01. Outlands
02. Seen No Right
03. Girls
04. Granite City
05. Steam
06. Together
07. Lonely In Your Arms
08. All The Kids
09. Ride
10. The Devil Won’t Take You
11. Don’t Be Sorry
12. Airbulance
Os Thieves Like Us são Anna, Bjorn, Dani, Martine e Andy e no passado dia vinte de Março editaram Bleed Bleed Bleed, o quarto disco da banda, pela Captured Tracks. Depois de três álbuns e alguns EPs, carregados de tristezas, angústias e lamentações, Bleed Bleed Bleed despertou o lado mais alegre, funk, luminoso e dançante dos Thieves Like Us.

Ouvir Bleed Bleed Bleed é imaginar os Thieves Like Us perdidos algures nos anos setenta à procura de Ariel Pink e, durante essa viagem, tentarem absorver doses industriais de groove, algo bem explícito no single Stay Blue, uma canção bastante suculenta, diga-se. Neste quarto disco eles demonstram uma enorme sagacidade para o discurso musical irónico já que, tendo em conta o artwork e o título do disco, estaria-se à espera de, em termos sonoros e concetuais, de uma súmula dos trabalhos anteriores. Mas este Bleed Bleed Bleed é luminoso, dançante, como já referi e não é de mais repetir, acabando por haver uma beleza inquestionável no sangue que corre frio e que alegoricamente nos mostra que a nossa existência e natureza se resume à experiência física de se encarnar um corpo que é frágil e que está diariamente sujeito às vicissitudes do ambiente que o rodeia. Por isso, se quase todas as canções do disco fazem vir à tona esta fatalidade, também servem para puxarmos de dentro de nós o melhor, seguindo exemplos de fé, romantismo e amor, plasmados nas canções.
Acaba por haver uma beleza inquestionável na fé que os Thieves Like Us colocam na vida e na sua existência, nas progressões de acordes de Bleed Bleed Bleed e o disco acaba por ser uma experiência educacional que nos quer ajudar a saber conviver com aquelas que são as óbivas limitações humanas e a apetência quase cega do homem para a fatalidade e o drama emocional. Espero que aprecies a sugestão... 
Bleed Bleed Bleed
Stay Blue
Still Life
Fatima
The Killing Revelation
Bleed Bleed Bleed II
Maria Marie
Memory Song
Your Love Runs Still
Worthy To Me
Poor Moon é um projeto alternativo de Seattle, já pensado desde 2008, do baixista Christian Wargo e do teclista Casey Wescott, uma dupla eminente e que faz parte do núcleo duro dos Fleet Foxes e à qual se juntaram os irmãos Ian e Peter Murray, membros dos The Christmas Cards. O nome Poor Moon advém do título da canção preferida de Christian Wargo dos Canned Heat, sendo ele quem, neste projeto, assume a liderança, nomeadamente na escrita e composição das canções. Illusion é o EP de estreia e foi lançado no passado dia vinte e sete de março pela Bella Union.
Como seria naturalmente de esperar, a sonoridade deste EP não difere muito da folk acústica e etérea dos Fleet Foxes. Existe uma tranquilidade acústica ao longo do disco e as canções são guiadas por guitarras límpidas e uma profunda gentileza sonora. É mesmo no meio do EP, em People In Her Mind, que está o grande destaque do EP; O tema é cantado com um toque de Ray Davies e quer a guitarra quer uma batida subtil ficam a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar.
Este EP termina muito bem com a belíssima Widow. Para quem aprecia o trabalho dos Fleet Foxes, vale bem a pena descobrir este EP e deixar-se contagiar por estas cinco belas canções folk. Espero que aprecies a sugestão...
01. Illusion
02. Anyplace
03. People In Her Mind
04. Once Before
05. Widow
Os Deep Sea Arcade formaram-se em 2008 quando aos amigos de longa data Nic Mckenzie e Nick Weaver recrutaram Carlos Adura, Simon Relf e Tim Chamberlain para a sua causa. Desde que chegou aos escaparates o EP de estreia Don’t Be Sorry, em 2009, muito bem aceite pela crítica, a banda cimentou uma reputação na Austrália e não só, já que, além de ter andado em digressão com Noel Gallagher e os Modest Mouse, tocaram no Festival Primavera, na vizinha Espanha e no The Great Escape em Inglaterra..

Outlands é, de acordo com a banda, o culminar de uma aventura musical de descoberta de uma míriade de géneros musicais e que acabaram por influenciar a esência das canções que integram o disco. O primeiro single extraído de Outlands foi Girls; É uma clássica canção com todos os ingredientes essenciais nua fórmula indie e tem passado com alguma insistência em várias rádios de relevo, nomeadamente a BBC1. together tem uma melodia bastante retro, a fazer-me lembrar imenso os Beatles e é uma das canções mais luminosas do álbum, assim como Steam o single que se segue. Mas um dos maiores destaques acaba por ser Lonely In your Arms, uma música com uma sonoridade bastante surf pop, um baixo extraordinário que comanda toda a canção e a voz de Mckenzie num registo bastante envolvente e similar a Peter Moren dos Peter, Bjorn and John.
Não me parece ser habitual haver uma banda nos antípodas que tenha os anos sessenta no rol das suas principais influências sonoras e que exemplos como os The Doors, The Zombies, The Monkees e os já citados Beatles sejam particularmente ouvidos e tidos em conta no momento de compor e gravar; Mas estes Deep Sea Arcade quebraram essa tendência.
Outlands acaba por ser um título apropriado para este disco de estreia dos Deep Sea Arcade, porque todas as canções têm, como já disse, uma sonoridade retro e, ao mesmo tempo, intrigante, não havendo uma preocupação latente em obedecer a um estilo, mas bastante potencial para, no futuro, nos brindarem com algo ainda melhor. Espero que aprecies a sugestão...
01. Outlands
02. Seen No Right
03. Girls
04. Granite City
05. Steam
06. Together
07. Lonely In Your Arms
08. All The Kids
09. Ride
10. The Devil Won’t Take You
11. Don’t Be Sorry
12. Airbulance
Os Miniature Tigers são mais uma banda natural de Brooklyn, NY; A formação abarca o guitarrista Charlie Brand, o baterista e vocalista Rick Schaier e Algernon Quashie, também na guitarra e teclados. Editaram alguns EPs em 2008 e dois anos depois, em 2010, estrearam-se nos discos com Fortress, um álbum que recebeu críticas muito favoráveis de publicações como a Pitchfork e a Entertainment Weekly. Agora, em 2012, regressam aos discos com Mia Pharaoh, álbum que será lançado a vinte e três de março através da Modern Art Records.
A sonoridade dos Miniature Tigers é uma espécie de sexy electronic pop, muito kitsch, um pouco à imagem de uns Scissor Scissor Sisters vs Architecture In Helsinki, ou seja, fundem os sons da pop dos anos sessenta com uma indie muito animada e psicadélica.
Logo a abrir Mia Pharaoh, Sex On The Regular define o tom inimitável do álbum, tanto temática como musicalmente. A festa e o abanar de ancas prosseguem em Female Doctor e Cleopatra. Como é fácil deduzir, a componente sexual está bastante presente na temática das canções, carregadas de trocadilhos e metáforas e a própria sonoridade não deixa de denotar uma inspirada languidez, carregada ainda mais pela voz muitas vezes em falsete de Rick.
A entrada no álbum faz-se de rompante, mas a partir de Flower Door o ambiente torna-se um pouco mais nostálgico e contemplativo, no entanto sem deixar de lado a sensualidade e o glamour iniciais. Audições repetidas de Mia Pharaoh acabam por ir revelando, pouco a pouco, o exotismo de muitas das canções, as texturas acústicas e elétricas em que assentam, no fundo, paisagens sonoras que muitas vezes se apresentam consoante o nosso estado de espírito, fazendo com que este disco se torne estranhamente viciante. Mia Pharaoh é exótico, sabe às noites quentes junto ao mar e pode vir a tornar-se, com ou sem morangos, numa agradável banda sonora para o próximo verão. Espero que aprecies a sugestão.
Como curiosidade, importa acrescentar que a publicação Consequence of Sound tem dado a conhecer as canções do álbum, acompanhando-as com uma ilustração feita por Charlie Brand para cada música. Estas ilustrações passaram a litografias e podem ser adquiridas no sitio da banda.
01. Sex On The Regular
02. Female Doctor
03. Cleopatra
04. Afternoons With David Hockney
05. Easy As All That
06. Flower Door
07. Boomerang
08. Ugly Needs
09. Angel Bath
10. Husbands And Wives
Com One Life Stand (2010) o quinteto britânico Hot Chip alcançou um novo estágio bem sucedido dentro da sonoridade eletrónica. Tocado pelo misticismo e por uma certa dose de religiosidade, esse álbum atestou toda a maturidade que Alexis Taylor e os parceiros de banda vinham a acumular há bastante tempo. Com In Our Heads, quinto álbum da carreira do grupo, previsto para 11 de junho, os ingleses devem manter a mesma boa forma, se tivermos em linha de conta Flutes, o primeiro avanço para o novo disco.
Nick Zammuto, membro da dupla eletro acústica The Books, tem um novo projeto chamado Zammuto. Depois de ter sido divulgado o single Idiom Wind, agora parece eminente o lançamento de um álbum que, pelos vistos, será homónimo, através da etiqueta Temporary Residence. E The Shape Of Things To Come é mais uma canção a ser conhecida...

Cinco anos após Wincing The Night Away, os The Shins de James Mercer estão de volta com Port Of Morrow, o quarto disco de originais da banda, lançado no passado dia dezanove de março através da Columbia Records. Port of Morrow foi gravado em Los Angeles e Portland durante o ano de 2011, com James Mercer a ficar a cargo da composição, da voz e da maioria dos instrumentos. O álbum foi produzido por Greg Kurstin (que também contribuiu com alguns instrumentos) e misturado por Rich Costey. Outros músicos que participam neste álbum são Joe Plummer, Janet Weiss, Dave Hernandez, Marty Crandall, Eric D. Johnson, Ron Lewis e Nik Freitas. A capa do álbum é da autoria de Jacob Escobedo.

Numa época em que havia uma banalização da pop nascida nos anos sessenta, a expansão do hip hop e alguns ícones da actual indústria musical ganhavam uma dimensão global, Oh, Inverted World, o primeiro disco dos The Shins, lançado em junho de 2001, levou algum tempo até cair no gosto de um público maior. Foi um princípio tímido, mas que não impediu que a banda caísse imediatamente nas graças de uma pequena parcela do público, principalmente aquele atento ao cenário alternativo norte-americano, e que ao ter na mão o segundo álbum do grupo, em 2003, percebeu que todas as apostas em relação ao trabalho deste grupo não foram em vão. Mais do que um cardápio de boas composições, esse Chutes Too Narrow fez dos The Shins uma das bandas mais queridas e elogiadas da nova cena independente, feito que Kissing The Lipless, Saint Simon e tantas outras canções presentes no disco justificaram sem grandes esforços. O próprio disco de estreia, Oh, Inverted World, acabou por ganhar novo significado e seguidores, dispostos a conhecer um pouco mais sobre essa estranha banda que acumulava criticas positivas em diferentes veículos de comunicação, citações em filmes e até a participação em diversas séries televisivas.
Em 2007 o grupo voltou com o disco que me fez despertar definitivamente para os The Shins; Intitulado Wincing the Night Away, o terceiro registo oficial trazia mais treze composições marcadas pelo mesmo tom ensolarado e as melodias cantaroláveis de outrora.
Agora, em 2012, Mercer e os seus novos companheiros continuam a revelar extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico em Port Of Morrow, sem dúvida o resultado de todas as experiências acumuladas por Mercer ao longo dos últimos anos, além, claro, das referências melódicas típicas do grupo. O trabalho apresenta em apenas dez canções toda a herança que os The Beach Boys, os The Kins e os The Smiths deixaram na formação do vocalista, que parece ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos como Simple Song, It’s Only Life e For A Fool, músicas que possibilitam não apenas o desenvolvimento de uma instrumentação radiante, como a possibilidade de constatar que Mercer alcançou novos parâmetros e patamares de qualidade na sua intepretação vocal.
Mesmo depois de cinco anos sem nenhum novo lançamento, ouvir Port Of Morrow faz parecer que essa lacuna não foi tão extensa. Talvez isso seja reflexo da capacidade dos norte-americanos em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que deve repetir-se com o atual disco da banda ou mesmo com os próximos lançamentos do grupo, independentemente de quanto tempo levem para chegar aos escaparates. Espero que aprecies a sugestão...
01. The Rifle’s Spiral
02. Simple Song
03. It’s Only Life
04. Bait And Switch
05. September
06. No Way Down
07. For A Fool
08. Fall Of ’82
09. 40 Mark Strasse
10. Port Of Morrow
11. Pariah King
Sigur Rós - Ekki múkk from Sigur Rós on Vimeo.
Os The Afternoons são quatro amigos, Richard Griffiths, Sarah Ellison, Paul Rapi e Pete Morgan, que sempre tiveram uma fixação pela música dos anos sessenta e em particular pelos Roxy Music. No entanto, também incluem no pacote de influências nomes como os Teenage Fanclub, Scritti Politti, The Monkees, The Velvets, os Beach Boys, Kraftwerk, High Llamas, Super Furry Animals, Macca, The Go-Betweens, Ben Kweller, F. Scott Fitzgerald e Bob Moog. A grupo formou-se em 1999 e depois de no ano seguinte terem editado alguns singles de sucesso na Gales natal, estrearam-se nos discos em 2001 com The Days We Found in the Sun.
Este novo disco intitulado Fan Fiction, foi editado no passado dia treze de fevereiro pela Saturday Records e sucede a Sweet Action, disco bem sucedido da banda, que chegou aos escaparates em 2008 e cujo nome é inspirado no título de uma revista pornográfica alemã. Fan Fiction foi gravado em Cardiff, no estúdio dos Manic Street Preachers e é, segundo os próprios, uma homenagem à música de que sempre gostaram. Espero que aprecies a sugestão...
01. Wait Till You See Her
02. Black Hearted Poster Boy
03. Moving City
04. Going Nowhere
05. Fan Fiction
06. Now Or Never
07. Gemau Cymhlrth
08. It’s True What They Say About Love
09. Step Into The Light
10. Karen 1980
11. We Ride The Outskirts Forever
Na sexagésima sétima edição de Três De Rajada..., rubrica que parte da minha busca por novidades e pretende dar a conhecer música nova lançada no mercado discográfico, e no dia em que é editado o homónimo dos Rocketjuice & The Moon, o novo projeto de Damon Albarn, destaco esta semana os novos singles de Feist, dos Silversun Pickups e de James Morrison. Toca a ouvir e a tirar ilações...
Feist – The Bad In Each Other
Silversun Pickups – Bloody Mary
Lançado no passado dia vinte e nove de novembro de 2011, o EP Out Of Place marca a estreia do projeto islandês Ourlives, liderado por Leifur Kristinsson (voz e guitarra), nos lançamentos discográficos. A acompanhar Leifur está Halfdan Arnason (baixo, teclas), Jon Björn Arnason (guitarra) e Gardar Borgtorsson (bateria).

A sonoridade dos Ourlives acaba por não diferir muito de bandas como os Coldplay e Snow Patrol, onde as canções assentam quase sempre em guitarras melodicamente complexas e com uma sonoridade etérea muitas vezes acentuada por tonalidades vocais agudas. Nos Ourlives as canções remetem-nos imediatamente para a fria Islândia, com todas estas caraterísticas que enumerei e uma bateria que ajuda facilmente a imaginar um cenário de beleza arrepiante ao longo das cinco canções.
Out Of Place, a canção homónima e de abertura, agrada facilmente a qualquer fã da banda liderada por Chris Martin, com a voz de Kristinsson a girar em torno do violino e do piano de forma emotiva e deslumbrante, a fundir-se com uma guitarra acústica e bastante simplista. Mas também gostaria de destacar Nuna, uma canção com fogachos de Muse e o momento mais sombrio do EP, principalmente devido ao baixo rude e bastante marcado.
Para primeira amostra, os Ourlives mostram capacidade para no futuro poderem chegar a patamares de projeção elevados, à imagem de algumas das influências notórias que citei e merecem, para já, toda a atenção daqueles que apreciam uma sonoridade pop e mais etérea. Espero que seja o teu caso e que aprecies a sugestão...
01. Out Of Place
02. Anything Can Happen Now
03. Núna
04. We Lost The Race
05. Where Is The Way?
Os Elephant são uma dupla oriunda de Londres e formada pela francesa Amelia Rivas e por Christian Pinchbeck. Conheceram-se em maio de 2010 e tiveram um 2011 bastante profícuo; Depois de em janeiro terem lançado o EP ants-wolf-cry e em julho allured-actors, em novembro deram a conhecer um terceiro EP, intitulado Assembly, sempre através da Memphis Industries.
A sonoridade dos Elephant assenta numa pop etérea e lo-fi e são fortemente influenciados pelo hip-hop francês e pela eletrónica dos anos oitenta. Em qualquer um dos 3 EPs há uma batida que se vai arrastando um pouco atrás da voz de Rivas e camadas sintetizadas que vão sendo acrescentadas, o que cria um clima sombrio, melancólico e de certa forma até mágico. Fica-se muitas vezes com a sensação estranha que o silêncio é a força motriz das canções, o elemento propulsor das mesmas e que nelas se inclui e as sustenta e ao redor do qual os músicos vão acrescentando vários elementos sonoros, muitas vezes só perceptíveis numa posterior audição.
De Beach House a Mazzy Star e passando por Zola Jesus, os Elephant são requintados, minimalistas e cosmopolitas e combinam todo o encanto da Paris das passadeiras vermelhas com uma fragilidade cândida, futurista e atmosférica, feita com guitarras estridentes e um piano delicado. Estão no momento ideal para começarem a pensar seriamente no disco de estreia e cimentar dessa forma um lugar de relevo no cenário indie da actualidade.
Os três EPs estão disponíveis para download gratuito no bandcamp dos Elephant. Espero que aprecies a sugestão...
01. Assembly
02. Shipwrecked
03. Hopeless
04. At Twilight
Conforme referi em Curtas... XXIX, os Dunes são um projeto de Los Angeles que nasceu das cinzas da banda de punk rock Mika Miko, nomeadamente da iniciativa do baterista Kate Hall e preparam-se para lançar o disco de estreia; O álbum chama-se Noctiluca e foi lançado no passado dia seis de março através da Post Present Medium e de onde já foram retirados os singles Vertical Walk e Jukebox, ambos disponiveis para download gratuito na publicação online stereogum.

A sonoridade dos Dunes é etérea e um pouco minimal; Aproximam-se da pop experimental, com uma abordagem quase sempre emotiva e deslumbrante. Kate Hall lidera o projeto mas é a Stephanie Chan, responsável pela voz, guitarras e escrita das letras, quem cabe o maior destaque, até porque tem uma voz bonita e poderosa. Já agora, o elemento que falta citar do trio é Mark Greshowak, que toca guitarra e baixo. Acaba por haver aqui uma mistura perfeita entre três músicos que experimentam imenso, mas parece-me que sempre com um objetivo comum, porque Noctiluca tem toda a aparência sonora de ser um álbum pensado até ao mais ínfimo detalhe, apesar de ter momentos que à primeira audição poderão parecer um pouco caóticos.
A banda acaba por soar a uma espécie de fusão entre Dum Dum Girls e Warpaint com Chrissie Hynde aos comandos da voz, numa uma sonoridade retro, devido à forte influência dos anos oitenta, mas, ao mesmo tempo, com algo de excitante e novo e, no fundo, bastante recomendável. Espero que aprecies a sugestão...

1. Jukebox
2. Lonely Palm
3. Vertical Walk
4. Red Gold
5. Living Comfortably
6. Falling
7. Shadow
8. Cameron
9. The Spark
10. Minnow & The Machine
11. Tied Together
Os Said the Whale são uma banda natural de Vancouver, no Canadá, formada por Ben Worcester e Tyler Bancroft em 2007. Lançaram no passado dia seis de março Little Mountain, o terceiro álbum de originais, através da etiqueta Hidden Pony. Little Mountain foi produzido por Tom Dobrzanski e misturado por Jack Joseph Puig. Já agora, convém referir que a restante formação inclui Nathaw Shaw no baixo, Spencer Schoening na bateria e Jaycelyn Brown nos teclados.
O EP de estreia do grupo, Taking Abalonia, foi editado no ano de formação; Em 2008 acrescentaram-lhe novas canções e assim surgiu o primeiro disco, Howe Sounds/Taking Abalonia. Depois de terem lançado o EP New Brighton, no passado mês de novembro, ao que se seguiu a divulgação dos vídeos de Big Sky, MT e We Are 1980, não restam dúvidas que as expetativas ficaram bastante elevadas para este novo álbum.

A segunda metade do álbum, a partir de Guilty Hypocrites, é tão pop quanto a primeira, mas é mais visceral e traz à tona um lado menos ensolarado e mais sombrio deste grupo canadiano. Seasons, tocada por um simples piano, fecha um disco onde há muito para descobrir e desfrutar pelos novos seguidores da banda e manter felizes aqueles que já conhecem e apreciam estes Said The Whale. Já agora, este grupo que ganhou um Juno Award em 2011, vai disponibilizar no canal do You Tube um vídeo para cada canção de Little Mountain. Espero que aprecies a sugestão...
01. We Are 1980
02. Big Sky, MT
03. Loveless
04. The Reason
05. O Alexandra
06. Big Wave Goodbye
07. Jesse, Ar
08. Lover/Friend
09. Guilty Hypocrites
10. 2010
11. Heavy Ceiling
12. Hurricane Ada
13. Safe Harbour
14. Lucky
15. Seasons
Os Royal Baths são uma banda natural de São Francisco, formada por Jeremy Cox e Jigmae Baer. Estrearam-se nos discos com Litanies, através da Woodsist e agora, nos passado dia sete de fevereiro, depois de se terem mudado pra a big apple, editaram o sucessor, Better Luck Next Life, através da Kanin Records.

De acordo com a editora, Jeremy e Jigmae formaram os Royal Baths para darem expressão ao fascínio que sempre sentiram pelo blues e os ritmos africanos. No entanto, parece-me mais que querem enveredar por uma sonoridade bastante mais urbana, sombria mas fascinante e psicadélica, iniciada há algumas décadas pelos Velvet Underground, com o seu experimentalismo vanguardista e à qual juntaram o garage rock, a indie e só depois o tal blues.
Não ouvi Litanies, mas a crítica refere que neste Better Luck Next Time a banda está com uma sonoridade também mais gótica e menos garageira e lo fi, tendo dado um passo em frente. Do vanguardismo dos The Bad Seeds, nos anos oitenta, à contemporaneidade de uns The Oh Sees carregados de distorção, cada canção do álbum é um punhado de acordes intencionalmente deformados, mas intencionais, rematados por uma voz que oscila entre o desencanto e o devaneio.
Seja em São Francisco ou em Nova Iorque, para mim as coisas são bastante mais simples e cada uma das nove canções de Better Luck Next Life remete-me para a densidade de uma garagem mal iluminada e enovoada, como se o psicadelismo tivesse nascido para alimentar demónios e não para os transformar em apenas mais um episódio de entretenimento, ou seja, os genes estão lá, trata-se apenas de mais uma forma de evolução natural, ao estilo Andy Warhol. Espero que aprecies a sugestão...
01. Darling Divine
02. Burned
03. Faster, Harder
04. Be Afraid Of Me
05. Nightmare Voodoo
06. Contempt
07. Black Sheep
08. Map Of Heaven
09. Someone New

Na sexagésima sexta edição de Três De Rajada..., rubrica que parte da minha busca por novidades e pretende dar a conhecer música nova lançada no mercado discográfico, e no dia em que é editado Port Of Morrow, o novo disco dos The Shins, destaco esta semana os novos singles dos Coldplay, Summer Camp e Will Young. Toca a ouvir e a tirar ilações...
Coldplay – Charlie Brown
Summer Camp – Losing My Mind
Will Young – Losing Myself
Os Snow In Mexico são Massimiliano Cruciani (guitarra e voz) e Andrea Novelli (sintetizador e percussão), dois músicos naturais de Roma e que se estrearam nos lançamentos discográficos em 2009 com um EP homónimo. Agora, em 2012, lançaram um novo EP intitulado Prodigal Summer.
Estes dois trabalhos discográficos estão disponiveis para download gratuíto no sitio da banda, mas aceitam, obviamente, um donativo pelos mesmos, algo que deve ter sido em consideração já que o conteúdo dos dois álbuns merece uma audição atenta. A sonoridade de ambos assenta numa pop eletrónica e de ambos destaco Velvet, do EP homónimo, uma canção muito luminosa e alegre e com arranjos de cordas muito bonito.
Espero que te delicies com estas duas amostras de um projeto bastante interessante e que aprecies a sugestão...
01. Prodigal Summer
02. 4 Days
03. I Need To Sleep
04. Code Playground
Os Bishop Morocco são uma dupla natural de Toronto, no Canadá, formada por James Sayce e Jake Fairley e que convidaram Ian Worang e Jon McCann para tocarem guitarra e bateria, respetivamente, neste novo EP da banda, intitulado Old Boys, lançado no passado dia treze de março através da Arts & Crafts e que sucede ao homónimo de estreia, lançado em 2010. Old Boys é o primeiro single deste EP e podes fazer o download gratuíto do mesmo no sitio da banda.

Este EP foi gravado no quarto de hóspedes da mãe de Fairley e transporta no seu seio uma pop sofisticada, assente numa sonoridade densa e contemplativa, feita através de uma instrumentalização quase sempre eletrónica e guitarras cintilantes. O resultado é optimista e até comovente em certos momentos da audição, nomeadamente em Colonial Man, o meu maior destaque do EP, num conjunto de seis canções que nos fazem relembrar muito do que melhor se fez no cenário musical alternativo da década de oitenta. Espero que aprecies a sugestão....
Tim Williams, natural da Califórnia e Matt Welsh (Phonograph) de Brooklin, são a dupla que personifica os Soft Swells e que deverão encontrado na solarenga costa norte americana a inspiração para Soft Swells, o disco homónimo de estreia da banda, gravado em apenas uma semana e lançado no passado dia 28 de fevereiro através da Modern Outsider.

Logo a abrir, o single Every Little Thing, uma canção com uma melodia bastante apelativa e épica, que me recordou em alguns instantes da percussão Arcade Fire, destaca-se pela onda sonora optimista e infecciosa que transporta. E à medida que se avança na audição, cada canção do disco acaba por ter uma sonoridade própria, o que confere ao produto final um trabalho pouco homogéneo, mas que para o caso funciona como um elogio, ou seja, a dupla tenta diferentes abordagens, deixa-se influenciar tanto pela eletrónica lo fi como pela pop indie e, quase sempre melancolicamente, busca o uiverso sonoro onde talvez no futuro se irá sentir mais confortável.
Ao longo do disco podemos encontrar a vibe descontraída do surf combinada com sintetizadores, ou seja, há aqui canções que nos transmitem aquela sensação orgânica de calor, ajudadas também pelo extraordinário desempenho vocal de Williams, mas que partiram da frieza da eletrónica, algo bastante percetível em Lifeboats e Overrated. Assim, Soft Swells acaba por refletir o humor de dois músicos que deixaram um dia a fria e temperamental cidade de Nova Iorque, para relaxar e aproveitar o sol de Los Angeles, pois até as próprias canções mais tristes e sombrias acabam por nunca soar melodramáticas e caregam sempre algum optimismo.
Este disco é perfeito para ser ouvido enquanto se conduz com as janelas abertas e a promessa de haver no final da estrada tempo quente e um verão cheio de luz e cor; Por isso talvez devas considerar seriamente colocar Soft Swells na mala quando partires para o merecido descanso anual e quiseres levar alguma eletro indie pop contigo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Every Little Thing
02. Overrated
03. Put It On The Line
04. Say It Like You Mean It
05. Shake It Off
06. Don’t Cut It Off
07. Never Leave Home
08. Make It Go Away
09. Lifeboats
10. Decisions
No passado dia seis de março o trio de indie folk pop trio, natural de Filadélfia, Good Old War, formado por Keith Goodwin, Arnold Tim e Schwartz Daniel, lançou o seu terceiro álbum, Come Back As Rain, através da Sargent House. Calling Me Names é o primeiro single extraído do disco, duma banda que se estreou nos álbuns em 2010 com o homónimo Good Old War.

É enorme a sensação de simplicidade que se obtém durante e após a audição de Come Back As Rain e que resulta da musicalidade destes Good Old War. A banda constrói as canções numa base eminentemente acústica, feita com guitarras com linhas harmónicas lindíssimas e uma percussão quase minimal. A canção de abertura do disco, Over And Over, demonstra-nos, desde logo, um exemplo perfeito desta sonoridade; é uma música que apesar de falar de um relacionamento falhado, assenta numa harmonia otimista e cativante, com um fantástico tamborilar na percussão. Mas destaco também Calling Me Names, o tal primeiro single e It Hurts Every Time, duas das melhores canções pop folk que ouvi ultimamente, assim como o coro de Touch The Clouds (Taste The Ground), capaz de derreter o mais frio dos corações dos críticos.
Em suma, feito por um grupo que tem sido comparado a nomes tão distintos como Simon and Garfunkel e Still, Nash and Young, mas ao qual eu gostaria de juntar a este rol de influências os Fleet Foxes e os Civil Wars, Come Back As Rain é um disco com vários momentos brilhantes e feito de belas e convidativas canções, sobre o quotidiano e a ternura do amor. Espero que aprecies a sugestão...
01. Over And Over
02. Calling Me Names
03. Amazing Eyes
04. Better Weather
05. Can’t Go Home
06. Not Quite Happiness
07. Touch The Clouds (Taste The Ground)
08. It Hurts Every Time
09. After The Party
10. Loud Love
11. Present For The End Of The World
Os The Magnetic Fields estão de regresso com Love at the Bottom Of The Sea, o novo disco de um dos segredos mais bem guardados da pop, a banda liderada por Stephin Merritt. Love at the Bottom of the Sea, viu a luz do dia no passado dia seis de março, através da Merge Records na América do Norte e da Domino Records, no resto do mundo e arredores.
Antes de apreciares a sugestão, convido-te a visitares o blogue de Mojo, para ficares a conhecer aquele que é já, na minha opinião, um dos discos essenciais de 2012.
Kishi Bashi, multi intrumentista e colaborador de nomes tão respeitáveis como os Of Montreal ou Regina Spektor, aventura-se finalmente a solo. A estreia será a dez de Abril, através da Joyful Noise com 151a, disco que a avaliar pelo single agora apresentado não será menos que um enorme festim de alegria e boa disposição sonora. Ouve It All Began With a Burst e fica com uma ideia…
Kishi Bashi – It All Began With a Burst
Já agora, Room for Dream, o EP que antecedeu esta estreia, está também disponível para escuta em www.kishibashi.bandcamp.com.
Victoria Legrand e Alex Scally estão de regresso às canções; Myth deverá ser uma das canções do novo disco da dupla de Baltimore, que se vai chamar Bloom e será editado em Maio pela Sub Pop. Myth é Beach House clássico, com uma sonoridade algures entre a fantasia e a realidade.
Natural da Virginia, apresenta-se como uma produtora e escritora de canções, criou a sua própria fórmula de música electrónica de quarto e afirma que o seu som é inspirado por jazz, minimalismo electrónico e pós-punk. Admite que as suas influências são Nina Simone, Cibo Matto, Serge Gainsbourg e Yellow Magic Orchestra. Falo de KID A, o pseudónimo de Anni T, alguém que aprecia o isolamento e que tem um disco de estreia na calha, que se irá chamar BLCKRSECHLL (Black Rose Chill). Entretanto, que tal mergulhar na sensualidade de BB Bleu?
E continuam a haver boas novidades sobre Bon Iver. Depois de ter confirmado concertos em Portugal, lançou o single de Towers e vídeo a condizer e que conta como lado b o inédito Bruised Orange (Chain Of Sorrow). Usufrui...
01. Towers
02. Bruised Orange (Chain Of Sorrow)
01. My Heart Beats
02. Killing Time
Já foi editado o primeiro avanço de Strangeland, o próximo álbum dos escoceses Keane e quarto da banda, com edição prevista para o próximo dia sete de maio. Tendo em conta esta amostra, pode ser que os Keane tenham encontrado o caminho de volta para casa e assim terem grandes possibilidades de voltarem a reconquistar a base de fãs que colecionaram com Hopes and Fears. Confere...
Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais, lançados desde 1996. Conforme divulguei em Curtas XXVII..., agora, a seis de março de 2012, lançou o novo Break It Yourself, um disco cheio de belas e cativantes canções, através do selo Bella Union (Fleet Foxes, Beach House, M Ward).

As canções de Bird continuam divididas entre o violino e a guitarra, o jazz, a folk e a blues. Noble Beast, de 2009, foi um enorme sucesso e na promoção ganharam relevância as participações nos programas de David Letterman e Jay Leno, um breve tirocínio em Lisboa, onde durante três semanas passeou incógnito, a posterior colaboração na banda sonora de Norman, que partilhei oportunamente, e dos Marretas, assim como a colaboração com o escultor Ian Schneller no projecto Sonic Arboretum, para o Guggenheim em Nova Iorque. A acrescentar a tudo isto, aconteceu também o nascimento do seu primeiro filho. Além da projeção mediática que todos estes eventos lhe proporcionaram, grande parte acabou por servir de inspiração para o conteúdo deste novo álbum, que conta com a participação dos músicos Martin Dosh, Jeremy Ylvisaker e Mike Lewis e foi produzido pelo próprio Andrew e misturado pelo grande Randy Newman, através de um tradicional método de gravação, onde um velhinho oito pistas, instalado no celeiro do músico, foi rei e senhor.
Break it Yourself é então um álbum de folk pop, inspirado por nomes como os de Exuma e Etran Finatawa e tem no já muito rodado single Eyeoneye umas das suas canções mais imponentes. É um álbum feito de canções que se movimentam sem sufoco numa paisagem vasta, cheia de terrenos abandonados e roads to nowhere, o que faz com que, à primeira audição, possa soar um pouco irregular, desequilibrado e entediante. No entanto, apesar das músicas não serem tão memoráveis como algumas canções que fizeram parte do alinhamento de The Mysterious Production of Eggs ou do ótimo The Swimming Hour, dá a sensação que o músico, ao concetualizar Break It Yourself, pensou num grande lago completamente silencioso e, com alguma prudência, arriscou a atirar algumas pedras para o mesmo, personificadas em detalhes sonoros, e deixar que o barulho que daí resultasse se tornasse na base das canções. Algum experimentalismo, portanto, mas também bastante graciosidade, num disco com uma toada lenta, austera, cheio de momentos de beleza e serenidade (o trecho instrumental de Hole in the Ocean Floor, que se ouve vagarosamente e parece não ter vontade de acabar, é fantástico), mas também músicas com um caráter mais convencional e familiar; Near Death Death Experience, Fatal Shore, o single Eyeoneye e Lusitania, um memorável dueto com Annie Clark, aka St Vincent, parecem feitas com a inteligência de quem se inspira no que é aparentemente velho e usado (talvez influência do tal oito pistas) e de espanador na mão, puxa o lustro e compôe assim algo que consegue pertencer ao nosso tempo sem fazer propriamente parte dele.
Andrew Bird não sabe fazer discos maus e este é para ouvir numa preguiçosa tarde de folga, sem pressas, até porque é um álbum bastante extenso. Espero que aprecies a sugestão...
01. Desperation Breeds…
02. Polynation
03. Danse Carribe
04. Give It Away
05. Eyeoneye
06. Lazy Projector
07. Near Death Experience Experience
08. Things Behind The Barn
09. Lusitania
10. Orpheo Looks Back
11. Sifters
12. Fatal Shore
13. Hole In The Ocean Floor
14. Belles
Os Islands são uma banda natural de Montreal, no Canadá, liderada por Nick Thorburn e formada por antigos membros dos The Unicorns. O primeiro álbum de estúdio, Return to The Sea, foi lançado em abril de 2006 e alcançou relativo sucesso com a canção Don’t Call Me Whitney, Bobby. Seis anos e três discos depois, a banda lançou o sucessor de Vapours, editado em 2009, o quarto álbum, A Sleep & A Forgetting, dia catorze de fevereiro através da Anti-records.
A Sleep & A Forgetting foi inspirado no divórcio de Nick, que se exilou na casa de uma amiga de um amigo, e compôs a maioria das músicas sozinho no piano. Com este antecedente, é fácil fazer o retrato de A Sleep & A Forgetting, que acaba por ser um álbum extremamente triste, melancólico e pessoal, onde Thorburn se apresenta emocionalmente desarmado.
Cada álbum novo dos Islands costuma representar uma mudança sonora em relação aos discos anteriores e neste A Sleep & A Forgetting Thorburn substituiu os barulhos estranhos e as letras cheias de figuras imaginadas, para um plano de fundo sonoro mais melancólico, apenas com o simples propósito de afogar as mágoas e lamentar a sua perda. Esta permissa resultou numa sonoridade mais simples, arcaica e acústica, mas com belíssimas músicas, bem trabalhadas e arranjadas. Estes fatores, somados a uma voz dorida e angustiante, surgem desde a abertura; Logo no primeiro verso de In A Dream It Seemed Real o músico evidencia a verdade dolorosa da sua dor e prepara o ambiente para a sequência do álbum. This Is Not a Song, o primeiro single extraído do disco, é guiada pelo piano e tem um cunho indie pop que lembra bastante os escoceses Belle & Sebastian e Hallways, outro destaque do disco, é mais uptempo, com um piano matador e uma batida que torna difícil manter os pés quietos. Never Go Solo também é mais animada e a letra, em alguns momentos divertida, mostra a dúvida para onde prosseguir após a perda. Em No Crying o sangue, ou as lágrimas, voltam a ser derramadas, numa tentativa frustrada de parar de chorar.
Oxalá Nick Thorburn tenha conseguido exorcizar a sua dor universal neste A Sleep & A Forgetting. Muitas vezes é esse o grande desafio que se coloca a quem decide partilhar álbuns muito pessoais, conseguir transformar e adornar essa dor em algo belo. Espero que aprecies a sugestão...
01. In A Dream It Seemed Real
02. This Is Not A Song
03. Never Go Solo
04. No Crying
05. Hallways
06. Can’t Feel My Face
07. Lonely Love
08. Oh Maria
09. Cold Again
10. Don’t I Love You
11. Same Thing
Na sexagésima quinta edição de Três De Rajada..., rubrica que parte da minha busca por novidades e pretende dar a conhecer música nova lançada no mercado discográfico, destaco esta semana os novos singles dos The Maccabees, Noel Gallagher's High Flying Birds e Rufus Wainwright. Toca a ouvir e a tirar ilações...
The Maccabees – Feel To Follow
Noel Gallagher's High Flying Birds – Dream On
Rufus Wainwright – Out Of The Game
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