01. HEART
02. Landline
03. Away Frm U
04. I Could Go
05. Yr Face
06. oOoO
07. Cruisin’ FDR
08. Gold
09. Haus
10. Homebro
Os Princeton são um quarteto de indie pop natural de Los Angeles, liderado por Jesse Kivel, secundado pelo irmão Matt Kivel e que lançou no passado dia vinte e um de fevereiro, através da Hit City U.S.A./Easter Everywhere, Remembrance of Things to Come, segundo disco deste projeto. A banda tinha-se estreado nos disco em 2009 com Cocoon Of Love, um álbum que fez a crítica comparar os Princeton aos Vampire Weekend e à dupla Matt & Kim.

A canção título deste novo disco dos Princeton, Remembrance of Things to Come, e que podes ouvir e obter gratuitamente no sitio da banda, tem uma introdução que realmente remete para esses artistas. No entanto, este Remembrance of Things to Come mostra que este segundo álbum merece uma atenção mais cuidada e desprendida dos nossos radares e que estes californianos, após a estreia, resolveram seguir um caminho diferente.
Para começar, para compor o disco, a banda viajou até Londres, algo que terá contribuido certamente para o abandono de influências mais folk e a busca por um som mais dancável. Os próprios irmãos Kivel admitem que ouviram muito Gorillaz e Foals em terras de sua majestade, mas também me parece terem levado na bagagem discografia synth-pop e indie sueco, nomeadamente Jens Lekman e Kings of Convenience.
Assim, Remembrance of Things to Come, afasta de vez os Princeton das comparações com o indie universitário de inspirações world music dos Vampire Weekend e soam agora a algo mais complexo e intrigante, ou seja, maduro. Os violinos impecáveis de Andre e Loise e o piano de Oklahoma ainda revelam cartões postais dos estreantes Princeton, mas ótimos momentos como Holding Teeth, To The Alps e Florida confirmam que a banda conseguiu ir ainda mais além. Espero que aprecies a sugestão...
01. Remembrance Of Things To Come
02. Florida
03. Grand Rapids
04. Holding Teeth
05. Phase
06. To The Alps
07. Oklahoma
08. Andre
09. Riches
10. Louise
11. Clamoring For Your Heart
12. This Weather, A Swimmer
13. Milly
Os Magic Wands são de Los Angeles e formaram-se em 2008 quando Chris descobriu o myspace de Dexy Valentine, onde ouviu uma canção chamada Teenage Love e desde logo resolveu contactá-la. Pouco tempo depois Dexy mudou-se para Nashville e começaram a escrever música juntos, sendo o nome da banda uma alusão à capacidade de ambos conseguirem trabalhar e escrever música como equipa, apesar de viverem em lados opostos dos Estados unidos.
Ainda nesse ano de 2008 a dupla assinou pela Bright Antenna e editaram o primeiro EP, intitulado Magic Love & Dreams, gravado em Nova Iorque com o produtor John Hill. Agora, quase quatro anos depois, finalmente editaram o disco de estreia; Intitula-se Aloha Moon e viu a luz do dia no passado dia vinte e quatro de abril.

Aloha Moon tem dez músicas que flutuam entre a pop dançante dos Blondie, com algumas bizarrias eletrónicas e vocalizações sombrias, algures onde os Air ficaram no Moon Safari, ou numa espécie de cruzamento entre os The Kills e os The Horrors. Algumas delas são já conhecidas e foram divulgadas durante estes quatro anos em concertos, singles e no próprio EP de estreia. O primeiro single é Space, curiosamente a canção que encerra o disco e que tem um vídeo fantástico dirigido por John Carter e pelos próprios Magic Wands.
Estamos então perante um álbum pop, no sentido mais restrito, que nos acolhe numa ilha mágica, cheia de sonhos e cocktails e onde podemos ser acariciados pela brisa do mar. E quem não acredita que a música pode fazer magia não vai sentir-se tocado pelo disco, que não sendo imaculado, por ter nas canções visões de cristal, muitos corações e estrelas cintilantes, torna-se num espetáculo fascinante capaz de encantar o maior dos cépticos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Aloha Moon
02. Teenage Love
03. Kaleidoscope Hearts
04. Crystals
05. Warrior
06. Black Magic
07. Treasure
08. Wolves
09. Kiss Me Dead
10. Space
11. Heartbreak Whirl (Bonus Track)
12. Warrior (D. Sardy Mix) [Bonus Track]
13. Space (Sep V Mix) [Bonus Track]
14. Black Magic (Sep V Mix) [Bonus Track]
15. Space (Radio Edit) [Bonus Track]
Brad Oberhofer é um músico, compositor e multi-instrumentista de vinte e um anos, natural de Tacoma e agora residente em Brooklin que cedo percebeu que as suas músicas eram demasiado interessantes para ficarem apenas guardadas para si mesmo e criou uma banda com o seu sobrenome, tendo, para o efeito, chamado três amigos, que agora ajudam-no a expressar-se musicalmente. Time Capsules II, o disco de estreia do projeto, foi produzido por Steve Lillywhite, que trabalhou com os U2 em The Joshua Tree e no Achtung Baby e aterrou neste hemisfério no passado dia vinte e sete de março através da Glassnote.

Time Capsules II é um disco muito luminoso e assente em guitarras estonteantes e pianos e que fala de sentimentos simples, expressos com paixão e sinceridade. Apesar de muitas das canções falarem do lado menos bom do amor e de relações falhadas, são cantadas com uma voz que acaba por lhes emprestar alegria e boa disposição. O disco soa a uma catarse de um pós relacionamento e assim que Brad abriu o estúdio de gravação, não saberia ao certo se precisava de uma bebida forte, um abraço ou da melhor amiga. Apesar da banda ter quatro elementos é, sem dúvida, o charme efervescente do líder que impulsiona o disco e logo desde o início, através da linha de piano que ele toca com uma ingenuidade cativante.
Na sonoridade de Time Capsules II muitas vezes fica-se com aquela sensação que os Oberhofer se por um lado soam a um grupo de adolescentes que tocam freneticamente os seus instrumentos com uma exuberância juvenil, por outro, parecem bastante treinados e aperfeiçoaram muito as suas habilidades musicais. No fundo, o que aqui temos é um conjunto de dez potenciais sucessos já suficientemente maduros para não serem levados demasiado a sério. Confuso? Espero que aprecies a sugestão...
Adventures In Your Own Backyard, lançado pela Domino Records, é o disco mais recente de Patrick Watson, mas poderia ser os Patrick Watson, porque falamos de uma banda que adoptou o nome do músico principal e grande mentor do projeto. Já agora, o guitarrista Simon Angell, o percurssionista Robbie Kuster e o baixista Mishka Stein são os outros elementos da banda.
Watson é um dos músicos canadianos mais conceituados da atualidade e que ganhou notoriedade com o álbum Close To Paradise, de 2006 (vencedor do Polaris Music Prize em 2007), servindo para muitos de cartão de visita para a sua música deste lado do Atlântico. Recordo que o Canadá, a partir deste milénio, passou a ser uma das principais referências do cenário indie, devido ao impacto dos Arcade Fire, ao qual se juntaram nomes como os de Owen Pallett, The Hidden Cameras ou Broken Social Scene e que se vieram juntar a artistas de renome, dos quais destaco Neil Young, Rufus Wainwright ou Leonard Cohen.
Depois desse já citado Close To Paradise, Patrick editou em 2009 Wooden Arms, o seu terceiro disco e que acabou por dar a estocada final em quem ainda poderia duvidar da sua capacidade em atingir o sucesso absoluto no universo da folk pop.

Este Adventures In Your Backyard, o quarto álbum do músico, mantém firme as marcas identitárias da sua discografia. Foi gravado no Quebeque, perto do local onde reside e é um disco de plácidas visões feitas de canções com um interesse na exploração orquestral dos arranjos, onde a sua voz, frequentemente em falsetto, é o elemento protagonista numa sucessão de quadros sonoros feitos de horizontes abertos, luminosos, tranquilos e algo melancólicos, mas sem sinais de dor maior. É um disco familiar tanto na capacidade de sugerir um espaço de intimidade pessoal como nas trovas de um quotidiano vivencial. As melodias calmas e bem trabalhadas que exploram o instrumentalismo fazem do álbum um exercício de audição porque parece exaltar o silêncio e a calmaria, enquanto paradoxalmente utiliza o som. Espero que aprecies a sugestão...
Os Fresh Kills são oriundos de Nova Iorque, uma banda liderada por Zachary Lipez e que também inclui os guitarristas Tim Murray e Jonny Rauberts e o baterista Jim Paraíso. Têm já no seu historial digressões pelos Estados Unidos e por Inglaterra com os Yeah, Yeah, Yeahs, Sleigh Bells e TV On The Radio, entre outros, e no passado dia treze de março lançaram Raise Up The Sheets o terceiro disco da carreira, produzido por Jim Sclavunos e através da Middle Ground.

A sonoridade de Raise Up The Sheets é forte, dinâmica e conta com uma variedade de texturas sonoras que parecem entroncar no post punk e outras sonoridades típicas dos anos oitenta, algures entre os Gang of Four e o hard rock dos Devo. As guitarras são barulhentas e sente-se também alguma daquela claustrofobia típica dos primórdios dos Interpol.
O disco tem perto de quarenta minutos e ouve-se de um fôlego, até porque as canções são curtas e concisas, ou seja, estão ali no ponto certo tendo em conta a sonoridade típica. A voz de Zachary parece uma simbiose perfeita entre Nick Cave e Jeffrey Lee Pierce e as letras que escreve obedecem a um padrão onde abundam os estados de alma depressivos, abordando temas como a noite, a escuridão e o sexo em contextos menos convencionais. O single Bigger Man acaba por ser o destaque maior de Raise Up The Sheets, uma canção que soa à banda sonora da mente de alguém um pouco alucinado, mas ironicamente com uma melodia muito agradável e aditiva.
Se procuras ouvir algo novo, um som que te surpreenda mas não te obrigue a parares demasiado para ficares à escuta enquanto bebes uma cerveja numa sexta feira à noite, então este disco parece-me ser uma excelente proposta. Espero que aprecies a sugestão...
01. Raise Up The Sheets
02. Why Are You So Unforgiving?
03. The Child We Almost Had
04. Frankie And Johnny
05. Positive Vibes
06. The Wolves That Raised You
07. Hotels
08. Bigger Man
09. Try To Be Kind
10. New Folksongs For New Buildings
Luke Jenner e companhia lançaram no final de 2011 aquele que será talvez o álbum mais consistente da carreira dos The Rapture. O disco chama-se In The Grace Of Your Love, marca o regresso da banda à DFA e mantém aquela mistura da estética pós-punk com batidas de house, dando origem a música para dançar, ora com guitarras, ora com sintetizadores, ora com ambos.

É impossível falar dos The Rapture e não nos recordarmos de House of Jealous Lovers. Pessoalmente, no já longínquo 2003, foi uma canção que marcou a minha discografia e, quando passava música, as minhas playlists djing. Se a banda não tivesse lançado este single em 2002, nada que fizessem depois serviria como base para comparações. Sorte deles à época, pelo sucesso e pela visibilidade que obtiveram, mas agora, anos depois de terem colhido muitos frutos, financeira e culturalmente, com essa canção, é impossível não lançaram um novo álbum e não haver sempre a expectativa de se encontrar por lá algo idêntico ou, pelo menos, com a mesma potência e qualidade. Talvez por isso, aviso desde já que este In The Grace Of Your Love não tem nenhum sucesso idêntico, não tem a crueza de Echoes (o disco de estreia que incluia House Of Jealous Lovers), mas é uma experiência muito agradável tomar contacto com o seu conteúdo sonoro. Começando pelo final, It Takes Time To Be a Man é uma agradável surpresa e aponta o trio para caminhos que abraçam a soul music, com o saxofone, o coro gospel e até um aleluia no coro. Na outra ponta, Sail Away abre o disco dizendo-nos para não olharmos nunca para trás, num clima muito anos setenta, com reminiscências de Heart of Glass dos Blondie e fazendo-nos desde logo mover o corpo justamente em direção à mesma disco music que orienta a ótima Never Die Again, com uma linha de baixo pulsante e potencial para se tornar num sucesso de algumas pistas de dança nas redondezas. A canção que intitula o disco sobressai também por ser acompanhada por uma guitarra visceral, mas o meu grande destaque vai, definitivamente, para o piano deliciosamente nostálgico que se ouve em How Deep Is Your Love.
Em suma, In The Grace Of Your Love é o disco da libertação, da terapia e do fim do rótulo punk-funk associado aos The Rapture. Nem sempre corre bem, mas o risco e o arrojo são compensadores. Esta banda nova iorquina esforça-se por deixar definitivamente para trás a herança de Echoes e mostrar que, não sendo revolucionários, fazem boas canções, são dignos e não pretendem continuar a ser injustiçados por House Of Jealous Lovers se ter tornado na bitola da sua sonoridade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Sail Away
02. Miss You
03. Never Die Again
04. Blue Bird
05. In The Grace Of Your Love
06. Roller Coaster
07. Children
08. How Deep Is Your Love?
09. Can You Find A Way?
10. Come Back To Me
11. In Love Divine
12. It Takes Time To Be A Man
13. In The Grace Of Your Love (Pional Remix)
14. Sail Away (Aeroplane Remix)
15. How Deep Is Your Love? (Emperor Machine Remix Extended Play)
16. Sail Away (Cosmic Kids Lost At Sea Remix)
17. How Deep Is Your Love? (A-Trak Remix)
18. Children (Darkstarr Diskotek Remix)
19. Sail Away (Cut Copy Remix)
20. How Deep Is Your Love? (Populette Remix)
Gravenhurst é uma banda, mas um projeto idealizado pelo músico e compositor Nick Talbot, natural de Bristol, Inghlaterra e o veículo que ele utiliza para transportar as suas ideias e sentimentos. Afirma ser um estudioso da obra dos Smiths e dos My Bloody Valentine, apesar do som que elabora ter uma sonoridade um pouco mais folk e clássica, com uma belíssima simplicidade, diga-se.

Os Gravenhurst estrearam-se nos discos em 2004 com Flashlight Seasons, lançaram The Western Lands em 2007 e depois deste hiato de cinco anos regresaram agora em 2012 com The Ghost in Daylight, lançado no passado mês de abril através da Warp Records e um trabalho que nos absorve se estivermos predispostos a receber de braços abertos a visita intimista de dez canções que pedem tempo, atenção e dedicação e de onde destaco Fitzrovia, Carousel, Islands, The Ghost Of Saint Paul e a fabulosa The Prize.
Estas canções apresentadas por Nick Talbot e a sua banda seguem um caminho sereno, pautado, como disse, na folk rock e com as guitarras praticamente desligadas, sendo a já citada The Prize e a sua explosão de guitarra nos instantes finais uma das poucas exceções.
Fitzrovia, The Foundry e Three Fires valorizam muito a voz de Talbot, o acústico, a percussão tímida e as letras melancólicas e contêm efeitos que apenas um bom par de headphones pode captar. É mais um disco que nos vai fornecendo novos detalhes sonoros ao longo de várias audições, apesar de parecer simples e de fácil assimilação.
A escrita de Talbot celebra a capacidade inventiva humana e há uma alquimia delicada nestas preciosas canções porque enquadram com uma intensidade tórrida uma multiplicidade de cores de forma particularmente emocionante, com dramatismo, sem soar demasiado piegas e sentimental, mas graciosamente triunfante.
Por toda a beleza suave e melancólica deste conjunto de canções, onde trasborda em simultâneo uma peculiar atmosfera um pouco compulsiva e transcendente, não custa nada afirmar que Talbot será atualmente um dos segredos mais bem guardados da música contemporânea.
01. Circadian
02. The Prize
03. Fitzrovia
04. In Miniature
05. Carousel
06. Islands
07. The Foundry
08. Peacock
09. The Ghost Of Saint Paul
10. Three Fires
Conforme referi em novembro passado, os californianos, naturais de Los Angeles, Silversun Pickups são um quarteto liderado por Brian Aubert e lançaram-se nos discos em julho de 2006 com Carnavas, álbum com belos apontamentos sonoros e um bom exemplo de que as referências ao som dos anos noventa não estavam enterradas. A banda exemplifica esta teoria através de belas guitarras, promovendo uma ode aos bons momentos dos Smashing Pumpkins ou, em menor escala, às experimentações dos Sonic Youth e ao ambiente criativo dos My Bloody Valentine.
A boa repercussão desse álbum de estreia criou enormes expetativas em relação ao som futuro a projetar pelo grupo, feito que a banda só promoveria três anos mais tarde com a chegada de Swoon. Este sempre difícil segundo disco revelou-se instável e não correspondeu ao esperado, apesar de ter boas canções como There’s No Secrets This Year ou a esquizofrénica Panic Switch. Por isso, distantes das expetativas que os cercavam no passado e mais maduros, lançaram no final de 2011 um novo EP intitulado Seasick e que serviu de prelúdio a Neck Of The Woods, disco lançado agora, a oito de maio via Dangerbird Records, produzido por Jacknife Lee, que já trabalhou com os U2 e os REM.

Neste álbum os Silversun Pickups mantêm uma sonoridade melódica, séria e apimentada com boas doses de distorção e guitarras ascendentes, bases saturadas de efeitos e a voz de Aubert num registo quase andrógeno. Neck of the Woods contém, por isso, canções de fortes inspirações noventistas e volta a provar que estes norte americanos são uma das grandes promessas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...
01. Skin Graph
02. Make Believe
03. Bloody Mary (Never Endings)
04. Busy Bees
05. Here We Are (Chancer)
06. Mean Spirits
07. Simmer
08. The Pit
09. Dots And Dashes (Enought Already)
10. Gun-Shy Sunshine
11. Out Of Breath
Daughn Gibson, músico natural de Carlisle, na Pensilvânia e baterista da banda de metal Pearls and Brass editou no passado dia quatro de maio All Hell, o seu disco de estreia, através da White Denim. All Hell pinta um cenário doloroso, constantemente melancólico e assumidamente pessoal, um universo de composições amarguradas e sentimentos sinceros e um fino retrato da country alternativa norte americana.

Para os mais puristas o uso de batidas eletrónicas e ruídos sintetizados deve ser capaz de distorcer completamente a lógica de um trabalho do género; Porém, distanciar Gibson daquilo que Cass McCombs, Bill Callahan e tantos outros representantes do atual cancioneiro norte-americano fazem, seria um erro de proporções incalculáveis. As batidas arrastadas, as guitarras manhosas repletas de efeito e principalmente os versos propostos pelo cantor, tudo ecoa como parte de uma produção honesta, parte autêntica da música que há décadas movimenta um cenário particular. O músico não renega as influências do panorama country de diferentes décadas e gerações, mas também se socorre das experiências musicais da atualidade, principalmente o R&B moderno de James Blake, o misticismo Lo-Fi dos Youth Lagoon e até o toque erótico de Nicolas Jaar.
A canção de abertura, Bad Guys, ludibria porque faz com que All Hell comece por soar como um convencional registro de música country. Mas logo a seguir, In the Beginning encontra novos rumos, com as tais batidas lentas e uma sucessão de samples e recortes eletrónicos capazes de reconfigurar a nossa impressão inicial. A incursão por este mundo de sons não orgânicos atinge o auge em Tiffany Lou ou mesmo na amena Ray, onde Daughn soa a uma espécie de James Blake um bocadinho entrado no álcool e que se divide entre o violão e as programações. Já que falei na voz de Daughn, aproveito para referir aquela que me pareceu ser uma das suas influências maiores; Refiro-me a Ian Curtis, não apenas pela proximidade com a voz, mas a própria sonoridade de All Hell permite estabelecer uma forte conexão com a obra dos Joy Division ou mesmo de outros ícones do pós-punk britânico. Essa sensação aumenta a partir da segunda metade do disco, quando o músico reforça o uso de guitarras e mantém o clima obscuro ainda mais intenso, algo que Dandelions ou mesmo a homónima canção final reforçam com teclados sintetizados e arranjos eletrónicos irregulares.
Com esta panóplia de fórmulas musicais nunca óbvias e constantes, Daughn estabelece as bases de um disco que passeia por relacionamentos que não deram certo, declarações sinceras de amor e momentos de pura angústia e abandono. A força que movimenta faixas como In the Beginning e Lookin’ Back On ’99 apenas revelam o quanto este inferno pessoal de Gibson é transferível e próximo dos mesmos sentimentos obscuros do ouvinte, que no final do álbum poderá muito bem ver as suas próprias angústias misturadas com as deste músico norte-americano, num imenso inferno compartilhado. Espero que aprecies a sugestão...

01 - Bad Guys
02 - In the Beginning
03 - Tiffany Lou
04 - A Young Girl's World
05 - Rain on a Highway
06 - Lookin' Back on '99
07 - Ray
08 - The Day You Were Born
09 - Dandelions
10 - All Hell
James Iha, guitarrista da formação original dos Smashing Pumpkins, acaba de lançar um novo disco em nome próprio; Look To The Sky é o sucessor de Let it Come Down, de 1998, um álbum que anda lá por casa. Participam neste segundo álbum de James Iha nomes como Nina Persson (vocalista dos The Cardigans), Tom Verlaine (líder dos Television), Sara Quin (Tegan and Sara), Nick Zinner e Kare O (vocalista dos Yeah Yeah Yeahs), entre outros.
Billy Corgan sempre foi uma força criativa enorme e não cedia muito espaço para os outros membros da banda comporem, incluindo James Iha, que não teve mais que duas ou três músicas da sua autoria gravadas nos discos dos Smashing Pumpkins. Em1998 ele achou que era o momento certo para dar uso às suas canções e a dez de Fevereiro editou Let It Come Down, um apanhado de onze canções de tom acústico que se não embalaram o disco perfeito dos anos noventa, chegaram bem perto. Infelizmente, como na maioria dos bons discos, passou despercebido do grande público.
Este músico de ascendência japonesa não nasceu para o estrelato; Tímido por natureza não fazia questão de aparecer, apesar de ter participado em muitos projetos e bandas ao longo dos últimos anos. Por isso é injusto sublinhar demasiado que este seu novo disco, Look To The Sky, lançado no passado dia três de Abril, demorou demasiado tempo a ver a luz do dia porque ele não ficou simplesmente sentado no sofá todo este tempo. Em 2003 compôs a banda sonora do filme Luck, em 2005 compôs para a banda sonora do filme independente Linda Linda Linda e em 2009 a banda sonora do filme Kakera. Participou em álbuns do Whiskeytown, Fountains Of Wayne, Isobel Campbell, A Camp, Melissa Auf Der Maur (que foi sua companheira nos Pumpkins em 2000), Ivy e Brookville.
Também tocou com os A Perfect Circle entre 2003 e 2006 e com eles gravou três discos; Gravou um disco com a cantora Vanessa St. James em 2005 sob o nome Vanessa And The O’s e com os Tinted Windows, que em 2009 lançaram um disco homónimo. Da formação desse grupo, além de James nas guitarras, faziam parte Taylor Hanson (Hanson) na voz, Adam Schlesinger (Fountains Of Wayne) no baixo e Bun E. Carlos (Cheap Trick) na bateria.
Este Look To The Sky não é nenhuma obra-prima devo dizer, mas reforça o gosto musical eclético de James que orienta esse ecletismo, nas várias canções, em direção a diferentes caminhos sonoros, sempre com o rock alternativo e a pop como grandes referências. É o tipo de disco que quanto mais se ouve, mais se gosta. Claro que as melodias bonitas e calmas da estreia estão aqui, mas desilude-te se esperas por uma réplica de Let It Come Down.
Cito aqui como destaques do disco a perfeição pop recheada de barulinhos do primeiro single To Who Knows Where, a sensibilidade pop de Till Next Tuesday, a mistura acústica orquestral de Dream Tonight e a que mais lembra o disco de estreia, a ótima Gemini.
Look To The Sky acaba por ser um excelente álbum para servir de pano de fundo enquanto nos ocupamos dos afazeres do dia-a-dia. E talvez seja essa simplicidade o grande trunfo do disco, ainda mais nos dias de hoje. Espero que aprecies a sugestão...
Em abril de 2010, Shawn Rosenblatt, então com vinte e três anos, criou o pseudónimo Netherfriends e iniciou um projeto onde se propunha a escrever, compôr e gravar uma música para cada um dos estados norte americanos, um pouco à semelhança de um projeto ainda mais megalómano (um disco por estado) que Sufjan Stevens pensou, em tempos, levar a cabo e que culminou com o magnífico Illinoise. Middle America, uma parte importante desse processo de escrita e composição musical, foi lançado pela Kilo Records no passado dia sete de fevereiro, um disco que podes ouvir, na íntegra, no site de Netherfriends.

Everybody wants to have a good time, canta Shawn no clímax de Bloomington, IN. E este Middle America, apesar de inspirado nas paisagens de um país imenso e carregado de disparidades, onde a beleza e a simplicidade da natureza e dos meios rurais profundos pode ser tão implacável como qualquer paisagem urbana, talvez pretenda servir de banda sonora para esses tais momentos que tanto queremos e buscamos. A melancolia do disco é, à semelhança de projetos similares, bastante enganadora, porque não remete o ouvinte para climas depressivos, mas antes para ambientes de alegria, cor e boa disposição. E o truque acaba por ser o do costume; Uma pop psicadélica, humorada, inteligente e ambiciosa, feita com uma percussão vibrante onde são sintetizados tambores, guitarras etéreas mas que também nos remetem para a folk e teclados carregados de eco, efeitos densos e com um travo às vezes bastante orgânico e funk.
Shawn toca quase sempre sozinho, equipado com a guitarra, os teclados e os instrumentos de percussão; Isso faz com que as músicas tenham um crescendo, já que os instrumentos vão sendo integrados à vez, como se a música fosse construida por camadas. É um processo dinâmico e certamente estimulante para o músico esta construção, as quebras, o acrescentar e tirar, quer em estúdio, quer ao vivo.
De Kalamazoo, MI, para Fargo, ND, passando por Chicago, IL, Netherfriends acaba por ser auto referencial e aludir ao rídiculo desta empreitada, mas incentiva-nos a nunca desistir de partir em busca do sonho e de um amanhã melhor. Espero que aprecies a sugestão...
01. St Louis, MO
02. Bloomington, IN
03. Columbus, OH
04. Kalamazoo, MI
05. Des Moines, IA
06. Madison, WI
07. Chicago, IL
08. Rapid City, SD
09. Omaha, NE
10. Minneapolis, MN
11. Fargo, ND
12. Lawrence, KS
Ways To Forget, o disco do projeto dos Clock Opera, banda liderada por Guy Connelly, foi editado no passado dia vinte e quatro de abril pelo selo Moshi Moshi Records, mas pode ser ouvido no Hype Machine. São cerca de quarenta minutos de música acessível e que segue a linha de vários singles e remisturas que a banda tinha dado a conhecer antes desta estreia. Já agora, recordo que tinha divulgado o primeiro single Once And For All em Curtas XXII.

Ways To Forget traz-nos sintetizadores (Once And For All) e rock intenso (Lesson N.7) e emotivo (Belongings). A produção é orgânica e além dos sintetizadores e das guitarras, também se ouve com frequência um piano impulsionado por um baixo pulsante e refrões sublimes. A voz de Guy Connelly atinge novos patamares em canções que contam quase sempre a história fantasiosa de uma viagem sem rumo e criam belíssimos momentos onde também não faltam momentos que apelam a que se dance (A Piece Of String), graças a samples eletrónicos que aqui são processados e recortados numa frequência absurda, causando um efeito sonoro semelhante a uma sinfonia de sintetizadores que te farão abanar a anca imediatamente e sentires-te completamente envolvido num turbilhão contagiante de emoções e orquestras de electrónica galopante. confuso? Arrisca e espero que aprecies a sugestão...

1. Once And For All
2. Lesson No.7
3. 11th Hour
4. Man Made
5. Belongings
6. White Noise
7. A Piece
8. The Lost Buoys
9. Move To The Mountains
10. Fail Better

Os Black Market Karma são uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker. No ano passado, a vinte e quatro de julho, lançaram o EP All That I've Made, através da Flower Power Records e meses editaram Comatose, pela mesma editora, um disco que está a causar algum burburinho nos amantes do psicadelismo e que tenho ouvido com bastante insistência ultimamente.
Os Black Market Karma têm a estranha capacidade de me fazerem procurar imaginar uma simbiose perfeita entre os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club e os conterrâneos The Horrors. E digo estranha porque, aparentemente, seria impossível encontrar no mesmo invólucro sonoro o melhor de cada uma destas duas bandas, já que, ironicamente, até nem são muitos os detalhes sonoros que as afastam. No entanto, a subtileza com que estes Black Market Karma retiram o melhor que há da psicadelia, do shoegaze e do rock alternativo, com travos de folk e blues, permite-me ter a ousadia de visualizar esta fusão.
Quem se aventurar à descoberta de Comatose vai encontrar um som corrosivo que destroça os nossos tímpanos em sessenta minutos de puro psicadelismo mas, apesar de poder parecer uma viagem sonora abrasiva e extenuante, encontra-se no álbum belos momentos melódicos que vale a pena escutar com atenção. Espero que aprecies a sugestão...
01. Dee Dee
02. Pulling Shapes
03. Run Run Run
04. March
05. I Can’t Save You
06. All These Things
07. Comatose
08. Weightless
09. It’s Gone
10. The Way It Was
11. Washout
Produzido por Danger Mouse, Mondo é o disco de estreia dos Electric Guest, uma dupla natural de Los Angeles e formada por Asa Taccone e Matthew Compton. Mondo leva-nos por uma viagem conduzida por pianos em tons melódicos e efeitos psicadélicos, havendo já quem compare a ascenção destes Electric Guest ao que fizeram o ano passado so conterrâneos Foster The People, banda para a qual têm andado a abrir alguns concertos.

Poderá haver quem legitimamente estranhe a aposta do reputado Danger Mouse num disco de estreia de uma banda completamente desconhecida, ou então quem procure perceber as razões para tal facto. E afinal elas explicam-se de forma muito simples: O vocalista e principal compositor da banda, Asa Taconne, morou dois anos com Danger Mouse que cedo se interessou pelas movimentações musicais de Asa e em boa hora deu o empurrãozinho necessário para que o disco do seu aprendiz acontecesse.
As canções de Mondo oscilam entre o lado mais pegajoso da pop e elementos do rock psicadélico, com o tal piano, sintetizadores vintage, guitarras e baixos a suportar a construção melódica das canções. O primeiro single do álbum é This Head I Hold, uma pequena mas potente injeção de adrenalina, com pianos dançantes e um refrão apelativo que faz bater os pés instantaneamente. Awake é a canção mais mexida do disco, acompanhada por uma linha de baixo firme e dividida em três partes. Na primeira, Asa divide o refrão com harmonias vocais que soam como um coral de igreja e um clima melódico que me fez recordar momentos dos Broken Bells. Depois ela transforma-se num eufórico passeio pela soul e com as mesmas vozes a cantar um novo refrão, para no final chegarem palminhas e batidas R&B, que nos trazem um terceiro refrão, que termina a música, um menáge irresistível entre a pop, o rock e a psicadelia.
Outra das boas canções do disco dura nove minutos e é a sedutora Troubleman. Mas não desistas de a ouvir pela duração; Carrega no play e prepara-te para escutares uma melodia bonita e uma letra poética a infectar o teu cérebro, graças a arranjos meticulosamente programados, como órgãos de igreja, violas, guitarras e inúmeros detalhes que só aparecem com audições repetidas. O adorável refrão aparece frequentemente, mas é um solo de guitarra que dá o tom para o segundo ato da canção, que inesperadamente, soa como uma música totalmente diferente e onde o título da canção é finalmente revelado. Com baterias, harmonias vocais e a produção espetacular de Danger Mouse, esta segunda metade eleva a canção até uma viagem esotérica onde, no final, para surpresa, as cordas são amarradas e o refrão da primeira parte regressa e os nove minutos terminam com mais um solo de guitarra, numa canção que nos obriga a senti-la e a experienciá-la.
Outro destaque é American Daydream, uma música que mostra um momento mais pop dos Electric Guest, com um refrão que parece estar a ser cantado em coro e que nos faz lembrar uns MGMT mais maduros.
Em suma, estes Electric Guest, além de serem uma agradável supresa, são já uma das maiores promessas para 2012, até porque, como se sabe, um produtor consagrado pode ajudar a definir o som de uma nova banda ao mesmo tempo e até manipular a sua essência por completo. Felizmente, no caso dos Electric Guest, parece-me que ambos os lados saiem vencedores desta parceria. Espero que aprecies a sugestão...
Os Way Yes são um trio natural de Columbus, no Ohio, formado por Glenn Davis e Travis Hall, aos quais se juntou posteriormente o engenheiro de som Max Lewis. Lançaram no passado dia vinte e sete de março Walkability, o disco de estreia, através da etiqueta Lefse.

Singing, o primeiro single extraído de Walkability tem instrumentos de percussão que lembram música africana, mas com um toque moderno à Animal Collective. As restantes canções mantêm essa toada alegre, lideradas por um baixo que encarna o sol dos trópicos, ao qual se juntam outros instrumentos em camadas proporcionando uma ressonância exuberante, mas quase sempre melódica, assente numa instrumentação cósmica e algum reverb. Em suma, ouvir Walkability proporciona aos ouvintes uma experiência sonora bastante luminosa mas também, simultaneamente introspetiva, acabando por tornar-se num conjunto de canções irresistíveis.
É um EP que encarna na perfeição muitos dos novos detalhes sonoros que começaram a fazer escola na preimeira década deste século e dos quais sem dúvida que os já citados Animal Collective foram grandes percurssores e os Guggenheim Grotto, Weekend e outros projetos têm conseguido projetar. Espero que aprecies a sugestão...

1. Walkability
2. Important
3. Singing
4. Gino
5. Ties
6. Walkability, (Rimar Remix)
7. Important (First Person Shootr Rework)
8. Singing (RUMTUM Remix)
9. Gino (Larry Gus Remix)
10. Ties (Monster Rally Remix)

Um dos últimos disco que tem tocado com alguma insistência nos meus headphones tem sido o EP de estreia de uma dupla norte americana formada por dois irmãos chamada KO KO. O EP chama-se Float e os manos são Ryan e Taylor Lawhon, naturais de Los Angeles e Ko Ko era o nome de um barco que em tempos eles quiseram ter.
A sonoridade destes KO KO e do EP é bastante nostálgica, algo épica e feita de uma pop luminosa com reverb; Em suma, uma espécie de brisa suave que nos reconforta num dia primaveril e cheio de sol. Espero que aprecies a sugestão...
01. Magic Mtn.
02. Black And White
03. Bachman Park
04. Ruby Dead
05. Four Mile Beach
06. Down And Out
07. For Sure
08. Break A Leg
09. We’ll Be Back Soon
Formados pelos irmãos Steve e Joe Wall em 1998, os The Walls, uma banda natural de Dublin, começaram logo por criar a sua própria editora (Dirtbird Records), onde editaram alguns singles antes do disco de estreia, Hi-Lo, que viu a luz do dia no ano 2000 e foi um caso sério de sucesso no país natal. O sucessor chegou cinco anos depois e chamava-se New Dawn Breaking, tendo recebido críticas muito favoráveis e também um bom nível de vendas. Incluía os singles Passing Through, Black and Blue, Drowning Pool e To The Bright, canções assentes em guitarradas viciantes e que ajudaram os The Walls a ascender à primeira divisão nacional e a efetuarem digressões com os U2, Bob Dylan e os Red Hot Chilli Peppers.
Em 2008 a banda montou o seu próprio estúdio em Dublin e começaram a trabalhar no terceiro disco, este Stop The Lights, editado no passado dia nove de março, mas que tinha já em 2010 sido antecipado com o lançamento de dois singles: Carrying The Fire e Phantom Power. Stop The Lights foi produzido por Rob Kirwan, que trabalhou com PJ Harvey no White Chalk (2011) e misturado por Geoff Pesche, nos estúdios Abbey Road, em Londres.

O álbum abre com Bird In A Cage, uma crónica auto biográfica e que relata a mudança dos manos de Dublin para Galway, ainda jovens, a luta para se integrarem numa nova realidade e num ambiente rural e como essa experiência acabou por moldar a personalidade de ambos. A canção acaba também por homenagear de alguma forma os pais da dupla.
Segue-se a tal Phantom Power, que se destaca pelo falsete impressionante que dá vida aos versos e comprova a fama de Steve, considerado dono de uma das vozes mais distintas da música irlandesa atual.
As canções acabam por girar à vlta de temas caros aos irlandeses e à sua história, com referências à fome, à emigração e à própria recessão atual. As letras também podem usar muitas expressões coloquiais, nomeadamente o título da canção Stop The Lights. A canção que acabou por me impressionar mais foi The Great Escape, construída numa base melódica atmosférica e orquestral, com os tambores a darem um toque ainda mais potente à música.
Stop The Lights acaba por ser uma oportuna lembrança do espírito combativo do povo irlandês, tendo em conta os tempos que correm e que irá certamente ressoar não só no país como na diáspora espalhada pelo mundo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Bird In A Cage
02. Phantom Power
03. Stop The Lights
04. The Great Escape
05. It Goes Without Saying
06. Dead Flowers
07. All A Blur
08. Carrying The Fire
09. Doodlesque
10. Thanks For The Photographs
11. May The Road Rise
Ekki Múk, o novo single dos Sigur Rós e que fará parte do alinhamento de Valtari, o próximo disco da banda e que chegará no dia vinte e oito de maio aos escaparates, já foi editado e traz consigo o b side Kuistur.
Ekki Múkk representa um regresso às origens estáticas dos primeiros discos, expressão que em islandês, significa nenhuma gaivota, o que ajuda a perceber um pouco melhor o extraordinário vídeo da canção.
01. Ekki Múkk
02. Kuistur
Para celebrar o Record Store Day, que aconteceu no passado dia 21 de abril, os Arcade Fire lançaram um vinil de doze polegadas com remisturas das músicas Sprawl II e Ready To Start, ambas presentes no último álbum da banda, The Suburbs. As remisturas são da autoria da própria banda e do produtor Damian Taylor e foram editadas através da Merge Records.
01. Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
02. Ready To Start
No mesmo Record Store Day, Laura Marling lançou um EP com duas músicas. O disco teve apenas mil cópias e no lado a está a canção Flicker And Fail e no lado b To Be A Woman. Confere abaixo versões ao vivo das duas músicas do novo EP.
Quem também comemorou o Record Store Day foram os M83 com o lançamento de uma edição limitada em vinil de sete polegadas do single Mirror, retirado do recente Hurry Up, We're Dreaming.
Ainda ontem escrevi sobre A Wasteland Companion, o novo disco de Matthew Stephen Ward, um dos nomes mais aclamados da folk norte amricana. O disco já tem também um single editado, como referi no texto, a canção Primitive Girl que agora divulgo.
01. Primitive Girl (Single Version)
02. The Twist
03. Roll Over Beethoven
No passado dia vinte e quatro de abril foi colocado no mercado discográfico This Machine o nono disco de estúdio dos The Dandy Warhols e sucessor do divertido The Dandy Warhols Are Sound, de 2009, através da etiqueta The End Records. O disco contém onze músicas e é produzido pela própria banda e por Jeremy Sherrer, todas compostas por Courtney Taylor-Taylor, Brent DeBoer e Zia McCabe. No entanto, na gravação do disco contaram com as participações especiais de David J dos Love and Rockets e Bauhaus e Miles Zuniga dos Fastball.

Certamente todos se recordam de Bohemian Like You, canção que se ouviu com insistência no já longínquo virar do milénio e que colocou estes The Dandy Warhols no pedestal, etiquetados como os novos heróis da pop alternativa. No entanto, ao contrário do que seria expectável, este grupo norte americano formado em Portalnd, em 1994, acabou por defraudar todas estas expectativas, que já vinham desde The Dandy Warhols Come Down (1997), um disco que encarna um dos melhores exercícios de revivalismo new wave dos anos 90. A tal confirmação estava apontada para o disco de 2003, Welcome To The Monkey House que, apesar de ter contado com Nick Rhodes e Tony Visconti na produção e ter canções que procuravam sustentar uma visão definitiva sobre essa mesma ideia pop, musculada nas guitarras e de arestas polidas pelos sintetizadores, em nada capitalizaram o efeito de Bohemian Like You. A banda acabou por isso por atravessar toda a sua carreira numa espécie de limbo, sem saber muito bem para que lado pender e tentando tirar o melhor do universo indie new wave e do psicadelismo.
Esta contínua indecisão volta a ser patente neste This Machine que traz momentos muito interessantes, como o single Well The’re Gone ou The Autumn Carnival e que parecem querer mudar o tal cenário de indecisão. Há aqui ecos dos dois focos de interesse dos outros discos (a new wave e o psicadelismo), mas também deve-se registar uma maior coerência na forma como procuram um sentido para o disco no espaço rock onde nem sempre é pacífica a convivência entre a pop e algum experimentalismo. O tal impulso só não é mais vincado porque algumas músicas ganharam contornos definitivos quando a elas poderia ser acrescentado ainda algo mais e porque Taylor tem uma performance vocal discreta no álbum, apesar de algo sofisticada, já que canta em voz baixa e amiúde sussurra e de forma quase sempre melancólica.
This Machine, o disco mais curto da banda, é um toque final de crepúsculo, muitas vezes nublado, mas também com vários raios de luz e que poderá marcar o ponto de viragem definitivo da banda para um ambiente mais shoegaze e menos comercial, fazendo com que Bohemian Like You, se torne cada vez mais numa mera recordação e nunca como um farol definidor daquilo que os The Dandy Warhols pretendem estampar na sua base sonora identitária. Espero que aprecies a sugestão...
Outrora um dos segredos mais bem guardados de Portland, Matthew Stephen Ward, aka M. Ward, é hoje um dos nomes mais aclamados da folk norte americana e acaba de lançar A Wasteland Companion, o seu sétimo disco de originais, no passado dia dez de abril, através da Merge Records.
A Wasteland Companion conta com alguns convidados especiais, nomeadamente Howe Gelb , John Parish, Mike Mogis, Steve Shelley (Sonic Youth), Tom Hagerman (DeVotchka) e a lindíssima Zooey Deschanel, sua companheira no projeto She & Him e que emprestou a voz aos singles Primitive Girl e The First Time I Run Away. A presença de Zooey entre os convidados ajuda a entender a figura eclética deste músico que não tem medo de se arriscar e transitar entre estilos. Este álbum foi gravado em oito estúdios diferentes, em Portland, Omaha, New York City, Los Angeles, Austin e Bristol, em Inglaterra.

A Wasteland Companion vai desapontar todos aqueles que querem escutar aqui os caminhos de luminosidade pop retro que hoje fazem a imagem de marca dos She & Him. Ward arruma aqui as canções com uma lógica vinil, já que é fácil dividir as canções de A Wasteland Companion em duas faces distintas. Inicialmente temos canções mais ritmadas e sorridentes, nomeadamente as versões de Sweetheart (original de Daniel Johnston) e de I Get Ideas (de Louis Armstrong) e a vitamina pop Primitive Girl, o single já retirado do álbum. A segunda metade revela sentimentos mais profundos e dramáticos e uma sonoridade muito próxima de heranças folk, onde M. Ward caminha entre trovas mais confessionais.
As guitarras pesadas de Me and My Shadow argumentam a favor da inventividade de Ward, algo que se repete um pouco em Watch the Show, que tem um pé no blues e no rock devido à bateria bem demarcada e na própria versão já citada de I Get Ideas, com uma sonoridade dançante e leve. Ainda assim, com tantas transições, é nas composições folk que Ward mostra a sua maestria; Canções como The First Time I Ran Away, Crawl After You e a bela canção homónima cumprem a proposta emocional e contemplativa. Pure Joy fecha o disco e faz a ponte entre os dois lados já que os seus últimos acordes coincidem com os primeiros da canção de abertura, o que torna o álbum perfeito para se ouvir em repeat.
Em suma, este Sucessor de Hold Time (editado em 2009), não parece procurar outros caminhos que não os que M. Ward já seguia anteriormente na sua obra discográfica por conta própria. Não será um bom álbum para recrutar novos admiradores, mas não desiludirá os que já o acompanhavam. Espero que aprecies a sugestão...
01. Clean Slate
02. Primitive Girl
03. Me And My Shadow
04. Sweetheart
05. I Get Ideas
06. The First Time I Ran Away
07. A Wasteland Companion
08. Watch The Show
09. There’s A Key
10. Crawl After You
11. Wild Goose
12. Pure Joy
De acordo com a própria banda e o lendário Jason Pierce, é algures entre os irmãos Wilson (Beach Boys), Chuck Berry e o músico de jazz Peter Peter Brötzmann que está Sweet Heart Sweet Light, o novo disco dos Spiritualized, lançado no mercado no passado dia dezasseis de abril pela Domino Records.

E a beleza utópica das composições dos Spiritualized não falta neste álbum, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Sweet Heart Sweet Light esbanja todo o esmero e a paciência de Pierce em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se o músico projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de psicadelia, rock progressivo, soul e gospel.
O som espacial, experimental, psicodélico, barulhento e melódico que a banda criou em Ladies And Gentleman We Are Floating In Space (1997), ainda faz deste disco o mais forte e marcante da carreira da banda. E alguns anos depois, em 2001, Let it Come Down, acrescentou mais texturas e belíssimas faixas à bagagem, porém, num tom menos experimental. Agora, em 2012, os Spiritualized apresentam o álbum que daqui a alguns anos tem tudo para ser o clássico da banda na segunda década do século XXI.
Se Bobby Gillespie (Primal Scream), Jarvis Cocker (Pulp) e outros artistas contremporâneos de Jason parecem ter perdido o brilho, ele não demonstra cansaço ou falta de inspiração. Perto de completar quarenta e sete anos, dos quais pelo menos trinta são dedicados à música, ele consegue com este novo disco mergulhar num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e soa tão poderoso, jovial e inventivo como soava há duas décadas. Se o Huh? que ilustra a capa do disco pergunta até onde vai o trabalho de Pierce, no final do álbum chegamos à óbvia conclusão que, para essa questão, não existem limites.
Não é habitual fazê-lo, mas quero destacar a notável curta metragem que ilustra Hey Jane, com realização de A.G. Rojas, uma fábula familiar, crua e desesperada, para ficar, desde já, na lista dos melhores vídeos musicais de 2012. Espero que aprecies a sugestão...
01. Huh? (intro)
02. Hey Jane
03. Little Girl
04. Get What You Deserve
05. Too Late
06. Headin’ For The Top Now
07. Freedom
08. I Am What I Am
09. Mary
10. Life Is A Problem
11. So Long You Pretty Thing

O nome deste projeto liderado por Crabtree parece desde logo ter sido bastante ponderado e com a finalidade de contrariar a lógica do senso comum. Geralmente é a tesoura quem leva a melhor sobre o papel, mas também pode haver aqui uma tentativa de abordagem mais poética, onde as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado. E garanto não ser difícil chegar a esta visão poética, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.
No disco há uma tendência para as canções se submeterem a uma compilação dramática. Com o seu estilo único de cantar Crabtree tira-nos o fôlego e os seus falsetes deixam-nos muitas vezes sem reação e tocam profundamente o coração. A maioria das canções começam com o dedilhar de uma guitarra acústica, mas depois recebem novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. A própria voz também serve várias vezes apenas para esse efeito específico. Ouve e delicia-te! Espero que aprecies a sugestão...
01. Ends In Themselves
02. Season’s Rest
03. Folds
04. Rest Your Bones
05. Forgotten
06. Once
07. Be Patient
08. Keening
09. Tendrils
10. Watch Me Go
11. Let Me In
Recentemente, em Halifaz, na nova escócia (Canadá) os Paper Beat Scissors deram um concerto intimista de apresentção do álbum. Mike Feuerstack (Snailhouse) tocou guitarra, Gina Burgess (Gypsophilia) tocou violino, Kyle Cunjack (Olympic Symphonium) encarregou-se do baixo e Ryan Brown (Glory Glory) tocou bateria. Confere...
Bono Vox pode ser o arquétipo do astro rock benfeitor que quer salvar o mundo, mas se há músico que com a sua música e outros aditivos seria capaz de instaurar um cessar fogo no médio oriente, convencer o Irão e a Coreia do Norte a abandonarem o programa nuclear e juntar de novo os Guns N'Roses, esse é, sem dúvida, Wayne Coyne, o líder dos extraordinários Flaming Lips e de uma das poucas bandas que ainda conseguem fazer o que bem querem dentro da gigante Warner Brothers. Agora, para comemorar o Record Store Day, como era de esperar, fizeram-no em grande, enquanto outros músicos e bandas cingiram-se a alguns EPs e singles que divulgarei oportunamente. A banda de Oklahoma, optou por um longa duração com colaborações que vão de Bon Iver a Chris Martin, passando por Yoko Ono, Nick Cave, Neon Indian, My Morning Jacket e Ke$ha, imagine-se.
Este The Flaming Lips And Heady Fwends não é propriamente o próximo capítulo da história oficial da banda, que ultimamente tem sido feita de colaborações, nomeadamente a que divulguei com Neon Indian e Prefuse 73, usando sempre a internet como ferramenta privilegiada para a divulgação das novidades da banda, mas dispõe de uma congregação inteira de convidados, que abrangem vários espectros, desde a pop, ao experimentalismo, ao hip hop e à eletrónica. Assim, o disco acabou por assentar em momentos muito interessantes de cruzamento sonoro estético, alguns deles inebriantes e muitas vezes construídos a partir de amálgamas de letras e sons fragmentados que a banda tinha em arquivo e que aguardavam o pretexto certo para ganharem vida, sempre, como é de esperar nos Flaming Lips, com uma roupagem psicadélica e caótica, mas onde cada detalhe sonoro terá sido certamente idealizado ao pormenor.
A ficção científica e o apocalipse global são os grandes temas das canções e fica-se com a estranha sensação que elas poderiam ser a banda sonora de um cenário pós apocalíptico mas, ainda assim, carregado de vida, só que, neste caso, mutante. Tentando fazer uma espécie de paralelismo com esta ideia e a música em geral, se retirássemos à maioria das canções deste The Flaming Lips And Heady Fwends os efeitos abrasivos, alguns loopings e sons sintetizados, seriam canções sem grande história e nada apelativas, como acontece com a maioria das canções da banda, se forem descaracterizadas dos principais tiques sonoros que fazem parte do ADN ácido, único e específico deste grupo norte americano. Espero que aprecies a sugestão...
01. 2012 (You Must Be Upgraded) (Featuring Ke$ha And Biz Markie)
02. Ashes In The Air (Featuring Bon Iver)
03. Helping The Retarded To Find God (Featuring Edward Sharpe And The Magnetic Zeros)
04. The Supermoon Made Me Want To Pee (Featuring Prefuse 73)
05. Children Of The Moon (Featuring Tame Impala)
06. That Ain’t My Trip (Featuring Jim James Of My Morning Jacket)
07. You, Man? Human??? (Featuring Nick Cave)
08. I’m Working At NASA On Acid (Featuring Lightning Bolt)
09. Do It! (Featuring Yoko Ono/Plastic Ono Band)
10. Is David Bowie Dying? (Featuring Neon Indian)
11. The First Time Ever I Saw Your Face (Featuring Erykah Badu])
12. Girl, You’re So Weird (Featuring New Fumes)
13. I Don’t Want You To Die (Featuring Chris Martin Of Coldplay)
No meio da interminável vaga de novos artistas que surgem todos os dias, alguns acabam por me ficar na retina e o mais recente é Matt Corby, músico australiano cujo primeiro single, Brother, soou pra mim como um daqueles singles revelação e que me fez querer descobrir toda a obra anterior deste artista. Acabei por descobrir que Corby coemçoo a carreira no Ídolos do país natal, onde participou quando tinha apenas dezasseis anos, em 2007. De lá para cá, em vez de seguir muitas vezes o caminho mais fácil, permaneceu fiel a si próprio e compôs algumas canções folk intimistas, tocou em bares pequenos, até que no ano passado surgiu Into The Flame, este visceral EP de quatro canções e que mudou a sua vida por completo.

O EP mistura blues, soul e folk. A própria Brother reflete com mestria as melhores características do disco; É uma canção esquizofrénica e mutante, com uma estrutura inusitada e onde é difícil descobrir o que é refrão ou o que é verso. O início é abrasivo e dominado pelo baixo, sequência que se repete algumas vezes ao longo da canção. Depois seguem-se delicados versos chegados ao folk, que poderão lembrar Bon Iver, cantados por uma voz angelical e em falsete, que de repente enfurece-se e explode.
As restantes canções do EP seguem esta sonoridade e auguram um futuro bastante risonho para este músico, do qual se aguarda o longa duração de estreia ainda este ano. Espero que aprecies a sugestão...
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