Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

The Deltahorse - Transatlantic

Não é tarefa fácil escrever sobre um disco quando se faz parte dos créditos do mesmo e da lista de agradecimentos relativamente a todos aqueles que, de acordo com os autores, tornaram possível que o tomo de canções em questão ganhasse vida. Tal demanda é ainda mais complicada quando o álbum é um excelente tratado de indie rock e, dizendo-o com toda a naturalidade e sinceridade, o leitor não achar que tais elogios se devem apenas à referida menção. Mas a verdade é que Transatlantic, o disco de estreia dos The Deltahorse, editado à boleia da Slower Faster Music, é a prova audível de que estamos na presença de um novo grupo que se apresenta ao universo musical indie, como um projeto que prima pelo detalhe e pelo bom gosto e que merece garantidamente uma audição atenta.

Resultado de imagem para the deltahorse band

Formados pelo cantor e compositor Vadim Zeberg, por Dana Colley, um saxofonista de Boston, nos Estados Unidos, que chegou a tocar esse instrumento com os Morphine e pelo berlinense Sash, os The Deltahorse têm no seu núcleo duro três músicos de diferentes proveniências e que, por incrível que pareça, nunca estiveram juntos no mesmo local, pelo menos até à data da edição de Transatlantic. A internet foi um veículo essencial no processo de composição melódica e na definição da arquitetura de dez canções perfeitas para uma noite diferente, plena de aventura e diversão, na melhor companhia possível ou, em alternativa, com disponibilidade para encontrar alguém diferente e especial, tal é o charme, a luxúria e a sofisticação do ambiente que as mesmas recriam.

Canções como a sedutora Street Walking, que aborda o modo infalível como uma bela mulher caminha na rua, a intimista Balcony TV que descreve um programa a dois bastante curioso ou Call It A Day, composição que nos oferece algumas sugestões credíveis para tornar um dia normal num marco nas nossas vidas, tenhamos nós coragem para nos deixarmos conduzir pelo lado mais obscuro da nossa mente, acentua uma espécie de concetualidade relacionada com uma viagem para um outro mundo onde não somos nós a espécie dominante e protagonista, mas antes observadores do modo como, se formos corajosos, podemos ter uma vida muito mais preenchida caso deixemos que os nossos maiores sonhos se materializem em concretos eventos e intensas emoções.A verdade é que a música dos The Deltahorse pode-nos salvar nesse mundo e fazer com que não nos sintamos isolados e perdidos, mas antes plenamente realizados e absortos por uma sensação de prazer única e intemporal.

Da eletrónica ao rock mais experimental, o som dos The Deltahorse oscila entre o sintético e o orgânico, enquanto choca com a energia da bateria e os arranjos fantásticos de um trompete convicto, podendo-se assistir a um salutar combate entre percussão, sopros, teclas e cordas, sempre a crescer de intensidade, como se estivessemos a descolar para uma viagem rumo ao tal mundo criado pela banda e definitivamente na rota certa para uma vida muito mais realizada e feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Transatlantic

Call It A Day

Happy Heart (Can Go For Miles)

Easy Life

Summer Mode

These Are Your Friends

Broadcast

Balcony TV

Street Walking

Tonight

Cinematic


autor stipe07 às 22:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Grandaddy – Way We Won’t & Clear Your History

 

Grandaddy - Way We Won't

Dez anos após o clássico Just Like The Fambly Cat, os californianos Grandaddy de Jason Lytle acabam de partilhar Way We Won't e Clear Your History, duas novas canções que antecipam a chegada de um novo álbum, ainda sem nome e data de lançamento, mas que terá a chancela da 30th Century Records de Danger Mouse.

Notavelmente contemporâneas, estas duas canções não defraudam a herança progressiva e experimental do indie rock que abastece o cardápio de uns Grandaddy que, como se percebe nas guitarras e na bateria da primeira e nos efeitos e no piano da segunda, ainda possuem capacidade criativa suficiente para explorar profundamente um género sonoro com caraterísticas muito próprias, mas que possibilitam inúmeras abordagens e explorações. Confere o primeiro dos dois temas...


autor stipe07 às 17:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 25 de Setembro de 2016

Hope Sandoval And The Warm Inventions – Let Me Get There

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Let Me Get There

Uma das parcerias mais interessantes que começa a surgir na penumbra do universo sonoro indie intitula-se Hope Sandoval And The Warm Inventions e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia programado para este projeto, a ver a luz do dia lá para novembro e intitulado Until The Hunter e Let Me Get There é o mais recente single divulgado desse registo, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile e que nos oferece uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra elétrica e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado numa letra de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto.

Until The Hunter irá ver a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval. Confere...


autor stipe07 às 23:29
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Still Corners – Dead Blue

Donos de uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis, mas as guitarras eléctricas e acústicas também marcam forte presença, os londrinos Still Corners de Greg Hughes e Tessa Murray, estão de regresso com Dead Blue, o sucessor do excelente Strange Pleasures (2013) e que já tinha sido de algum modo antecipado no final do ano passado com o lançamento de Horses At Night, um tema que a dupla divulgou, produzido e misturado pelo próprio Greg Hughes.

Resultado de imagem para still corners band 2016

Lançado com o alto patrocínio da Wrecking Light Records, Dead Blue pisca o olho a alguns dos mais relevantes aspetos herdados da eletrónica dos anos oitenta, com uma forte aposta no romantismo, um sentimento muito marcado nos sintetizadores acolhedores que controlam desde logo Lost Boys, o tema inicial. A própria temática lírica desta canção obedece a essa permissa e depois, canções do calibre da vigorosa Currents, da sombria Down With Heaven And Hell e da encorajadora Downtown, apontando timidamente para ambientes dançantes, com uma estética final global algo etérea e intemporal, acabam, por definir todo o conteúdo de um álbum onde também se aprecia algumas porções eletrónicas mais excêntricas, nomeadamente na bateria sintetizada e nos efeitos dos teclados de Crooked Fingers, o que torna a audição de Dead Blue um exercício ainda mais complexo e recompensador para o ouvinte.

Dead Blue surpreende, até porque também experimenta, fazendo-o sem romper com uma declarada aproximação à música pop, o que transforma cada uma das canções do disco numa fusão feliz entre reflexão e introspeção, por um lado e letargia e prazer, por outro. Espero que parecies a sugestão...

Still Corners - Dead Blue

01. Lost Boys
02. Currents
03. Bad Country
04. Crooked Fingers
05. Skimming
06. Down With Heaven And Hell
07. Downtown
08. The Fixer
09. Dreamhorse
10. Night Walk
11. River’s Edge


autor stipe07 às 21:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Cave Story - Body Of Work

Resultado de imagem para cave story caldas da rainha

Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) são os Cave Story, uma banda nascida nas Caldas da Rainha em 2013 e que deu o pontapé de saída numa carreira promissora com um conjunto de demos que chamou a atenção de vários promotores e festivais nacionais e internacionais como a FatCat Records e o Reverence Valada. Tendo visto a luz do dia no início de 2015, Spider Tracks foi o primeiro EP dos Cave Story, seis canções gravadas durante um ano e que ganharam vida descritas dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental, tendo-se seguido depois Garden Exit, um novo tomo de canções do trio, que solidificou e tipificou o som de um projeto sempre aberto e pronto para novas sonoridades, mas que confessa sentir-se mais confortável a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora.

Será em outubro que irá chegar aos escaparates West, o longa duração de estreia dos Cave Story e Body Of Work, o primeiro avanço divulgado do disco, será a concretização plena desta desenvoltura rockeira, o epílogo do promissor percurso acima descrito e que confirma estarmos na presença de um nome essencial das várias lebres de uma nova geração de bandas nacionais que redescobriram, à chegada do novo século, o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll. Confere...

 


autor stipe07 às 21:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Space Daze – Down On The Ground EP

Resultado de imagem para space daze danny rowland

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista e compositor dos consagrados Seapony e Down On The Ground o novo compêndio de canções do músico, cinco canções que encontram nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Down On The Ground é curto, mas incisivo no modo como replica uma dream pop luminosa, jovial e vibrante e que atira de modo certeiro ao puro experimentalismo, à medida que as cordas vão passeando por diferentes nuances sonoras, sempre com o denominador comum acima referido.

Se What Did You Say levita em redor de uma névoa lo fi com um ligeiro travo acústico à mistura, já Over e Go Wrong são duas peças sonoras eminentemente contemplativas, com quase dois pés na folk e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente. Refiro-me a dois extraordinários tratados sonoros que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, enquanto plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no EP, a capacidade que Danny possui para compôr peças sonoras melancólicas, com elevado sentido melódico e uma vincada estética pop. Depois, o esplendor de cor e delicadeza que exala das cordas de No Control, ou a distorção algo pueril da guitarra que conduz Brought Me Down, prendem-nos definitivamente a um projeto com um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado superior de consciência e profundidade.

Down On The Ground é a recriação clara de um músico que prova ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, enquanto plasma uma capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:10
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

VoirVoir - There Are No Goodbyes

April Smith, Josh Maskornick, Matt Juknevic, Matt Molchany e Felicia Vee, são os VoirVoir, uma banda norte-americana natural de Bethlehem, na Pensilvânia e que acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com There Are No Goodbyes, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Resultado de imagem para VoirVoir band

Com dez excelentes composições de indie rock rugoso e monumental, There Are No Goodbyes é um intenso compêndio de garage rockpós punk e rock clássico, uma fusão de estilos e géneros que, como se percebe logo no single I Wanna, é dominada por aquela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebe qual é a bitola sonora destes VoirVoir e o alinhamento, na verdade, não defrauda os apreciadores do género, com temas do calibre da incisiva His Last Sound ou da ruidosa e inconstante If Miles Were Years, só para citar dois exemplos, a serem conduzidos por guitarras que apontam em diferentes direções, um baixo que não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico e rítmico e alguns efeitos e arranjos que ajudam a destacar a forma corajosa como, logo na estreia, estes VoirVoir não se coibem de tentar experimentar, sem perturbar a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar de numerosos e ricos momentos de especificidade rugosa que personificam uma garra e uma criatividade que deverá, em edições futuras, empurrar e alargar as barreiras deste projeto, para um nível mais elevado de projeção.

Disco que tem até em Down Together uma canção excelente para funcionar como um ombro amigo que ajuda a consolar algumas angústias e problemas, There Are No Goodbyes existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 18 de Setembro de 2016

The Pineapple Thief – Your Wilderness

Bruce Soord, Steve Kitch e Jon Sykes são os The Pineapple Thief, uma banda britânica natural de Sommerset, que está de regresso aos discos com Your Wilderness, oito canções que viram a luz do dia em agosto, por intermédio da Kscope. Este registo sucede a Magnolia, um álbum que o grupo lançou há cerca de dois anos e a All The Wars (2012), sendo já o décimo primeiro deste coletivo.

Resultado de imagem para The Pineapple Thief 2016

Habituados a criar hinos sonoros inspirados nas diferentes manifestações que pode ter o amor e que costumam preencher o ideário lírico das suas canções, os The Pineapple Thief surgem em Your Wilderness a oferecer aos ouvintes mais uma prova de maturidade e acuidade sonora, ao mesmo tempo que conseguem renovar o arsenal de arranjos e tiques que compôem o seu cardápio. Logo no timbre da guitarra de In Exile é-nos oferecido um desses novos truques que os The Pineapple Thief ainda tinham guardado na manga, após dois excelentes trabalhos que encontram aqui um sucessor à altura.

Assim, além da receita habitual em que assenta o indie rock rugoso e fortemente épico deste projeto britânico, a sensibilidade acústica de No Man's Land e de Fend For Yourself, a penumbra que desce sobre os nossos ouvidos em Where We Stood e as teclas de That Shore, que aproximam a banda do trip-hop mais ambientalmostram, desde logo, que os The Pineapple Thief continuam a apostar na sua génese, mas também conseguem dar-nos instantes sonoros delicados, tudo isto graças à capacidade critiva da banda, mas também à presença, em algumas canções de uma vasta teia instrumental. O resultado final acaba por ser um excelente compêndio de rock alternativo, dominado por guitarras marcadas por compassos irregulares e distorções que se entrecuzam com uma vertente mais acústica, feita com delicados arranjos de cordas batidas do baixo, mas onde também não faltam nuances eletrónicas proporcionadas por sintetizadores e samplers, aspetos que nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Esta receita é abrilhantada e sustentada por uma voz sempre imponente, o principal fio condutor das canções e que muitas vezes contrasta com a natureza algo sombria de algumas melodias.

Os The Pineapple Thief encontram as suas raízes no rock progressivo, mas também conseguem oferecer propostas abrangentes e podem ser incluídos naquele rol de bandas que gostam de experimentar e direcionar a sua música por diferentes caminhos a cada novo disco, procurando conquistar o seu espaço entre os grandes nomes desse rock progressivo atual. Espero que aprecies a sugestão...

The Pineapple Thief - Your Wilderness

01. In Exile
02. No Man’s Land
03. Tear You Up
04. That Shore
05. Take Your Shot
06. Fend For Yourself
07. The Final Thing On My Mind
08. Where We Stood


autor stipe07 às 18:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 15 de Setembro de 2016

Local Natives – Sunlit Youth

À exceção de algumas remisturas e versões, os norte americanos Local Natives têm-se mantido na penumbra desde o excelente Hummingbird, o disco que esta banda natural de Los Angeles editou em 2013 e que fez da leveza instrumental, do sofrimento traduzido em versos e da formatação primorosa que brincava com a excelência das formas instrumentais, a sua imagem de marca.

Resultado de imagem para localnatives 2016

Mas agora, mais de três anos depois e à boleia da Loma Vista Recordings, este quinteto liderado por Taylor Rice está de regresso com Sunlit Youth, doze novas canções antecipadas já há alguns meses por Past Lives, tema que ampliava a habitual componente épica dos Local Natives, feita com texturas monumentais e arranjos deslumbrantes, sempre numa lógica de progressão, à medida que a canção avança e nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro deste grupo e que se estendem pelo restante alinhamento do álbum.

A sonoridade dos Local Natives sempre se manteve dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade lírica e musical, algo bem patente logo em Gorilla Manor, o disco de estreia e uma obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo. Hummingbird concretizou tudo aquilo que tinha sido proposto três anos antes e Sunlit Youth, mantendo o grupo na rota delineada, acrescenta uma maior componente épica, feita com texturas monumentais e arranjos que parecem aproximar o grupo das propostas de Robin Pecknold (Fleet Foxes) e Win Butler (Arcade Fire) e fazer uma espécie de simbiose das mesmas, como se percebe logo na imensidão sonora de Villainy.

Em Sunlit Youth há coerência no alinhamento e cada tema parece introduzir e impulsionar o seguinte, numa lógica de progressão, mas nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro dos Local Natives. Dessa forma, enquanto Fountain Of Youth e Masters crescem de maneira a soterrar-nos com emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, Dark Days e Jellyfish puxam o álbum para ambientes mais melancólicos e amenos. Existem ainda composições que lidam, em simultâneo, com esta duplicidade, caso de Coins, um tema que nos transporta até altos e baixos instrumentais, que atacam diretamente os nossos sentimentos.

E são estes sentimentos que suportam cada mínima fração instrumental e poética de Sunlit Youth, já que praticamente tudo aquilo que se ouve lida com aspectos dolorosos da vida a dois. A própria sobreposição de cantos e o modo com os músicos da banda vão-se revezando na voz e de maneira orquestral direcionam os próprios rumos marcados pelos instrumentos que tocam. Assim, as vozes servem como estímulo para o começo, o meio e o fim das canções e não são apenas um instrumento extra, mas uma das linhas que guiam e amarram o álbum do princípio ao fim.

Embora tenha a concorrência de um universo musical saturado de propostas, Sunlit Youth consegue posicionar os Local Natives num lugar de destaque, porque traz na constante proximidade entre as vozes e as melodias instrumentais, imensa emoção e carateriza-se por ser um registo que involuntariamente chama a atenção pela beleza e que, por isso, deve ser apreciado com cuidado e real atenção. Espero que aprecies a sugestão...

Local Natives - Sunlit Youth

01. Villainy
02. Past Lives
03. Dark Days
04. Fountain Of Youth
05. Masters
06. Jellyfish
07. Coins
08. Mother Emanuel
09. Ellie Alice
10. Psycho Lovers
11. Everything All At Once
12. Sea Of Years


autor stipe07 às 22:33
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

Teenage Fanclub – Here

Vinte e seis anos depois do registo de estreia, os icónicos vereranos escoceses Teenage Fanclub quebram um hiato de seis anos e estão de regresso aos discos, mais efusivos e luminosos do que nunca, com Here, doze novas canções de um projeto simbolo do indie rock alternativo e que, de certa forma, ainda tem um lugar reservado, de pleno direito, no pedestal deste universo sonoro.

Resultado de imagem para teenage fanclub 2016

Editado à boleia da Merge Records, Here mistura nostalgia e contemporaneidade, com afeto e melancolia, através de guitarras efusivas e com aquela dose equilibrada de eletrificação que permite alguns instantes de experimentalismo, sem colocar em causa o cariz fortemente radiofónico que sempre caracterizou os Teenage Fanclub. Aliás, I'm In Love e Thin Air são duas canções de airplay fácil e acessível e escolhidas a dedo para abrir o alinhamento de Here.

Depois desta abertura vibrante, as cordas de Hold On abrem a porta para uma sequência de vários temas em que é possível fazer uma pausa melancólica e introspetiva, sendo esta composição um convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, mas nada triste e depressivo, já que a melodia é luminosa e implicitamente otimista. The Darkest Part Of The Night reforça esta sequência com um ambiente mais climático e quer esta canção quer I Have Nothing More to Say impressionam pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona, evidenciando-se o cardápio de efeitos capazes de adornar o modo como no processo de composição dos Teenage Fanclub a guitarra é fulcral no modo como emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.

Até ao ocaso de Here, na destreza entre o vigor e a delicadeza de The First Sight, a cândida leveza de Steady State e a sinceridade explicita de With You, somos confrontados com uns Teenage Funclub intocáveis no modo como preservam uma integridade sonora ímpar, com estes escoceses a oferecem-nos, em consciência, um meritório retorno, feito de melodias complexas e simples e letras românticas e densas, de uma banda que insiste em ser preponderante e firmar uma posição na classe daquelas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão.

Teenage Fanclub - Here

01. I’m In Love
02. Thin Air
03. Hold On
04. The Darkest Part Of The Night
05. I Have Nothing More To Say
06. I Was Beautiful When I Was Alive
07. The First Sight
08. Live In The Moment
09. Steady State
10. It’s A Sign
11. With You
12. Connected To Life


autor stipe07 às 21:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Setembro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

16
17

19
24

26
28
30


posts recentes

The Deltahorse - Transatl...

Grandaddy – Way We Won’t ...

Hope Sandoval And The War...

Still Corners – Dead Blue

Cave Story - Body Of Work

Space Daze – Down On The ...

VoirVoir - There Are No G...

The Pineapple Thief – You...

Local Natives – Sunlit Yo...

Teenage Fanclub – Here

Allah-Las - Calico Review

Cold Cave – The Idea Of L...

Kings Of Leon - Waste A M...

Nick Cave And The Bad See...

Wilco - Schmilco

R.E.M. - Radio Song (demo...

Booby Trap - Survival

Warhaus – We Fucked A Fla...

Everything Everything – I...

Kid Canaveral - Faulty In...

X-Files

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds