Sábado, 30 de Junho de 2012

The Smashing Pumpkins - Oceania

Billy Corgan não desiste e há que dar mérito, antes de mais, à sua persistência, não só no projeto The Smashing Pumpkins, como na sonoridade das canções que fazem parte do alinhamento dos últimos álbuns desta banda, independentemente dos músicos que a compôem. Oceania, disco lançado no passado dia pela EMI, é mais um capítulo desta saga que se tornou penosa depois de Adore  e Machina e da saída da banda de James Iha, quanto a mim um elemento fulcral na extraordinária sonoridade que compôs Siamese Dream e Mellon Collie and the Infinite Sadness, dois discos que são para mim uma referência incontornável da música que ouvi apaixonadamente na década de noventa.

Ainda me recordo do teor emocionado que tomou conta de boa parte dos textos que exaltaram o retorno dos The Smashing Pumpkins em 2005. Depois de uma nada inteligente aventura a solo, que aproximou o músico de referências eletrónicas e do fiasco Zwan, Corgan estava de volta, acompanhado pelo baterista Jimmy Chamberlain e a apregoar aos quatro ventos uma mente cheia de criatividade. Zeitgeist chega em julho de 2007 e divide opiniões, havendo ainda quem ache possível que Billy consiga prendar-nos com algo de extraordinário, percepção que o músico de Illinois tratou de contrariar com o passar dos últimos anos e extinguir por completo com a chegada deste Oceania.

A sonoridade de Oceania pouco se altera relativamente ao que foi testado nos últimos três anos com o imenso e incompleto Teargarden by Kaleidyscope, disco inspirado no universo das cartas do tarot e com quarenta e quatro canções. O novo disco aponta ao rock progressivo, ao pós punk e ao heavy metal, padrões instrumentais e líricos estabelecidos há mais de quinze anos no clássico Mellon Collie and the Infinite Sadness e que há décadas acompanham o grupo, tentando, ao mesmo tempo, encaixar panorama musical atual. Parece que Crogan pretende começar do zero e atrair ouvintes que desconhecem a sua obra prévia, até porque algumas canções tresandam a versões de antigos sucessos, nmeadamente a  reformulação de Beautiful em Pinwheels, passando pela transformação acelerada do sucesso Rocket em The Chimera.

Na mente de Corgan tudo isto deve revelar-se sedutor, explosivo e envolvente, mas torna-se um pouco penoso assitir a este afundar numa instrumentalização que pouco ou nada remete para os bons momentos alcançados por ele na década de noventa. Comparar Oceania com Mellon Collie and the Infinite Sadness, Gish e Siamese Dream é um erro absurdo e este álbum é a mais sincera constatação de que o músico precisa de deixar o mundo imaginário em que vive e perceber que, tendo ainda muito para dar ao rock, terá de o fazer noutros moldes e com outras fórmulas sonoras. Oceania só comprova que alguns artistas e figuras típicas da década de noventa nunca deveriam ter saído de lá. Espero que aprecies a sugestão...

01. Quasar
02. Panopticon
03. The Celestials
04. Violet Rays
05. My Love Is Winter
06. One Diamond, One Heart
07. Pinwheels
08. Oceania
09. Pale Horse
10. The Chimera
11. Glissandra
12. Inkless
13. Wildflower


autor stipe07 às 12:49
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Olivier Jarda – Good Luck Cartel

Olivier Jarda nasceu em Otava, no Canadá, cresce numa cidade chamada Moncton, viveu em tempos nos Estados Unidos e agora estabeleceu-se em Halifax. Good Luck Cartel é o seu último disco, lançado no passado dia dez de abril, com uma sonoridade folkPiece of Fiction, uma canção guiada pelo piano, cheia de profundidade e luz, o primeiro single e grande destaque do álbum. Good Luck Cartel, foi lançado pela The Company House, sucede a Diagrams (2007) e ao EP  Ghost Fees (2008) e conta com as participações especiais de Peter Gorman e Jesse Griffith, parceiros de Olivier no projeto Turnstiles.

Olivier tem uma história de vida bastante curiosa, até porque, antes de se dedicar às canções, começou por trabalhar como analista politico em Washington, algo que explica a enorme quantidade de comentários sobre os politicos e a politica dos Estados Unidos nas suas letras.

Além de Piece of Fiction, gostaria de destacar a habilidade e a subtileza com que os músicos usam o piano e a percussão em Tendencies e Into The Lake. Em suma, Good Luck Cartel é um conjunto de canções pop sofisticadas e inteligentes, com uma sonoridade polida, nada pretensiosa, ou seja, belas canções que evitam armadilhas de conceitos, temas ou exercícios repetitivos e que, por isso, merecem toda a atenção. Espero que aprecies a sugestão...

01. Speed Of Light
02. Diving Bell
03. Ship Of Fools
04. Skinny Grass
05. Fiddle
06. Tendencies
07. Uncle
08. Piece Of Fiction
09. We Broke Before The Hail
10. Into The Lake
11. Burning Valley

Olivier Jarda - Diving Bell by Pigeon Row


autor stipe07 às 21:45
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Caged Animals – This Summer EP

Depois de no verão passado terem lançado Eat Their Own, o disco de estreia, os Caged Animals, uma banda psych pop indie de Brooklyn liderada por Vincent Cacchione, que se faz acompanhar nesta aventura musical por Magali Francoise, Talya Rose Cacchione e Patrick Curry, estão de regresso aos lançamentos com o EP This Summer, um cardápio com cinco canções tão luminosas, frescas e vibrantes como a estação do ano que o título da rodela anuncia e que viu a luz do dia no passado dia doze de junho.

Partilho a descrição que a banda faz de cada uma das canções e espero que aprecies a sugestão...

This Summer I’ll Make It Up To You, thrashes into a romantic vision of Summer imagined but never lived.  Cacchione trades in hopeful couplets, promising to take the song’s subject to an idealized West Coast “where the sun is always shining,” a terminally East Coast perspective on the California Dream.  In its final verse, the narrator of Cacchione’s fraudulent summer begins to see through his own lie, realizing this ideal impossible and resigning himself and his lover to a trip “to the Jersey shore, if nothing better works out.”

Burnt Butterfly, with it’s scuzzy island feel, sets our heroes, in all their anemic glory, against the power of a Caribbean sun.  A cheap organ beat pushed to it’s quickest setting sputters forward as Caged Animals convene for a demented romp through a Studio One propagated with demonic theremins, slide guitars, a pitched-shifted choir, and lots of echo.  Is a burnt butterfly just a kid from Jersey who forgot his SPF 50?

She Oughta Be In Malibu, Caged Animals pay a wry tribute to a So-Cal babe with “hair of gold and skin so tan,” a girl who can see the future in the glare of her own Ray Bans.  Musically owing equal amounts to “Kokomo” and “Can’t Hear My Eyes,” Cacchione rhapsodizes, with an almost Richman-esque flare, about an off-kilter American beauty who can “take the sun and turn it black and blue,” and appears to be lost in the wrong part of The City of Angels: “She’s Downtown in this hole with me / but she oughta be in Malibu.”

I Will Take My Own Hand expands upon the tropical motifs of “Burnt Butterfly” with slinky electric guitars, a plaintive organ, and a tune that can only be classified as an inverse love-song, momentarily nodding to Jamaican toasting in the vocal of its middle-eight.

^ ^ & Away, a down-tempo exploration of the warmer months, pitch-shifted and sung from a child’s perspective.  While the lyrics address a feathered imaginary friend that appears at the child’s bedside, the music flies its kite with a more carefree spirit, evoking the endless freedom of a summer spent between single-digit grade-levels.

 

01. This Summer I’ll Make It Up To You
02. Burnt Butterfly
03. She Oughta Be In Malibu
04. I Will Take My Own Hand
05. ^^ And Away


autor stipe07 às 16:43
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2012

The Temper Trap – The Temper Trap

Os australianos The Temper Trap, banda formada em 2005, liderada por Dougy Mandagi e conhecida pelo som atmosférico, com guitarras e um grande conjunto de ritmos pulsantes, só viram o sucesso em 2009 quando Sweet Disposition, extraído do seu álbum de estreia Conditions, se tornou num verdadeiro fenómenos à escala mundial. Agora, em maio de 2012, regressaram aos lançamentos com um disco homónimo lançado através da Infectious Records.

Os The Temper Trap são aquela típica banda que lança um primeiro álbum que conquista milhares de fãs e que acabam por criar uma tremenda expectativa para o segundo álbum e que muitas vezes sai um pouco defraudada.

O disco abre com a épica Need Your Love, uma canção carregada de metáforas, mas logo a seguir vem uma das canções mais curiosas deste The Temper Trap e que denota uma enorme vontade de deixar, desde logo, a sonoridade de Conditions para trás; Falo de London’s Burning, uma canção onde o grupo canta sobre os distúrbios que ocorreram na capital britânica o ano passado, sendo de referir que a banda reside nessa cidade desde 2009, com o firme propósito de fabricar o sucessor de Conditions e replicar o sucesso da estreia. Naturalmente, vivendo o fenómeno de perto, deixaram-se inspirar pelo mesmo, o que não implica necessariamente que os The Temper Trap queiram assumir que são um grupo com fortes convicções políticas e sociais.

Ao longo dos disco a voz de Mandagi assemelha-se algumas vezes ao registo de um Jeff Buckley e é uma voz que é feita com doloridas expressões faciais. A mesma serve para dar vida a canções assentes numa guitarra carregada de efeitos e em sintetizadores. Essa busca quase obsessiva por uma nova identidade sonora e pela ruptura com a estreia, fá-los, neste homónimo, aproximarem-se demasiado  de uma sonoridade dos anos oitenta que tanto oscila entre o rock de estádio de uns Scorpions, como a pop baladeira e melancólica dos Spandau Ballet. Mesmo quando em Miracle Mandagi volta ao seu reconhecível falsete e a uma sonoridade mais familiar, ele parece que está a recriar algo que já existe em vez de desbravar novos caminhos.

Em suma, neste homónimo os The Temper Trap assumem a louvável vontade de experimentar, mas acabam por ter o handicap de não produzir nada tão acessível como Sweet Dispositions ou Fader. Espero que aprecies a sugestão...

01. Need Your Love
02. London’s Burning
03. Trembling Hands
04. The Sea Is Calling
05. Miracle
06. This Isn’t Happiness
07. Where Do We Go From Here
08. Never Again
09. Dreams
10. Rabbit Hole
11. I’m Gonna Wait
12. Leaving Heartbreak Hotel
13. Want (Bonus)
14. The Trouble With Pain (Bonus)
15. Everybody Leaves In The End (Bonus)


autor stipe07 às 14:34
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Curtas... XL

Depois do EP Assembly, a dupla Elephant, e formada pela francesa Amelia Rivas e por Christian Pinchbeck, com uma sonoridade assente numa pop etérea e lo-fi e fortemente influenciados pelo hip-hop francês e pela eletrónica dos anos oitenta, acaba de divulgar uma nova canção, o single Golden, disponível para download gratuito e que mantém a sonoridade descrita acima. Confere...

Elephant - Golden by memphisindustries

 

A cada nova composição, Shrines, primeiro álbum da dupla Purity Ring parece ser uma das grandes estreias do ano. Depois da ótima Obedear e do clipe obscuro montado para a já conhecida Belispeak, chega a vez da dupla Corin e Megan apresentarem mais uma inédita composição. Mantendo o mesma clima ambiental e as batidas lânguidas das outras canções, Finishrine mostra toda a habilidade da banda em incorporar elementos da música pop, algo que a voz encantadora e a sonoridade nada óbvia justificam a todo o momento. O lançamento do álbum está marcado para vinte e quatro de julho e a expetativa é cada vez maior.

 

Depois de dezassete anos afastados, os Beach Boys voltaram a gravar um novo disco. Com as habituais melodias agradáveis típicas do começo da carreira, a banda californiana fez de That’s Why God Made the Radio um excelente retorno, resultado que se torna visível logo no começo do disco, quando os teclados e as harmonias de vozes dão forma à deliciosa canção título. Mantendo a mesma proposta em alta, o grupo apresentou também já o vídeo da canção, cheio de miúdas de biquini, passeios de carro e um clima que nos leva direto para os anos sessenta.

 

Fragrant World, terceiro álbum da banda nova-iorquina Yeasayer tem data de lançamento prevista para o dia 20 de agosto, mas aos poucos a banda desvenda o seu conteúdo com novas canções. Depois de Henrietta ter sido lançada há poucas semanas, mostrando uma aproximação do grupo como o dub e uma maior incorporação da psicadelia, Longevity arrasta a banda de volta para a mesma sonoridade pop e experimental do disco anterior. Com pouco mais de três minutos, a música mistura cores, teclados, vozes e versos fáceis de maneira a reviver hits como Ambling Alp e I Remember.

 

Depois do bom desempenho do disco Burst Apart no ultimo ano, seguido do EP Together, os The Antlers já preparam para julho o lançamento de um novo registo. Trata-se do EP Undersea, álbum que como o próprio título aponta chega inspirado pelas referências marítimas. Com previsão de lançamento para o dia vinte e quatro de julho, o registo tem como primeira canção lançada a melancólica Drift Drive, música que absorve as mesmas referências exploradas no último disco oficial da banda de forma extensa e bem produzida, com o grupo mais uma vez a chegar próximo do pós rock e de outras referências sonoras mais etéreas.

mais


autor stipe07 às 11:54
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Terça-feira, 26 de Junho de 2012

Lemonade - Driver

Até à explosão da chillwave no final da última década, era raro encontramos algum disco que influenciado pelo clima tropical, conseguisse plasmar uma simbiose perfeita com os ritmos quentes da música brasileira. Entre erros e acertos, às vezes lá aparecia algum disco acima da média, que mantendo uma linearidade pop, se deixava influenciar positivamente pelo ambiente tropical. Uma das poucas bandas que sempre teve o virtuosismo de provar essa combinação são os Lemonade de Alex Pasternark, Callan Clendenin e Ben Steidel, banda natural da Califórnia e que acaba de lançar Driver, através da True Panther Sounds. Driver, antecipado em Curtas... XXXVI, é um disco inteligente e poderoso e sucede ao homónimo de estreia, lançado em 2008.

Em Driver os Lemonade demonstram toda a sua inteligência e génio já que, se por um lado dá a sensação que trazem algo de novo ao seu cardápio sonoro, ao mesmo tempo a audição confirma que estamos perante um exercício inteligente e que transforma em novidade as mesmas experiências testadas por eles há quatro anos, na estreia.

Driver tem canções mais climáticas e outras prontas para as pistas; Uma dicotomia assente em beats eletrónicos, teclados enevoados e guitarras nada aguerridas, algo muito semelhante ao que foi testado pelos suecos Air France há alguns anos, em No Way Down. O que separa o trio californiano da extinta dupla europeia é justamente o tempero tropical da música brasileira e o que os aproxima é a funcionalidade levemente etérea de músicas como Eye Drops, Vivid e principalmente Sinead.

Entre incontáveis referências, o trio alcança uma sonoridade própria ao longo do disco, mais distante das experimentações por vezes exageradas da estreia e deixam que a voz assuma um papel mais importante, tornado as canções mais próximas do ouvinte. No entanto, são raros os momentos em que as canções alcançam uma sonoridade mais extensa e popular do que eventualmente poderiam, o que parece ser estratégico para que haja um certo auto controle no crescimento da popularidade da banda, procurando que a mesma se mantenha num nicho bem específico do público.

Mais do que um disco perfeito para o verão que se aproxima, Driver rompe com o limite das estações e do clima e é um trabalho diversificado e perfeito para os mais diversos gostos e situações. Ora dançante, ora experimental, o disco atesta a maturidade da banda e acaba por poder ser um excelente farol para o futuro de outros projetos similares, nomeadamente os Neon Indian, Toro Y Moi, Washed Out e tantos outros.

Como o próprio título do álbum aponta, Driver apela ao movimento, neste caso por encarnar a condução dos Lemonade em busca de novas opções. Agora há que ficar atento e perceber qual será o futuro deste virar de rumo, sem perca da base e do sentido sonoro global deste projeto. Espero que aprecies a sugestão...

01 Infinite Style
02 Neptune
03 Ice Water
04 Eye Drops
05 Whitecaps
06 Vivid
07 Sinead
08 Sister
09 Big Changes
10 Softkiss

Neptune by LemonadeMusic

Softkiss by LemonadeMusic


autor stipe07 às 13:28
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

Metric - Synthetica

Para satisfação de muitos, os Metric estão de volta e cheios de pujança! Este grupo canadiano, liderado pela carismática Emily Haines, acaba de lançar no passado dia doze Synthetica, o quarto álbum de originais da banda, através da Mom + Pop.

Metric

Por mais variado e abrangente que seja o cenário musical alternativo e independente canadiano, um dos países mais citados por cá, e inúmeros sejam os projetos que por lá surgiram apenas na última década, poucos são capazes de igualar a mesma mestria e sentimento de união esbanjado pelo coletivo Broken Social Scene, o grupo desse país que talvez mais influencia outros projetos. Seja por intermédio das melodias de Feist, as canções monumentais dos Stars ou mesmo os projetos solo de diversos membros da banda, como uma imensa árvore, este coletivo estende as suas raízes por uma variedade de terrenos sonoros.

Sempre orientados por uma proposta mais dançante e comercial, os Metric são uma dessas inúmeras variações dos Broken Social Scene, até porque Emily Haines e James Shaw, antes de se entregarem aos teclados e às vozes plásticas com que sustentam estes Metric, revezaram-se na produção e construção de algum do cardápio dos Broken Social Scene. Só no final da década de noventa é que este casal e dois novos companheiros passaram a investir ativamente nos Metric e na criação de Old World Underground, Where Are You Now? (2003), o primeiro disco da nova banda, que hoje,  passada mais de uma década, atinge a maturidade com este Synthetica, um disco que, conforme o título aponta, é inteiramente delimitado pelos sintetizadores.

Logo no início, em Artificial Nocturne percebemos que são as camadas de harmonias robóticas no fundo da composição que a sustentam. No meio do disco, enquanto Dreams So Real e Lost Kitten saltam ao ouvido pela sonoridade mais comercial e aberta, são os sintetizadores que mais uma vez chamam as atenções. E no final do trabalho, quando Nothing But Time chega para aprimorar o álbum, são os mesmos sintetizadores amenos da canção que garantem um encerramento digno ao disco. Portanto, ao contrário dos álbuns anteriores, em Synthetica os teclados não são apenas um complemento, eles definem o álbum em si.

Por mais que esta proposta sonora já fosse visível nos lançamentos anteriores, onde a busca por uma proposta instrumental levava o quarteto para diferentes focos da música pop, do indie e por vezes da eletrónica, hoje os sintetizadores parecem definir de vez a marca registada dos Metric, algo que encontra paralelo, apenas a título pessoal de exemplo, no salto evolutivo dado pelos Yeah Yeah Yeahs em It’s Blitz!.

Mais do que um disco de música pop dançante, Synthetica permite que os Metric se aproximem de uma sonoridade mais planeada e conceptual. Mesmo quando a banda se torna mais comercial, como no single Youth Without Youth, o tratamento não convencional permite que o grupo consiga ir além de uma certa vulgaridade anterior, assente na nostalgia dos oitenta, e mostrem uma synthpop mais contemporânea, afastada do que foi proposto por vários nomes há mais de três décadas.

Synthetica ainda está distante de assegurar para os Metric um resultado tão grandioso quanto o proposto pela antiga banda de Emily Haines, mas isso não impede que a banda não garanta momentos empolgados, composições bem produzidas e uma seleção de músicas prontas para se colarem nos nossos ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Artificial Nocturne
02. Youth Without Youth
03. Speed The Collapse
04. Breathing Underwater
05. Dreams So Real
06. Lost Kitten
07. The Void
08. Synthetica
09. Clone
10. The Wanderlust
11. Nothing But Time


autor stipe07 às 14:43
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Sábado, 23 de Junho de 2012

Fibes, Oh Fibes! – Album

Album é o segundo disco dos suecos Fibes, Oh Fibes!, um trio natural de Gotemburgo, formado por Christian Olsson na voz e piano, Mathias Nilsson na guitarra e Edvin Edvinsson no baixo e que se estreou nos discos em 2009 com 1987, um trabalho que contou com as colaborações especiais de Gary Kemp, Petter Winberg, Oskar Linnros, Björn Skifs e Kim Wilde e que foi considerado um dos álbuns do ano na Suécia.

Album foi lançado no passado dia dezoito de abril e contou com a produção de Pontus Winnberg dos Miike Snow, tendo sido já retirados três singles do disco, Cerahtonia, Apex Of The Sun e mais recentemente Goodbye To Love. Em Album, esta última canção tem duas versões, uma mais lenta, que fecha o disco e a versão single mais agitada, que conta com a co-produção do John Eriksson dos Peter Bjorn & John. Será certamente esse o motivo pelo qual Goodbye To Love tem a mesma bateria vintage de Young Folks a servir de base para uma melodia que parece ter saído dos anos setenta, com uma produção mais clássica e menos eletrônica e um riff de guitarra esporádico que pontua a música além de violinos e maracas, que aparecem a partir do segundo refrão.

Cerahtonia já assenta numa pop mais minimalista e requintada, digamos assim, que começa apenas com um baixo pulsante, uma batida militar e a voz cristalina de Olsson, culminando num refrão cheio de trompetes.

A produção deste disco carrega todo o charme dos mestres suecos que o produziram e contribuiram decisivamente para que Album tivesse uma sonoridade bastante aditiva, colocando estes Fibes, Oh Fibes! na lista das melhores surpresas de 2012. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Intro
02. Untitled
03. Apex Of The Sun
04. Cerathonia
05. If You Ever Feel Better
06. Good For My Sould
07. Mellanspel
08. Goodbye To Love
09. From Me
10. ! (Take No)
11. A Kiss
12. Goodbye To Love II
13. Outro


autor stipe07 às 18:04
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2012

Gaz Coombes Presents – Here Come The Bombs

Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Supergrass, sem dúvida o grupo britânico mais negligenciado nessa altura.

Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, acaba de estrear-se numa carreira a solo e em boa hora o fez; Here Come The Bombs, editado no passado dia vinte e um de maio pela Hot Fruit Recordings, produzido por Sam Williams e gravado no estúdio caseiro de Gaz em Oxford, é um disco extraordinário e para já, pelo menos para mim, um dos lançamentos essenciais em 2012.

Pessoalmente acho deprimente constatar que a brit pop morreu na medida em que ninguém mais lhe pegou com a mesma originalidade e grau de pureza com que várias bandas o fizeram na década de noventa. Mesmo quando sonoridades mais eletrónicas invadiram o espaço antes reservado às guitarras nesse cenário alternativo britânico, alguns  souberam adaptar-se e, apresentando o caso concreto dos Blur, 13 e Think Tank foram a prova concreta, assim como o próprio projeto a solo de Graham Coxon. Radiohead, Spiritualized, Primal Scream e os próprios cometas The Verve, assumiram desde a sua génese um estilo particular que deixou e ainda sustenta marcas profundas na música popular britânica das últimas duas décadas e se os últimos discos de Graham e do projeto de Jason Pierce provam tal vitalidade, Here Come The Bombs, demonstra que se os Supergrass não sobreviveram à evolução e não se adaptaram, pelo menos Gaz Coombes não virou a cara à luta, absorveu as novas pinceladas mais eletrónicas e  desprovido da responsabilidade coletiva que é fazer parte de uma banda onde há o dever de partilha artística, escreveu excelentes canções pintadas com um experimentalismo pop que merece toda a nossa atenção.

Here Come The Bombs é uma bomba e esta palavra quando é usada para adjetivar (neste caso um disco) e não para enumerar um objeto letal, pode qualificar um sucesso ou um fracasso. Dizer-se que determinado disco é uma bomba e ficar-se por aí, pode deixar o ouvinte na dúvida, sem perceber se é um conjunto de canções revolucionárias, únicas e que farão parte da história da música, ou uma súmula de várias canções que irão definitivamente cicatrizar a carreira de uma banda ou de um músico. Por isso, esclareço desde já que, quanto a mim, esta bomba com onze canções, está cheia de energia positiva e cativante e configura, coom já disse, um dos melhores lançamentos deste ano.

Here Come The Bombs tem momentos assombrosos que, por acaso já podiam ter sido detetados em Road To Rouen, umas primeira tentativa a solo de Gaz romper com a herança dos Supergrass mas que vendeu mal. Logo no início, Hot Fruit, um dos singles de Here Come The Bombs, é um hino épico, mas com um funk sexy que assentaria que nem uma luva em Hail To The Thief dos Radiohead. Universal Cinema e Sub-Divider são movidas por uma linha de baixo nervosa, enquanto White Noise é triste, bela e contemplativa. Todos estes temas não são canções pop de guitarra convencionais e cada canção parece ter uma surpresa diferente, fazendo com que o disco seja intrigante, sem deixar de ser acessível.

Here Come The Bombs é uma oferta compensadora e substancial, a banda sonora inicial de um artista cheio de criatividade, que teve a capacidade de se reinventar e voltar à boa forma e puxar-nos para o lado mais divertido do rock n'roll. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Bombs
02. Hot Fruit
03. Whore
04. Sub-Divider
05. Universal Cinema
06. Simulator
07. White Noise
08. Fanfare
09. Break The Silence
10. Daydream On A Street Corner
11. Sleeping Giant


autor stipe07 às 13:23
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Alt-J – An Awesome Wave

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar algumas canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo, como Gwil explica, é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda porque ela surgiu num momento decisivo da vida dos seus membros.

Assim, em oito de junho deste ano, os Alt-J (∆) estrearam-se nos álbuns com An Awesome Wave, através da Liberator Music e muita da crítica que li acha que este disco vai estar em muitas listas dos melhores de 2012.

Já ouvi o álbum e, muito sinceramente, é díficil catalogá-lo; Apetece apenas procurar os adjectivos mais sedutores que existem e tocá-lo em noites quentes e junto de boa companhia. As treze canções encaixam indie, folk, hip-hopelectrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a sua complexidade à medida que o vamos ouvindo de forma viciante. A atmosfera dançante de Brezeblocks e de Fitzpleasure, mistura-se com músicas mais calmas e relaxantes como Something Good e Taro.

No fundo, impera uma tónica folk, até porque fazem bastante uso de sintetizadores e possuem harmonias vocais belíssimas. A impressão que fica é que as canções nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente.

As letras fazem referência a obras literárias ou filmes e servem para Joe Newman misturar suspiros, enquanto as canta muitas vezes num registo acelerado, fazendo assim sua voz soar também como instrumento e tornando-a num dos traços mais significativos da identidade sonora dos Alt-J (∆).

Se estas são as primeiras ideias de uma banda, então convém não perdê-la de rasto por nada deste mundo. À imagem de uns Django Django, os Alt-J (∆) provam que 2012 está a ser um ano repleto de novidades bastante reinventivas, peculiares e refrescantes. Espero que aprecies a sugestão…

01. Intro
02. (Interlude 1)
03. Tessellate
04. Breezeblocks
05. (Interlude 2)
06. Something Good
07. Dissolve Me
08. Matilda
09. MS
10. Fitzpleasure
11. (Interlude 3)
12. Bloodflood
13. Taro


autor stipe07 às 13:25
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