Sábado, 24 de Janeiro de 2015

Diagrams – Chromatics

Sam Genders é a mente pensante por trás dos Diagrams, uma banda londrina que se estreou nos discos no início de 2012 com Black Light. Agora, três anos depois, Sam está de regresso, novamente através da Full Time Hobby, com Chromatics, um trabalho produzido por Leo Abrahams (Wild Beasts, David Byrne, Brian Eno, Jon Hopkins, Ed Harcourt, Marianne Faithful ) e que mantém Sam num registo sonoro diferente dos Tunnga, um projeto do qual fez parte e cuja sonoridade era mais virada para a folk. Nos Diagrams, Genders mostra-se menos lo fi, embora a sua voz e as escolhas de arranjos confiram às músicas de Black Light um certo ar soturno.

Em três anos muito se alterou na vida de Sam; mudou-se de Londres para Sheffield, levando consigo uma nova esposa, fez novos amigos e vive uma dinâmica existencial diferente, estando estas temáticas bem presentes no conteúdo de Chromatics. Este é, então, um disco que, de acordo com o próprio o autor, debruça-se sobre  a dinâmica das relações e mostra que nunca devemos perder a fé em nós próprios, neste caminho que todos trilhamos chamado vida e que é feito de altos e baixos. (Relationships are a constant thread. In all their frustrating, exciting, mundane, beautiful, wonderful, sexy, scary glory. (...) And there’s lots of hope in the songs. They shouldn’t be taken too literally mind you… in my head Chromatics is life in Technicolor; with all its ups and downs).

Para a abordagem desta temática, Diagrams inspirou-se não só na sua experiência pessoal, mas também na escrita sobre o assunto, com ênfase particular para os escritores David Schnarch e Ester Perel e um livro intitulado Division Street, da autoria da poeta local Helen Mort. A rotina mais pacata de Sheffield, a permanência num novo local, fisicamente mais amplo e aberto, a natureza circundante, um estúdio em casa e a possibilidade de Sam compôr sem pressão e quando a inspiração chegasse, foram fundamentais para a génese sonora de Chromatics, uma coleção de onze canções que refletem toda esta conjuntura, bastante multifacetada e com vários exemplos de audição obrigatória.

Do indie rock angular de Desolation, à eletrónica com detalhes implícitos da folk de Serpent, a canção que melhor cruza a herança dos Tunng com a matriz Diagrams, passando pelo groove de Dirty Broken Bliss e a pop vintage de The Light And The Noise, Chromatics mistura e expôe as diferentes cores que observou pela janela do seu estúdio no jardim das traseiras, conseguindo ser simultaneamente experimental e acessível. Tão depressa deparamos com batidas eletrónicas minimalistas, usadas sempre como tónica e não regra, como escutamos sintetizadores e guitarras limpas, acompanhadas de toda uma gama de camadas de instrumentos inseridos meticulosamente, que surpreendem sem cansar, envolvidos por uma clara elegância vocal, resultando em algo excitante e ao mesmo tempo acolhedor.

Jovial e envolvente, Chromatics seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, enquanto estabelece pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, outrora adormecidas, para depois nos serenar. Sem dúvida, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Diagrams - Chromatics

01. Phantom Power
02. Gentle Morning Song
03. Desolation
04. Chromatics
05. You Can Talk To Me
06. Shapes
07. Dirty Broken Bliss
08. Serpent
09. The Light And The Noise
10. Brain
11. Just A Hair’s Breadth


autor stipe07 às 19:00
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Darkness Falls - The Answer

As Darkness Falls são uma das novas coqueluches do cenário indie do reino da Dinamarca, uma banda descoberta pelo visionário produtor Anders Trentemøller e formada pela dupla feminina Josephine Philip (teclados, voz) e Ina Lindgreen (guitarra, baixo e voz). Depois de em março em outubro de 2011 se terem estreado nos discos com Alive In Us, parece que já há finalmente sucessor. O novo álbum das Darkness Falls é um homónimo, viu recentemente a luz do dia, novamente através da HFN Music  e The Answer foi o primeiro tema divulgado do trabalho, assim como o respetivo video.

The Answer é o pronúncio claro de que o novo disco das Darkness Falls funde, mais uma vez, texturas pop tipicas das guitarras dos anos sessenta com a eletrónica, uma mistura harmoniosa e dinâmica de elementos, alicercados na típica melancolia pop que define variados projetos oriundos desta zona da Europa. Confere...


autor stipe07 às 16:34
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

Old Yellow Jack - Magnus EP

Oriundos do meio universitário lisboeta, os Old Yellow Jack são Guilherme Almeida (voz, guitarra), Henrique Fonseca (guitarra, teclado), Miguel Costa (baixo) e Filipe Collaço (bateria), uma banda que nasceu em 2011, fundamentalmente por iniciativa do Filipe. Conheceu o Guilherme e após alguns meses a tocarem juntos juntou-se a eles o Miguel, e por fim, o Henrique.

Começaram por se inscrever e participar em concursos de bandas e, desse modo, darem a conhecer a sua insana cartilha sonora, assente num indie rock psicadélico, direto e algo cru, mas também amplo e abrangente, uma sonoridade ainda pouco explorada por cá, a nivel nacional e que apenas agora começa a ser objeto de outra atenção.

Os Old Yellow Jack editaram este mês de Janeiro, Magnus, o seu EP de estreia, um compêndio de cinco canções, produzido por Bruno Pedro Simões (Sean Riley & The Slowriders) nos Black Sheep Studios em Sintra, um compêndio de rock energético e viajante, assente em guitarras tão agressivas quanto angelicais, deixando uma boa amostra daquilo que podemos esperar do futuro desta jovem banda de Lisboa.

No fuzz das guitarras de The Man Who Knew Too Much, um tema disponível para download na bandcamp da banda e nas variações de ritmo e no amplo arsenal instrumental que além da tríade sagrada, inclui sintetizadores e arranjos metálicos, fica claro que Magnus é uma porta de entrada reluzente para o indie rock psicadélico dos anos sessenta e setenta, com as memórias de Can e Syd Barrett à cabeça. como a própria banda confessa, mas também para um espetro algo progressivo e experimental, sempre em busca de um equilíbrio lisérgico entre momentos frenéticos e contemplativos.

Os Old Yellow Jack são inspirados no modo como pegam em possíveis influências que admiram e lhes dão um cunho muito próprio, uma marca deles, única e distinta. É, como já disse, um indie rock clássico, com fortes reminiscências nos anos setenta, luminoso e vibrante, cheio de fuzz nas guitarras, mas que também não dispensa uma sonoridade urbana e clássica.

Os cinco temas do EP cruzam diferentes espaços num mesmo universo sonoro e saboreiam-se de um trago, tendo um efeito saboroso e inebriante e que pode ser potenciado por repetidas audições que permitem que determinados detalhes e arranjos se tornem cada vez mais nítidos e possam, assim, ser plenamente apreciados.

Magnus é um contributo nacional de peso para a equipa formada por aquelas bandas que ajudam a contrariar quem, já por milhares de vezes, anunciou a morte do rock. Podendo, no futuro, abrir novas possibilidades de reinvenção do seu som, atravessando terrenos ainda mais experimentais, etéreos e com alguma dose de eletrónica, os Old Yellow Jack são já, atualmente, uma referência do melhor indie rock alternativo que ilumina o nosso país e o sol à volta do qual deverão gravitar outros projetos que tenham interesse em apostar neste tipo de sonoridade que, pessoalmente, considero bastante apelativa. Convido, de seguida, à leitura da entrevista que o colectivo me concedeu com o inestimável apoio da Let's Start A Fire e espero que apreciem a sugestão...

Os Old Yellow Jack abriram as hostilidades em 2011, participaram em alguns concursos e viram o vosso nome destacado lá fora, nomeadamente no Brasil. Este é o momento certo para o primeiro lançamento discográfico oficial, apesar de já terem lançado alguns temas (Demos) em outubro? E a que se deveu a opção por um EP? Ainda não há cardápio para um longa duração?

De certa forma, a nossa ideia inicial passava por lançar o disco ainda em 2014, mas tal mostrou-se complicado de se realizar devido ao tempo necessário para a promoção que queríamos. Escolhemos fazer um EP pois achávamos que um álbum era um passo maior que a perna, não por falta de quantidade, mas mais por um desejo de fazer algo coeso.

Como deverão compreender, é natural escutar-se este fantástico EP Magnus e sermos transportados para o indie rock psicadélico dos anos sessenta e setenta que hoje está muito em voga, com os Tame Impala à cabeça, mas com outros nomes como os Pond e agora os Temples, na linha da frente. No entanto, também há aqui fortes reminiscências do punk rock alternativo, com um certo cariz lo fi, dos anos oitenta e até um certo travo pop, nomeadamente na luminosidade melódica. Sendo assim, acho que um dos vossos maiores atributos foi ter sabido pegar em possíveis influências que admiram e dar-lhes um cunho muito próprio, uma marca vossa e distinta. Como descrevem, em traços muito gerais, o conteúdo sonoro de Magnus?

Acho que a pergunta se responde a ela própria! Melhor descrição do nosso som até agora.

Este indie rock com algum fuzz nas guitarras que debitam distorções vintage e com um baixo encorpado, mas que também não dispensa os teclados que ajudam a conferir uma sonoridade mais expansiva, luminosa, urbana e clássica, é mesmo o género de música que mais apreciam?

É, mas penso que não temos a parte revivalista a que muitas bandas psicadélicas se apegam. Temos todos cultura musical, conhecemos os álbuns mas as nossas maiores influências são todas recentes à exceção talvez de Can e Syd Barrett. Partilhamos uma grande parte do nosso gosto musical mas depois há coisas que gostamos mas que não transparecem para as nossas músicas. Todos ouvimos hip hop e eletrónica por exemplo mas há um filtro sobre o que potencialmente faz parte do nosso pequeno universo musical.

Quais são as vossas expectativas para Magnus? Querem que este trabalho vos leve até onde?

Achamos que agora o desafio é criar uma fanbase nacional e o Magnus é a nossa tentativa de o fazer. É também um aquecimento para o álbum e para uma possível internacionalização.

Penso que a vossa sonoridade poderia ser bem-sucedida nos países que abrem os braços ao chamado indie rock mais psicadélico. Os Old Yellow Jack estão, de algum modo, a pensar numa internacionalização, ou é apenas Portugal importante para o futuro da vossa carreira?

Conseguir sair do país é o nosso projecto, objectivo e sonho a médio prazo. Somos uma banda ambiciosa.

Acho curioso o artwork do disco e muito bem conseguido, curiosamente da vossa autoria, com a cover a cargo de Francisco Ferreira. Há alguma relação entre o conteúdo das canções e as areias do deserto e a civilização nativa de um ambiente desse género, digamos assim, aí representada?

A capa e o artwork foram feitos depois do disco estar acabado portanto não há grande relação entre a música e a parte visual. Nós gostamos bastante do trabalho dele, portanto demos-lhe carta branca para fazer o que a música lhe ditasse e acho que estamos perfeitamente contentes com o resultado final.

Adorei Murky Water; E a banda, tem um tema preferido em Magnus?

Gostamos de todas, claro, mas acho que temos um carinho especial pela última, Two Lightbulbs, porque é a mais antiga e é a que tem fechado todos os nosso concertos desde há quase um ano. O fim da música é o nosso momento espiritual no concerto.

Não sou um purista e acho que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem também em inglês. Há alguma razão especial para cantarem apenas em inglês e a opção será para se manter?

Tínhamos todos dezasseis anos quando formámos a banda portanto essa decisão foi feita um bocado sem razão definida mas dadas as nossas ambições internacionais achamos que é um ponto a nosso favor nesse campo. E há óptimos exemplos: Björk, Iceage, Kings of Convenience, Air, etc… A certa altura faremos músicas em português, não sei se em Old Yellow Jack ou num projecto paralelo, mas neste momento sentimo-nos (Skronk e Riscas) francamente mais à vontade a escrever em inglês do que em português.

Imagino que entretanto já tenham temas novos compostos. Será preciso esperar mais três anos para saborear um novo trabalho dos Old Yellow Jack?

Quem nos tem seguido ao vivo tem ouvido músicas que ainda não foram lançadas e que, algumas delas, farão parte do álbum que queremos gravar ainda este ano. Além das que temos tocado ao vivo, ainda temos uma quantidade razoável de canções semi-acabadas mas ainda não ensaiadas.

O que vos move é apenas o indie rock ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Old Yellow Jack?

Terão de esperar para ver. É muito difícil de prever, já mudámos desde que gravámos o Magnus e continuaremos a mudar e desde que seja um processo orgânico, não vamos filtrar demasiado as nossas mudanças sonoras. E podemos ter sempre outras bandas e projectos se quisermos muito experimentar com outros géneros.

Como vai decorrer a promoção de Magnus? Onde poderemos ver os Old Yellow Jack a tocar num futuro próximo?

O lançamento vai ser dia trinta no Sabotage e estamos a marcar mais datas pelo norte do país para Fevereiro e Março.


autor stipe07 às 21:38
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The Babies - Got Old

The Babies - "Got Old"

Desde que em 2012 as The Babies de Kevin Morby dos Woods e de Cassie Ramone das Vivian Girls, editaram o seu fantástico álbum intitulado Our House on the Hill nunca mais deram notícias e o projeto ficou num manto de indefinição, temendo-se pelo futuro do mesmo. De então para cá, além do trabalho desenvolvido nas bandas de origem, Morby e Ramone lançaram discos a solo e o receio relativamente ao futuro dos The Babies aumentou ainda mais.

Felizmente a dupla voltou a dar sinais de vida com a edição de um single de sete polegadas, via Woodsist, com dois temas que são lados b de singles retirados de Our House on the Hill, as canções Got Old e All I Know. As duas foram gravadas na Califórnia em fevereiro de 2012 e produzidas por Rob Barbato e misturadas por Drew Fischer. Confere o primeiro tema deste sete polegadas e recorda o excelente Our House on the Hill...


autor stipe07 às 13:16
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

Viet Cong – Viet Cong

Os Viet Cong são uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo. À dupla juntou-se, entretanto, Scott Monty Munro e Danny Christiansen. No último verão os Viet Cong editaram, através da Mexican SummerCassette, um EP que incluia no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos levava numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta e agora, pouco mais de meio ano depois, chegou finalmente o primeiro longa duração do grupo, um compêndio com sete novas canções, que viu a luz do dia por intermédio da conceituada Jagjaguwar.

Viet Cong's self-titled album comes out on Jan. 20.

O punk rock dos Viet Cong tem uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurar, em simultâneo, uma textura sonora aberta, melódica e expansiva e não descurar o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Matt Flengel e, principalmente, na bateria de Wallace. Este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de Viet Cong, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo em várias canções, com particular destaque logo para a percussão tribal de Newspaper Spoons e, no epílogo, para o modo como é tocado em Death, como vamos ver adiante.

É perigoso dizer-se que os Viet Cong são apenas e só mais uma banda de punk rock, apesar de Continental Shelf, um dos singles já retirados de Viet Cong, ser um espetacular tratado sonoro aditivo do género, rugoso e viciante, até porque, em Bunk Buster, a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, em contraste com a pujança do baixo e a amplitude épica da melodia, que nos leva rumo ao rock alternativo dos anos novemtna e os solos e riffs da guitarra de Scott e Daniel, em Silhouettes, a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental, também se exibem no cardápio deste coletivo.

No fundo, o que os Viet Cong fazem é combinar algum do melhor post punk atual com o shoegaze, numa fórmula já pessoal e muito deles, onde o ruído não funciona com um entrave à expansão das canções, sendo, principalmente, um veículo privilegiado para lhes dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, os temas certamente não teriam. Fazer barulho também é uma arte que nem todas as bandas dominam, mas os Viet Cong sabem como harmonizá-lo e torná-lo agradável aos nossos ouvidos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas de March Of Progress, inicialmente à boleia de uma melodia hipnótica sintetizada, depois por um efeito luminoso em tudo semelhante ao som da harpa e, finalmente, num agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários mas apoteótico, é a demonstração cabal do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos. Além deste exemplo, a arquitetura sonora variada e sempre crescente de Death, um longo tema, mas nada monótono, cheio de mudanças de ritmo, com a junção crescente de diversos agregados e que atinge o auge interpretativo numa bateria esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, num resultado de proporções incirvelmente épicas, é algo bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero, a quem se deixar enredar na armadilha emocionalmente desconcertante que os Viet Cong construiram neste tema.

O efeito robótico da voz na inspirada e soporífera Pointless Experience e o modo como esse registo cola no timbre algo agudo e cru da bateria e no rigor inflamado do baixo, mostra ainda mais atributos e elevada competência no modo como os Viet Cong separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções, mas depois, no resultado final, tudo resulta de forma coesa e o ruído abrasivo fascina e seduz.

Viet Cong é uma estreia em grande estilo de um coletivo irreverente e inspirado, uma irrepreensível coletânea que aposta numa espécie de hardcore luminoso, uma hipnose instrumental abrasiva e direta, mas melodiosa e rica, que nos guia propositadamente para um mundo criado específicamente pelo grupo, onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Viet Cong produzem, feita com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Viet Cong - Viet Cong

01. Newspaper Spoons
02. Pointless Experience
03. March Of Progress
04. Bunker Buster
05. Continental Shelf
06. Silhouettes
07. Death


autor stipe07 às 21:16
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Shirley Said - Merry Go Round (video)

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Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

A dupla acaba de divulgar o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia. Na canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Confere...


autor stipe07 às 21:13
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Gengahr - She's A Witch

Gengahr - She's A Witch

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr causaram sensação no meio alternativo local quando em outubro último divulgaram Powder, por intermédio da Trasngressive records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências para a análise por parte da crítica.

Agora, alguns meses depois, os Gengahr acabam de desvendar mais um belíssimo segredo intitulado She's A Witch, o tema homónimo do EP do grupo, que chegará aos escaparates a dez de março através da mesma Transgressive. A canção é uma peça musical magistral, uma pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como o falsete da voz se entrelaça com a melodia, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, mais parece uma parada de cor, festa e alegria, onde todos os intervenientes comungam o privilégio de estarem juntos, do que propriamente um agregado de sons no formato canção. Ficarei muito atento a este projeto e regressarei aos Gengahr para a análise crítica do EP. Confere...


autor stipe07 às 13:18
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015

Archive – Restriction

Os Archive, um colectivo britânico formado em 1994 por Darius Keeler e Danny Griffiths, estão de regresso aos discos no início de 2015, através da PIAS Recordings, com Restriction, o sucessor de With Us Until You're Dead (2012) e Axiom (2014) e décimo álbum de estúdio de um projeto responsável por alguns dos mais marcantes discos do panorama alternativo dos últimos vinte anos, com destaque para o Londinium de 1996 e Noise de 2004.

Nestas duas décadas os Archive tornaram-se talvez no nome maior da vertente mais sombria e dramática do trip hop. Este Restriction foi produzido por Jerome Devoise, um colaborador de longa data da banda e se With Us Until You're Dead e Axiom trilhavam caminhos que iam da electrónica à soul, passando pela pop de câmara, agora os Archive colocaram as guitarras na linha da frente, ampliaram o volume das distorções e, mesmo sendo um disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, foi acrescentada uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral. É deste cruzamento espectral e meditativo que Restriction vive, com doze canções algo complexas, mas bastante assertivas.

Feel It, um dos singles do álbum e Restriction, o tema homónimo, abrem o disco e surpreendem pelo modo como as guitarras, o baixo e a bateria seguem a sua dinâmica natural, mesmo tendo a companhia sempre atenta do sintetizador, que não deixa de rivalizar com o conjunto, mas sem nunca ofuscar o protagonismo da tríade, que conduz os temas para uma faceta mais negra e obscura, tipicamente rock, esculpindo-os com cordas ligas à eletricidade, ao mesmo tempo que a banda exibe uma consciente e natural sapiência melódica.

Kid Corner, outro single já lançado do disco, segue a toada inicial, mas a replicar um certo travo industrial, que a belíssima voz de Holly Martin aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais. End Of Our Days vem quebrar esse ímpeto inicial, uma canção que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha, que se repete um pouco adiante, em Black And Blue, um registo quase à capella, onde esta mesma voz é acompanhada por um orgão e um efeito de uma guitarra que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia.

Esta lindíssima viagem às pastosas aguas turvas em que mergulha a eletrónica dos Archive ganha contornos de excelência em Third Quarter Storm, um mundo de paz e tranquilidade que nos embala e acolhe de modo reconfortante, proporcionando uma sensação de bem-estar e tranquilidade que nem um potente efeito sintetizado desfaz. O tema faz-nos descolar ao encontro da soul do piano de Half Built Houses, uma canção cheia de imagens evocativas sobre o mundo moderno e encarna o momento alto do trabalho de produção feito em Restriction e o já habitual modo como os Archive conseguem dar vida a belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

A escrita deste grupo britânico carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e a conjugação entre exuberância e minimalismo prova a sensibilidade dos Archive para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana.

Restriction avança, sem dó nem piedade, com as músicas quase sempre interligadas entre si e em Ride In Squares somos novamente confrontados com um excelente trip hop, de contornos algo sombrios e sinistros, mas bem vincados, feitos com camadas de efeitos sintéticos em cima de uma batida potente e certeira, numa espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, impregnadas com uma melodia bastante virtuosa e cheia de cor e arrumada com arranjos meticulosos e lúcidos.

Até final, se é o típico trip hop ácido e nebuloso que conduz Crushed, que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por teclados atiçados com efeitos metálicos e um subtil efeito de guitarra, já em Ladders Ruination é o rock progressivo feito com uma bateia e um baixo vibrantes e guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Greater Goodbye, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada.

Restriction é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. É um tratado de fusão entre indie rock, electrónica e outros elementos progressivos, que piscam o olho ao jazz, ao hip-hop e à soul, com pontes brilhantes entre si e com momentos de maior intensidade e outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, de modo honesto e coerente. Os Archive sempre seguiram uma linha sonora complexa e nunca recearam abarcar variados estilos e tendências musicais, mantendo sempre uma certa integridade em relação ao ambiente sonoro geral que os carateriza. Restriction tem alma e paixão, é fruto de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...

Archive - Restriction

01. Feel It
02. Restriction
03. Kid Corner
04. End Of Our Days
05. Third Quarter Storm
06. Half Built Houses
07. Ride In Squares
08. Ruination
09. Crushed
10. Black And Blue
11. Greater Goodbye
12. Ladders


autor stipe07 às 22:16
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Split Screens - Meeker Hollow (Video oficial)

Oriundo dos arredores de Nova Iorque, mas agora em São Francisco, na Califórnia, Split Screens começou por ser um projeto a solo saido da mente criativa do músico Jesse Cafiero (I started Split Screens as a solo project, to explore the tension between what we are and what we want to be) sendo o nome Split Screens inspirado na técnica cinematográfica que te permite visulizar na tela dois acontecimentos que sucedem em simultâneo em dois locais diferentes, o que, de certa forma, é coerente com o ideário que mais inspira Jesse e que o próprio justifica acima e também descreve a sua música que tanto vagueia pela pop de pendor mais comercial, como outras vertentes mais experimentais que não renegam o próprio blues e o jazz.

Depois de em setembro do último ano Jesse Cafiero ter dado a conhecer Before The Storm, o último longa duração dos Split Screens, agora, no início de um novo ano, surpreende com um novo vídeo de um tema, o filme de Meeker Hollow, o lado b de The Sinner, um single editado pelo projeto em março do ano passado.

O vídeo, com uma forte componente vintage, é bastante interessante e original já que usa imagens retiradas de um filme da Nasa datado de 1963, num resultado final que surpreende e que merece a nossa mais dedicada visualização. O conceito criado e desenvolvido acaba por se aliar na perfeição com a componente sonora de Meeker Hollow, uma belíssima canção, conduzida por um piano inspirado e luminoso, ao qual se vão adicionando diferentes fragmentos sonoros, adocicados na forma de arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida não só pelas cordas mas também pela percussão, tudo envolto com a pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste projeto, que tem criado um alinhamento consistente de canções, carregadas de referências assertivas. Confere... 

 


autor stipe07 às 18:32
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Toro Y Moi - Empty Nesters

Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras.

Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010 e compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado. No ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013 pela Carpark Records.

Agora, dois anos depois, já há finalmente sucessor. What For? vai ver a luz do dia a quatro de abril, na sua editora de sempre e, pelo avanço já divulgado, pisca o olho à hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao disco sound dos anos oitenta, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.

Confere Empty Nesters, o primeiro avanço divulgado de What For? e a tracklist do álbum...

01 “What You Want”
02 “Buffalo”
03 “The Flight”
04 “Empty Nesters”
05 “Ratcliff”
06 “Lilly”
07 “Spell It Out”
08 “Half Dome”
09 “Run Baby Run”
10 “Yeah Right”


autor stipe07 às 13:59
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Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Janeiro 2015

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