Domingo, 30 de Setembro de 2012

We Trust – These New Countries

Apesar de já ter sido editado há cerca de um ano, não resisto a divulgar These New Countries, o último disco do projeto We Trust, liderado por André Tentúgal, um realizador portuense de vinte e oito anos que já trabalhou com os X-Wife, Old Jerusalem, FogeFogeBandido e os Divine Comedy. Nas pausas cinematográficas, ele criou, com a ajuda de vários amigos, um reportório musical que decidiu editar e que, segundo o próprio, é uma epopeia pop sobre a busca de novos lugares.

These New Countries tem toques de doçura melódica que fazem lembrar Noiserv e uma componente literária forte que se assemelha a B Fachada. As canções falam de amor, de amizade, união, de tempo, espaço e mudança e de países abstratos sem barreiras físicas ou mentais. Certamente todos nos recordamos de ouvir em 2011, com alguma insistência Time (Better Not Stop), uma canção que soava a Primavera e antecipava um bom Verão. Correu as rádios, as televisões, gerou artigos e reportagens. Chegou a meio mundo e ecoou nos ouvidos da marca Hugo Boss. Mas André Tentúgal rejeita a ideia de que We Trust seja apenas Time (Better Not Stop) e deseja que a banda não seja vítima desse sucesso, mas que valha pela qualidade musical de um todo chamado These New Countries.

A sonoridade do disco passeia entre a pop e o rock, com alguns travos deliciosos de soul e eletrónica; É um álbum sem barreiras de géneros ou estilos, algo inesperado, em suma, uma bela surpresa, amadurecida pelos anos. Depois, passada a surpresa, a sensação é de inequívoca certeza, já que estamos na presença de algo que nos preenche a alma, apesar de ter sido construído com simplicidade, apesar de ter havido, certamente, um enorme cuidado na escolha dos arranjos.

Em suma, These New Countries é um álbum doce e cheio de palavras certeiras sobre o amor e a vida, carregado de elegância e materializado com um bom gosto desarmante. Espero que aprecies a sugestão... 

We Trust - These New Countries

01. Feeling
02. Again
03. Time (Better Not Stop)
04. Waiting
05. Once At A Time
06. Tell Me Something
07. Reasons
08. Gone
09. Within Your Stride
10. This Time The Truth
11. Freedom Bound
12. Surrender


autor stipe07 às 14:19
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

Two Door Cinema Club - Beacon

Os irlandeses Two Door Cinema Club, de Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday, lançaram Beacon (trailer), o sucessor de Tourist History (2010), no início deste mês de setembro pelo selo Kitsuné. Beacon tem produção de Garret “Jacknife” Lee (R.E.M., Silversun Pickups, U2, Bloc Party) e foi gravado em abril deste ano em Los Angeles.

O segundo disco destes Two Door Cinema Club não os retira da zona de conforto feita com um indie festivo; No entanto, neste Beacon houve a tentativa de explorar uma sonoridade instrumental mais apurada. De acordo com o vocalista Alex Trimble, Beacon é um disco muito mais íntimo, mas ao mesmo tempo, maior e mais convidativo. Encontrar esse equilíbrio foi uma meta da banda e este álbum leva-nos um passo adiante do que sonhamos ser um dia.

Uma das maiores virtudes de Tourist History, o primeiro disco dos Two Door Cinema Club, era o ritmo, nomeadamente o fluxo instrumental dançante das guitarras. Por isso não foi de estranhar que algumas canções desse álbum surgissem em eventos índie ou que a banda  tocasse em vários festivais pelo mundo inteiro. A estrutura melódica mostrava que as letras eram meros complementos aleatórios, particularidades que também dançavam e existiam unicamente por causa da sonoridade do álbum. Da quase metódica canção de abertura, Cigarettes in the Theatre, ao riff de What You Know e a melancolia de Something Good Can Work, tudo fluia para impressionar e levar os ouvintes a entregarem-se aos encantos e à dança involuntária que o trio imprimia ao longo das canções.

Agora, em Beacon, a estratégia de manter o ritmo frenético em alta mantém-se, mas há mudanças e pequenas substituições na sonoridade, com a banda a aproveitar melhor as letras e a assumir uma postura mais adulta. A gravação no outro lado do atlântico, longe do espaço natural dos músicos, também terá ajudado os Two Door Cinema Club a desligarem-se do ambiente mais adolescente da estreia e a compôr canções com um cariz mais sério e elaborado.

As guitarras de Halliday continuam a ser o fio condutor de praticamente todas as músicas, mas surge, em Beacon, novos instrumentos que remodelam musicalmente a banda, que parece flutuar entre a estrutura de composição típica dos Foals e a pop madura dos Phoenix. Sintetizadores, metais, vozes em coro e uma bateria mais crua, são novos detalhes e particularidades musicais que ampliam consideravelmente os horizontes dos ingleses.

Beacon não é o disco que vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à média dos novos grupos britânicos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Next Year
02. Handshake
03. Wake Up
04. Sun
05. Someday
06. Sleep Alone
07. The World Is Watching
08. Settle
09. Spring
10. Pyramid
11. Beacon

Two Door Cinema Club - Sleep Alone (Edit) by Fracto


autor stipe07 às 16:48
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

Sic Alps – Sic Alps

Os Sic Alps são uma banda norte americana, natural de São Francisco e liderada por Mike Donovan e Matthew Hartman. Estão desde o ano passado na Drag City e continuam, orgulhosos, a passear distorção doce sobre melodias e acordes, algo bem audível no disco homónimo, editado no passado dia onze de setembro.

Os Sic Alps são uma das bandas mais originais do chamado garage rock dos últimos anos e já criaram uma sonoridade estranhamente familiar e sua. Sonoramente abordam memórias dos anos sessenta e dos Pavement e reminiscências do noise pop e criam, desse modo, canções simples, daquelas que vão direitinhas para o compêndio do bom rock americano.

Não têm a agressividade, nem a demência de alguns nomes fundamentais dentro do género musical que abordam, nomeadamente os já citados Pavement, os My Bloody Valentine, os Sonic Youth, ou os The Jesus And Mary Chain, mas sobra-lhes a capacidade e a vontade de atropelar carinhosamente o garage rock, o lo fi e a pop, algo bastante ambicioso se pensarmos que usam apenas uma guitarra, a bateria e a voz. Em jeito de curiosidade, é impressionante perceber que os elementos do grupo desdobram-se pelos instrumentos e trocam de posição com uma versatilidade pouco vista.

Neste disco homónimo que, já agora, sucede a A Long Way Around To A Shortcut e a U.S. EZ (EZ lê-se easy), nota-se um cuidado enorme ao nível dos arranjos, a cargo de Ryan Francesconi (colaborador assíduo de Joanna Newsom). Assim, as canções transpiram sujidade e um rock duro, libidinoso, cheio de virtuosismo, como se a essência mais bastarda da América estivesse, afinal de contas, traduzida numa guitarra e numa bateria armadas com sentido prático e depois emaranhadas em eco, sem complicações ou mensagens profundas.

Em suma, nos Sic Alps o rock soa ressacado, a meio gás e, no entanto, contém um magnetismo psicótico difícil de explicar e de resistir, como as melhores as coisas na vida, se calhar. Parece fácil, tem estilo e é aconselhável que, se souberem tocar, tentem isto em casa.
A banda anda em digressão com os Thee Oh Sees, por agora apenas em solo norte-americano. Espero que aprecies a sugestão...

01. Glyphs
02. God Bless Her, I Miss Her
03. Lazee Son
04. Polka Vat
05. Wake Up, It’s Over II
06. Drink Up!
07. Thylacine Man
08. Moviehead
09. Rock Races
10. See You On the Slope


autor stipe07 às 21:42
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Curtas... LVI

Lonerism , dos Tame Impala, é um disco que tenho ouvido com regalo e insistência e de longe um dos grandes discos de 2012. Está cheio de canções que brevemente merecerão uma resenha neste blogue. São densas e banhadas pelo experimentalismo e com uma sonoridade pouco óbvia e, ao mesmo tempo, bastante colorida; Em alguns instantes Lonerism apresenta músicas mais comerciais, como é o caso do single Elephant. Esta canção acaba de ter direito a uma incrível remistura, com uma sonoridade próxima do original, mas que vai crescendo, gerando uma composição grandiosa e muito próxima das pistas de dança.

A remistura está disponível para download gratuíto pela Modular em troca do endereço de email.

 

 

Os Hospitality lançaram um disco homónimo no início deste ano e são um grupo norte americano que aposta naquele indie rock que surgiu no final da década de noventa pela mão de grupos como os The New Pornographers, ou os The Fiery Furnaces.

A empolgante e aditiva Monkey, é mais uma canção retirada desse álbum homónimo, será editada no final do próximo mês, mas já poderá ser escutada logo abaixo.

 

Quem acompanha a carreira dos tais canadianos The New Pornographers sabe que alguns dos seus membros têm interressantes carreiras a solo e projetos paralelos, com particular destaque para Dan Bejar e o seu projeto paralelo, os Destroyer, que produziram, em 2011, o extraordinário Kaputt.

A.C. Newman é outro elemento dos The New Pornographers com um projeto paralelo, neste caso a solo e que nos envolve com a mesma indie rock melódica que há anos define o trabalho do grupo norte-americano a que pertence. Encyclopedia of Classic Takedowns é  um belo exemplar do que o músico prepara para o dia nove de outubro, quando Shut Down the Streets, o seu novo álbum dessa carreira a solo, for apresentado.


Gosto de rap e hip hop quando esse género musical tem a capacidade de me surpreender completamente, algo que sucede quando me predisponho a embrenhar-me a fundo nas novidades que também surgem nessa área musical. Agora descobri Action Bronson, um rapper que também é cozinheiro e que editou este ano uma mixtape intitulada Blue Chips, um dos melhores exemplares do género de acordo com a crítica especializada, porque aposta em samples e rimas coesas.

Mas este músico natural de Nova Iorque prossegue com o lançamento de novos e ainda mais atrativos singles, como é o caso de It’s Me, uma pequena canção carregada de um clima caliente, que serve para apresentar o próprio artista, que nela canta uma sucessão de rimas velozes e bem estabelecidas.


E já que estamos numa de rap, divulgo os Death Grips e algumas canções disponíveis para download gratuíto de The Money Store, o último disco deste projeto. Dele destaco a soberba I’ve Seen Footag, de longe a melhor canção do álbum e que teve direito a um vídeo interativo, realizado em parceria com a MTV. Cliquem aqui e experimentem a Gif Me More Party, o conceito por trás do vídeo e garanto que não se irão arrepender.

Já agora, disponibilizo também, na íntegra e para audição, The Money Store.


autor stipe07 às 13:08
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

The Heavy – The Glorious Dead

Gravado em Columbus, na Geórgia, Estados Unidos, com um coro gospel, The Glorious Dead é o segundo disco da banda soul britânica The Heavy, liderada pelo carismático Kevin Swalby e lançado no passado dia vinte e um de agosto pela Counter Records/Ninja Tune. The Glorious Dead sucede ao álbum de estreia, The House That Dirt Built, disco editado em 2009.

A linha musical do grupo é uma mistura de soul e rock. É como se o Ray Charles tivesse gravado com os Rolling Stones.

Os The Heavy têm potencial para agradar a vários públicos e seguem uma tendência sonora muito atual, que mistura a tal soul com o funk, uma espécie de pacote vintage onde os Alabama Shakes serão uma espécie de expoente no que concerne às mais recentes novidades.

O disco abre em grande estilo com a fantástica Can’t Play Dead, uma canção com uma guitarra cheia de efeitos, que lhe dá uma sonoridade épica e cinematográfica e fecha com a sensualidade de Blood Dirt Love Stop. Pelo meio fica claro que a voz de Kelvin Swaby e a guitarra desconcertante de Dan Taylor nasceram mesmo um para o outro.

Resumindo, The Glorious Dead contém uma mistura dos melhor do passado com o som agressivo do melhor rock de garagem da atualidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Heavy - The Glorious Dead

01. Can’t Play Dead
02. Curse Me Good
03. What Makes A Good Man
04. Big Bad Wolf
05. Be Mine
06. Same Ol’
07. Just My Luck
08. The Lonesome Road
09. Don’t Say Nothing
10. Blood Dirt Love Stop


autor stipe07 às 21:10
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Eugene McGuinness - The Invitation To The Voyage

Citei o ainda pouco conhecido cantor britânico Eugene McGuiness em Curtas... XXVII por causa de Shotgun uma das canções que mais gozo me deu descobrir no presente ano. Alertado por esse single fiquei à espera do disco, que chegou no passado mês de julho através da Domino Records. A rodela intitula-se The Invitation To The Voyage e depois de dois álbuns folk-pop e de tocar para Miles Kane, Eugene volta a apostar na pop típica dos anos oitenta.

01. Harlequinade
02. Sugarplum
03. Lion
04. Videogame
05. Shotgun
06. Concrete Moon
07. Thunderbolt
08. Invitation To The Voyage
09. Joshua
10. Japanese Cars


autor stipe07 às 17:27
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Curtas... LV

Os Beacon preparam-se para lançar um novo EP, intitulado For Now e a Ghostly International está a disponibilizar o primiero single. A canção chama-se Feeling's Gone, também traz um instrumental na bagagem e é um original dos londrinos Fort Romeau.

 

Os finlandeses Paperfangs, uma banda de indie pop muito conceituada nos meandros mais alternativos do cenário muscial europeu, acabam de oferecer aos mais atentos uma cover de Everyday, um original de Buddy Holly, um conceituado cantor  norte americano, nascido em 1936 e falecido em 1959 e considerado como um dos pioneiros do rock e da folk. Aproveita...


Os Black Marble são uma dupla natural de Brooklyn e que se prepara para lançar, no próximo dia nove de outubro, A Different Arrangement, o disco de estreia, através daSub Pop. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.


O quarteto noise pop californiano Dum Dum Girls está de volta como um novo EP chamado End of Daze e que será editado, pela Sub Pop, amanhã, dia vinte e cinco de Setembro.

O EP será lançado, em princípio, apenas em vinil (com MP3 pra download); São cinco músicas, sobras do trabalho de estúdio que deu origem a Only In Dreams e todas produzidas por Sune Rose Wagner, dos Raveonettes.


 

Os canadianos The Wilderness of Manitoba, acabam de lançar Island Of Echoes, um álbum cuja sonoridade obedece à tipica sonoridade folk do grupo, mas que saúda também diferentes influências. O grupo não esconde a sua inspiração, que vai dos Fleetwood Mac à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.

Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, disponível para download gratuito, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de um Bon Iver. Não é um álbum de rutura, mas de continuidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Wilderness Of Manitoba - Island Of Echoes

01. Balloon Lamp
02. Morning Sun
03. Echoes
04. The First Snowfall
05. The Aral Sea/Southern Winds
06. Chasing Horses
07. White Woods
08. Golden Thyme
09. A Year In Its Passing
10. Glory Days
11. The Island of the Day Before
12. The Escape
13. Northern Drives

 

 

Quem se estreou no discos com um homónimo foram os The Rubens, uma banda australiana de indie rock, natural de Sidney e formada por Zaac Margin (guitarras), Elliott Margin (voz e teclados), Sam Margin (voz e guitarras) e Scott Baldwin (bateria). Em termos de sonoridade encontram raízes em bandas como os The Black Keys, The Doors e Cold War Kids. Confere...The Rubens - The Rubens

01. The Best We Got
02. My Gun
03. Never Be The Same
04. Lay It Down
05. Be Gone
06. Elvis
07. The Day You Went Away
08. I’ll Surely Die
09. Look Good, Feel Good
10. Don’t Ever Want To Be Found
11. Paddy


autor stipe07 às 19:04
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The XX - Coexist

Terminou no passado dia dez de setembro a  longa espera entre o primeiro álbum quase homónimo dos XXCoexist, o mais recente longa duração do grupo, lançado pela Young Turks. Mais de três anos depois de nos termos deliciado com VCRCrystalisedInfinity Islands, o trio remanescente composto por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith (a baixista Baria Qureshi deixou o grupo ainda em 2009) regressa à habitual sonoridade redutora e minimal e faz jus à sua imagem de marca, apenas limpando alguma poeira da estreia, além de ampliar os índices de criatividade.

Ao contrário de outros projetos que preparam o sempre traumático segundo disco, o tempo foi, sem dúvida, um aliado na curta e bem resolvida trajetória dos The XX. Ocorreram transformações na vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos e, apesar da espera, manteve-se o carinho e uma pressão positiva por parte do grande público.

Este espaço temporal relativamente longo entre um trabalho e outro fez-nos salivar imenso e talvez, devido a toda essa ansiedade acumulada, não seja fácil ajuizar facilmente e com imparcialidade o conteúdo de Coexist, razão pela qual não me causou admiração ter percebido, nas críticas que li, o estado de embriaguez absoluta que se apoderou dos ouvidos dos críticos, dos fãs e dos musical opinion makers.  E tudo gira à volta da mesma ideia; a genialidade da estreia fez desse disco um clássico natural e imediato e Coexist, para alegria de todos nós, plagia essa proposta inicial quase na íntegra. Assim, o que para outras bandas seria motivo de crítica e de acusação por défice de originalidade e de capacidade em arriscar noutros campos sonoros, para os The XX é sinónimo de sucesso pleno e de acerto, até quando é referida a semelhança entre as capas dos dois discos.

O grande desafio que se coloca é descobrir não aquilo que junta mas o que de algum modo separa XX e Coexist. Na minha opinião, XX era um registo que valorizava as guitarras, a voz e as batidas de forma heterogénea e pontual. Agora, Coexist consegue ir um pouco mais além; Mantendo-se o minimalismo intimista da estreia na dream pop de Angels (uma canção que fala da dicotomia entre amor e separação) e na eletrónica quase dançante de Reunion, tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes ainda são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra do trio britânico, mas a diferença está na maneira como exploram essa unidade e nas nuances sonoras que interligam as canções. No fundo, a receita é exatamente a mesma, mas a sonoridade foi renovada, tendo cabido ao baterista e produtor Jamie Smith assumir a linha da frente nessa tarefa, nomeadamente quando acerta nas batidas hipnóticas que servem de base para as vozes de Romy e Oliver. Todos estes acertos encontram o seu apogeu no tom nebuloso e na sonoridade sintética de Missing, para mim a melhor música do disco e uma das canções do ano.

Mesmo que não se ouçam versos fáceis e sons característicos como os que definiam VCR e principalmente Crystalised e isso crie um sentimento de ausência na primeira audição de Coexist, à medida que nos afundamos no disco melhor percebemos que o acerto iniciado há três anos ainda vigora. O trio mantém a essência da estreia e encontra uma variedade de novas possibilidades sonoras, passando assim, com distinção, na prova do difícil segundo álbum. Coexist instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...

The XX - Coexist

01. Angels
02. Chained
03. Fiction
04. Try
05. Reunion
06. Sunset
07. Missing
08. Tides
09. Unfold
10. Swept Away
11. Our Song

 


autor stipe07 às 14:03
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Domingo, 23 de Setembro de 2012

The Raveonettes - Observator

Os Raveonettes estão a ter um 2012 em cheio. Apenas cinco meses depois de terem lançado o EP Into the Night, o casal Sune Rose Wagner e Sharin Foo editou Observator, o novo álbum, no início de setembro, através da etiqueta VICE e que sucede a Raven In The Grave, lançado em 2011.

Observator é o sexto disco da carreira da banda. A produção ficou a cargo do guitarrista Sune Rose Wagner e de Richard Gottehrer (colaborador de longa data do casal). O novo trabalho mantém a sonoridade melódica e marcante dos discos mais recentes e traz novos elementos, um pouco mais sombrios, mas que ampliam o reportório sonoro do grupo.

O título do álbum não deve ser por acaso, já que a temática das nove canções gira em redor da sensação de curiosidade e da busca de alguém distante e que é perseguido incansavelmente. Sobre o processo de criação do disco, o próprio Sune Rose Wagner mencionou numa entrevista que se baseou muito no hábito que desenvolveu de captar ideias e frases soltas na sua vivência diária. Grande parte das letras de Observator terão sido inspiradas em pessoas que o músico conheceu durante uma época recente em que esteve deprimido e abusou de substâncias ilícitas. Esta história faz algum sentido quando se nota o clima doloroso e pesado de algumas canções.

O álbum abre com a folk setentista de Young And Cold. Depois, um som de bateria abafado e cheio de groove introduz a bela Curse The Night, uma canção doce, um quase lamento subtil. Logo a seguir, somos prendados com a sublime The Enemy, uma composição onde uma guitarra potente dá à voz de Sharin Foo um fundo musical envolvente e que constitui um dos pontos altos do disco.

A segunda parte do álbum começa na acelerada Sinking With The Sun, que incorpora referências à surf music acompanhadas de melodias empoeiradas e um refrão marcante. A tal sensação de observação à distância atinge o âmago com a poderosa balada She Owns the Street. A animada Downtown traz a tona as já conhecidas referências da dupla, nomeadamente os The Jesus and Mary Chain, com a canção seguinte You Hit Me (i’m Down) a utilizar teclados e inúmeras camadas sonoras que comprovam a tal evolução sonora do grupo.

Com já onze anos de carreira os The Raveonettes mantêm um nível qualitativo elevado com este Observator e as inovações sonoras apresentadas surpreendem de algum modo e mostram que o grupo também acerta quando ousa experimentar, o que me leva a achar que deveriam arriscar sair mais vezes sair da chamada zona de conforto. Espero que aprecies a sugestão...

01. Young And Cold
02. Observations
03. Curse The Night
04. The Enemy
05. Sinking With The Sun
06. She Owns The Streets
07. Downtown
08. You Hit Me (I’m Down)
09. Till The End


autor stipe07 às 17:00
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Curtas... LIV

Os irlandeses Snow Patrol, liderados por Gary Lightbody, acabam de editar uma compilação simplesmente intitulada Snow Patrol. O álbum inclui canções retiradas dos dois primeiros álbuns da banda (Songs for Polarbears - 1998 e When It's All Over We Still Have to Clear Up - 2001) e foi lançado pela Jeepster Recordings Ltd, etiqueta que abrigou a banda no início da sua carreira.

Além disso, também consta do alinhamento duas gravações inéditas de 1998, a bela Santa Maria e Even Touching Dundee, que capta a opinião da banda sobre o atentado terrorista perpretado pelo IRA em Omagh, cidade da Irlanda do Norte, nesse ano. Confere...

Snow Patrol - Snow Patrol

01. An Olive Grove Facing The Sea
02. On/Off
03. Santa Maria
04. Mahogany
05. Velocity Girl
06. Limited Edition

07. One Night Is Not Enough
08. Even Touching Dundee
09. When It’s All Over We Still Have To Clear Up
10. Fifteen Minutes Old
11. The Last Shot Ringing In My Ears
12. Chased By…I Don’t Know What

 
 

Patrick Wolf anunciou no seu site oficial o sexto álbum de estúdio, Sundark & Riverlight. O registo contém novas versões, gravações e remisturas de  versões acústicas de alguns dos primeiros temas do músico.

Segundo o próprio Wolf, este projecto começou quando percebi que tinha chegado ao jubileu de dez anos como artista, já que o meu primeiro EP saiu quando tinha dezanove anos e neste tempo a minha voz cresceu comigo. Comecei a tocar só com um instrumento e a cantar sem microfones em clubes de folk, nas ruas e galerias, acrescenta Patrick sobre os primeiros tempos.

O álbum foi gravado nos estúdios Real World, de Peter Gabriel. Sobre o facto de se concentrar em versões acústicas, o músico declara que quis apresentar uma biografia musical no seu décimo aniversário.

Wolf também aponta como inspiração para o álbum o facto de ter decidido voltar a tocar harpa céltica, que o fez reviver o seu gosto por música medieval, minimalista e renascentista clássica. Confere...

Patrick Wolf - Sundark And Riverlight

CD 1
01. Wind In The Wires
02. Oblivion
03. The Libertine
04. Vulture
05. Hard Times
06. Bitten
07. Overture
08. Paris

CD 2
01. Together
02. The Magic Position
03. Bermondsey Street
04. Bluebells
05. Teignmouth
06. London
07. House
08. Wolf Song

MySpace
[mp3 256kbps] rg tb dm

 

Depois de no Curtas... LII ter divulgado a melancólica Marilyn das Bat for Lashes, eis que agora foi dada a conhecer All Your Gold, mais uma canção que fará parte de The Haunted Man, o terceiro trabalho do projeto comandado pela vocalista Natasha Khan e que será lançado no dia quinze de outubro. Confere...

Bat For Lashes - All Your Gold by Bat for Lashes

 

 

Sem perder um profunfo e vincado caráter pop, Mac DeMarco é um músico que faz da sonoridade caseira uma das suas imagens de marca. Exemplo nítido está em Freaking Out the Neighborhood, o mais recente single do artista canadiano e disponível para download gratuito. A canção destila acordes e solos de guitarra que remetem para os anos oitenta e prepara a chegada de um novo álbum do músico, com data prevista para dezasseis de outubro e que deverá manter a tonalidade festiva que ele constrói há imenso tempo.

Mac DeMarco // "Freaking Out The Neighborhood" by capturedtracks

 

Sam Ray apresenta-se como Ricky Eat Acid no contexto ambient. Por outro lado, Arrange é o nome de palco de Malcom Lacey, que já deu que falar em 2012 com New Memory e em 2011 com Plantation, dois discos que divulguei oportunamente.

Estes dois jovens americanos juntaram-se para gravar um álbum completo, que passou por algumas dificuldades de produção (leia-se avaria do computador de Sam), até que ambos decidiram lançar via bandcamp as quatro músicas que conseguiram efectivamente terminar, num EP intitulado Sketches.

Tanto as vozes como parte dos instrumentos e dos sintetizadores ficaram a cargo de Malcom. Sam contribuiu com o restante, nomeadamente guitarra, piano, bateria e também fotografia. A produção foi um esforço conjunto.

Estas quatro músicas convidam à reflexão, quer por causa da voz fantasmagórica de Sam, quer devido à percussão acutilante de Malcom. São perturbadoras, mas invocam também uma beleza etérea, bem retratada no artwork arte do álbum. Ponham os auscultadores e cliquem play, porque não se vão arrepender.

01. Champagne Life
02. P. S. L. W.
03. Brand New
04. Alumni 

ricky eat acid + arrange: sketches by arrange


autor stipe07 às 13:58
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