nos levam numa longa viagem pelo interior mais profundo de um país que, por muito moderno que seja, no dia em que renegar a sua essência mitológica, feita de apaches e yankees, perderá todo o sentido. E essa essência ganha vida tanto na tundra a norte, como nas longas pradarias a oeste, ou nos vastos desertos a sul, num universo imenso de tribos, crenças e cores que, de Nova Iorque a Los Angeles, passando pela Seattle de Jurado, está cheia de espaços vazios e estranhas personagens que parecem fantasmas cinzentos.

No meio dessa gente que vagueia numa América traumatizada pelo Iraque e que ora agarrada à crença inabalável nos drones, ora com receio de contar os seus sonhos mais íntimos ao telefone, Jurado é uma sombra, uma tecla de um piano, uma folha de vento que voa ao som de um dedo que se aconchega na corda de uma guitarra, é um fantasma do nosso melhor amigo que nunca mais vimos, um cronista desse território tornado, através destas canções, assentes quase sempre numa lindíssima folk acústica, na materialização da sua própria alma.

Ao contar o que lhe invade a alma, quando se refugia no vazio ou no estúdio mais próximo e reflete sobre a sua América, Jurado segura com todas as forças na viola e transforma-a na sua arma de destruição maciça predileta. Devidamente artilhado, despeja as munições em pleno território amigo, sedento por poder ajudar os seus conterrâneos, que vivem em estados de espírito que oscilam entre o conformismo e a esperança sem sentido, a conseguirem vislumbrar uma centelha de luz, que poderá estar na lindíssima voz que escorre em Silver Joy, a canção mais longa do disco, com um groove algo caribenho e dançante, mas também em Silver Donna e Silver Katharine e que mesmo quando é sintetizada em Jericho Road, insiste em professar que nele está a luz, o caminho, a verdade e a vida.

Brothers and Sisters of the Eternal Son é um compêndio de pequenas polaroides em preto e branco, um disco que condensa, em pouco mais de meia hora, sarcasmo feroz e melancolia, em doze canções que criam atmosferas quase transcendentais, com pitadas de psicadelismo, arranjos barrocos e espirituais, e por isso resultam em algo que garante sucessivas audições, por dias a fio. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Brothers And Sisters Of The Eternal Son

01. Magic Number
02. Silver Timothy
03. Return To Maraqopa
04. Metallic Cloud
05. Jericho Road
06. Silver Donna
07. Silver Malcolm
08. Silver Katherine
09. Silver Joy
10. Suns In Our Mind

 


autor stipe07 às 20:53
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Eels - Agatha Chang

À frente dos Eels, o norte americano Mark Oliver Everett, simplesmente conhecido como E, idealizou e deu vida a uma das mais interessantes e completas discografias do universo sonoro alternativo dos últimos vinte anos. Com uma média impressionante de lançamentos discográficos, os Eels viajaram pelo indie rock e pela pop acústica, cruzaram-se com a folk e chegaram mesmo a dar asas ao punk.

No próximo dia vinte e dois de abril chegará aos escaparates The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett, o décimo primeiro álbum dos Eels, um trabalho que verá a luz do dia por intermédio da E Works, a etiqueta do próprio E. Este disco sucede a Wonderful Glorious e à triologia Hombre Lobo (2009), End Times (2010) e Tomorrow Morning (2010) , de acordo com Agatha Chang,  o primeiro single divulgado do álbum, será o regresso dos Eels a uma sonoridade folk eminentemente acustica, melancólica e introspetiva. A canção é uma lindíssima balada, com notáveis arranjos de cordas que servem para ajudar a E a ir, mais uma vez, direto ao assunto sobre um dos seus temas prediletos, as questões do amor (I couldn’t bear to break up my old gang, But I should have stayed with Agatha Chang). Confere Agatha Chang e a tracklist de The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett.

 

1. Where I’m At
2. Parallels
3. Lockdown Hurricane
4. Agatha Chang
5. A Swallow in the Sun
6. Where I’m From
7. Series of Misunderstandings
8. Kindred Spirit
9. Gentleman’s Choice
10. Dead Reckoning
11. Answers
12. Mistakes of My Youth
13. Where I’m Going

Deluxe Edition 13 Track Bonus Disc
1. To Dig It
2. Lonely Lockdown Hurricane
3. Bow Out
4. A Good Deal
5. Good Morning Bright Eyes
6. Millicent Don’t Blame Yourself
7. Thanks I Guess
8. On The Ropes (LIVE WNYC)
9. Accident Prone (LIVE WNYC)
10. I’m Your Brave Little Soldier (LIVE WNYC)
11. Fresh Feeling (LIVE KCRW)
12. Trouble With Dreams (LIVE KCRW)
13. Oh Well (LIVE KCRW)


autor stipe07 às 19:11
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Primavera Sound 2014, Barcelona - Cartaz

Se no final do próximo mês de maio andares por Barcelona ou tiveres a possibilidade de passar por lá, fica a sugestão e o excelente cartaz...

Primavera Lineup


autor stipe07 às 12:56
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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

Pontiak - Innocence

Depois do single homónimo, os Pontiak, dos The Carney Brothers Lain, Van & Jennings Carney, três irmãos oriundos da Virginia rural e que têm no rock cru e experimental a pedra de toque das suas criações sonoras, continuaram a revelar e a disponibilizar gratuitamente novas canções de Innocence e assim fui tomando contacto com o mais recente registo de originais do grupo. Editado hoje mesmo pela Thrill Jockey Records, este novo disco foi gravado nos estúdios dos Pontiak na Virgina, os Studio A e dispensaram a presença de computadores.

Com uma carreira bastante profícua, desde 2006 os Pontiak lançaram nada mais nada menos que oito discos, algo a que não será alheio a forte camaradagem que une estes três irmãos, que fazem questão de partilhar o processo de composição melódica das suas canções. A música dos Pontiak é inspirada no rock puro sangue, aditivo e psicadélico, com reminiscências na década de setenta e que dispensa, como já referi, o uso de artifícios eletrónicos.

Em Innocence os Pontiak voltam a afundar-se numa espiral psicadélica que os suga para um abismo feito com guitarras carregadas de fuzz e distorção e uma percurssão vibrante e musculada, mas onde também cabem belos momentos acústicos, cheios de típicos detalhes da folk norte americana, com especial destaque para a balada Wildfires.

As primeiras quinhentas reservas antecipadas do disco em vinil permitem receberes em casa, gratuitamente, Heat Leisure, um CD bónus com cerca de quarenta e quatro minutos, gravado no verão de 2012. Esse trabalho resultou de uma colaboração dos Pontiak com Greg Fox (Guardian Alien, Zs) e Steve Strohmeier (Arbouretum, Beach House), que decorreu na quinta que a banda possui na Virginia. A música desse trabalho foi condensada e gravado um vídeo, que deu origem a uma curta metragem com quase dezoito minutos e que fez parte da seleção oficial da edição recente do Chicago International Music and Movies Festival. Confere...

  • 01. Innocence
  • 02. Lack Lustre Rush
  • 03. Ghosts
  • 04. It’s the Greatest
  • 05. Noble Heads
  • 06. Wildfires
  • 07. Surrounded by Diamonds
  • 08. Beings of the Rarest
  • 09. Shining
  • 10. Darkness is Coming
  • 11. We’ve Got it Wrong


autor stipe07 às 20:57
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