Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

Black Marble – A Different Arrangement

Os Black Marble são Chris Stewart e Ty Kube, uma dupla natural de Brooklyn, que lançou no passado dia nove de outubro, através da Hardly ArtA Different Arrangement, o disco de estreia. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.

É imediatamente visível uma forte componente conceptual em A Different Arrangement. O aspecto da capa do disco e depois, o que realmente importa, a sonoridade da banda, tudo remete-nos, no imediato, para o classicismo sonoro dos anos setenta e oitenta. A estética não recusa a originalidade a a autenticidade, mas os Black Marble tentam recontextualizar e fazer progredir, neste conjunto de canções, aquela premissa que há trinta anos atrás colocava o sintetizador analógico na linha da frente e a nostalgia na proa das construções melódicas.

A própria postura vocal de Stewart abraça a tonalidade típica de um Ian Curtis que se rege pelo baixo e por batidas insistentes, o que ajuda imenso a criar a tal tensão melancólica. É como se ele estivesse a cantar num beco de Brooklyn, envolvido por uma espessa camada de nicotina.

Neste A Different Arrangement, o post punk transcende-se e sente-se uma emoção histórica que se encaixa também confortavelmente na tradição gótica dos anos oitenta, mas com uma leitura mais contemporânea, com uma produção minimal, mas brilhante. Espero que aprecies a sugestão...

Black Marble - A Different Arrangement

01. Cruel Summer
02. MSQ No-Extra
03. A Great Design
04. A Different Arrangement
05. Limitations
06. UK
07. Static
08. Last
09. Legends
10. Safe MInds
11. Unrelated


autor stipe07 às 13:18
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2012

Dum Dum Girls - End Of Daze EP

Um ano depois do lançamento de Only in Dreams, o segundo álbum do grupo, as Dum Dum Girls, lideradas por Dee Dee Penny, lançaram no passado dia vinte e cinco de setembro, um novo EP, intitulado End Of Daze, através da Sub Pop Records.

Produzido por Sune Rose Wagner, membro da dupla The Raveonettes e por Richard Gottehrer,  que produziu Only in Dreams, o EP tem cinco canções que mantêm a sonoridade distorcida que alicerça toda a discografia do grupo, iniciada com I Will Be, o primeiro disco que, desde logo, colocou um enorme ênfase nas guitarras inspiradas pelo som forte do rock de garagem.

Começando pelo início, em Mine Tonight a banda caminha sobre um território já conhecido. Com uma introdução imponente, a canção dá início ao trajeto escuro e confuso, que inspira boa parte do EP. Em I Got Nothing, a obscuridade por trás das letras na primeira canção, vem à tona, definitivamente (Now I can't sleep, I'm sinking deep, I don't understand, I don't know where I am). O quarteto sabe muito bem como nos embalar com refrões aditivos e com boas rimas; E neste End of Daze os sentimentos expressos nas canções são plasmados de forma ainda mais profunda, evidenciando até algumas cicatrizes, que não são aquelas físicas e mais visíveis.

Entretanto, o melhor do EP está em Lord Knows, canção que consegue reunir todas as dores expressadas pelas músicas anteriores e concentrá-las num único lamento primoroso. No fim, as batidas aceleradas de Season in Hell anunciam um recomeço, não se afastando dos versos carregados de ressentimento, mas também, não se aprofundando ao ponto de perder todas as esperanças. Na verdade, a canção anuncia que o céu se irá abrir novamente e a esperança estará de volta (Lift your gaze, It's the end of daze).
Em suma, este é o melhor trabalho do grupo até aqui, já que as miúdas conseguiram renovar o seu reportório de efeitos e distorções e colocaram, ao mesmo tempo, uma boa dose de melancolia nas letras, que deixaram de ser fáceis para se tornarem meditativas. Espero que aprecies a sugestão...

  1. Mine Tonight
  2. I Got Nothing
  3. Trees and Flowers
  4. Lord Knows
  5. Season in Hell

Dum Dum Girls - Lord Knows by SubPop


autor stipe07 às 13:27
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2012

El Perro Del Mar – Pale Fire

El Perro Del Mar é o projeto musical da artista sueca, natural de Gotemburgo, Sarah Assbring e que passou por Portugal (Bercelos e Lisboa) no passado mês de julho, ocasião em que apresentou algumas das suas novas canções incluídas em Pale Fire, o seu quinto disco de estúdio, editado recentemente pelo selo Memphis/Ingrid.

Este Pale Fire é uma espécie de segunda parte de Love Is Not Pop, rodela lançada em 2009 e onde a artista aprimorou eficazmente e com coerência toda a sonoridade que foi desenvolvendo desde que em 2005 se aventurou nos lançamentos discográficos com Look! It's El Perro del Mar!.

Portanto, neste Pale Fire a cantora demonstra uma maior consciência de si mesma e fornece-nos, de forma atrativa, uma coleção de canções inspiradas quer por climas mais leves e dançantes, quer por outros mais sombrios e melodicamente menos agitados.

Esse resultado de rumos duplos já era previstos após Love Is Not Pop, porque desde o lançamento do homónimo El Perro Del Mar, em 2006, Assbring parece inclinada a reproduzir um novo tipo de sonoridade em cada lançamento. Em Pale Fire temos então um álbum suave e descomprometido, mas capaz de apresentar um acabamento rico e atrativo e assim agradar a ouvintes apreciadores de diferentes tipos de sonoridade e espetros musicais. O conteúdo passeia por tiques sonoros da década de oitenta, ao mesmo tempo que mantém firme a aproximação com a indie pop arquitetada no princípio da década passada. Surgem assim criações que se dissolvem em anseios românticos (Love Confusion), doses moderadas de melancolia eletrónica (Dark Night) e até criações que sintetizam todas essas propostas num composto dançante e capaz de brincar com a pop de forma peculiar (To The Beat Of A Dying World).

Liricamente próximo dos registos que o precedem, a tal simbiose instrumental, e completando a minha análise anterior, é visível igualmente no uso consciente das batidas que por vezes piscam o olho à trip hop, algo bem audível no single Walk On By. E Até passagens pelo reggae podem ser descortinadas, como em Love In Vain, canção que identifica esse género devido ao seu acabamento peculiar e sempre dentro das propostas que sustentam o disco.

Assumindo uma postura distinta em relação ao que circula de maneira quase convencional na cena musical sueca, Assbring é transportada através deste Pale Fire para o núcleo restrito de artistas suecos que apostam num som menos convencional e comercial e prova que é possível estimular o nascimento de um disco recheado por criações acessíveis aos mais variados públicos, sem que para isso seja preciso percorrer as redundâncias que há décadas não deixam progredir a música pop. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pale Fire
02. Hold Off The Dawn
03. Home Is To Feel Like That
04. I Carry The Fire
05. Love Confusion
06. Walk On By
07. Love In Vain
08. To The Beat Of A Dying World
09. I Was A Boy
10. Dark Night


autor stipe07 às 13:53
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Domingo, 28 de Outubro de 2012

Kodaline – The Kodaline EP

Os Kodaline são um grupo irlandês, natural de Dublin, formado por Stephen Garrigan, Mark Prendergast, Vinny May Jr e Jason Boland. A sonoridade deste projeto presente no EP homónimo de estreia, soa a um pós-Radiohead, porque assenta na utilização de melancolias que originam belas canções para se ouvir com imagens. A toada geral soa, por vezes, demasiadamente melodramática mas, ao mesmo tempo, demonstram muita qualidade para quem está agora a iniciar os lançamentos musicais. Estamos na presença daquele ambiente sonoro épico e melancólico fundado pelos Coldplay e pelos Verve, mas os Kodaline parecem usar essas influências apenas como trampolim para algo que poderá vir a ser marcante.

Não finalizo sem destacar o vídeo do single All I Want  e que convido todos a visualizarem. É um belíssimo e comovente filme que retrata uma versão da Bela e do Monstro, ou melhor, da Bela, do Belo e de vários monstros...

O grupo assinou recentemente com a RCA e estão em fase de conclusão do disco de estreia. Espero que aprecies a sugestão...

01. All I Want
02. Lose Your Mind
03. Pray
04. Perfect World

The Kodaline EP by Kodaline


autor stipe07 às 20:42
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Sábado, 27 de Outubro de 2012

Sugiro XVI


autor stipe07 às 11:55
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

The Sweet Serenades – Help Me!

Os suecos The Sweet Serenades são uma dupla sueca, natural de Estocolmo, formada em 2002 por Martin Nordvall e Mathias Näslund, mas já se conhecem há vários anos, sendo amigos de longa data desde 1991. Editaram no passado dia doze de setembro Help Me!, através da Leon Records, um selo da própria banda. O grupo estreou-se nos discos em 2009 com Balcony Cigarettes, rodela que continha On My Way, Mona Lee e Die Young, três canções que, à época, fizeram furor no universo musical indie e alternativo. Esse último tema fez parte da banda sonora da Anatomia de Grey e reza a lenda que gastaram os royalties muito bem gastos; Martin foi ao dentista, Mathias comprou um cão e investiram numa rouloute, para passar o tempo, escrever canções e discutir assuntos pertinentes relacionados com a existência humana.

Os The Sweet Serenades são neste momento uma das bandas mais importantes do riquíssimo panorama índie sueco, na senda de outros projetos citados conterrâneos citados por cá algumas vezes, como Jens Lekman, Azure Blue, El Perro del Mar, Norra Kust, First Aid Kid, Foreign Slippers, Hold Your Horses!, Fibes! Oh Fibes, Little Dragon, Emerald Park, Turn Off Your Television, The Perishers e Lykke Lie.

Confessam ser influenciados por corações partidos, grandes canções, pela frustração sexual e toda a carga criativa que essa sensação supostamente lhes causa e por bandas como Arcade Fire, The Strokes, AC/DC, os conterrâneos ABBA, The Perishers e the Shins, entre outros. No fundo, tal como eles dizem, fazem uma espécie de rock selvagem, ou uma índie pop movida a muita testosterona.

A audição de Help Me! leva-nos numa viagem até à fusão dos primórdios da pop, nos anos cinquenta com o rock mais épico da década de oitenta. Indubitavelmente eles dominam a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma bateria indomável, palmas, gritos e melodias cativantes, para presentear quem os quiser ouvir com canções alegres, aditivas, divertidas e luminosas, daquelas que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Help Me!
02. Moving On
03. Run (Run, Run)
04. After All the Violence (Ft. Karolina Komstedt)
05. Can’t Get Enough
06. Terminal 2
07. Young Love
08. Bright Lights, Big City
09. Jennie
10. In Vacuo

The Sweet Serenades - Can't Get Enough by LeonRecords


autor stipe07 às 23:05
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012

The Chevin - Borderland

Naturais dos subúrbios de Leeds, em Inglaterra, Os The Chevin formaram-se em 2010 pela iniciativa de quatro amigos de infância. Falo de Coyle Girelli (voz e guitarras), Mat Steel (guitarras e teclados), Jon Langford (baixo) e Mal Taylor (bateria). Estrearam-se em 2011 com um EP, lançado pela Fierce Panda Records e que incluia no alinhamento Champion, uma canção que fez furor no país natal e passou com insistência em várias rádios, nomeadamente a XFM London, XFM Manchester e a BBC 6 Music. Esta é a canção que faz parte da banda sonora do próximo jogo Fifa 2013, que fez furor numa edição recente do David Lettermann e que abre Borderland, o longa duração de estreia destes The Chevin, disco editado no passado mês de setembro, depois de um verão cheio de concertos e onde abriram para bandas de nomeada, como os Franz Ferdinand.

O que salta logo ao ouvido na audição de Borderland é a busca por um som típico de uma indie rock que quer ser megalómana, lotar estádios e criar canções com refrões fáceis, para serem interpretadas em uníssono por milhares de pessoas. Esta receita praticada por nomes tão sonantes como os U2, The Killers, Muse ou os Franz Ferdinand, além de ser a força motriz de Champion, também se sente no pulsar de Drive, o outro single já retirado de Borderland.

A própria postura vocal de Coyle nesta canção faz lembrar uma espécie de fusão entre Matt Bellamy (Muse) e Brandon Flowers (The Killers). Aliás, a crítica considera-os a resposta do Reino Unido para os The Killers. Drive tem um enorme cariz épico, já que é suportada por violinos e inclui harmonias vocais idêticas a cantos de ópera, lembrando vagamente aqueles momentos de êxtase tipicos dos Arcade Fire. O próprio vídeo da canção merece destaque, porque nele vêem-se montagens de colisões, comboios e pessoas a dançar enquantos os The Chevin tocam numa espécie de arena, cheia de cor e com uma edição frenética que cola com a batida da música.

Em suma, estamos na presença de uma banda competente no tal indie rock épico, com um excelente disco de estreia, carregado de hinos feitos com guitarras potentes, tambores e sintetizadores e que certamente irão deixar, futuramente, uma marca importante na indústria musical. Vamos ver como corre o sempre difícil segundo disco. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Champion
02. Drive
03. Blue Eyes
04. Dirty Little Secret
05. Love Is Just A Game
06. Borderland
07. Beautiful World
08. Gospel
09. Colours
10. So Long Summer
11. Songs For The Sun (Bonus Track)
12. Menwith Hill (Bonus Track)
13. When The Party’s Over (Bonus Track)


autor stipe07 às 21:24
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Curtas... LXIV

As irmãs canadianas Tegan And Sara estão de regresso aos lançamentos discográficos no início de 2013. O álbum irá chamar-se Heartthrob e será o sétimo trabalho de estúdio da dupla, sucedendo a Sainthood, de 2009.

Heartthrob deverá expandir as referências pop e eletrónicas que há algum tempo acompanham o trabalho deste projeto, algo muito patente em I’m Not Your Hero, o primeiro single conhecido do disco. A canção utiliza a já tradicional melancolia como pano de fundo e depois divide-se em momentos mais dançantes e outros introspectivos, algo que deverá agradar aos seguidores mais fiéis das Tegan And Sara.

 

As melodias peculiares dos Local Natives estão de volta. Depois de Gorilla Manor, um dos grandes discos de 2009, o grupo de Los Angeles anunciou para o dia vinte e oito de janeiro a chegada de Hummingbird, o segundo e muito aguardado trabalho de estúdio da banda. Primeiro exemplar do novo álbum, que será lançado pelos selos Frenchkiss e Infectious, Breakers torna pública a evolução do quarteto, que mesmo sem querer estabelecer um registro de proporções épicas, flutua entre os Grizzly Bear do álbum Veckatimest e as cores que preencheram a estreia dos Vampire Weekend. Por enquanto, a melhor música de 2013.

 

A treze de novembro os Stumbleine irão editar um novo disco intitulado Spiderwebbed, através da Monotreme Records. Os Stumbleine são uma banda de Bristol, cidade natural dos Massive Attack, Portishead e Tricky e partilham da mesma sonoridade atmosférica, eletrónica e sintetizada desses nomes.

Neste Spiderwebbed existem algumas participações especiais, nomeadamente de CoMa e de Steffaloo. Com esta última compuseram uma versão de Fade Into You, um clássico da década de noventa dos Mazzy Star.

 

Stumbleine - Spiderwebbed

01. Cherry Blossom
02. If You
03. Capulet
04. The Beat My Heart Skips (Feat. CoMa)
05. Honey Comb
06. Solar Flare
07. Fade Into You (Feat. Steffaloo)
08. Kaleidoscope
09. The Corner Of Her Eye
10. Catherine Wheel (Feat. Birds Of Passage) 

 

Os Mazes disponibilizaram para download gratuíto, através da Fat Cat Records, Bodies, o seu single mais recente. O tema faz parte de uma cassete que esta banda londrina vai vender na digressão que entretanto vai iniciar com os The Cribs e que inclui no lado B uma remistura do mesmo tema da autoria de Hookworms, um produtor de Leeds.

 

A dupla californiana Crocodiles lançou on início deste ano Endless Flowers, o seu terceiro álbum. Agora preparam-se para iniciar uma digressão europeia e de forma a assinalar esse facto, editaram  Bubblegum Trash, um dos singles de  Endless Flowers e que verá a luz do dia a vinte e seis de novembro.

Bubblegum Trash conta com a participação especial de Dee Dee, vocalista das Dum Dum Girls, casada com Brandon Welchez, lider dos Crocodiles e com quem canta no tema o sugestivo verso, You can suck me like a bubble pop.


autor stipe07 às 13:34
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012

The Lighthouse And The Whaler – This Is An Adventure

 

Três anos após o disco de estreia, os The Lighthouse and The Whaler estão de regresso aos discos com This Is An Adventure, editado no passado mês de setembro. Para este novo álbum, a banda natural de Cleveland, no Ohio e formada por Michael LoPresti, Matthew LoPresti, Mark Porostosky e Steve Diaz, investiu numa instrumentação rica e em arranjos sofisticados que serviram para criar pouco menos de quarenta minutos de canções leves e ensolaradas e com um imenso potencial pop. São dez temas coesos e esforçados, com imensos detalhes sonoros, bem audíveis logo desde a abertura com o single Pioneers, que ao mesmo tempo que apresenta o xilofone, instrumentos de cordas e o sintetizador, dá o mote para o que vamos encontrar no resto do disco.

A canção seguinte, Chromatics, segue essa mesma linha e a partir daí já é possível fazermos um juízo de valor acerca da nossa adição, ou não, a este This Is An Adventure, porque mantém-se a postura upbeat e festiva com toques da folk e do pop até ao fim do álbum.

Venice, acaba por ser a melhor canção do álbum e destaca-se  já que, num disco onde todas as músicas parecem pisar no acelerador, ela diminui o ritmo e aposta em alguns elementos mais básicos. Com uma percussão forte e uma voz marcante, a canção cresce apoiada no violino, instrumento que neste tema encaixou muito bem e de uma forma orgânica.

Há outras canções um pouco mais dançáveis, como This Is An Adventure e Untitled, temas que sobressaiem um pouco da sonoridade geral, mas que nem por isso deixam de ser convincentes e apelativas.

É audível a preocupação com a produção e a instrumentação, o que faz deste This Is An Adventure um disco que soa de forma algo descomplexada e nos deixa com uma certa nostalgia em relação ao verão. Poucas músicas são memoráveis, mas todas elas são muito animadas e cheias de energia. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pioneers
02. Chromatic
03. Venice
04. The Adriatic
05. Little Vessels
06. Burst Apart
07. This Is an Adventure
08. Iron Doors
09. We’ve Got the Most
10. Untitled

The Lighthouse and The Whaler - Pioneers by freshnewtracks


autor stipe07 às 21:48
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Why? - Mumps, Etc

Yoni Wolf juntou-se, em 2004, ao coletivo de hip hop Anticon, um dos mais estimulantes laboratórios de invenção de novos caminhos e recontextualizações de referências, formas e linguagens de genética hip hop. Passaram então a ser um trio, rebatizaram o projeto de cLOUDDEAD e juntos elevaram o hip hop delirante, neurótico e fragmentado ao estatuto de entidade essencial para a compreensão do século XXI.

Entretanto os cLOUDDEAD deram o berro, mas Yoni Wolf (aka Why?) seguiu em frente e formou, com o seu nome artístico, uma nova banda com o seu irmão Josiah e estrearam-se nos discos em 2005 com Elephant Eyelash, ao qual se seguiu Alopecia, em 2008, o glorioso expoente da união entre pop, hip hop e o experimentalismo, no fundo a bitola pela qual se rege a sonoridade deste projeto. Em 2009 deram-nos Eskimo Snow, um álbum cheio de canções mais sombrias e nasaladas, com um tom provocador e afectado. Agora, em 2012, a tal receita milagrosa está de volta com Mumps, Etc, disco editado pela City Slang no passado dia oito de outubro.

Mumps, Etc ombreia com Alopecia em imaginação sónica e melódica. Tematicamente existe muito humor negro, centrado em ideias de alienação e terror e muitos animais mortos, algo abordado também nas canções dos cLOUDDEAD. Há uma estranha obsessão de Yoni pela morte e ele não tem medo de o admitir com uma honestidade, quase desarmante, durante a escrita das suas canções. No entanto, na escrita de Yoni não é tudo auto biográfico; O que ele escreve tem um certo lado de rapaz solitário, embora neste Mumps, Etc a componente diarística seja mais subtil e adulta.

A maioria das canções do álbum assentam em beats esquisitos sobre os quais harmonias infantis bailam em redor das melodias. Logo a abrir, Jonathan's Hope destaca-se pela batida, os xilofones, os coros e a harpa que compõe um refrão algures entre o humor depreciativo, o infantil e o desesperado, com uma referência final a pássaros, os tais animais alvos da obsessão de Yoni. Stramberry, Wolf tem acordos de piano simples, assobios, palmas e uma melodia lindíssima que quase nos leva às lágrimas. E no resto do disco, no meio de algumas incursões pelo dub, os tais xilofones e pianos assumem sempre a linha da frente.

Após repetidas audições acaba por impregnar-se uma inolvidável sensação de estarmos na presença de uma coleção de canções que poderiam ter sido idealizadas por uma criança que ganhou voz de adulto, aprimorou os seus dotes musicais, instrumentais, de escrita e melódicos, mas que, bem lá no fundo, nunca cresceu, nunca deixou de brincar com os instrumentos e assim, neste Mumps, Etc, conseguiu uma metáfora perfeita dos extremos desiquilíbrios deste mundo.

A banda anda neste momento por cá, na Europa, a promover este magnífico Mumps, Etc. Espero que aprecies a sugestão...

01. Jonathan’s Hope
02. Strawberries
03. Waterlines
04. Thirteen on High
05. White English
06. Danny
07. Sod in the Seed
08. Distance
09. Thirst
10. Kevin’s Cancer
11. Bitter Thoughts
12. Paper Hearts
13. As a Card


autor stipe07 às 21:46
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