Sábado, 31 de Agosto de 2013

Curtas... CXXVII

Não param de chegar novidades de Brooklyn, Nova Iorque. Enquanto não chega um novo disco dos Dismemberment Plan, Travis Morrison mantém-se ativo nos The Burlies, a sua outra banda. The Ocean é o novo tema divulgado por este seu projeto paralelo e o primeiro avanço para American Hairlines, o EP de estreia dos The Burlies, ainda sem data de lançamento prevista. Confere...

 

Mike Adreas aka Perfume Genius, não é muito dado a parcerias e participações especiais, o que aumenta a relevância de I Think I Knew, um tema incluido em Mug Museum, o mais recente trabalho da cantora e compositora britânica Cate Le Bon. O resultado é fantástico, com as vozes de ambos os intérpretes a se interligarem com elevada beleza e bom gosto. Confere...


Graceless, um dos meus temas preferidos de Trouble Will Find Me, o sexto e mais recente disco dos The National, acaba de ter direito a vídeo. Filmado a preto e branco, o filme é realizado por Sophia Peer e mostra os membros da banda em atividades tão divertidas como as brincadeiras num escorrega, ou o lançamento de cerveja, em contraste com o ambiente algo obscuro quer do tema, quer do próprio disco, talvez o trabalho mais directo e honesto deste quinteto de Cincinnati e que não está a ter junto da crítica a aceitação positiva que na minha opinião merece. Confere...


Os Wildcat! Wildcat! são um novo trio de synth pop de Los Angeles e têm feito algum furor e criado expectativa. Recentemente participaram com os Passion Pit no documentário Hello Everywhere, de Sam Jones e em setembro irá chegar o EP homónimo de estreia. Garden Grays é o primeiro avanço desse trabalho, um tema que se destaca pelo peculiar falsete, numa sonoridade algures entre MGMT e Foster The People. Confere...



Os galeses Los Campesinos! estão de regresso com No Blues, o novo trabalho da banda e que sucede a Hello Sadness, álbum que passou por cá em 2011. What Death Leaves Behind é o primeiro single retirado de No Blues e surpreende porque, apesar de ser uma canção alegre e cheia de ritmo de cor, assente na habitual guitarra sintetizada, também mergulha numa melodia muito adocicada e etérea.
What Death Leaves Behind foi disponibilizado pela própria banda para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 16:20
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pacificUV - Summer Girls

Summer Girls cover art

Um dos grandes discos que partilhei este verão foi After The Dream You Are Awake, o terceiro disco dos norte americanos pacificUV. Agora eles partilham connosco Summer Girls, uma nova canção. Esta banda norte americana natural de Athens, na Georgia, e formada por Clay Jordan, Suny Lyons, Lemuel Hayes e Laura Solomon, é descrita por alguma crítica como uma espécie de Jesus And The Mary Chain com uma toada mais psicadélica. Portanto, a sonoridade dos pacificUV e desta nova canção tem uma forte componente etérea e ambiental, assente numa pop que, à imagem de imensos projetos atuais, nomeadamente os aclamados M83, encontra as suas raízes há três ou quatro décadas atrás.

Summer Girls está disponivel gratuitamente no bandcamp dos pacificUV. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 09:24
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013

Whitley – Even The Stars Are A Mess

Oriundos de Melbourne, na Austrália e famosos por ver música sua utilizada em séries de televisão, filmes e jogos de computador, os Whitley são Lawrence Greenwood, Colin Leadbetter, Esther Holt, Christopher Marlow Bolton e Tom Milek, mas é Lawrence, músico entretanto radicado em Londres, o grande mentor e figura principal deste projeto. Even The Stars Are A Mess é o terceiro trabalho dos Whitley, sucede a The Submarine (2007) e Go Forth, Find Mammoth (2010) e foi editado por intermédio da Dew Process, em parceria com a Universal Records.

Os Whitley cruzam algumas das melhores características da folk com a chillwave e isso, por si só, é um facto de relevo, já que são poucos os projectos musicais que misturam estas duas tendências. Acaba por ser comum ouvir o dedilhar de uma viola misturada com efeitos sintetizados, que criam melodias etéreas, com um firme propósito de nos fazer levitar de uma forma que só este Lawrence Greenwood e a sua doce voz sabem fazer.

It is not a mean world. It’s beautiful… Estes são os primeiros versos de Even The Stars Are A Mess e acabam por resumir o conteúdo do disco, praticamente antes do termos escutado. As guitarras e o ambiente sonoro que elas criam abrem-nos a porta para um mundo do qual já não consegues sair enquanto não se esgotarem os nove temas do trabalho e conferires o progresso e a maior maturidade que Lawrence demonstra neste seu novo álbum, o mais sombrio e elaborado da sua carreira, depois de uma ausência de quatro anos. A este crescimento do músico enquanto compositor e exímio transmissor do que de mais belo há nos nossos sentimentos não terá sido alheia a passagem por diferentes países (México, Inglaterra, Perú, Italia e Austrália) durante a mais recente fase da vida de Lawrence.

O single My Heart Is Not A Machine é um bom exemplo dessa expansão do habitual cardápio sonoro do músico, muito mais generoso com as cordas, mas também mais meticuloso e habilidoso na forma como aborda o teclado, algo também evidente no orgão de Roadside, que me remeteu para os Arcade Fire, principalmente pela forma como as teclas se entrelaçam com a melodia da guitarra. Toda esta maior capacidade de construir belíssimas melodias e de caracterizar com maior nitidez o universo sonoro onde Lawrence habita, atinge o auge em Final Words, uma canção onde a batida distante que parece sincronizar-se com o nosso batimento cardíaco e as cordas que se escutam de forma quase imperceptível, fazem desta composição talvez o melhor tema que Lawrence compôs até hoje. A própria aparente ambinguidade da letra faz-nos refletir e transmite uma estranha sensação de esperança (but I’m still hard on myself. But its not a dream, its just a dream, its not as it seems.)

Sendo a voz de Lawrence e o seu quase surreal talento para a escrita os maiores trunfos deste projetco, escutar o núcleo duro de Even The Stars Are A Mess, ou seja, a sequência de My Heart Is Not A Machine a OK, pode provocar efeitos corporais secundários visíveis, mas que têm apenas como última sequência potenciarem a nossa capacidade de nos sentirmos deslumbrados por alguns dos mais belos aspectos da natureza humana e das boas sensações que a música nos provoca. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Ballad Of Terence McKenna
02. TV
03. My Heart Is Not A Machine
04. Final Words
05. Roadside
06. OK
07. Alone Never Alone
08. Pride
09. I Am Not A Rock

face
[mp3 320kbps] cz ul zs


autor stipe07 às 23:10
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Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013

Paul McCartney - New


Sir Paul McCartney, o "novo vocalista dos Nirvana", já tem sucessor para Memory Almost Full. Seis anos após esse álbum, editado em 2007,vai regressar em outubro com New, um disco com doze canções e que conta nos créditos da produção com nomes tão importantes como Ethan Johns (Ryan Adams), Paul Epworth (Adele), Giles Martin e Mark Ronson (Amy Winehouse). Ronson produziu o primeiro single, o tema homónimo do álbum, com uma sonoridade bastante elaborada e luminosa, ao nível do que se espera de um dos verdadeiros reis da pop.

Esta manhã o músico falou sobre o álbum numa entrevista à BBC, onde referiu que em New as músicas são ecléticas. Inicialmente a ideia era produzir cada tema com um produtor diferente e selecionar a que mais gostasse, mas acabei por optar por usar todos os produtores que desejava, espalhando-os pelas várias canções.

New chega às lojas a quinze de outubro. Confere...



autor stipe07 às 14:56
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

Selebrities – Lovely Things


Chegou no final do mês de junho ao mercado, por intermédio da Cascine, o segundo disco dos Selebrities, um trio composto por Maria Usbeck, Jer Robert Paulin e Max Peterson. O álbum chama-se Lovely Things, sucede a Desilusions (2011) e está disponível para audição no soundcloud da editora e tem dez canções com um ambiente pop lo fi e nostálgico, cheias de referências da eletrónica dos anos oitenta, muito em voga atualmente.

Sem dúvida que a sonoridade de há três décadas atrás continua a ser uma importante referência em alguns projetos já solidamente estabelecidos e em novas bandas que procuram desvendar o lado mais obscuro da pop dos anos oitenta. Oriundos de Nova Iorque, com Lovely Things os Selebrities procuram este objetivo e posicionam-se num universo sonoro que tem sido dominado por projetos canadianos, nomeadamente os Chromatics, Grimes ou Purity Ring.

Lovely Things centra-se na dream pop e mantém a permissa sonora de Desilusions, ou seja, inova mas sem deixar de de fazer uma ponte entre o passado que os inspira e o presente onde se querem inserir. O resultado desta travessia temporal é uma obra alimentada por temáticas recentes e pela nostalgia sonora e onde se destaca particularmente a voz de Usbeck. Ao longo do alinhamento tanto se encontram canção de teor mais intimista como outras que poderão, havendo vontade, sair-se bem nas pistas de dança. Para este objetivo, temas como Temporary Touch e Lovers poderão ser boas escolhas já que têm uma batida que, ainda por cima, se conjuga muito bem com a voz e que está estruturada com coesão e um bom gosto na escolha instrumental que lhes dá vida. Wither Away e Fell To Earth são duas propostas que encarnam com nitidez a tal vertente mais calma e climática. Tanto uma como outro transportam na delicadez dos teclados que lhes dão vida e na voz de Maria uma certa timidez e uma espécie de grandiosidade controlada.

Os destaques de Lovely Things não se resumem a estes quatro temas; Found é um verdadeiro tratado de pop sintetizada, Forged To Be Broken pisca o olho ao post punk e I Could Change dá as mãos à psicadelia através de uma guitarra mais atual que nunca, sendo um dos aspetos mais audíveis de uma modernidade que não coloca em causa o propósito revivalista referido de Lovely Things.

Não sei se os Selebrities estavam conscientes do risco que corriam em não serem notados devido à multiplicidade de projetos que hoje em dia se cruzam no universo sonoro onde eles se inspiram. Provavelmente nem tiveram essa preocupação e decidiram apenas, e bem, optar pela malha sonora com a qual se identificam e os apaixona. Seja como for, neste Lovely Things eles conseguiram distinguir-se da concorrência e apresentar uma cardápio que o título do disco muito bem descreve. Espero que aprecies a sugestão...

Selebrities - Lovely Things

01. Found
02. Temporary Touch
03. Baroque
04. Wither Away
05. Lovers
06. Fell To Earth
07. Born Killers
08. You’re Gone
09. Forged To Be Broken
10. I Could Change


autor stipe07 às 21:54
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Sugiro... XXXV


autor stipe07 às 11:32
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Terça-feira, 27 de Agosto de 2013

I’lls – A Warm Reception EP

Os I'lls (pronuncia-se Isles) são Dan Rutman (guitarra), Hamish Mitchell (teclados) e Simon Lam (bateria e voz), um trio que chega da Austrália e que se dá a conhecer ao mundo através da insuspeita Yes Please Records, com um EP intitulado A Warm Reception.

Logo nos primeiros segundos de audição de A Warm Reception, os Radiohead saiem da penumbra, já que as últimas experimentações desse grupo de Oxford no campo da eletrónica parecem ser uma das principais influências declaradas dos I'lls. O começo do EP faz prometer muito e leva-nos logo para um outro universo, onde flutuamos e somos convidados a deixar um pouco de lado as nossas maiores preocupações e receios.

Se Speak Low, com as suas constantes variações rítmicas, serve esse propósito etéreo de nos apresentar convenientemente os I'lls, Plans Only Drawn já convida a um ligeiro abanar de ancas, mesmo que desconexo, o suficiente para percebermos que embarcámos numa viagem que tem tanto de psicadélica como de inebriante e melancólica.

Esta toada mantém-se e até as guitarras têm direito ao seu instante de fama em praticamente todas as canções, mas com especial ênfase em To: All The Blurred. Apesar da pop psicadélica e da belíssima eletrónica que conduzem o EP, também é possível perceber algumas influências do dub e do hip hop.

O EP está disponível para download no bandcamp da Yes Please Records, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Já agora, no mesmo bandcamp, encontras uma interessante quantidade de álbuns e EPs de bandas emergentes australianas que se inserem no mesmo universo sonoro destes I´lls e com a possibilidade de download nos mesmos termos deste EP que hoje vos sugiro. Os Guerre e os Cosmos Midnight são dois projetos que recomendo vivamente. Espero que aprecies a sugestão...

I'lls - A Warm Reception

01. Speak Low
02. Plans Only Drawn
03. Outright
04. Sharing
05. To: All The Blurred
06. Mine’s Here Or My End’s Here Or Nineteen

Soundcloud: https://soundcloud.com/illsmusic
Bandcamp: http://illsmusic.bandcamp.com/
YouTube: http://www.youtube.com/user/Illsmusic


autor stipe07 às 22:27
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Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Paper Lions – My Friends

Lançado no passado dia vinte de agosto, My Friends é o novo disco dos Paper Lions, uma banda de indie rock oriunda de uma pequena ilha canadiana chamada Prince Edward Island e sedeada atualmente em Charlotte Town. Os Paper Lions são formados por John MacPhee e Rob MacPhee, dois irmãos aos quais se juntaram David Cyrus MacDonald e Colin Buchanan. My Friends foi editado pela própria editora dos Paper Lions, a Fountain Pop Records e produzido pelo canadiano Howard Redekopp, um reputado produtor que já trabalhou com os Tegan and Sara, The New Pornographers e Mother Mother, entre outros.

A mostrar PLGreenPromoPhoto2013.jpg

Da alegre Bodies In The Winter, passando pela nostálgica My Friend e a épica Little Liar, My Friends assenta no clássico power pop, alegre e luminoso. São onze canções que se ouvem em cerca de trinta minutos, ou seja, temas curtos e diretos, mas com a duração suficiente para transmitirem uma mensagem alegre e divertida. Guitarras luminosas e com as cordas a vibrar acusticamente ou ligadas às máquinas, um baixo vibrante e uma bateria cheia de potência e cor, são os ingredientes principais de que os Paper Lions se servem para dar vida a estas canções. As mesmas têm uma tonalidade e uma temática um pouco adolescente, bem recreada na capa do álbum, já que falam das questões do amor, da amizade, do verão e da praia cheia de castelos na areia, evocando assim a melancolia dos nossos verdes anos.

Acaba por ser muito apropriado este álbum surgir na reta final do verão já que ele desperta em nós imagens mentais que forçosamente nos remetem para situações vividas neste época do ano, em dias cheios de sol, luz, água e calor. Temas que nos remetem facilmente para os Beach Boys, como Ghostwriters ou para os Weezer (San Simeon), ampliam este efeito e terão sido certamente escritas de acordo com a perspectiva que os Paper Lions têm sobre as suas próprias experiências nesta altura do ano e o ambiente que os rodeia. 

Philadelphia, o mais recente single retirado de My Friends, está disponivel para download gratuito no sitio dos Paper Lions, assim como a audição integral do disco. Espero que aprecies a sugestão...

Paper Lions - My Friends

01. Bodies In The Winter
02. Pull Me In
03. Sandcastles
04. My Friend
05. Little Liar
06. Ghostwriters
07. So Lonely
08. San Simeon
09. Philadelphia
10. My Friends Are Leaving
11. Sophomore Slump (Bonus Track)


autor stipe07 às 23:14
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Domingo, 25 de Agosto de 2013

Curtas... CXXVI

A um de outubro será editado via Old Flame Records, Savior, o novo disco dos Shark?, um coletivo de Nova Iorque que tem no punk e no rock de garagem feito com guitarras cheias de distorção mas melodicamente muito ricas as suas traves mestras. Um dos temas de Savior já divulgado e disponível gratuitamente é California Grrls, mas também já se conhece A OK e This Is Living. Confere...

 


Já é conhecida a primeira amostra de Coming Apart, o disco de estreia do projeto Body / Head, formado por Kim Gordon (Sonic Youth) e Bill Nace. Actress é o nome da canção, um tema hipnótico, com uma forte toada experimental e onde não podiam faltar as guitarras numa elevada dose de distorção. Coming Apart chegará às lojas a nove de outubro, via Matador Records. Confere...


Darby Cicci é membro dos Antlers, banda onde toca teclas, trompete, baixo, banjo, orgão e uma série de outros instrumentos que fazem dele figura central dessa banda de Brooklyn, Nova Iorque. A solo assina como School Of Night e obviamente também apresenta toda essa riqueza instrumental, bem presente em Lying, o primeiro single retirado de um EP homónimo que irá editar em outubro. Confere...


Oriundos de Brooklyn, os Gross Relations editaram recentemente um homónimo disco de estreia, via Old Flame Records. Guiados pelo punk rock lo fi carregado de distorção, abrilhantado por arranjos simples mas viscerais e vozes sintetizadas a feder a testosterona, têm em Cut The Final Scene um dos grandes destaques desse trabalho. Confere...

 

Dandelion Wine é o primeiro single de avanço para Caught In A Summer Swell, disco que vai ser editado pelos The Band In Heaven, verdadeiros mestres do shoegaze. O trabalho chega a dezassete de setembro, via Decades Records. Dandelion Wine foi inspirado no livro com o mesmo nome da autoria de Ray Bradbury e publicado em 1957. Esse romance também inspirou o video da canção que ilustra uma animada festa de verão. Em setembro publicarei uma crítica a Caught In A Summer Swell; Até lá, dança ao som de Dandelion Wine...


autor stipe07 às 00:13
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Sábado, 24 de Agosto de 2013

Radius And Helena – Fangs

Os Radius And Helena são Christopher, Ryan, Denise, Steve, Irene, um coletivo oriundo de Toronto, no Canadá e que se estreou em 2008 com Precious Metals. No passado mês de junho foi editado o sucessor; Falo de Fangs, uma coleção de onze temas com algum do melhor rock experimental e psicadélico que ouvi ultimamente. Já agora, algumas das canções de Fangs estão disponíveis para download no soundcloud e no bandcamp dos Radius And Helena.

Depois do disco de estreia, Fangs é, de acordo com o que descobri, a primeira parte de uma épica coleção de dois álbuns conceptuais. Sonoramente bastante influenciados por nomes como os Pink Floyd, Sparks ou os Blonde Readhead, os Radius And Helena criam neste trabalho uma vasta palete de sons, com imensos detalhes e com a grandiosidade habitual dos exímios intérpretes do chamado art rock experimental.

Na abertura do disco, Astronaut, com as suas guitarras explosivas e cheias de distorção, funciona como uma espécie de contagem decrescente para a ignição e a descolagem de quem quiser assumir o papel do título de canção e prosseguir na demanda que os Radius And Helena fabricaram e idealizaram em Fangs. A partir daí, subimos até ao céu num disco cheio de cor, feito imensas vezes com um baixo vibrante, vozes harmoniosas, uma bateria muito vincada e sons sintetizados que têm tanto de sombrio como de luminoso. E assim somos levados numa verdadeira viagem espacial até um cosmos ainda algo desconhecido, mas que rapidamente se vai revelando em todo o seu esplendor.

Fangs tem vários temas que sobressaiem, nomeadamente o rock angular e futurista de Anne 5, o groove de The Wizard Of Linn, o rock bombástico e visceral de No Combat e a calma introspetiva de Science Fiction e de What Gets In The Way Of Trust. Os arranjos quentes e tropicais de Blood Magic e a incursão ao universo sonoro dos Beatles em Luck Against The Clock, também merecem particular atenção. Em suma, praticamente todo o disco deverá ser objeto de uma audição atenta, até porque cada tema ilustra um diferente local por onde a viagem passa.

Liricamente, Fangs explora constantemente o lado mais controverso, obscuro e até animalesco da mente humana. Denso mas aberto, pessimista mas carregado de ideais de esperança, Fangs apresenta as contradições humanas de forma diversificada, através de uma sonoridade bastante cinematográfica, porque ao ouvir o álbum conseguimos visualizar na nossa mente os diferentes locais que os Radius And Helena idealizaram durante a composição de Fangs. Espero que aprecies a sugestão... 

Radius And Helena - Fangs

01. The Astronaut
02. Anne5
03. Mexican Wrestlers
04. Science Fiction
05. What Gets In The Way Of Trust
06. The Wizard Of Linn
07. No Combat
08. Blood Magic
09. Luck Against The Clock
10. Last Dungeon
11. Fangs


autor stipe07 às 20:23
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