music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Os suecos Norra Kust são Petter Granberg e Linus Lahti, uma dupla que se juntou no início de 2011 para viverem juntos e fazer música e que se estreia pouco mais de um ano depois com o disco homónimo, carregado de pop atmosférica e melancólica e editado pela Teg Publishing no passado dia nove de maio. Confere...
01. Light Of The Living 02. Spirit Design 03. Valley 04. Centipedes 05. Summershine 06. Swimmerrs 07. The Painted Sky 08. Another Moon 09. Time-Lapse 10. Failing Light
Cinco anos após Filomena Grita!, álbum editado pela Catadupa!, os Tv Rural de David Jacinto (voz e saxofone), David Santos (baixo, contrabaixo e voz), Gonçalo Ferreira (guitarra eléctrica e voz), João Pinheiro (bateria e voz) e Vasco Viana (guitarra eléctrica e voz), estão de regresso aos discos com A Balada Do Coiote, um novo trabalho de originais editado pela independente Chifre. Este disco foi produzido pelos Tv Rural, mas contou com Pedro Magalhães e Bernado Barata na gravação e a participação de Tiago Sousa e Pedro Cruz na mistura e masterização.
Ouvir este novo disco dos Tv Rural é uma experiência de certa forma surreal quando o contextualizamos no panorama musical nacional atual. Infelizmente ainda apenas acessíveis a um grupo não muito amplo de fervorosos e dedicados fãs, o que é uma perfeita e incompreensível injustiça, escrevem em português e, quanto a mim, é nas letras que está a sua principal virtude e arrojo, já que fazem canções com um significado literal nem sempre coerente e facilmente entendível, mas que emparelhadas com guitarras que correm abrasivamente e fogem às fórmulas compositivas de formatos amigos da rádio, resultam na perfeição e originam algo único e de algum modo surreal. A própria versão de um original de António Variações (Toma O Comprimido) obedece a esta conceção estilística e arrojada do conteúdo lírico das canções.
Assim, as canções são explosivas e a tensão poética está sempre latente, sendo certamente propositada a busca do espontâneo, do gozo e até do feio, se é que é possível falar-se em estética na música. Pelo menos a mim custa-me...
Os Tv Rural têm uma dimensão teatral e são aquilo que muito bem querem ser, sem temerem comparações e conotações, até porque sabem que não é muito fácil sacar-lhes uma influência. Mesmo assim não resisto a confessar que foi automática a recordação de O Monstro Precisa de Amigos (Ornatos Violeta), devido à sonoridade anti pop, feita com um rock alegre e um pouco descomprometido e acelerado, cheio de pormenores que vão além da bateria, do baixo e das guitarras. Além disso, também conseguem abarcar outros instrumentos de percussão, instrumentos de sopro, harpa e vozes femininas a contrastar com a do vocalista.
Não termino sem referir que também me impressionou o conteúdo e a qualidade do vídeo do single Correr de Olhos Fechados, realizado por David Jacinto.
Não sei para onde vão os Tv Rural, mas na entrevista que lhes fiz e que transcrevo abaixo talvez se encontre algumas luzes acerca do futuro desta lufada de ar fresco no panorama musical nacional. Espero que aprecies a sugestão...
Os Tv Rural são uns gajos que fazem música apenas pela música. Fazem a festa pondo-se ao nível de quem os vai ver e ouvir. São simples. Não são a banda de rock que sonha ser isto e aquilo ou que se juntou "por causa das gajas". Resumem e reflectem musicalmente o que é ser português sem nunca esquecer a música que vem de fora. Dão concertos que ficam na memória. Os Tv Rural foram Zé Mário Branco na Jamaica antes da Jamaica chegar em massa ou do Zé Mário Branco ser cool. São Zappa a fumar cigarros baratos, uns atrás dos outros, com o Kurt Cobain para logo depois meterem o Jorge Palma a malhar copos com o Kusturica na sala de ensaios dos Ornatos. São jazzreggaefunkfadunchoafrodrumn'basspunkrockprogressivo e têm sido sempre Tv Rural. (In Editora Catadupa!).
Cinco anos depois de Filomena Grita!, os TV Rural estão finalmente de volta... Cinco anos não é demasiado tempo?
João Pinheiro - O tempo é algo bastante relativo para os Tv Rural. E isto porque nós não estamos dependentes dos prazos impostos pelas editoras discográficas, nem sofremos qualquer pressão exterior a nós. Fazemos as coisas exactamente como queremos, de uma forma livre e descomprometida porque só assim é que podemos atingir os objectivos a que nos propomos. Cinco anos foi o tempo que necessitámos para compor e arranjar as músicas que fazem parte do disco, para fazer uma pré-produção bem pensada e para recolher os fundos necessários para levar essas músicas a estúdio.
Se eu vos disser que a primeira vez que ouvi A Balada Do Coiote lembrei-me automaticamente de O Monstro Precisa de Amigos (Ornatos Violeta), consideram esta minha impressão um elogio ou algo que de certa forma vos incomoda?
JP - Pessoalmente essa comparação não me incomoda nada, na medida em que os Ornatos são talvez uma das bandas portuguesas que mais influenciou o início dos tv rural e a decisão de cantar e escrever letras em português. De qualquer forma acho que existem diferenças substanciais entre o que fazemos e o que eles fizeram nesse disco, mas só ouvindo o nosso disco é que se pode tirar essas conclusões e perceber as aproximações e as diferenças entre os dois discos.
Adorei Toma o Comprimido. E para a banda... há uma canção preferida neste álbum? JP - Imagino que cada um de nós tenha uma canção preferida no disco, mas mesmo essa preferência pode mudar com o passar do tempo e com a mudança do estado de espírito de cada um quando ouve as canções. Por exemplo a música que abre o disco, "quem me chamou", é uma música que nos dá muita pica talvez por ter sido a última do disco a ser composta e por estar mais fresca e ter ainda muita coisa por explorar. No caso do toma o comprimido, ela de certa forma foge um pouco do ambiente geral do disco e funciona tanto como uma homenagem ao António Variações, como uma espécie de auto-homenagem à nossa faceta ao vivo, que é onde a nossa música encontra a plena realização.
A vossa sonoridade é uma espécie de anti pop, um rock alegre e um pouco descomprometido e acelerado, cheio de pormenores que vão além da bateria, do baixo e das guitarras, para abarcar outros instrumentos de percussão, instrumentos de sopro, harpa e vozes femininas a contrastar com o vocalista. Concordam com esta descrição generalista? Quais são as vossas maiores influências? David Santos - O nosso som é acima de tudo rock. Depois não nos inibimos de fazer o que quer que seja desde que para nós faça sentido e gostemos do resultado. Vale tudo. A nossa maior influência eu diria que é o rock alternativo dos anos noventa, vulgo grunge. Paralelamente temos os grandes cantautores da música portuguesa: Jorge Palma, Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Fausto, José Mário Branco, etc.. Para além destas traves mestras temos um leque variadíssimo de influências pessoais. O carácter altamente democrático dos tv rural faz com que todas essas influências pessoais aqui e ali funcionem como um tempero que traz novos aromas à nossa música.
Além das canções, impressionou-me o conteúdo e a qualidade do vídeo do single Correr de Olhos Fechados, realizado por David Jacinto. Esta componente visual é também uma aposta forte dos TV Rural?
DS - A aposta forte dos Tv Rural é a música, especialmente os concertos. Claro que nos dias de hoje tudo o que está à volta (vídeos, fotos, o grafismo dos discos, etc.) é importante e como tal não descuramos esse lado. Não fazemos nada de forma gratuita (a não ser que queiramos explorar os seus possíveis resultados) e como tal tudo o que fazemos é uma aposta forte pois tentamos fazê-lo bem, com critério e com objectivos.
O disco foi produzido pelos TV Rural, mas contou com Pedro Magalhães e Bernardo Barata na gravação e a participação de Tiago Sousa na mistura e masterização e Pedro Cruz também na masterização. Que importância tiveram estes nomes no resultado final?
DS - Bem eu penso que todos eles tiveram muita importância no produto final tendo em conta a importância de cada uma das fases em que cada um deles participou. Quando chegámos ao Pony o Bernardo Barata, amigo da banda de longa data, já sabia ao que íamos e juntamente com o Magalhães “espremeram” o material do estúdio para conseguirem captar o nosso som, um som que soasse bem e soasse a nós, grande como devem soar os discos, mas sem perder o carácter ao vivo, que foi como gravámos a base do disco (bateria, baixo, guitarras e até vozes principais). Depois entrou em cena o Tiago de Sousa que fez um trabalho extraordinário. Pegou no material que tínhamos gravado, e respeitando aquilo que procurávamos, a partir de um conjunto de pistas fez um disco com um som extraordinário. Na parte final o Pedro Cruz deu uma ajuda nas masterizações pois é mais fácil acertar certos pormenores para alguém que não está tão viciado no som do disco como estava o Tiago depois das misturas.
Como têm corrido os concertos de promoção ao disco? Onde é que os leitores de Man On The Moon vos podem ver e ouvir nos próximos tempos? Gonçalo Ferreira: Confirmadissimo está um concerto dia 21 de Setembro no Musicbox com a primeira parte assegurada pelos Maltês. É muito provavel que toquemos também em Setubal no dia 14 de Setembro. De resto estamos com imensa vontade de tocar. Todos os anos esperamos tocar mais do que o que tocámos no ano que passou, é ao vivo que nos sentimos bem e que gostamos de mostrar a nossa música. Os concertos da "Balada do Coiote" apesar de ainda não terem sido muitos, acho que foram positivos, a julgar pelo feedback de quem assistiu.
A editora Chifre está a comemorar dois anos de existência e, na minha opinião, por ser uma editora independente, é uma lufada de ar fresco no panorama musical nacional; Tem sido importante para os TV Rural este casamento?
GF: Identificamo-nos com a Chifre desde o inicio, o factor independencia agrada-nos por principio e achamos que de outra forma seria impossível fazer música, de modo que acabou por ser um casamento lógico para nós. Sempre fomos adeptos do espirito cooperativista, ou se quiseres, o clássico "vestir a camisola", e acreditamos que esse é o caminho que melhor serve a nossa barca e o nosso espirito. Era bom que aparecessem Chifres todos os anos a oferecer música diferente e livre. Sabendo que dois anos neste mercado não é muito significativo, o que é facto é que a Chifre já fez muito bem ao panorama musical nesse espaço de tempo. Mas também não temos ilusões, sabemos que todas estas coisas que acreditamos serem virtudes, a novidade e a independência, acarretam sempre obstáculos difíceis de ultrapassar num mercado tão delimitado e conservador. Mas é como diz um amigo, "nem depressa nem devagar, é sempre a andar". No fundo o que é de salientar é o prazer com que se fazem as coisas, esse é o verdadeiro principio, e achamos que para ter prazer é preciso gozar de liberdade e independência, talvez seja essa a lufada de que falas.
O que acham do estado actual da agricultura musical portuguesa? O anti pop e a rejeição do habitual formato rádio para a composição de canções, uma das vossas imagens de marca, parece-vos um caminho com futuro?
DS - O anti pop nunca será um caminho com futuro por definição.
E já que falamos de futuro... O que podemos esperar do futuro dos TV Rural? Vão concorrer à privatização da RTP, a internacionalização está nos vossos horizontes, ou os planos são outros...?
DS – O futuro dos Tv Rural será fazer musica, gravar discos e dar concertos. Somos amigos há muitos anos e adoramos tocar juntos. Enquanto o podermos fazer não vamos parar, quer seja em grandes tournées internacionais ou apenas na nossa garagem ao fim de semana. GF- É esse o espirito: quando é que é o próximo ensaio?
Agradeço à Let's Start A Fire, na pessoa da Raquel Lains, pelo exemplar do disco, que me possibilitou escutá-lo inúmeras vezes e assim escrever estas breves notas e dessa forma divulgá-lo. Fica também o meu obrigado por ter feito chegar as minhas questões à banda, à qual também agradeço a disponibilidade demonstrada.
Os Gypsy & The Cat são uma dupla de Melbourne, na Austrália, formada por Xavier Bacash e Lionel Towers. Juntaram-se para fazer música em 2011 e ainda nesse ano produziram o álbum de estreia, Gilgamesh, num estúdio caseiro e depois levaram o registo para Londres, que foi misturado por David Fridmann (baixista dos Mercury Rev e produtor dos MGMT, Flaming Lips e Clap Your Hands Say Yeah) e Rich Costey (trabalhos com Muse, Franz Ferdinand e Glasvegas no currículo). Staré o single mais recente da banda.
Aos quinze anos de carreira, os Elbow, uma das bandas mais importantes do cenário alternativo deste novo século, acabam de lançar uma coletânea de lados B de singles. O álbum chama-se Dead in the Boot e viu a luz do dia no passado dia vinte e sete de agosto. O título alude ao nome do primeiro álbum da banda de indie rock, Asleep in the Back (2001).
Estes lados B são sobras dos álbuns do quinteto inglês e estão longe de serem restos pouco criativos e temas postos de lado do alinhamento final. De acordo com Guy Garvey, estas canções são os reflexos condicionados e temas espontâneos que surgem na pós-produção de um álbum, geralmente quando os níveis de criatividade atingem o seu pique. Ocupam um espaço diferente. Não que sejam inferiores, geralmente são as que mais gostamos. Mas como surgem sempre depois de um álbum, acabam sempre por ficar guardadas. Sem dúvida, uma das edições do ano. Imperdível!
01. Whisper Grass (From Fallen Angel) 02. Lucky With Disease (From Newborn) 03. Lay Down Your Cross (From Not A Job) 04. The Long War Shuffle (From Leaders Of The Free World) 05. Every Bit The Little Girl (From One Day Like This) 06. Love Blown Down (From Fugitive Motel) 07. None One (From The Newborn EP) 08. Lullaby (From One Day Like This) 09. McGreggor (From Forget Myself) 10. Buffalo Ghosts (From Open Arms) 11. Waving From Windows (From Grace Under Pressure/Switching Off) 12. Snowball (From Help!: A Day In The Life) 13. Gentle As (From Leaders Of The Free World)
Depois de em março ter divulgado em Man On The Moon a canção Just For Fun, os suecos Alpaca Sports, baseados em Gotemburgo, estão de volta com um novo single. A canção chama-se I Was Runninge é editada precisamente hoje através da Dufflecoat Records. Confere...
01. I Was Running 02. Let’s Go Somewhere
A banda canadiana de indie rock Stars regressa aos discos no próximo dia quatro de setembro com North, o primeiro ábum desde 2010. The Theory of Relativityé o primeiro single e foi disponibilizado para download gratuito. No entanto, podes conferir aqui o todo o álbum.
01. The Theory Of Relativity 02. Backlines 03. The North 04. Hold On When You Get Love And Let Go When You Give It 05. Through The Mines 06. Do You Want To Die Together? 07. Lights Changing Colour 08. The Loose Ends Will Make Knots 09. A Song Is A Weapon 10. Progress 11. The 400 12. Walls
Conforme tenho amplamente divulgado, os Sigur Rós criaram o projeto Valtari Mystery Film Experiment. Através de vídeos dirigidos por diferentes nomes, o grupo lançou uma série de filmes onde abunda a beleza das imagens, todos relacionados com o mais recente lançamento da banda, Valtari. O filme de Dauðalogn é mais um belo registo visual e que explora alguns elementos básicos da natureza, algo muito comum nesta banda islandesa que eu tanto aprecio.
Os Passion Pit, banda de Cambridge, no Massachusetts e liderada por Michael Angelakos, acabam de editar Gossamer, um álbum produzido por Chris Zane, lançado pela Columbia Records e que repete a mesma fórmula e acertos de Manners (2009), o antecessor e acrescenta uma variedade de detalhes sonoros que ampliam e engrandecem este projeto.
O que separa Manners do novo álbum do Passion Pit é a proposta musical em torno dele. Enquanto o álbum lançado em 2009 era claramente um trabalho de força dançante e pronto para brilhar nas pistas (o que em partes ele alcançou), Gossamer é um disco que se distancia por completo desse conceito, apostando muito mais nos versos e na sonoridade grandiosa das canções.
Os Passion Pit sempre se assumiram como um projeto pop e este é um género nem sempre fácil de rotular. Geralmente um álbum pop bem sucedido é um tratado com um propósito comercial, melódico e acessível a vários públicos, o que faz com que a busca de tal abrangência resvale para rodelas perdidas num universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica.
Gossamer, o segundo disco dos Passion Pit, é um álbum que poderá ser inserido no género musical em questão, já que a banda faz crescer em cada nota, verso ou vocalização, todos os ingredientes que definem as referências principais do género. No entanto, destacam-se porque a tudo isto acrescentam aspetos da música negra, brincam com a eletrónica de forma inédita e conduzem-nos para a audição de um disco doce e na mesma medida, pop.
Neste Gossamer todas as boas sensações, os coros de vozes e os teclados, fazem-nos regressar nostalgicamente aos anos oitenta, com uma beleza e entusiasmo superiores ao que sucedia em Manners. Os singles Take A Walk e I'll Be Alright foram escolhas muito felizes para dar o pontapé de partida à promoção do álbum; A primeira seduz pela fluência doce dos versos e outra pela sonoridade global. As duas canções definem e balizam o resto do disco, engrandecido pelos tais aspetos da música negra norte americana, presentes no R&B de Constant Conversations e na soul de On My Way e Cry Like a Ghost.
Com letras com um elevado teor confessional e envolvidas pela saudade, pela melancolia e pelo amor, Gossamer acaba por ter pontos de encontro com o primeiro EP da banda, Chunk of Change (2008), um registo que destacava pela sinceridade lírica e pela diminuta e arcaica instrumentação. A contribuição de Chris, velho colaborador dos Passion Pit e que já trabalhou com outros nomes de relevo, como os The Walkmen e os Friendly Fires, terá sido certamente decisiva para este acerto, já que é notório o padrão instrumental e a mesma proposta sonora e lírica nas canções, fazendo de cada uma delas um single em potência.
Mesmo que Gossamer parta de uma proposta diferente, faz-me recordar o Wolfgang Amadeus Phoenix dos franceses Phoenix. Melódicos e intencionalmente acessíveis na mesma medida, os dois discos abraçam a pop sem medo e de forma inovadora e inventiva. Em Gossamer, entretanto, os Passion Pit parece ir além e transformam cada uma das canções em criações duradouras, ricas em texturas e versos acolhedores que ultrapassam os limites do género. A pop está de volta e não há vergonha nenhuma em constatá-lo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Gossamer 02. I’ll Be Alright 03. Carried Away 04. Constant Conversations 05. Mirrored Sea 06. Cry Like A Ghost 07. On My Way 08. Hideaway 09. Two Veils To Hide My Face 10. Love Is Greed 11. It’s Not My Fault, I’m Happy 12. Where We Belong
Heavenly Beat é o alter-ego de John Pena, baixista dos Beach Fossils e um nome bastante conhecido e respeitado no cenário musical independente e alternativo. O álbum de estreia do projeto, editado no dia catorze de Julho, chama-se Talente foi lançado através da Captured Tracks. Acompanham Pena nos Heavenly Beat os músicos Andrew Mailliard e Chris Burke.
Neste projecto paralelo, Pena explora as intersecções entre a índie e a electrónica, numa mistura absolutamente tranquilizante.
Os primeiros singles retirados de Talent foram Messiahe, recentemente, Tradition, uma canção que nos leva às nuvens, com uma guitarra acústica e vozes sussurrantes. O álbum tem trinta e cinco minutos de uma sonoridade atmosférica, dominada pelas cordas e pelo sintetizador; Existe um discreto e peculiar cruzamento entre a chillwave e a bossa nova, mas os Heavenly Beat também brincam com alguns dos elementos mais suaves do jazz, do flamengo e do synth pop. O fluxo das canções é muito agradável relaxado e mesmo sensual (Lust e Tradition são duas canções com uma energia sexual bastante latente) e Talent acaba por ter um inegável charme, festivo e viciante. Espero que aprecies a sugestão...
A estreia dos britânicos The Joy Formidable foi em 2010 com o competente The Big Roar. Desde então ficámos todos a aguardar pelo sucessor que é bem possível estar quase a chegar. Para já, este trio divulgou um novo single; A canção chama-seWolf’s Law, tem um vídeo interessantíssimo a preto e branco e uma sonoridade épica, de certa forma um misto de Coldplay com Arcade Fire.
O toque intimista e a experimentação fizeram de All Hell, o trabalho de estreia de Daughn Gibson, um dos grandes lançamentos de 2012. Como na altura referi, este disco tem uma inusitada fusão entre as batidas pontuais do dubstep com a melancolia típica da country.
Esta fusão de sonoridades volta a repetir-se em Reach Into The Fire, o mais novo lançamento do músico (agora através do selo Sub Pop), uma canção em que se ouve claramente essa divisão de géneros que usam como elemento de conexão a voz marcante do cantor.
Sabendo que a década de oitenta é a principal influência dos nova iorquinos Future Islands, as invenções instrumentais do grupo ultrapassam as redundâncias dessa época e encontram no synthpop imensas possibilidades. Depois do lançamento de On The Water, em 2011, este trio apresentou agora um novo single intitulado Tomorrow. Também entregue aos mesmos elementos que marcaram a música há três décadas, a nova canção possibilita que o grupo expanda o uso da voz e incorpore um toque de soul music ao já variado catálogo instrumental que acompanha a sua trajetória.
O terceiro disco dos Get Well Soon, projeto encabeçado pelo cantor e compositor alemão Konstantin Gropper,será editado na próxima terça feira, dia vinte e sete de Agosto,pela City Slang,com o título The Scarlet Beast O’ Seven Heads. A edição especial, que divulgo, tem como bónus um outro disco chamado ITZTLACOLIUHQUI - Music For Medations And Summonings.
O primeiro single chama-se Roland, I Feel You e é acompanhado por um vídeo extraordinário, uma monumental sequência cinematográfica da responsabilidade de Phillip Kaessbohrer e produzido pela equipa germânica Bildund Tonfabrik. O tema é uma homenagem do jovem compositor e mentor da banda ao realizador alemão de filmes apocalípticos, Roland Emmerich. You Cannot Cast Out The Demons (You Might As Well Dance), o tema que fecha o disco, pode ser ouvido e descarregado gratuitamente no soundcloud da editora.
CD 1 01. Prologue 02. Let Me Check My Mayan Calendar 03. The Last Days Of Rome 04. The Kids Today 05. Roland, I Feel You 06. Disney 07. A Gallows 08. Oh My! Good Heart 09. Just Like Henry Darger 10. Dear Wendy 11. Courage, Tiger 12. The World’s Worst Shrink 13. You Cannot Cast Out The Demons (You Might As Well Dance)
CD 2 – ITZTLACOLIUHQUI 01. Lesson 1: You Are Welcome! 02. Lesson 2: Soon! 03. Lesson 3: Take Shelter! 04. Lesson 4: Absolution And Eternal Refuge 05. Lesson 5: Break The Cycle! Break Your Chains!
I Love you But You're Dead é o sugestivo nome da primeira canção já conhecida de Don’t Be A Stranger, o próximo álbum do músico americano Mark Eitzel e que verá a luz do dia no próximo mês de outubro através da Merge Records. Confere...
Sete anos depois de se terem estreado nos discos com um homónimo do qual se destacava o fantástico singleHey Now Now , os The Cloud Room, banda de Nova Iorque formada por J Stuart, Jon Petrow, Jason Pharr e Chris Shade, voltaram aos lançamentos com Zither, álbum que viu a luz do dia no passado mês de abril.
O disco de estreia tinha criado enormes expetativas em redor dos The Cloud Room e a longa espera terá valido a pena. Zither é um álbum muito bonito e maduro, onde não há receio de, dentro da sonoridade indie rock, abarcar por algumas experimentações e arranjos inusitados. Espero que aprecies a sugestão...
01. The Dancer 02. Waiting… 03. Dreamers / Little Cassette Deaths 04. Mia, It’s The Edge Of The world 05. La La Losing 06. The Continental Drift 07. Crashing In Love 08. Zither 09. Sonik Youth 10. Sticks And Stones 11. The Bomb Is Boring
Formados por Jon McClure, Ed Cosens, Laura McClure, Joe Carnall, Ryan Jenkinson e Joe Moskow, os Reverend and The Makers são uma banda natural de Sheffield e começaram a carburar em 2007, considerado por alguma crítica como o ano de ouro do índie, com o disco The State Of Things. Depois veio A French Kiss In The Chaosem 2009 e agora, em 2012, @Reverend_Makers, editado pela Cooking Vynil.
@Reverend_Makerstem uma sonoridade com uma forte componente eletrónica, mas sem renunciar às origens índie pop da banda, encarnadas na voz firme de Jon McClure, líder e vocalista. Bassline, o primeiro síngle extraído, acaba por ser a canção mais animada de um álbum que até tem algumas baladas.
É curiosa a descrição de Jon sobre o disco, quando afirma que @Reverend_Makersé para ser escutado por quem procura a banda sonora ideal para um estilo de vida regado de excessos e decadência. Realmente, confirmo que algumas canções do álbum transpiram hedonismo e percebe-se que McClure terá controlado, além do microfone, cada centímetro quadrado de um mundo em miniatura onde uma húmida pista que ele pretende personificar com este álbum, é o palco de uma espécie de comemoração solitária e que exige constantemente que nos juntemos à festa. No entanto, o conteúdo geral não é propriamente interdito a menores, ou algo que se pareça!
Canções como Yes You Doe What Goes Around são momentos preciosos onde este cantor assume o papel de reverendo e de forma sagaz, incisiva e eloquente,dita o destino de alguns dos seus demónios que poderão também ser nossos, já que coloca sentimentos próprios de alguém que vive guiado pela voz do coração no papel central das emoções ditadas pelas composições. Todo este altruísmo tem sido injustamente ignorado já que parece-me que Jon McClure procura ser porta voz de uma geração que continua a ignorar a sua existência. Pode ser que de alguma forma o ajude a ser mais ouvido e entendido.
Neste verão os Reverend And The Makers têm andado em digressão com os Red Hot Chili Peppers. Espero que aprecies a sugestão...
01. Bassline 02. Out Of The Shadows 03. Shine The Light 04. Depth Charge 05. Warts N All 06. Yes You Do 07. The Wrestler 08. 1+0 09. Noisy Neighbour 10. What Goes Around
Os norte americanos The Antlers estão de volta às edições discográficas agora com o EP Undersea editado no passado dia vinte e quatro de julho, conforme referi aqui.
Drift Driveé a canção que guia este EP e a sua lentidão, atmosfera e subtileza faz com que seja uma das melhores canções de sempre da banda. Este novo single faz jus ao título do EP e traz sons aquáticos e claustrofóbicos, sem perder o habitual caráter relaxante. Underseaacaba por ser então uma espécie de retorno à velha boa forma dos The Antlers, já que absorve as mesmas referências exploradas no último disco oficial da banda de forma extensa e bem produzida, com o grupo mais uma vez chegando próximo do post rock e de outras preferências mais etéreas, que passam também pelo jazz e pela música experimental .
Este EP deverá ser um trabalho de transição e preparação para futuros lançamentos deste trio de Nova Iorque, já que a consistência de Undersea possibilita o surgimento de um álbum de grandeza similar. Espero que aprecies a sugestão...
O último trabalho do cantor e compositor Beck foi lançado há mais de quatro anos. O longo espaço de tempo, entretanto, não impediu que o músico se envolvesse em novas composições, parcerias e até estranhas invenções, como na banda sonora que ele preparou para o jogo de Playstation 3 Sound Shapes. Colaborando com três canções, o artista deixa que um lado mais experimental da sua obra flua de maneira divertida e intrigante, algo que as extensas Cities, Touch the Peoplee Spiral Staircase traduzem com batidas eletrónicas, bips e ambientes levemente dançantes. Confere as três músicas...
Férias é uma palavra que parece não constar do dicionário dos The Sea and Cake. Quem esperava que depois do álbum The Moonlight Butterfly lançado em 2011 a banda norte-americana aproveitaria para descansar, enganou-se. A dezoito de setembro chegará o décimo registo discográfico da trajetória da banda, uma rodela intitulada Runners. Ao que tudo indica, este álbum será mais um clássico da longa discografia do grupo, algo assumido nas duas canções já conhecidas: On And One Harps. Enquanto a primeira incorpora o lado mais índie rock do coletivo, a segunda tem uma sonoridade mais jazzística e experimental, com uma maior complexidade sonora e uma série de elementos que aumentam a expectativa em relação a este novo álbum.
Após terem editado o concerto que deram em Londres, no Hyde Park, no dia do encerramento dos jogos olímpicos, os Blur lançaram o single Under The Westway, uma nova canção da banda, conhecida desde o passado mês de julho e que fez também parte do referido espetáculo.
01. Under The Westway 02. Under The Westway (Acoustic) 03. Under The Westway (Instrumental) 04. The Puritan 05. The Puritan (Instrumental)
Os Yes Cadets são Alan Haslam (voz, guitarra), Lisa Mageean (voz, bateria) e Steven Matthews (baixo), um trio de Belfast que se prepara para estrear nos lançamentos com um EP intitulado Le Mans. O single homónimo está disponível para download no soundcloud da Humming Records, editora berlinense que incluí no catalogo nomes tão distintos como os Main Fear Love, Brave Station, Flashguns e os In Golden Tears.
Depois de muita espera o sucessor do clássicoMerriweather Post Pavilion(2009) dos Animal Collective já pode finalmente ser ouvido. Denominado Centipede Hz, o nono álbum da trajetória da banda mantém a mesma linha psicadélica, experimental e eletrónica e soa um pouco menos concetual e até mais divertido. De forma diferente das anteriores formas de divulgação incorporadas pela banda, o disco foi apresentado pela primeira vez numa estação de rádio virtual montada pelo grupo, a My Animal Home, onde a banda divulga experimentações da sua autoria e trabalhos de outros músicos que os influenciam. Para ouvir Centipede Hzna íntegra e ainda assistir a cada um dos onze vídeos, todos assinados por Abby Porter, basta clicar aqui.
No dia um de outubro Steven Ellison ou, como é melhor conhecido, Flying Lotus, vai editar o quarto álbum da sua já longa e interessante trajetória como produtor. Denominado Until the Quiet Comes, o novo disco deve transitar constantemente pela pop e pelo experimental. O primeiro single é See Thru To U, canção que conta com a participação especial de Erykah Badu na voz. Quanto às batidas, impressionam e preparam certamente o terreno para o que resta do álbum.
Oriundo da fria Islândia, Cheek Mountain Thief é uma espécie de projeto a solo de Mike Lindsay, líder da banda britânica Tunng. Cheek Mountain Thiefé o álbum homónimo de estreia, editado no passado dia treze de agosto pela Full Time Hobby.
Em 2006 Mike foi visitar este país nórdico e apaixonou-se por uma islandesa chamada Harpa. Pouco tempo depois voltou a Londres e nunca mais a viu, mas em 2010 voltou aquele país para tocar com os Tunng no Iceland Airwaves; Voltou a encontrar-se com Harpa, a chama reacendeu-se e ficou a viver com ela na costa norte, numa pequena cidade piscatória chamada Husavik. Entretanto aproveitou para formar uma banda com músicos de Husavik e da capital, Requiavique, e gravou um álbum inspirado nas paisagens e nas gentes dessa ilha fantástica.
A Islândia tem uma paisagem única, quase alienígena. É uma ilha remota, moldada por milhões de anos de uma intensa atividade vulcânica e, por isso, diferente de qualquer outro lugar no mundo. Situada no extremo norte da Europa e ofuscada pelo Círculo Polar Ártico, acabou por abarcar um povo que evoluiu e criou uma cultura com uma identidade muito própria e totalmente distinta do resto do contiente. Por isso, acaba por ser um lugar pelo qual é fácil alguém se apaixonar e deixar-se enfeitiçar. Mike refere que tal aconteceu com ele quando encontrou Kinnarfjöll – Cheek Mountain, um local coberto de neve e com um céu cor de rosa, onde viu borbulhantes fontes termais e uma cratera de um vulcão chamado Hell (Inferno). Nesse momento sentiu que estava numa espécie de paraíso mítico.
Cheek Mountain Thiefacaba por ser o reflexo óbvio da opção de Mike por passar a viver perto deste local, dos músicos envolvidos e da própria sonoridade típica, não só da ilha, como de Mike enquanto músico. Assim, estamos em presença de um disco indie folk, com ecos de Bon Iver, Múm e Belle & Sebastian, cheio de cordas e com os xilofones e alguns instrumentos básicos de percussão a fornecerem bonitos detalhes sonoros. O resultado final assenta numa forte componente acústica, como se Cheek Mountain Thief, com letras que falam de neve, areia e cavalos que correm na tundra islandesa, tivesse sido escrito e gravado à luz de velas. Espero que aprecies a sugestão...
Os Beachwood Sparks nasceram no final do século XX e são um sonho californiano oferecido ao mundo, liderado pelo cantor e guitarrista Christopher Gunst, onde também se inclui o baixista Brent Rademaker, o multi instrumentista Farmer Dave Scher e o baterista Aaron Sperske, aos quais se junta ocasionalmente o guitarrista Ben Knight dos The Tyde. Onze anos após Once We Were Trees e depois de em 2008 se terem voltado a reunir para comemorar o vigésimo aniversário da sua editora de sempre, a Sub Pop, regressaram aos discos com Tarnished Gold, editado no passado dia vinte e seis de junho.
Os Beachwood Sparks são uma banda com uma raíz tipicamente americana, que ouvindo os Grateful Death e os Flying Burritos Brothers descobriu a country dos anos sessenta que procurava estrelas sobre a poeira da ampla paisagem californiana. Hoje, sempre bastante discretos, gravitam entre dois mundos; Por um lado levam a country no coração, mas carregam um forte desejo de ir mais além e criar música sem tempo, envolvida pela psicadelia e pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.
Tarnished Gold transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de Gunst num registo próximo do sussurro delicado e muitas vezes atravessadas por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta. Ouve-se uma harmónica ternurenta, aceleram o ritmo quando menos se espera e conjugam a folk e o rock convocando à celebração e até ao tal romantismo, algo bem audível em Leave That Light On, uma brisa suave num verão supostamente bastante quente.
A magia de Tarnished Gold está na capacidade que este álbum tem de nos rodear com uma realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que melhor que muita da literatura, cinema e outra música, nos trazem o melhor da Califórnia. Espero que aprecies a sugestão...
01. Forget the Song 02. Sparks Fly Again 03. Mollusk 04. Tarnished Gold 05. Water from the Well 06. Talk About Lonesome 07. Leave That Light On 08. Nature’s Light 09. No Queremos Oro 10. Earl Jean 11. Alone Together 12. The Orange Grass Special 13. Goodbye
The Beachwood Sparks, last convened in 2003, are back as if they never left, spinning trippy goodtime vibes, ethereal metaphysics and slacked out California pop.
Beachwood Sparks make music for and by Californians who love living in California, surfing, and hanging out among the redwoods, and for listeners who have no idea what that’s like but love the sound of soft harmonies and a tastefully placed slide guitar. A.V. Club
The Tarnished Gold moves through space like a guided nature walk—never a hike—drawing upon breathy, summer sounds and endless harmony to craft the perfect soundtrack for its creators’ home state. — Paste Magazine
Os Bravestation são Devin Wilson (voz e baixo), Derek Wilson (guitarra), Andrew Heppner (teclados e sintetizadores) e Jeremy Rossetti (bateria e percurssão), quatro rapazes de Toronto, no Canadá. Combinam guitarras com uma percussão que faz deles uma banda de pop tribal. Começaram por lançar um EP, andaram em digressão com os Tanlines, os Yacht e os Young Galaxy e agora estrearam-se nos discos com Giant Dreamers, editado no passado dia dez de julho e disponível para audição no bandcamp da banda, assim como o download dos três primeiros singles.
Quando ouvi pela primeira vez o singleSigns Of The Civilized senti-me imediatamente absorvido pelo clima descontraído e tropical da canção, a contrastar um pouco com as origens destes Bravestation. Esta sensação quente e lânguida acaba por manter-se em todo o disco, que acaba apenas por pecar por alguma falta de diversidade, algo que considero perfeitamente compreensível numa banda que acaba de se expôr ao mundo e à crítica.
Além do single já citado,Amaranthine e Kaleidoscope, destacam-se não só pela sonoridade tendencialmente pop, mas também pela groove das canções e pelo ligeiro abanar de ancas que proporcionam. Os anos oitenta estão bastante presentes, quer nos efeitos hipnóticos colocados na voz, como nos sintetizadores, que recriam a sonoridade típica dessa década. E, à semelhança do que acontece com outros projetos similares contemporâneos, é possível sentir aqui que a abordagem a esses gloriosos anos da pop soa, ao mesmo tempo, como um retrocesso temporal, mas também algo sonoramente futurista. Há muitos artistas que estão a iniciar o seu percurso musical ao som dessa década e a procurar acrescentar detalhes sonoros que servem não só para dar um cunho pessoal mas também para reinventar a própria pop feita de guitarras e sintetizadores. Giants Dreamer é uma lufada de ar fresco e um álbum que se ouve com uma indisfarçável satisfação. Espero que aprecies a sugestão...
01. Tides Of The Summit 02. Western Thrills 03. Signs Of The Civilized 04. Fluorescent Scenes 05. Amaranthine 06. Lines In The Sand 07. Marble Sky 08. Kaleidoscope 09. Future Love
Malcom Lacey é também conhecido como Arrange, o projeto de Malcom Lacey, um músico da Flórida que lançou em 2011 Plantation, o disco de estreia que na altura divulguei e que o músico disponibilizou gratuitamente.Plantationinseria-se na esfera da eletrónica, mas chamou-me particularmente a atenção por misturar também indie e pop. Agora, em 2012, este cantor, pianista, guitarrista, programador e produtor de apenas dezanove anos delicia-nos com New Memory, mais um álbum da sua já considerável discografia e também disponível no seu bandcamp.
Em New Memory, Lacey mantém a sua típica sonoridade etérea e lenta, mas também algo inquietante. As músicas são construídas sobre camadas de guitarras e efeitos que criam exuberantes paisagens sonoras, com arranjos a recordar, a espaços, Tim Hecker e Sigur Rós.
O disco ouve-se de um travo só, quase como se fosse uma grande canção, havendo um interlúdio a meio (æ) que nos recorda a estrutura habitual de um álbum e nos permite recuperar o fôlego. Não há nada de demasiado complicado nas letras, o que até é mais um facto que abona a favor do disco e comprova que Lacey não anda particularmente desesperado em demonstrar que é uma espécie de génio precoce, mas apenas um artista preocupado em revelar os seus sentimentos mais comuns através da música.
Parece difícil acreditar que um projeto possa amadurecer e criar tanto em apenas dois anos, mas felizmente existe este Arrange e a sua fórmula simples, porque não se propõe criar algo demasiado denso, mas proporcionar a audição de canções que nos ficam no ouvido, sedutoramente abertas e convidativas a audições repetidas. Espero que aprecies a sugestão...
01. Ivory Pt. 1 02. And My Hands Denied Me My Right 03. Caves 04. If I Ever See The Center Of It All 05. Where I Go At Night 06. æ 07. North 08. When We Saw 09. Ivory Pts. 2 + 3 10. New Memory 11. Sides (Bonus Track) 12. I Want To Be Alright (Bonus Track)
Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglês Jerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy Leaves, Cathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico. Agora, em 2012, Jerome brinda-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records.
Neste Folding Leaves, o autor teve a notória preocupação de criar algo que causasse impacto no ouvinte, por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Ele combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com melodias vocais únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum. Cada uma das músicas vai crescendo, sempre comandada pelas cordas, como já referi, e a adição dos outros instrumentos é quase sempre feliz. As canções criam um efeito geral que faz deste Message To Bears, um disco onde estão plasmados detalhes e emoções sem soar de forma demasiado pretensiosa. Espero que aprecies a sugestão...
01. Daylight Goodbye 02. Wake Me 03. Mountains 04. Birds Tail 05. Farewell Stars 06. Undone 07. At A Glance 08. Everything Was Covered In Snow 09. Unleft
Conforme referi em Curtas... XXIX, os Work Drugs são uma dupla de Filadélfia formada por Louisiana Benjamim e Thomas Crystal e lançaram no passado dia dez de julho Absolute Bearing, o terceiro disco de originais da banda; Sucede a Summer Blood (2010) e a Aurora Lies (2011) e foi editado pela Bobby Cahn Records.
Absolute Bearingé um daqueles discos que se ouve em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. As canções têm algo de fresco e hipnótico, uma chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. São quase todas assentes numa bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. No entanto o grande segredo destes Work Drugs parace-me ser a voz um pouco lo fi e shoegaze, que dá aquele encanto retro, relaxante e atmosférico.
Ouvir Absolute Bearingé acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude pouco espacial, numa espécie de limbo; Às vezes dá a sensação que eles não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar na pop dos anos oitenta. É certamente nesta incerteza que reside o maior trunfo destes Work Drugs que espelham com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.
Quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. No soundcloud da banda podes fazer o download gratuito de algumas canções dos Work Drugs. Espero que aprecies a sugestão...
01. Perfect Storm 02. License To Drive 03. Pluto 04. Boogie Lights 05. Absolute Bearing 06. Council Bluffs 07. Coral Gables 08. Lisbon Teeth 09. The Art Of Progress 10. Tourist Heart 11. Pluto (12 Mix)
A dupla Helio Sequence de Portland está prestes a apresentar um novo álbum. Depois de terem divulgado o primeiro single, October, deram agora a conhecer Hall of Mirrors, mais uma canção que fará parte de Negotiations.
Ás vezes a música traz-nos parcerias e sonoridades inusitadas. Agora, os The Vaccines resolveram cantar ABBA num EP chamado Please, Please Do Not Disturb, um EP virtual que traz versões de músicas de quatro diferentes artistas; Além de ABBA, Mark Lanegan e Jonathan Richman também aparecem no pacote que pode ser adquirido gratuitamente numa página especial criada pela banda.
01. The Beast In Me 02. Mannequin 03. The Winner Takes It All 04. That Summer Feeling
No mundo da música, além das parcerias e versões inusitadas, também há criações tão bizarras que, só por esse facto e por parecer impossível terem sido concebidas, merecem ser divulgadas. Um exemplo recente está na versão que os britânicos The Darkness fizeram para Street Spirit dos Radiohead. Um original do The Bends (1995), foi agora transformado com uma dose extra de guitarras ao melhor estilo hard rock e a presença incomparável da voz de Justin Hawkins. A versão estará no próximo trabalho da banda, Hot Cakes, disco que será lançado no dia 21 de agosto.
Six Cups Of Rebel, o último disco do produtor norueguês Lindstrøm é um trabalho mais pop e dançante que os anteriores projetos do artista, já que tem uma série de composições grandiosas, épicas e que explodem em batidas volumosas. O último single retirado desse disco, disponível para download gratuito, é uma boa canção e que confirma o acerto do álbum. Confere...
É conhecido mais um vídeo do projeto Valtari Mystery Film Experiment, dos Sigur Rós, que tenho vindo a divulgar à medida que são editados novos filmes. Desta vez, em Varðeldur, Melika Bass filma uma mulher que parece estar a viver uma espécie de limbo hipnótico.
No dia em que terminaram os jogos olímpicos, os Blur deram uma concerto memorável em Hyde Park, no centro de Londres, que foi agora editado em disco. A rodela chama-se Parklive. Confere...
CD 1 01. Girls And Boys 02. London Loves 03. Tracy Jacks 04. Jubilee 05. Beetlebum 06. Coffee And Tv 07. Out Of Time 08. Young And Lovely 09. Trimm Trabb 10. Caramel 11. Sunday Sunday 12. Country House 13. Parklife (Feat. Phil Daniels)
CD 2 01. Colin Zeal 02. Popscene 03. Advert 04. Song 2 05. No Distance Left To Run 06. Tender 07. This Is A Low 08. Sing 09. Under The Westway / Commercial Break 10. End Of A Century 11. For Tomorrow 12. The Universal
Em fevereiro falei dos Walk The Moon, uma banda indie de Cincinnati, liderada por Nicholas Petricca (vozes e teclados), a propósito do EP Anna Sun. Agora, surgiu finalmente mais um longa duração da banda, homónimo, editado no passado dia dezanove de junho pela RCA Records e produzido por Ben H. Allen (Gnarls Barkley, Animal Collective). A banda já se tinha estreado nos disco em 2009 com o pouco divulgado I Want! I Want!.
Este álbum está cheio de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis, em paisagens sonoras atmosféricas onde ecoam guitarras, tambores (Quesadilla) e batidas. Mas também há alguma eletrónica, sendo Fixin um destaque notável do uso de camadas de sintetizadores que, neste caso, dão à canção uma profundidade sónica e bastante pop. Por baixo de tudo isto, ecoa a voz de Nicholas, num registo às vezes doce e inquietante, algo percetível em Next In Line.
A cançãoAnna Sun é, naturalmente, o grande destaque deste disco. Ela figurou na lista das trinta melhores canções de 2011 para a prestigiada Esquire e rodou com alguma insistência em vários canais da MTV. Inclusivamente teve direito a um vídeo com coreografia sincronizada e muita festiva. Outra canção que também podemos destacar deste álbum homónimo dos Walk The Moon é a eletrizante Lisa Baby. A atmosfera indie rock marca presença com riffs de guitarra e uma percussão de causar inveja.
Em suma, este álbum homónimo corresponde às boas expetativas que se instalaram por cá aquando da audição de Anna Sun, em 2011. Walk The Moon prova que este grupo ainda está numa fase um pouco prematura e que existe margem para um amadurecimento; A capacidade inventiva está presente e escutam-se verdadeiras canções pop com caraterísticas peculiares e únicas.
Vale a pensa descobrir os Walk The Moon e ficar atento para ver até onde eles vão chegar. Desconfio que não será a pop rock de Walk The Moon a única bitola pela qual se orientarão futuramente. Espero que aprecies a sugestão...
01. Quesadilla 02. Lisa Baby 03. Next In Line 04. Anna Sun 05. Tightrope 06. Jenny 07. Shiver Shiver 08. Lions 09. Iscariot 10. Fixin’ 11. I Can Lift A Car
Battleme é o novo projeto de Matt Drenick, vocalista dos Lions e um músico de Austin, no Texas, com uma história de vida bastante peculiar; Diagnosticado com uveíte (uma doença dos olhos decorrente de uma inflamação da úvea), transformou essa contrariedade em música e em 2009, sob a alcunha de Battleme, resolveu compôr canções que agora compilou num disco homónimo produzido por Thomas Yurner (músico da dupla Ghostland Observatory) e lançado no final do passado mês de abril através da Trashy Moped Recordings.
Este músico começou a fazer furor quando algumas das suas canções apareceram na terceira temporada de uma série de televisão norte americana chamada Sons Of Anarchy, com destaque para uma cover de Hey Hey, My My (Into The Black) de Neil Young.
Battleme foi gravado num estúdio caseiro em Portland, no Oregon, para onde Matt se mudou em 2010 com o único propósito de fazer este disco. Depois de ter cerca de quarenta demos, fez alguma seleção e no fim ficou com um álbum de dez canções onde abundam sentimentos e facilmente se entende que serviram para exorcizar alguns dos demónios que há muito apoquentavam o autor.
Logo no início do disco apela à ação e a um efetivo cerrar de punhos, nomeadamente em Closer (It’s do or die and everybody knows it), uma canção onde um imperial falsete e uma bateria bem marcada constroem um verdadeiro e imenso hino indie rock. E além de pretender elevar a nossa auto estima, o músico também parece ter o desejo de apregoar a quem estiver disposto a ouvi-lo que somos os únicos donos do nosso destino e que ao irmos ao seu encontro, se o podermos fazer ao som do rock (Touch, Wait For Me), com pitadas de blues e até de uma folk acústica um pouco lo fi (Killer High e Trouble), então a caminhada será potencialmente ainda mais épica e intensa!
Battleme deverá, naqueles momentos em que estamos um pouco mais reticentes, servir como uma espécie de lembrete, para que possamos acreditar que, além de uma família, da saúde, do dinheiro e de uma carreira, a música também nos pode salvar ou, pelo menos, dar-nos vontade de descarregar alguma adrenalina e saltar até ao recinto de jogos ou ao ginásio mais próximo! Espero que aprecies a sugestão...
01. Touch 02. Closer 03. Wire 04. Killer High 05. Shoot The Noise Man 06. Woman I’m A Lost Cause 07. Tears In My Pile 08. Doin Time In My Head 09. Wait For Me 10. Trouble 11. Pocket Full Of Flies
Os escoceses French Wives são Stuart Dougan (voz/guitarras), Chris Barclay (baixo/voz), Siobhan Anderson (violino/voz), Scott MacPherson (guitarra/voz) e Jonny Smith (bateria/voz). Ainda estudam todos na universidade, em Glasgow. A banda existe desde 2008 e a partir do ano seguinte começaram a editar singles e dois EPs. Agora, em 2012, mostraram finalmente o álbum de estreia, chamado Dream of the InBetween.
Os lançamentos que antecederam este disco de estreia permitiram à banda colecionar desde logo uma pequena mas sólida base de fãs, que certamente não terão ficado minimamente defraudados com o conteúdo de Dream Of The Inbetween. O álbum reúne uma coleção de canções indiepop muito bem trabalhadas, facilmente acessíveis, mas que nem por isso se esfumam rapidamente em fórmulas já um pouco gastas.
Quanto às referências, os Ballboy, Belle and Sebastian e Camera Obscura são grupos muito presentes, na sonoridade, no tom e na profundidade com que plasmam algumas das emoções que nos são mais queridas, algo muito comum nas bandas indie escocesas. Esta espécie de frustração generalizada é temperada com músicas com um ritmo elevado e empolgante, um padrão muitas vezes adornado com pormenores subtis e uma tensão que soa muito bem no contexto do álbum.
Dream Of the Inbetweené um bom disco, optimista, com carácter e substância. Vale a pena ficar atento ao que se seguirá na discografia destes French Wives. Espero que aprecies a sugestão...
01. Modern Columns 02. Numbers 03. Back Breaker 04. The Inbetween 05. Me vs. Me 06. Sleep Tight 07. Halloween 08. Month Of Sundays 09. Younger 10. The Sickness
Os The Medics são uma banda australiana, que se formou em 2007 e que tem nas suas fileiras Jhindu Lawrie, Charles Thomas, Kahl Wallace e Emma Andrews, quatro jovens com pouco mais de vinte anos de idade. Depois dos EPs The Medics (2008) e This Boat We Call Love (2010), no passado dia dezoito de maio surgiu nos escaparates Foundations, o primeiro longa duração deste grupo.
O single Griffin é o grande destaque de um grupo hoje considerado uma das bandas mais promissoras do país dos cangurus. Rezam as crónicas que ao vivo são uma banda poderosa, cheia de intensidade, emoção e energia. As canções de Foundations, disco produzido por Yanto Browning, ajudam a perceber esta descrição, porque são envolventes, emotivas e frenéticas, com uma percurssão musculada e guitarras distorcidas a conduzir as mesmas.
Os fãs dos The Temper Trap poderão encontrar alguns pontos de encontro entre as duas bandas, especialmente no que diz respeito à componente melódica e à voz sussurrada, acompanhada por coros que ajudam a ampliar o poder das músicas, a dar a algumas proporções verdadeiramente épicas e assim potenciar a experiência do ouvinte.
Com este disco os The Medics prometem bastante e se optarem por elaborar um som exclusivo sem se deixarem contagiar demasiado por sonoridades potencialmente mais comerciais, serão muito em breve um grupo muito conhecido em todo o mundo, aposto. Espero que aprecies a sugestão...
01. Beggars 02. Rust 03. Griffin 04. Ocean Eyes 05. Joseph 06. Deadman 07. Slow Burn 08. 50 Years 09. Never Gone 10. Finegan 11. Golden Bear
Conforme anunciei em Curtas... XXXV, depois do sucesso obtido com Odd Blood (2010) os Yeasayer estão de regresso aos disco com Fragrant World, lançado, como é habitual neste grupo, pela Mute Records. A banda estreou-se nos discos em 2007 com All Hour Cymbals, um disco que desde logo mostrou a veia instável e experimental deste projeto, cada vez mais assente numa pop de cariz eletrónico à medida que os lançamentos se sucedem.
Vizinhos dos Animal Collective (as duas bandas são de Brooklin), quer no local onde habitam como no campo sonoro onde gravitam, os Yeasayer desenvolvem um som com referências eletrónicas mais sintéticas que os conterrâneos. Este Fragrant World não renega o som de base que sempre orientou o grupo mas é o disco menos acessível da carreira da banda, apesar das comerciais Longevity e Henrietta, o primeiro single extraído da rodela.
Fragrant World é complexo e até inacessível em alguns instantes; Quem estiver à espera de versos épicos semelhantes aos de Ambling Alp, ou do romantismo lisérgico de I Remember, assim como do clima dançante de ONE, algumas das canções mais famosas dos Yeasayer,provavelmente vai sentir-se defraudado; Este disco é mais sério, menos colorido e convencional e mais sujo, longe da evolução assertiva do passado do grupo.
Em alguns instantes da obra, como nos ruídos sintéticos de Fingers Never Bleed, no ritmo deNo Bones e na melancolia de Glass of the Microscope, a banda faz algo inovador e diferente, e Reagan’s Skeleton e Demon Road ampliam esta quase obsessiva vontade dos Yeasayer se afastarem das referências que antes abrangiam a obra do grupo.
Fica por esclarecer se Fragrant Worldé um disco de transição para algo maior e mais complexo. O que fica claro é que os Yeasayer estabelecem um óbvio distanciamento da beleza instrumental de outrora. Talvez falte o carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes que tanto cativaram há dois anos, mas as grandes bandas atingem elevados patamares quando não se abrigam permanentemente em fórmulas bem sucedidas mas procuram reinventar-se e explorar outros campos musicais. Espero que aprecies a sugestão...
01. Fingers Never Bleed 02. Longevity 03. Blue Paper 04. Henrietta 05. Devil And The Deed 06. No Bones 07. Reagan’s Skeleton 08. Demon Road 09. Damaged Goods 10. Folk Hero Shtick 11. Glass Of The Microscope
No próximo dia vinte e três de outubro a Matador Records vai apresentar ao mundo Banks, o novo disco a solo e segunda da carreira de Paul Banks, vocalista e guitarrista dos Interpol.
Banks tem dez canções e foi gravado entre Nova Iorque e o estado do Connecticut, com o produtor Pater Katis, habitual colaborador dos Interpol, The National, Shearwater e que também produziu Go, o disco a solo de Jónsi. Para antecipar Banks e aguçar o apetite, a Matador Records disponibilizou a tracklist do álbum e o primeiro single, The Base. Confere...
1. The Base 2. Over My Shoulder 3. Arise, Awake 4. Young Again 5. Lisbon 6. I’ll Sue You 7. Paid For That 8. Another Chance 9. No Mistakes 10. Summertime Is Coming
Um músico belga chamado Elvy acaba de lançar um disco que é um verdadeiro tratado folk, com uma sonoridade pouco comum para um artista europeu. O disco e a restante discografia estão disponíveis para download gratuito no bandcamp do músico até ao próximo dia onze de agosto. Apressa-te e dá uma oportunidade a este cantor e compositor que parece ser muito genuíno na sua obra, além de ter um indesmentível talento.
01. You Do Belong (Alt) 02. Calliope 03. I Miss My Sister 04. Walk Away 05. Amy 06. I’m Yours 07. Aging Love 08. Wandering 09. Goodbye 10. Light
Como se não bastasse toda a expectativa criada em torno do novo álbum dos The XX, Coexist, a banda aumenta a ansiedade cada vez que revela uma nova canção. Depois da adorável Angels, em meados de julho, chegou aos meus ouvidos Chained. Com uma empatia cada vez maior entre o dueto Romy Madley-Croft e Oliver Sim, a canção mostra que a estética redutora do grupo mantém-se, algo que as batidas compenetradas e o clima envolvente definem nos quase três minutos desta canção. Coexist será lançado no dia dez de setembro e é um dos álbuns mais aguardados de 2012.
Enquanto não lançam nenhum novo disco, uma nova surpresa dos Wavves é sempre bem vinda. Desta vez o grupo natural da califórnia e liderado por Nathan Williams fez uma música para uma coletânea apenas com músicas inéditas de vários artistas, relacionada com o sitio de animação Adult Swim. A canção chama-se Hippies Is Punks, está disponível para download gratuito e afasta um pouco a banda da sonoridade surf rock por onde tem navegado. A canção é menos festiva e tem uma sonoridade típica da década de noventa, com potentes guitarras a liderarem a melodia. Confere...
Os Mumford and Sons, banda que deu um excelente concerto no último Optimus Alive, divulgaram a primeira amostra do seu segundo álbum Babel, nas lojas no próximo dia vinte e quatro de setembro. Marcus Mumford (voz) e Ben Lovett (teclas, acordeão) falaram recentemente sobre Babel e divulgaram que, à semelhança da estreia Sigh No More, este Babel foi produzido por Markus Dravs, colaborador dos Arcade Fire.
Os norte americanos Wilco andam a disponibilizar gratuitamente no site oficial da banda alguns dos seus últimos concertos. O último, e quinto da série, foi um espétaculo do grupo no passado dia vinte e cinco de julho, na big apple. Confere...
01. One Sunday Morning (Song For Jane Smiley’s Boyfriend) 02. Art Of Almost 03. I Might 04. At Least That’s What You Said 05. She’s A Jar 06. Kamera 07. Can’t Stand It 08. Too Far Apart 09. What’s The World Got In Store 10. Impossible Germany 11. Born Alone 12. Capitol City 13. Laminated Cat (Aka Not For The Season) 14. Summer Teeth 15. Whole Love 16. Theologians 17. I’m The Man Who Loves You 18. Dawned On Me 19. Shot In The Arm
Encore 20. Passenger Side 21. Casino Queen 22. Candyfloss 23. Hesitating Beauty 24. A Magazine Called Sunset 25. Kicking Television
Encore 26. The Late Greats 27. Dreamer In My Dreams 28. The Lonely One
Termino empolgadíssimo com a minha mais recente descoberta; Acaba de ser divulgado uma nova canção da dupla Zero 7 e o vídeo da mesma. A música chama-se The Colour Of Spring, um original dos Talk Talk e conta com a participação especial de Only Girl. O vídeo foi realizado por Brendan Canty, um dos realizadores mais requisitados do momento. A música fará parte de uma coletânea chamada Spirit Of Talk Talk, onde se poderão escutar alguns clássicos dos Talk Talk por artistas da atualidade.
Spirit Of Talk Talk será editado pela Fierce Panda no próximo dia três de setembro e pode ser encomendado aqui.
Oriundos de Filadélfia, os Arc in Round são Mikele Edwards, Jeff Zeigler, Matt Ricchini e Josh Meakim. Depois de em janeiro e julho de 2011 terem lançado os EPs Diagonal Fields e II, estrearam-se nos discos com Arc In Round, um álbum homónimo lançado no passado dia vinte e seis de junho através da La Société Expéditionnaire.
Arc In Round é um disco que encaixa perfeitamente no campo da pura psicadelia, feita com camadas hipnóticas de ruído que nas canções funcionam como tijolos que se vão encaixando e que vão sendo revestidos com melodias fortes e criativas.
A energia desta banda é da responsabilidade de Jeff Ziegler, um produtor com créditos firmados dentro do género e que ajudou a impulsionar as carreiras de Kurt Vile e dos War On Drugs. A cantora Mikele tem uma voz que assenta muito bem num género quase sempre reservado a vozes masculinas onde, como referi, os sons surgem e dissolvem-se em placas tectónicas musicais épicas e etéreas e camadas de barreiras sonoras sofisticadas.
No fundo, estamos na presença de um disco genuinamente pop; Embora pareça sonoramente denso e pesado, abundam as explosões vibrantes e luminosas e uma espécie de musicalidade atmosférica e bastante temperamental. Estes Arc In Round são um prazer desconhecido que vale bem a pena descobrir. Espero que aprecies a sugestão...
01. II 02. One-Sided 03. <<>> 04. Said Astray 05. Volume Sets All the Time 06. Hallowed 07. Spirit 08. Time Spent 09. Sounder 10. Omni 11. For Concern 12. Weight Of The World
Liderados pelos irmãosEthan e Asher Payne e formados em 2010, os Easter Island são uma banda de Athens, na Geórgia, que balança entre a dream pop e o post rock, através de guitarras luminosas, uma bateria e sintetizadores poderosos e mleodias que poderão, em simultâneo, ter tanto de harmonioso como de visceral.
Comparados aos Explosions In Sky, My Bloody Valentine e Sigur Rós, os Easter Island exploram diferentes territórios sonoros, guiados por uma toada eminentemente experimental, mas com canções que também são perfeitamente audíveis para quem procura algo menos exigente e ao mesmo tempo épico, etéreo e melancólico.
Frightened, lançado no último mês de julho, é o primeiro longa duração do grupo, um disco disponível no bandcamp da banda pelo preço que quiseres. Sucede a Better Things, o EP de estreia da banda, também disponível gratuitamente e lançado em março de 2011. Espero que aprecies a sugestão...
01. Weekend 02. Hash 03. Ginger 04. You Don’t Have A Choice 05. Independence 06. Frightened 07. Sneaking 08. Laika 09. The Light 10. Gray Tee 11. Can’t Take You Anywhere