Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Huddle - All These Fires

Os Huddle são uma banda natural de toronto, no Canadá como já sabem, liderada pelo guitarrista Mark Satterthwaite e que também inclui na formaçãoTeddy Wilson, estrela local de televisão na bateria, Clay Jones na guitarra e Lucas Dave no baixo. É catalogada no seu próprio site como indie dream pop e no passado dia trinta de agosto lançaram All These Fires, o disco de estreia e que ouvi recentemente.

All These Fires reúne uma coleção de dez canções assentes numa sonoridade tipicamente rock n'roll e intercaladas com um som vintage que lembra a synth pop dos anos 80, sendo evidente um certo fascínio pela banda sonora, digamos assim, dos primeiros jogos de computador que surgiram na altura. Se tal referência ainda não suscita interesse e curiosidade pelo disco, um bom motivo para o conferir será escutar, logo a abrir, Islands, o meu destaque do disco e assim tomar contacto com a potência da voz do já citado vocalista e guitarrista Mark Satterthwaite.

All These Fires é melódico e, na maioria das vezes, optimista, com músicas curtas e simples, mas algumas inesquecíveis. Dark Times é uma das faixas mais sombrias do álbum e que foge um pouco à regra, com uma forte componente melancólica, suportada pela voz de Mark colocada à Nine Inch Nails. Sirens também deve ser devidamente ouvida e apreciada visto ser uma bela canção acústica.
Algumas das faixas do álbum parecem um pouco descontextualizadas, algo natural numa banda ainda pouco madura e que dá os primeiros passos. No entanto, parece-me que algum desse aparente desconforto e falta de ritmo é intencional e uma daquelas táticas que muitos artistas e bandas indie gostam de empregar para assumirem a diferença e a sujidade naturais de uma banda do género.  Mas no geral, porém, este All These Fires dos Huddles é um disco muito divertido, que se ouve de um travo só e com um punhado de canções que prometem deliciar o ouvinte mais atento. É mais uma banda citada pela primeira vez por cá em Man On The Moon e que deverá ser seguida com atenção. Espero que aprecies a sugestão...

01. Islands
02. Sleepwalker
03. Brow-line Pictures
04. Dark Times
05. Sirens
06. It Nights
07. Stamps
08. Run
09. South Spits Dam
10. Traded


autor stipe07 às 21:30
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

The Moth And The Mirror - Honestly, This World

Sou sempre relativamente cético quando descubro e começo a ouvir discos feitos por músicos que fazem parte de bandas de diferentes quadrantes musicais e que resolvem juntar-se em projetos alternativos, paralelos ou o que lhes queiram chamar. Os The Moth And The Mirror obedecem a este critério em termos de formação, mas dou a mão à palmatória quando afirmo convictamente que Honestly, This World foi um dos discos mais interessantes que ouvi nos últimos dias.

Mas antes de falar do disco, vamos à formação. Estes The Moth And The Mirror são constituidos por alguns dos melhores músicos escoceses da atualidade; Refiro-me a Stacey Sievwright (The Reindeer Section, Arab Strap) na voz e guitarra, Gordon Skene (Frightened Rabbit) também na voz e guitarra, Louis Abbott (Admiral Fallow, Song of Return), igualmente guitarra e voz, Kevin McCarvel no baixo, Iain Sandilands na percussão e Peter Murch na bateria. A banda formou-se quando Stacey apresentou Ian aos outros músicos, já com o intuito de enveredar por um projeto paralelo. Começaram por abrir para concertos dos Snow Patrol, Band of Horses, Frightened Rabbit e finalmente editaram este Honestly, This World, o disco de estreia.


O disco surpreendeu-me pelos mais variados aspetos, não sendo fácil descrever com exatidão o seu conteúdo. Seja como for, saltou-me logo ao ouvido um fio condutor sonoro que procurava o equilíbrio entre uma acústica experimental e climática e um ambiente post punk. Logo a abrir, Everyone I Know assenta nesta abordagem devido ao delicado contraste entre um baixo vibrante a acompanhar a percussão e uma guitarra acústica, mas carregada com tons graves e fortes. Tanto nesta canção de abertura com em outras faixas a voz de Stacey lembra bastante o desempenho vocal de Beth Gibbons e o cuidado colocado na produção por Tony Doogan, sobressaiu os pontos fortes dela, das músicas, de cada músico e assim da própria química do grupo. Outro bom exemplo desta química é a esquizofrénica Boxes, uma canção com pouco mais de seis minutos e onde um início suave acaba por contrastar, lá mais para o meio, com a pujança instrumental colocada por todos os intervenientes. Fire é um belo e brilhante diamante pop, com as responsabilidades deste brilho intenso divididas pelas vozes e guitarras da dupla Sievwright e Skene. Germany, a faixa mais potente do álbum e primeiro single, tem um refrão que a maioria das bandas indie daria o braço direito para ter escrito. Quase no fim, Closing Doors mostra o lado mais suave dos The Moth And The Mirror, dando-nos uma enorme sensação de conforto e nostalgia à medida que se aproxima o epílogo.

As primeiras impressões contam muito. E numa época em que a música é tão facilmente acessível e o tempo para ouvir tudo o que poderá importar é escasso, é muito bom para mim que um álbum tenha este impacto imediato, porque às vezes separar o trigo do joio e colocar num canto especial o que realmente importa torna-se complexo.  Álbum do mês para a publicação The SkinnyHonestly, This World conquistou-me pelos sons atmosféricos, algumas pinceladas de psicadelismo e devido aos ecos cavernosos, trombetas, pianos e buzinas, sempre em atrito com as guitarras, que criaram uma atmosfera musical selvagem, exuberante e dinâmica, que fala de melancolia e alegria ao mesmo tempo, provando ser apropriado catalogar de impressionante a estreia destes The Moth and The Mirror nos discos. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Everyone I Know
02. Soft Insides
03. Fire
04. Boxes
05. Beautiful Creature
06. Honestly, This World
07. Hope Is An Anchor
08. Germany
09. Closing Doors
10. Oceans And Waves


autor stipe07 às 19:24
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

The Decemberists - Long Live The King EP

Após o belo desempenho em The King Is Dead, lançado em janeiro deste ano e do qual dei conta Aqui, os The Decemberists não demoraram muito a presentear o público com um novo registo de estúdio, o EP Long Live the King (2011, Capitol). Portanto, se o rei morreu... Agora, de repente, por obra e graça dos The Decemberists, ressuscitou!

 

Este EP tem, diga-se em abono da verdade, a grande virtude de em apenas seis canções conseguir concentrar toda  destreza musical deste grupo norte americano, promovendo mais uma sequência de composições melódicas do género das que substanciam o último álbum do quinteto de Portland. Por isso é um EP situado no mesmo campo instrumental de The King Is Dead, com canções grandiosas e crescentes, havendo como fator distintivo, as composições parecerem menos melancólicas. Tal resultou talvez numa sonoridade mais suave e dinâmica, capaz de agradar todos os grupos de ouvintes.

Assim como The King Is Dead apresentou uma sequência de bem produzidas composições, com destaque para Down By the Water e This Is Why We Fight que acabaram por se transformar em novos clássicos da carreira do grupo, com Long Live the King isso não é diferente. Da exposição folk da simplista E. Watson, passando pela grandiosidade melódica e quase country de Foregone, tudo no interior do EP se movimenta de forma bem elaborada, com consistência instrumental e a traduzir na perfeição a boa fase que toma conta da carreira dos The Decemberists. Há também que salientar a cover de Row Jimmy dos Greateful Dead. O meu grande destaque do EP acaba por ser Burying Davy, uma canção que evoca uma sonoridade muito próxima dos anteriores trabalhos do grupo e com uma instrumentação primorosa e sempre capaz de surpreender.
Depois de o rei ter morrido no início do ano, parece que afinal há que o saudar e desejar-lhe uma vida longa. Espero que aprecies a sugestão...
 
http://www.mediafire.com/?9om2kbcrw2sp5u5

01 E. Watson
02 Forgone
03 Burying Davy
04 I 4 U & U 4 ME
05 Row Jimmy (Grateful Dead Cover)
06 Sonnet


autor stipe07 às 19:01
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3 de rajada... LIV

Hoje, no dia em que é editado Singles Collection: 2001-2011, a coletânea definitiva dos Gorillaz e Hotel Sessions dos The Lemonheads, na quinquagésima quarta edição de  Três De Rajada..., rubrica que parte da minha busca por novidades e pretende dar a conhecer música nova lançada no mercado discográfico, destaco os novos singles dos Alphabet Backwards, Fixers e de Patrick Wolf. Toca a ouvir e a tirar ilações...

 

Alphabet Backwards – Taller

 

Fixers – Majesties Ranch


Patrick Wolf – Together


autor stipe07 às 18:56
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Domingo, 27 de Novembro de 2011

Feist - Metals

Algumas semanas depois do lançamento e um pouco tardiamente em relação ao desejado consegui finalmente ouvir Metals o novo e já aclamado álbum da canadiana Feist, um dos nomes mais sólidos e queridos do cenário indie e alternativo atual.

Em 2007, The Reminder empurrou Leslie Feist para a luz da fama e nos últimos quatro anos muita coisa mudou na carreira da canadiana. Com este Metals a ex Broken Social Scene firma definitivamente a tal presença na corte da indie até porque, felizmente, o álbum, como um todo, afasta-se daquilo que poderia ser considerado território confortável. The Bad In Each Other abre de forma ambiciosa, com uma percussão acutilante, rendilhados folk e uma secção de cordas a fazer lembrar grandes momentos do reportório dos Tindersticks. Mais madura, talvez, a voz de Feist continua bonita como sempre. Graveyard mantém a toada de aparente simplicidade e quando chegamos a Caught A Long Wind, balada lenta de subtileza enternecedora, estamos já certos de que Metals nos vai deixar rendidos.

A Commotion causou-me enorme impacto, até pela bateria a trote a chicotear Feist, que vê a sua voz esmagada por um coro masculino. As emoções palpitam até que The Circle Married The Line, mesmo evocando Nick Drake, nos deixa por instantes algo desolados. Bittersweet Melodies marca, de forma sedutora, a entrada na segunda metade do álbum, relembrando-nos por que razão Feist continua a ser um sopro de frescura no universo pop . Em Anti-Pioneer a cantora perde completamente a vergonha de namorar com os blues, entrando naquele território sonoro tão caraterístico de um Jeff Buckley e em Undiscovered First muda novamente o registo, com os metais em plano de destaque. Na reta final Cicadas & Gulls traz o conforto da guitarra acústica e Comfort Me e Get It Wrong, Get It Right, com o seu piano acutilante, mantêm-nos sob encantamento, ao ponto de ter-se vontade de ouvir Metals novamente, agora com ainda mais atenção.

Nunca me considerei um fã incondicional de Feist mas confesso que este Metals deixou-me muito bem impressionado. A voz despretenciosa que navega solta pelas doze canções e cercada pelos instrumentos que certificam o estilo da cantora, com destaque para o piano, deram um enorme peso sentimental ao disco, paz de espírito e a sensação de se estar distante do mundo, isolado  numa cabana perdida no meio das montanhas que ilustram a sua capa. Espero que aprecies a sugestão...

The Bad in Each Other
Graveyard
Caught a Long Wind
How Come You Never Go There?
A Commotion
The Circle Married The Line
Bittersweet Melodies
Anti-Pioneer
The Undiscovered First
Cicadas & Gulls
Comfort Me
Get It Wrong Get It Right


autor stipe07 às 18:30
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Sábado, 26 de Novembro de 2011

Icarus Himself - Career Culture

Icarus Himself começou por ser,  em 2008, um projeto a solo de Nick Whetro, que se tornou numa banda meses depois com o ingresso dos amigos Brad Kolberg na bateria e do multi-instrumentista Karl Christenson. Estrearam-se nos discos em 2009 com Coffins e agora, no passado mês de outubro, editaram Career Culture através da Science Of Sound Records. As influências desta banda americana natural do Wisconsin vão de Kurt Vile a Deerhunter, passando por The Who e David Bowie.

As palavras que se ouve e que viajam para dentro e para fora da nossa mente todos os dias, um fio de conversa ouvida, uma letra de uma canção que lembra um velho amor, uma observação sobre alguém que nunca vimos, uma pontada de amor, ou de dor, são os fragmentos da nossa vida sobre os quais estes Icarus Himself parecem gostar de escrever e cantar. Career Culture é um disco folk, ou seja, muito bem balizado em termos de sonoridade, mas tremendamente dísptar, de canção para canção, no que concerne à mensagem; Às vezes parece que se ouve as mesmas frases repetidas vezes, as mesmas linhas de guitarra, mas com várias audições acabamos por perceber que foram apenas excertos que se acumularam no nosso subconsciente por terem sido elementos do disco belos e que em anteriores audições marcaram.

Logo no início, em Wake Up, Nick Whetro convida-nos literalmente a acordar porque talvez seja hora de fazer tudo de novo ou, melhor ainda, de dar verdadeiro valor ao que já se tem antes de se achar que a vida não é generosa. Naqueles três minutos iniciais é como se a vida se resumisse, porque a repetição contínua de again é no fundo a nossa história, a história de cada um onde o segredo está nas variantes que vamos introduzindo enquanto ela se desenrola.

Depois, ao longo do álbum, Nick fala do tédio da classe trabalhadora, mas que encontra no amor o verdadeiro caminho e o definitivo lugar ao sol. E os elementos da escrita do músico que falam destas aparentes banalidades são preenchidos e interligados com a performance viva, entusiasta e encorpada dos já citados baterista Brad Kolberg e do instrumentista Karl Christenson. O som de maracas e uma guitarra difícil de definir, sustentam Mornings At The Bar, como se estar nesse local que a canção descreve fosse viver um período de férias da triste realidade, dando à canção um burburinho de prazer de curta duração tão bom que, no fim da música, a dor do acordar desse sonho parece bem real. Tambores vindos de uma selva qualquer e um baixo vibrante unificam WI via IN num som muito emocionante, épico e até encorajador. E se tens dificuldade em imaginar um lugar ao sol no Wisconsin, terra natal destes Icarus Himself, então ouve com atenção On Your Side, uma canção de amor onde Whetro entrega com calma cautelosa sobre a guitarra elétrica toda a alegria que parece estar a sentir no instante em que canta. É, decididamente, uma das melhores canções do ano.

Em suma, este Career Culture é um disco que saiu diretamente da América profunda para nos mostrar como a vida realmente é, com a crueza e as limitações naturais da imperfeição humana. Mas também aponta caminhos para que a nossa vida seja digna e feliz, apontando toda a sinalética para o coração e tudo aquilo que de bom ele possa guardar. Espero que aprecies a sugestão...

01. Wake Up
02. Anywhere You Go
03. Mornings At The Bar
04. You Think You Know
05. Precious Holder
06. Wi Via In
07. Half Moon Eyes
08. MCO
09. On Your Side
10. In Sept.
11. Used To Be


autor stipe07 às 16:02
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

James Blake - Enough Thunder EP

Depois de em 2010 ter sido uma das grandes apostas lançadas pela música eletrónica britânica e já em fevereiro de 2011 ter feito com que grande parte dos olhares elogiosos fossem curvados para si quando lançou o disco de estreia homónimo, James Blake sabe como poucos que agora está no momento certo para se afirmar como um dos grandes produtores musicais contemporâneos. Assim, oito meses após o lançamento do primeiro grande álbum, o produtor inglês está de volta, com um delicado EP de seis faixas intitulado Enough Thunder, lançado através da Atlas.

Este EP não terá o impacto e a qualidade musical de James Blake, mas segue com as mesmas experiências musicais exaltadas pelo músico nesse disco, havendo, no entanto, uma maior aproximação à soul e um distanciamento da dub step que delimitou a referida estreia. Este Enough Thunder puxa-nos então para um universo sonoro melancólico, feito com pianos dolorosamente esculpidos e abafadas batidas dissolvidas em ritmos assimétricos.

Logo no início, Once We All Agree apresenta um caráter ainda mais experimental na obra de Blake, abrindo o EP de maneira claustrufóbica, mas ainda assim bela e detalhada, anunciando muito do que será encontrado no resto do EP, onde é constante uma quase impercetivel sensação de desconforto. Tal sucede, por exemplo, em We Might Feel Unsound, canção que nos cerca com uma espessa camada de ruídos e formas sonoras instáveis. Na terceira canção, Fall Creek Boys Choir, que conta com participação de Justin Vernon, revivemos as mesmas experiências musicais de James Blake, devido à mudança sintética nas vozes e o mesmo clima levemente romântico de outrora, lembrando em alguns momentos a bela Lindesfarne II. O meu grande destaque do EP é A Case of You, uma cover de Joni Mitchell, onde se ouve uma composição nada eletrónica, construida inteiramente em cima de um piano solitário e uma voz completamente límpida.

Portanto, se inicialmente o álbum assenta arraiais na experimentação, à medida em que o disco se desenvolve as canções vão ficando mais límpidas e melódicas, confirmando que está mais do que reservado o lugar de James Blake no topo dos melhores produtores britânicos da atualidade. Espero que aprecies a sugestão... 

01 Once We All Agree
02 We Might Feel Unsound
03 Fall Creek Boys Choir [ft. Bon Iver]
04 A Case of You (Joni Mitchell cover)
05 Not Long Now
06 Enough Thunder


autor stipe07 às 22:24
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Engineers - To An Evergreen EP

Depois de Three Act Fader, o segundo disco dos ingleses do Engineers, lançado em 2009 e de Praise Of More, lançado em 2010, considerado por alguma crítica como um dos melhores desse ano, esta banda formada em Londres e já com oito anos de existência voltou em 2011 com o EP To An Evergreen, lançado na passado dia 12 de junho pela Snapper Music.

A formação dos Engineers conta com Simon Phipps nas vozes e guitarra, Mark Peters no baixo e vozes, Dan McBean na guitarra e teclados e Sweeney na bateria. Com influências dos anos oitenta na sonoridade e os My Bloody Valentine na mira, há também alguma semelhança com bandas como os conceituados Spiritualized e Elbow. Um dos destaques do alinhamento deste trabalho surge no fim com uma soberba cover de Hey You dos Pink Floyd. A faixa de abertura homónima do EP fez parte do alinhamento do já citado In Praise Of More, na versão incluida no mesmo. As restantes canções são novas roupagens de inéditos da banda a cargo do coletivo Helios e dos companheiros na etiqueta Kscope, os North Atlantic Oscillation.

Este EP é mais uma obra musical fantástica de uma banda infelizmente ainda bastante desconhecida por cá; Espero que Man On The Moon contribua para uma maior divulgação. E entretanto fez-me ter vontade de descobrir a restante discografia. Também Aqui poderás satisfazer toda a tua curiosidade acerca deste EP e dos Engineers. Espero que aprecies a sugestão...

01. To An Evergreen (Edit)
02. What It’s Worth (Helios Remix)
03. Twenty Paces (Beroshima Remix)
04. In Praise Of More (Elika Remix)
05. Subtober (North Atlantic Oscillation Remix)
06. Twenty Paces (A Shoreline Dream Remix)
07. Hey You (Pink Floyd Cover)


autor stipe07 às 20:24
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Wild Beasts – Reach A Bit Further EP

O minimalismo de Steve Reich, a excelente lírica de Mary Shelley e Clarisse Lispector e a melancolia sublime dos Wild Beats foram os elementos utilizados pelo quarteto inglês para dar vida a Smother, terceiro trabalho da carreira deste grupo de Kendal e um dos projetos mais complexos já lançados em 2011. Ainda mergulhados nesse mundo de calmarias sufocantes e passagens pela dream pop dos anos noventa, poucos meses depois acabam de lançar mais um tombo da sua memorável obra, o EP Reach A Bit Further, que acabo de ouvir.

Este pequeno álbum vai para além de um mero agregado de restos das gravações de Smother, proporcionando ao ouvinte mais uma dose, mesmo que curta, da mesma exatidão melancólica que encontrámos nesse álbum. Entre pianos claustrofóbicos e a voz peculiar de Hayden Thorpe, somos em escassos quinze minutos mais uma vez transportados para o excêntrico universo da banda.

Neste EP os Wild Beasts continuam a honrar a influência assumida que os Radiohead têm na sua sonoridade, embora a mesma também passeie por distintas vertentes musicais, nomeadamente as experimentações jazzísticas dos anos sessenta. Dentro dessa estufa musical bastante específica surgem as inéditas Smother, Catherine Wheel e Thankless Thing, que em parceria com a canção título nos afogam numa sequência de sons estruturados e consistentes.

Mesmo que não fosse necessário, Reach A Bit Further reforça que com Smother os Wild Beasts tinham alcançado a sua mais bela obra musical, um trabalho que figurará certamente entre os melhores do ano. Espero que aprecies a sugestão...

 

 

01. Reach A Bit Further
02. Smother
03. Catherine Wheel
04. Thankless Thing

 

1.  Lion’s Share
2.  Bed of Nails
3.  Deeper
4.  Loop the Loop
5.  Plaything
6.  Invisible
7.  Albatross
8.  Reach A Bit Further
9.  Burning
10. End Come Too Soon


autor stipe07 às 18:50
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Snow Patrol - Fallen Empires

Não é segredo nenhum para ninguém que os irlandeses Snow Patrol são uma das minhas bandas prediletas, sendo sempre aguardado por mim com enorme e redobrada expetativa cada novo disco deles. E este Fallen Empires naturalmente não foi exceção! Lançado no mercado no passado dia catorze de novembro, é o sexto trabalho de estúdio desta banda formada em 1994 na cidade escocesa de Dundee e depois de o ouvir senti uma estranha sensação de desilusão, algo inédito no que concerne a esta banda. É verdade que coloco sempre a fasquia muito elevada em relação a algumas bandas e talvez isso também tenha contribuido para esta sensação de enorme deceção em relação a um disco que me soou enfadonho, sonolento e distante de qualquer possível acerto.

Nos primeiros discos dos Snow Patrol sempre foram audíveis canções desenvolvidas com afinco e assentes num jogo de versos cuidadoso, sincero e trabalhado de forma muitas vezes espetacular. Havia força nas canções! De há cinco anos para cá, com a chegada de Eyes Open, o grupo optou por uma fórmula um pouco repetitiva, com um extenso catálogo de sons convencionais e característicos e que agora, neste Fallen Empires, ocultaram definitivamente a beleza explorada pelo grupo nos anos iniciais. Parece efinitivamente outra banda e não aquela pela qual me apaixonei com Final Straw.

Provavelmente, para alguns fãs que não acompanham a carreira dos Snow Patrol com grande devoção, boa parte destas novas catorze canções poderão parecer curiosamente inéditas e encantadoramente renovadas. Contudo, basta um mínimo esforço para perceber que grande parte do trabalho serve apenas para confirmar que a banda de Gary Lightbody parece muito mais interessada em viver dos louros do passado do que proporcionar algo novo em si.

Tal como no anterior A Hundred Million Suns de 2008, este Fallen Empires é feito daquelas canções melódicas que desde o já citado Eyes Open ditam o rumo sonoro do grupo, feito com pianos melancolicamente projetados, guitarras carregadas de efeitos, a voz encaixada de forma a soar épica e a bateria com um leve eco. Seguindo também essa mesma fórmula do princípio ao fim neste Fallen Empires, a banda consegue arrancar-me apenas alguns sorrisos em New York, This Isn’t Everything You Are Berlin e principalmente Lifening, canções que vão continuar a manter acesa a chama da devoção e do respeito que nutro por esta banda fantástica e tão marcante para mim.

Desejo muito que este Fallen Empires tenha sido apenas um breve tiro ao lado e que represente o epílogo do rumo traçado nos últimos três álbuns da banda. Desejo muito que o próximo disco deles represente uma rutura definitiva com esta sonoridade e um regresso às origens ou, melhor ainda, um verdadeiro salto em frente, porque ainda acredito que os Snow Patrol, além de conseguirem fazer muito melhor, ainda estarão por cá bastante tempo para o poderem demonstrar. Espero que aprecies a sugestão... 

01. I’ll Never Let Go
02. Called Out In The Dark
03. The Weight of Love
04. This Isn’t Everything You Are
05. The Garden Rules
06. Fallen Empires
07. Berlin
08. Lifening
09. New York
10. In The End
11. Those Distant Bells
12. The Symphony
13. The President

 


autor stipe07 às 19:00
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

3 de rajada... LIII

Na quinquagésima terceira edição de  Três De Rajada..., rubrica que parte da minha busca por novidades e pretende dar a conhecer música nova lançada no mercado discográfico, destaco os novos singles dos The Duke Spirit, Grouplove e Kasabian. Toca a ouvir e a tirar ilações...

 

The Duke Spirit – Don't Wait

 

Grouplove – Lovely Cup


Kasabian – Re-Wired


autor stipe07 às 19:03
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Domingo, 20 de Novembro de 2011

Gorillaz - The Singles Collection 2001-2011

Talvez em jeito de despedida definitiva já anunciada em Plastic Beach e The Fall, os Gorillaz, mais um dos inúmeros projetos liderados por Damon Albarn acabam de lançar The Singles Collection: 2001-2011. O disco erá lançado em quatro formatos diferentes; O formato normal com um CD, outra edição com CD e DVD, além de uma caixa especial com discos de sete polegadas.

Talvez falte a este álbum um ou dois inéditos para ser uma despedida realmente em grande. Os Gorillaz são, para mim, a par com os LCD Soundsystem, o projeto eletro pop indie mais influente e interessante da primeira década deste século. Esta banda virtual criada por Damon Albarn e Jamie Hewlett, teve sempre a companhia de outras presenças ilustres como Lou Reed, Mos Def, Snoop Dogg,  Bobby Womack, De La Soul, Mark E Smith, vocalista dos The Fall, Gruff Rhys, vocalista dos Super Furry Animals e a dupla Mick Jones e Paul Simonon, dos Clash.

Deixaram alguns dos mais belos momentos da escrita de Damon Albarn e ficarão para sempre na minha memória como um marco na brit pop deste século, dos quais destado Kids With Guns e On Melancholy Hill.

01. Tomorrow Comes Today
02. Clint Eastwood
03. 19-2000
04. Rock The House
05. Feel Good Inc
06. DARE
07. Dirty Harry
08. Kids With Guns
09. El Manana
10. Stylo
11. Superfast Jellyfish
12. On Melancholy Hill
13. Doncamatic
14. Clint Eastwood (Ed Case And Sweetie Irie Refix)
15. 19-2000 (Soulchild Remix)


autor stipe07 às 13:45
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Sábado, 19 de Novembro de 2011

Jinja Safari - Locked By Land

Os Jinja Safari são mais uma descoberta oriunda dos antípodas, neste caso a Austrália e cuja sonoridade é catalogada por muitos como forest indie pop. São uma ideia concebida pelo guitarrista e cantor Marcus Azon e por Cameron Night, dois músicos locais que se conheceram em Sidney há derca de dois anos. Ao vivo juntam-se a estes dois músicos Joe Citizen, no baixo e na voz, Alister Stral Roach, na percussão e voz e Jacob Borg na bateria. Em 2010 lançaram um EP homónimo de estreia e agora, neste mês, editaram Locked By Land, o disco de estreia que tenho andado a ouvir.

Confesso ter ficado muito bem impressionado com este disco que inclui as músicas do tal EP de estreia e outros originais. A música destes Jinja Safari é uma combinação inspirada de barulhos estranhos, de cítaras, sinos e outros sons que derivam da eletrónica. Tudo conjugado resulta numa pop exuberante e cheia de vigor. Não é fácil encontrar bandas semelhantes, mas arrisco a dizer que eles fazem uma mistura de tudo aquilo que os Sigur Rós, Animal Collective e Sufjan Stevens têm de melhor. Peter Pan, o primeiro single retirado de Locked By Land é um exemplo perfeito dos seus pontos fortes; É uma canção muito animada e divertida, construída em redor de uma cítara memorável, um rufar de tambores e constantes dinâmicas e variações na intensidade sonora. Depois, desde a magia rodopiante de Sunken House à simples e infantil Mermaid, o álbum todo é pura brincadeira e diversão.
Hiccups destaca-se pela linha de sintetizador, Scarecrow pela voz ternurenta e Moonchild pelas maracas que dão uma sonoridade muito veraneante à canção. Os sons que vão surgindo ao longo do disco são na maioria surpreendentes e nunca parecem desfasados ou exagerados. A consistência do álbum também pode ser atribuída à composição e à voz, fundamentando ainda mais a sua riqueza de sons.
Locked By Land também tem alguns momentos de menor fulgor e criatividade, mas não há que negar que é enorme a grande diversidade de sons. Estes Jinja Safari são mais uma demonstração plena do vigor que existe no hemisfério sul oriental em termos musicais e como essa zona está a tornar-se num território cada vez mais importante no mapa musical alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Sunken House
02. Mud
03. Hiccups
04. Peter Pan
05. Moonchild
06. Families
07. Stepping Stones
08. Scarecrow
09. Vagabond
10. Head In A Blender
11. Forest Eyes
12. Errol Flynn
13. Mermaids
14. Peter Pan (Fishing Sandy Pant Remix)
15. Hiccups (Butcher Blades Icecream Nightmare Remix)

 

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autor stipe07 às 14:40
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Kele Okereke - The Hunter EP

Depois de ter dado vida a alguns dos maiores clássicos musicais da última década ao lado dos antigos parceiros do Bloc Party, o britânico Kele Okereke resolveu mudar o visual e o seu estilo musical para tentar surgir como uma espécie de novo ídolo da música eletrónica. A estreia numa carreira a solo deu-se com The Boxer, um disco que comprovou logo a ter sido um erro imenso esta viragem. Hunter, um novo EP lançado no passado dia sete de novembro, é uma tentativa de Kele tentar desenvencilhar-se desse erro e encontrar o rumo certo.

O grande problema deste músico britânico não está no querer buscar uma nova sonoridade ou de optar por fazer algo diferente, mas nos excessos gerados a partir disso. E antes de avançar mais na minha análise, adianto desde já ter sido enorme a desilusão relativamente ao conteúdo deste EP, o que demonstra que a tal tentativa de emendar a mão, não deverá ser bem sucedida.

As três primeiras músicas do disco, What Did I Do?, Release Me e Devotion, conseguem ter alguma substância e assim garantir algum crédito ao músico; Ouve-se electropop com toques de dubstep bem produzido na primeira faixa que tem a participação especial de Lucy Taylor na  voz, house music competente na segunda e interessantes doses de experimentação na terceira. No entanto, as composições seguintes desmoronam completamente esse frágil edifício a partir do qual poderiam, futuramente, partir boas indicações sonoras para os prózimos trabalhos do antigo vocalista dos Bloc Party. Dali em diante o álbum parece cair num precipício, desgovernado e sem hipótese de redenção.

Em Goodbye Horses, uma cover de um original de Q Lazzarus, de 1988, há uma tentativa do britânico em desenvolver uma espécie de indie rock eletrônico mas pouco convincente e depois, nas faixas seguintes, temos apenas mais do mesmo, com Kele, em Love As A Weapon, a cantar uma letra muito pouco melódica e atrativa, alicerçada numa sonoridade pretensiosa.

Em suma, reitero o meu enorme desapontamento durante a audição de Hunter, sublinhado pelo fato dos Bloc Party serem uma das minhas bandas preferidas desta década e de ter saudades de um novo disco deles. No entanto, se for para seguir esta sonoridade, talvez seja preferível continuar a alimentar a ausência da banda através da audição dos seus discos mais emblemáticos. além da já referida participação de Lucy Taylor, os Sub Focus, Fred Falke, os RAC e os QNESS são outros artistas que colaboraram com Okereke em Hunter. Pode ser que tu aprecies esta sugestão...


What Did I Do? feat Lucy Taylor
Release Me
Devotion
Goodbye Horses
Cable's Goodbye
Love As A Weapon
You Belong To Someone Else


autor stipe07 às 16:14
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

Customs - Harlequins Of Love

Os Customs são uma banda belga formada por Kristof na voz, Jelle na guitarra, Joan no baixo e Ace na bateria. São mais uma banda que, de acordo com a crítica, tem uma a sonoridade post punk moldada na herança dos Joy Division, à semelhança de nomes como os Editors, Interpol, Diego e os espanhóis CatPeople. Depois de em 2009 terem-se estreado nos disco com Enter The Characters, no passado dia vinte e dois de setembro editaram Harlequins Of Love, o seu novo disco, sendo Harlequins o single de apresentação.

Em tais bandas referidas pela crítica e às quais acrescentaria os Franz Ferdinand, os instrumentos seguem os notórios acordes e riffs de guitarra e as vozes lembram o saudoso Ian Curtis e o que veio depois, nomeadamente os The Chameleons e os Echo And The Bunnymem. É claro que cada banda citada acima acabou por trilhar a sua própria identidade e desvencilhou-se dos estigmas que a seguiam, como foi o caso do Editors no último disco, mas há rótulos que são sempre difíceis de contrariar. O disco de 2009 destes Customs passou bastante despercebido. Mas agora, com uma divulgação mais abrangente e a sempre indispensável ajuda de blogues, redes sociais e afins, o grupo está a ter um maior feedback com este Harlequins Of Love.

O single Harlequins é uma boa canção, com uma guitarra bastante aditiva, mas a maioria das canções mostra um grupo que preza por um instrumental pesado e melodias ágeis. Velvet Love e Toupee são belos exemplos desta sonoridade, mas estes belgas também possuem por vezes alguns momentos mais requintados e conduzidos por um instrumental menos cru e mais límpido como ouvimmos em Minuet For A Gentleman e Insanity’s Famous Last Words, que tem até adição de pianos. Your Roses tem um clima mais dançante e parece-me ser aquela canção que já procura invadir um pouco o campo da eletrónica.

Em suma, há aqui muiytas semelhanças com as bandas de referência deste grupo, mas esta constatação não é propriamente depreciativa porque Harlequins Of Love é um disco bastante agradável. Agora será o tempo a dizer se a banda melhora, amadurece e apresenta trabalhos ainda mais coesos. Espero que aprecies a sugestão...

Customs - Harlequins Of Love (2011)

01 – Onwards & Upwards
02 – Harlequins
03 – Samstag, Im Lido
04 – Velvet Love
05 – Minuet For A Gentleman
06 – Toupee
07 – Only After Dark
08 – Insanity’s Famous Last Words
09 – Your Roses
10 – The House Will Win


autor stipe07 às 22:10
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Blouse - Blouse

Mais uma vez a dream pop choca com este satélite natural do planeta música, agora com uma banda natural de Portland, nos Estados Unidos, formada por Charlie Hilton, Patrick Adams e Jacob Portrait. O cometa chama-se Blouse  e lançaram na segunda feira, dia trinta e um de outubro, o disco homónimo através da Captured Tracks.


Este Blouse mistura muito bem a tal dream pop com o shoegaze, de forma a fazer-nos viajar por um ambiente sonoro pouco comum. Desta forma, o trio conseguiu um estilo único, sujo e que se diferencia justamente pelas distorções inesperadas. Logo a abrir, a ótima Firestarter, comandada pela voz melódica de Charlie Hilton num ambiente totalmente lo fi, introduz devidamente a sonoridade do disco ao ouvinte. Depois, em Time Travel ouve-se uma batida romântica e pouco convencional, também bem vincada em Videotapes. É uma batida que de certa forma nos eleva de uma forma leve e quase a manter-nos, ao mesmo tempo, no chão. No fundo, talvez se esteja aqui em presença de um novo estilo de música onde os instrumentos praticamente não se diferenciam uns dos outros, onde tudo nos leva a viajar num clima de verdadeiro romance, onde apenas... sonhamos. Outra faixa que destaco, mas pelo antagonismo, é Into Black, uma canção que nos transporta para outro ambiente, agora mais sombrio, como que a querer desmanchar toda a delicadeza anterior. O resto do disco comprova que tal tentativa não é definitivamente bem sucedida.

Blouse é, portanto, um disco bastante bonito e que remete com frequência para os sintetizadores dos anos oitenta, muitas vezes considerados os vilões daquele período da música pop e pós punk; Mas os Blouse conseguiram com perspicácia elucidar-nos acerca da beleza desse instrumento quando devidamente usado. As canções são quase todas misturas bem sucedidas de bandas como os Blondie, Beach HouseOMD e afins e servem de elo de ligação com os tempos presentes, assegurando que não pretendem ser apenas um simples devaneio saudosista. Em suma, é um disco que transporta os ouvidos do presente para um passado que foi bastante interessante, banhado em melancolia e pretensa seriedade e maturidade artísticas. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Firestarter
02. Time Travel
03. They Always Fly Away
04. Into Black
05. Videotapes
06. Controller
07. Roses
08. White
09. Ghost Dream
10. Fountain In Rewind 

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autor stipe07 às 22:09
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

My Sad Captains – Fight Less, Win More

Os My Sad Captains são uma banda de rock alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Jim Wallis, Nick GossDan Davis e lançaram em 2009 Here & Elsewhere, o álbum de estreia. Agora, no passado dia sete de novembro, chegou ao mercado Fight Less, Win More, um álbum extraordinário e que tenho andado a ouvir com enorme interesse, produzido por Larry Crane que já trabalhou com Ellioth Smith, Cat Power e Stephen Malkmus, entre outros. Este disco foi lançado através da reputada etiqueta Stolen Recordings.

Fight Less, Win More foi escrito quase na íntegra pelo vocalista Ed Wallis, durante uma estadia em São Francisco onde se trancou nos mais profundos recônditos sombrios de uma casa emprestada, durante a festa de Ação de Graças, certamente em 2010. À partida, devido a essa contingência pelos vistos feliz, seria de esperar, no imediato, que o conteúdo do disco fosse bastante melancólico, algo que pessoalmente acabo de confirmar por estes dias, com imenso agrado.

O disco logo desde o início não dá tempo para recuperar o fôlego. E tal não sucede por ser demasiado frenético; Até há momentos de pausa, contemplação, de sossego e melancolia, esta muitas vezes quase absurda. Tal sofreguidão deve-se antes à consistência com que, música após música, somos confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Logo a abrir, Orienteeers é ao mesmo tempo enérgica e memorável, parecendo fortemente influenciada por bandas indie americanas, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, com a caraterística mistura de melancolia inebriante causada essencialmente pela batida e que deu, neste caso, origem a uma melodia soberba, épica e grandiosa. The Homefront Pt II é um belo murmúrio que nasce de um teclado irrepreensível e aventura-se no território do denominado krautrock, devido aos violinos e à sua batida industrial. Logo a seguir, Resolutions poderia ser usada como música padrão para definir a indie acústica bem feita. Mas o meu maior destaque do álbum vai para Heavy Lifting, uma canção que parece ser inicialmente um instrumental, para se tornar numa espécie de caleidoscópio musical, onde a música parece ter entrado num elevador e começado a trepar por ele acima, sustentada numa guitarra cheia de fulgor. Joanne Little é uma harmonia calma, mas cuja sonoridade se sustenta numa espécie de tensão permanente entre Ed e o seu irmão Jim, que faz as segundas vozes e trata dos arranjos, suaves e gentilmente acústicos, provando que as mais simples canções são, por vezes, as melhores. Up and Away respira Mogway por todos os poros e revela mais uma vez que estes My Sad Captains são exímios na construção de belos momentos acústicos. Quase no final, Minah Bird não é menos sedutora, especialmente por ser uma das canções mais sombrias do disco, quer devido ao dominio efetivo de uma linha de baixo consistente e da guitarra que impõe uma melodia única e extremamente agradável.

Surpreendentemente, para uma banda considerada habitante do território indie downbeat, algumas canções que sustentam o disco são bastante épicas e luminosas até. Fight Less, Win More é um álbum sonoramente pouco imediato e que pode precisar de alguma persistência para se tornar familiar, mas não duvidem que merece ser degustado devidamente porque, se assim for, tornar-se-á certamente, para os apreciadores do género, uma das melhores descobertas de 2011.

Os My Sad Captains investem em canções pop de recorte clássico, com forte apuro melódico e alguma propensão para a melancolia. Também por isso, este é um daqueles trabalhos discográficos cuja audição me fez perceber muito claramente que vale bem a pena usarmos algum do nosso tempo disponível para perceber como alguns músicos, independentemente do seu status ou da carreira, conseguem transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que tantas vezes são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma. Ultimamente algumas bandas que entraram na minha vida já nesta década e com discos já este ano que seriam supostamente de consolidação definitiva de uma carreira consistente, estão a revelar-se uma enorme desilusão e, com o fim de outras, a deixar por cá uma espécie de vazio. Ainda bem que vão aparecendo novas bandas como esta para me continuar a fazer sorrir e a alimentar esta paixão de uma vida, a descoberta e audição de música.

Chamem-me exagerado, precipitado, demasiado emotivo e repetitivo, cataloguem-me como quiserem, critiquem inclusivé a minha aparente facilidade em exacerbar nos elogios muitas das bandas que apresento. No entanto, garanto-vos que estes My Sad Captains vão ser um dia grandes... Muito Grandes mesmo! E estou certo que quando isso acontecer ninguém se vai lembrar desta minha premonição ou que Man on The Moon foi a primeira publicação em Portugal a mencioná-los, a divulgá-los e a ouvir e a escrever uma crítica a um dos seus discos. De certeza que, tal com eu já hoje, muitíssima gente irá, num futuro próximo, ouvir com particular devoção esta banda. Espero que aprecies a sugestão...

01. Orienteers
02. The Homefront Pt. II
03. Resolutions
04. Heavy Lifting
05. Little Joanne
06. Up and Away
07. Round And Back Again
08. Threes
09. Minah Bird
10. Duck And Cover

 

A joyous ride through the blessed strain of indie ploughed by US contempories Grandaddy and Atlas Sound while still sounding like a product of home. Cherish this one. Loud and Quiet, 8/10

MSC aren’t that sad after all. Maybe they’re not even captains. The Fly, 4/5

A masterclass in restraint, of hushed vocals, heartbreaking one-liners and chugging motorik grooves. My Sad Captains operate within a world where a constant warmth seems to surrounds them, and it effortlessly counteracts the inherant darkness of the puslating rhythm section and sonically rich textures that seem to ebb and flow into thin air. All in all, pretty breathtaking. The Line of Best Fit


autor stipe07 às 18:57
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

3 de rajada... LII

Hoje, no dia em que é editado Hello Sadness, o novo disco dos Los Campesinos!, a coletânea REM – Part Lies, Part Heart, Part Truth, Part Garbage 1982-2011 e Fallen Empires dos Snow Patrol, na quinquagésima segunda edição de  Três De Rajada..., rubrica que parte da minha busca por novidades e pretende dar a conhecer música nova lançada no mercado discográfico, destaco os novos singles do projeto patrocinado pela BBC The Collective, dos Oh Land e da banda One Direction. Toca a ouvir e a tirar ilações...

 

The Collective – Teardrop

Vários artistas britânicos de renome, nomeadamenteTinchy Stryder, Chipmunk, Ms. Dynamite, Ed Sheeran, Gary Barlow, Tulisa Wretch 32, Rizzle Kicks, MZ Bratt, Dot Rotten e Labrinth, reuniram-se para gravar uma nova versão do clássico Teardrop, dos Massive Attack. As receitas do single editado hoje, reverterão a favor de uma campanha patrocinada pela BBC Children in Need.

Oh Land – White Nights

 

One Direction – Gotta Be You


autor stipe07 às 20:33
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Domingo, 13 de Novembro de 2011

Cocoon - Covers EP

Os Cocoon são uma dupla francesa formada por Mark e Morgane e que recebeu boas críticas na França. As suas músicas são classificadas como folk e têm letras simples e inocentes, sempre em inglês, que parecem, segundo a crítica, escritas por crianças. Falam quase sempre sobre o mar, a melancolia, amizades e romances. Depois de em 2007 a dupla ter lançado My Friends All Died In a Plane Crash e no ano passado Where The Oceans End, agora, em 2011, lançaram um EP com versões de algumas das suas músicas favoritas.

Estes Cocoon são duas vozes sublimes que parecem ter sido feitas para se misturarem, ajudados por uma guitarra acústica poderosa, teclados pungentes e, a espaços, um cavaquinho cativante. Espero que aprecies a sugestão...

01. American Boy
02. Say My Name
03. Chase The Devil
04. Hey Ya
05. To Be Alone With You


autor stipe07 às 13:21
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Sábado, 12 de Novembro de 2011

Los Campesinos! - Hello Sadness vs Hold On Now, Youngster… The Demos

Los Campesinos! são uma banda de indie pop formada por sete amigos em 2006 que se conheceram e começaram a tocar na universidade de Cardiff, no país de Gales. No entanto, existe a particularidade curiosa de nenhum dos membros da banda ser natural desse país britânico. Editaram o álbum de estreia, Hold on Now, Youngster..., em fevereiro de 2008 e no mês de outubro seguinte We Are Beautiful, We Are Doomed, uma espécie de EP mais extenso, ou seja, um EPP (Extended EP). O segundo álbum oficial do grupo Romance Is Boring, viu a luz do dia a um de fevereiro de 2010 e agora vai chegar ao mercado na próxima semana Hello Sadness, o disco mais recente e cujas gravações decorreram na vizinha Espanha, em Girona, lançado através da Wichita Records.

Los Campesinos! sempre deram a sensação de optar por uma via alternativa à corrente pós punk seguida pela maioria das novas bandas emergentes do Reino Unido. Em oposição às vibrantes linhas de baixo e às guitarras sintetizadas, optaram por mergulhar em sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica, de certo modo próximos de bandas como os Broken Social Scene ou mesmo os veteranos Belle and Sebastian. O colorido e melódico cenário musical sueco de bandas como os I’m From Barcelona e os Shout Out Louds também parecem ter aqui uma reprodução óbvia, tal como comprova este Hello Sadness, um disco carregado de composições puras encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza.

Hello Sadness engana no título, porque este não é um conjunto de canções que abordem a tristeza ou a infelicidade através de sons puramente soturnos e obscuros. Algumas canções até podem parecer que puxam o registo para um universo mais amargurado, mas boa parte do álbum, principalmente nos seus momentos iniciais, é carregada de luz e vivacidade, o que resulta numa coleção de belos acertos sonoros e faixas memoráveis.

Muito do que parece delimitar este disco da banda britânica é sequência do Romance Is Boring, de 2010. Na ocasião do lançamento desse álbum, alguns músicos da banda admitiram que muito do que delimitava o então novo disco era influenciado pelos Blur e os Modest Mouse, devido ao cruzamento das doces melodias do grupo londrino, com a excentricidade épica e nada obvia dos norte americanos. Além disso, e de acordo com a crítica, em Romance Is Boring a banda destilava cada instrumento de forma individual; Em Hello Sadness parece-me existir um efeito contrário e o septeto concentra as letras, a voz e todos os instrumentos de forma única, como se tudo convergisse para um único ponto. John Goodmanson, o produtor deste disco e que já participou nos álbuns anteriores dos Los Campesinos!, produziu pois um álbum límpido onde todas as composições parecem intimamente ligadas, criando assim um álbum ao mesmo tempo acessível e radiofónico, mas também pouco convencional, como convém aliás. Espero que aprecies a sugestão...

01. By Your Hand
02. Songs About Your Girlfriend
03. Hello Sadness
04. Life Is A Long Time
05. Every Defeat A Divorce (Three Lions)
06. Hate For The Island
07. The Black Bird, The Dark Slope
08. To Tundra
09. Baby I Got The Death Rattle
10. Light Leaves, Dark Sees pt. II

 

 
Mas as novidades dos Los Campesinos! não ficam por aqui, nem se restringem a Hello Sadness. Hold On Now, Youngster… The Demos, é um disco de maquetas do registo de estreia e que a banda resolveu também agora divulgar...

01. The International Tweexcore Underground
02. Broken Heartbeats Sound Like Breakbeats
03. Drop It Doe Eyes
04. Death To Los Campesinos!
05. …And We Exhale And Roll Our Eyes In Unison
06. My Year In Lists
07. Knee Deep At ATP
08. We Are All Accelerated Readers
09. No Tetris
10. How I Taught Myself To Scream


autor stipe07 às 14:07
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Sigur Rós - Inni

Finalmente chegou na passada segunda feira, dia sete de novembro, o novo álbum dos Sigur Rós, banda islandesa já com quinze anos de história. É um disco duplo ao vivo e que também inclui um filme que documenta o concerto no Alexandra Palace, em Londres, o último da Close of the World Tour e que serviu para promover Með suð í eyrum við spilum endalaust, antes da paragem de 2008. Já passado dia três de outubro tinha mencionado os detalhes finais deste Inni aqui. Este filme, realizado por Vincent Morisset e que os Sigur Rós classificam como the definitive live experience, foi lançado no mercado, através da Krunk, a editora da banda e por intermédio da XL Recordings e estreou no Festival de Veneza, dia três de Setembro. Relembro que os Sigur Rós já tiveram uma experiência anterior muito bem sucedida com o documentário Heima, que deu origem ao projeto takkiceland, ainda não enterrado, garanto.

Acabo de ouvir Inni e fui imediatamente transportado no tempo para a noite de onze de novembro de 2008, faz hoje precisamente três anos. E o caldeirão de sentimentos e emoções durante a audição de Inni, por ter sido tão semelhante ao que senti durante esse concerto que integrou a digressão que este disco ilustra sonoramente, razão pela qual a tracklist e o alinhamento do Campo Pequeno são muito parecidos, transportou-me de imediato para esse concerto.

Quando o coração é paciente e sabe que na vida há momentos únicos pelos quais vale a pena esperar, mais claras são as boas sensações que nos preenchem quando os instantes pelos quais tanto esperámos estão ali, ao nosso lado e à nossa frente, ao mesmo tempo, no mesmo espaço físico e temporal. Há quem vibre com um bom filme quando determinadas imagens projectadas numa tela negra, reais ou cheias de ficção, mexem com todos os nossos sentidos, nos arrepiam e nos dão momentos momentâneos de pura felicidade! Isso acontece-me com frequência nas mais variadas salas de cinema deste país mas, até hoje, em nenhum outro local consegui encontrar a pura realização feliz e plena desse preenchimento interior, como encontro em frente a um palco onde toca uma das minhas bandas favoritas, ou junto a uma denon de duas pistas, onde também, em alguns instantes, consigo fazer as outras pessoas momentaneamente felizes!

Naquelas quase duas horas desse concerto encontrei-me comigo próprio, conheci muito mais de mim mesmo e foi inacreditável ter visto tanta luz e tanto brilho, ter sentido tanta alegria num espaço físico associado à morte e ao desrespeito pela vida animal. Senti-me em comunhão perfeita com a banda que tocava no palco e, ao mesmo tempo, em comunhão perfeita comigo mesmo, como se a tal luz que a música nos oferece, me ofuscasse com um brilho tal, que me fez ver mesmo tudo o que tenho dentro de mim com uma clareza inacreditável.

O grande destaque do concerto e deste álbum é a interpretação de Hoppipolla. Se em Man on the Moon está escrita a essência daquilo que sempre fui, sou e serei, Hoppipolla será sempre a síntese perfeita do que me faz vibrar e de como é bom acreditar nos meus sonhos e sentir que eles se podem tornar realidade!

Este duplo Inni é pois uma coleção de formidáveis clássicos, músicas que há anos impressionam novos e velhos um pouco por todo o mundo. É um trabalho que prova novamente o quanto eles conseguem estabelecer uma estranha sensação de euforia, surpresa e misticismo a cada novo trabalho lançado e transportar toda essa mesma energia e magia para os concertos, algo que apenas um pequeno grupo de bandas consegue. Se belos são os registos em estúdio dos Sigur Rós, ao vivo eles realmente parecem ganhar vida própria.

Esta será certamente uma das minhas prendas de natal, outra que antecipará, num futuro próximo espero, uma prenda ainda maior. O próximo disco dos Sigur Rós está prometido para a próxima primavera e a banda já referiu que será o  melhor disco de sempre do seu catálogo;   Goggi Hólm, o baixista, já o apelidou de introverted e o vocalista, Jónsi Birgisson, disse que será floaty and minimal. An ambient album é como o baterista Orri Dýrason o descreve, acrescentando que a sua audição permitirá a slow takeoff toward something. Enquanto o tão aguardado quinto disco desta fantástica banda islandesa não chega, deliciemo-nos com Inni e espero muito sinceramente que aprecies a sugestão...

 

Disco 1

  1. Svefn-G-Englar
  2. Glósóli
  3. Ný Batterí
  4. Fljótavík
  5. Vid Spilum Endalaust
  6. Hoppípolla
  7. Med Blódnasir
  8. Inní Mér Syngur Vitleysingur
  9. E-Bow

Disco 2

  1. Sæglópur
  2. Festival
  3. Hafsól
  4. All Alright
  5. Popplagid
  6. Lúppulagid (Bonus Track)

Disco 3: DVD 'Inni'

  1. Ny Batterí
  2. Svefn-G-Englar
  3. Fljótavík
  4. Inní Mér Syngur Vitleysingur
  5. Sæglópur
  6. Festival
  7. E-Bow
  8. Popplagid
  9. Lúppulagid
  10. Glósóli (Bonus Track)
  11. Við Spilum Endalaus (Bonus Track)
  12. Hafssól (Bonus Track)
  13. All Alright (Bonus Track)

autor stipe07 às 15:20
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Cass McCombs - Humor Risk

Depois de no inicio do ano ter lançado Wit's End, Cass Mccombs, um músico norte americano natural da Califórnia, acaba de lançar Humor Risk, o seu segundo longa-duração este ano, através da Domino. O disco foi produzido por Ariel Rechtshaid, que já trabalha com o músico desde 2009 e The Same Thing é o primeiro single extraído.

Cass McCombs deve ser um enorme romântico, além de ser o equivalente moderno aos andarilhos que durante a década de sessenta deambulavam pelas estradas norte americanas, vivendo em carros, roulotes e afins. De acordo com a critica consultada, o clássico Catacombs de 2009 era uma disco carregado de melancolia, que antecederam as exaltações sofridas do recente Wit’s End. E digo que ele é um romântico inveterado porque este Humor Risk é um verdadeiro compêndio de lamentos musicados e amores que não deram certo. São oito canções que reforçam pelos vistos uma boa fase do compositor em temros de inspiração e carregadas de amargura e uma sonoridade simplista, porém inebriante.

Apesar de ter tão poucas canções, o álbum não é sonoramente linear; McCombs não compôs Humor Risk dentro de uma fórmula única e imutável, porque aos poucos o disco revela um jogo de composições que se manifestam como uma grande colagem musical e que devem fazer uma espécie de súmula das influências sonoras de toda a discografia do músico, iniciada com A em 2003. Assim, ele pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas e doses de uma música folk ruidosa, criando uma rara coleção de versos sinceros, mesmo carregados de pesar e lamentações.

Logo no inicio, Love Thine Enemy remeteu-me para os Wilco devido às guitarras ensolaradas, mas também me pareceu notória a influência dos Velvet Underground nos timbres dessa guitarra, nos riffs simples e repetitivos e na voz monótona de Cass. Já a canção seguinte, The Living Word, puxa o ouviente para o tradicional jogo de sons e versos que caracterizam a carreira do músico. No entanto, acho que os melhores momentos são as composições mais extensas, porque possibilitam o explorar de uma sonoridade mais diluída, assim como uma maior projeção dos versos carregados de dor e beleza. Exemplo disso é Mystery Mail, fortemente influenciada pelas linhas melódicas caraterísitcas de um Bruce Springsteen, embora a fina camada instrumental também aproxime a canção do rock alternativo dos anos 90. O single The Same Thing e o meu grande destaque do álbum, explora a tonalidade acústica e quase intimista do músico e em To Every Man His Chimera somos afundados num oceano de melancolia ilimitada, algo que se mantém na faixa seguinte, Robin Egg Blue.

Em suma, o disco mantém uma fluidez agradável e uma formidável sequência de composições, além de ser bastante radiofónico, o que poderá fazer com que este Humor Risk abra as portas para que mais público se aproxime do trabalho deste músico californiano. Espero que aprecies a sugestão...  

01. Love Thine Enemy
02. The Living Word
03. The Same Thing
04. To Every Man His Chimera
05. Robin Egg Blue
06. Mystery Mail
07. Meet Me At the Mannequin Gallery
08. Mariah

Cass McCombs - Humor Risk by DominoRecordCo


autor stipe07 às 13:26
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Justice - Audio, Video, Disco

Audio, Video, Disco, o segundo disco da dupla Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, que assina Justice, lançado no mercado no passado dia vinte e cinco de outubro, é o sucessor de Cross, o aclamado álbum de estreia que colocou este grupo francês no trono da eletrónica e do qual não se ouviam notícias desde um remix de Lenny Kravitz que editaram em 2009.

Ao longo deste 2011, os Justice têm sabido apimentar o regresso; Começaram por, em março, colocar a imagem de uma cruz na página oficial da dupla no Facebook e poucas semanas depois lançaram a poderosíssima Civilization, uma canção um pouco diferente da sonoridade dos old Justice, apesar dos mesmos efeitos, filtros e samples a soar ao melhor rock progressivo italiano dos anos 70. Civilization tornou-se no primeiro single de Audio, Video, Disco e logo nessa canção ficou então claro que a sonoridade dos Justice iria mudar. Era cedo para saber se a mudança era para melhor ou para pior. E isso nem importava tanto.

Saber esperar é uma virtude, mas às vezes não é bem recompensada. Este segundo álbum dos Justice não chega a ser um balde de água fria, mas fica longe da emoção e da qualidade de Cross. Não creio que haja alguma canção neste Audio, Video, Disco que vá fazer os fãs repetirem os momentos de suor e loucura nas pistas de dança proporcionados por D.A.N.C.E, DVNO ou We Are Your Friends. É verdade que em 2007, ano de lançamento de Cross, quase ninguém usava o facebook, o Michael Jackson homenageado em D.A.N.C.E ainda estava vivo e o eletro maximal ainda era uma novidade. Muito mudou desde então, mas a essência de um disco divertido é atemporal e não está presente em Audio, Video, Disco.

Não era de se esperar que estes produtores franceses fizessem um álbum igual, até porque a experimentação é sempre uma virtude; No entanto parece-me que podiam escolher outros caminhos além das guitarras, o instrumento que mais se ouve ao longo deste Audio, Video, Disco. Falta aqui mais ritmo e batida, sintetizadores rasgados e o baixo destruidor e cheio de apelo sexual de Cross.  É como se os Justice tivessem ganho peso, mas perdido potência. As músicas do álbum são muito bem compostas e produzidas, mas pouco enérgicas e demasiado sóbrias.

Além do excesso das guitarras, outro elemento que incomoda aqui são as cordas, que dão um tom demasiado sério a algumas músicas e até pretensioso, como acontece na Horsepower que abre o disco. Alguns dos bons momentos, são a já citada e ótima Civilization, com os tais efeitos, filtros e samples a soar ao melhor rock progressivo italiano dos anos setenta e Helix, uma canção mais dançante e que antecede a bem composta faixa homónima do álbum.

Em suma, quem esperou estes quatro anos com enorme expetativa por um novo álbum desta dupla francesa, não deverá ficar satisfeito com o que foi produzido por Gaspard e Xavier. E não são as guitarras o que mais incomoda nesse trabalho, mas a falta de frescura e energia, qualidades que elevaram os Justice, coom já disse, ao trono da eletrónica francesa. Todos nós precisamos de alguma dose de música hedonista, e melhor ainda se for de qualidade; Este Audio, Video, Disco pode até ser um trabalho inspirado e bem realizado, mas não fará nunca transpirar quem dele se quiser servir com tal propósito. No entanto, pode ser que tu aprecies a sugestão... 

Justice - Audio, Video, Disco. (2011)

1. Horsepower
2. Civilization
3. Ohio
4. Canon (Primo)
5. Canon
6. On'n'on
7. Brainvision
8. Parade
9. New Lands
10. Helix
11. Audio, Video, Disco.
12. Planisphère
12. Civilization (Demo Version)


autor stipe07 às 20:32
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Husky - Forever So

Nos últimos dias tem andado a tocar com uma certa insistência no meu carro Forever So, o novo álbum dos australianos Husky, lançado no mercado no passado dia vinte e um de outubro pela Liberation Music. Os Husky são naturais de Melbourne e formados por Husky Gawenda (voz, guitarra), Gideon Preiss (teclados), Evan Tweedie (baixo) e Lucas Collins (bateria). Apesar de terem diferentes formações musicais, une-os o amor pela pop clássica celebrizada por nomes tão influentes como Leonard Cohen, Paul Simon, The Doors e os Beach Boys.

Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente a dita indie folk, é refrescante encontrar alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. A belíssima balada folk History's Door é o primeiro single retirado deste álbum; Já reconhecida como uma das baladas maiores do ano, é feita de infecciosas harmonias vocais e uma melodia magistral. Fake Moustache segue noutra direção devido à sua batida e a  forma como a guitarra e a voz ecoam na melodia, proporcionando ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto. Mas o meu grande destaque do disco é, indubitavelmente, Dark Sea, o segundo single, uma canção um pouco sombria, mas com a voz incrivelmente bonita de Gawenda a pairar delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante. Mais para o fim, também fiquei impressionado com How Do You Feel, por ter uma sonoridade que contrasta, algo inesperada e com uma letra que fala de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo.

Forever Só é pois uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas de outro tempo, como já referi, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade desta banda para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que estes Husky combinam com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Pessoalmente, criaram em mim, através deste Forever So, um efeito devastador e senti o álbum como uma espécie de disco híbrido perfeito.Espero que, tal como eu, também aprecies esta sugestão...  

01. Tidal Wave
02. Fake Moustache
03. History’s Door
04. The Woods
05. Hunter
06. Dark Sea
07. Forever So
08. Animals And Freaks
09. Instrumental
10. Hundred Dollar Suit
11. How Do You Feel
12. Don’t Tell your Mother
13. Farewell (In 3 Parts)


autor stipe07 às 20:30
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

R.E.M. Cassette Set

Com o lamentável fim da carreira dos R.E.M. começam a surgir algumas raridades e inéditos que estiveram escondidos ao longo destes anos e que agora, talvez por haver quem ache que poderão valer verdadeiras fortunas e não com outros propósitos mais genuínos, começam a ser revelados. Na leitura que estou à fazer à biografia do Michael Stipe assinada por Rob Jovanovic é feita referência à gravação de uma cassete audio em abril de 1981 e que acaba de ser revelada ao mundo. É, sem qualquer dúvida, um objeto único e que seria extraordinário possuir.

news R.E.M.s 1981 Cassette Demo Surfaces Online

 

Em abril de 1981 a banda começou a sua relação com Mitch Easter, ao visitar o seu estúdio, em Winston-Salem, Carolina do Norte, com o intuíto de gravar algumas músicas para uma demo. Eles já tinham feito uma sessão de gravação anteriormente, mas não estavam satisfeitos com os resultados (principalmente num local chamado Bombaim Joe Perry Studio) e tinham destruido essas maquetas. No dia quinze desse mês gravaram então com Mitch Easter Sitting Still, Radio Free Europe e White Tornado. No dia seguinte misturaram as faixas e produziram cerca de quatrocentas cópias da demo em formato cassete para enviar a jornalistas, clubes e etiquetas discográficas, mesmo antes da primeira digressão em Nova Iorque. Este conjunto de cassetes foi produzido pela banda, com cartolinas fotocopiadas para o inlay e etiquetas manuscritas pelo próprio Michael Stipe.
Poucos dias depois, a vinte e quatro de maio de 1981, os R.E.M. voltaram para o estúdio de Mitch e gravaram alguns overdubs para Radio Free Europe e adicionaram uma hilariante Radio Dub mix dessa canção, através de uma brincadeira com instrumentos, vozes e vários efeitos sonoros. Este Cassette Set é pois a única gravação que mistura os inéditos de Sitting Still e Radio Free Europe, sendo que ambos são, na minha opinião, muito melhores do que qualquer subsequente original.
Um tal de Chris H. é o proprietário de um conjunto destas cassetes, oferecidas, segundo ele, pelo próprio Michael Stipe, a vinte de junho de 1981, quando os R.E.M. deram um concerto em Cherry Hills, New Jersey. Em 2001 este Chris transferiu o som para o formato CD-R e agora revelou o conteúdo ao grande público, confessando-se muito honrado por ter a possibilidade de partilhar esta peça muito original e especial da história da banda.

R.E.M. Cassette Set
15/16/23 de abril de 1981 (recording/mixing)
abril e maio de 1981 (assemblage/packaging)
01 Sitting Still (fast "Polka" version, snippet)
02 Sitting Still
03 Radio Free Europe
04 White Tornado
05 White Tornado (take 2, aborted)
06 Radio Free Europe (Radio Dub)

autor stipe07 às 20:53
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