Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

Yucatan – Uwch Gopa’r Mynydd

Oriundos do País de Gales, ou melhor, de Cymru, o nome antigo pelo qual era conhecido o território atualmente denominado Wales, nas ilhas Britânicas, os Yucatan são uma das novas sensações do universo sonoro alternativo, etéreo e melanólico, devido a Uwch Gopa’r Mynydd, o novo trabalho deste quarteto, lançado no passado dia vinte e dois de junho através da Recordiau Coll.

Escuta-se Uwch Gopa’r Mynydd e são inevitáveis salutares e elogiosas comparações com os vizinhos Sigur Rós, não só por causa da postura lírica e vocal, com estes Yucatan a cantarem com um dialeto próprio à semelhança do trio islandês, mas principalmente devido à sonoridade fortemente emotiva que os envolve. Sem esforço, este trabalho é capaz de projetar nos nossos ouvidos uma tela cheia de sonhos e sensações que muitas vezes apenas pequenos detalhes ou amplos arranjos conseguem proporcionar. O abraço feliz entre cordas exuberantes e metais impregnados de cândura em Cwm Llwm e o teclado soturno, os violinos, as guitarras distorcidas a percussão majestosa de Ffin, fazem-nos emergir num ambiente muito próprio e montam, logo à partida, o puzzle que contém o espetro sonro em que estes Yucatan se movimentam, com uma personalidade muito vincada e que nos remete também, emvários instantes, para a pueril simplicidade do mundo infantil. Os sinos e o falsete de Word Song e Angharad, o efeito minimal da guitarra da última e os efeitos burbulhantes e aquáticos de Ochenaid parecem saidos de uma caixa de música minúscula, que foi colocada num local bem determinado, por geração espontânea ou por obra do divino, não se sabe muito bem, mas escondida eficazmente, no fundo de um lago gelado que se formou há milhares de anos nas profundezas de uma escura, mas intacta e nunca explorada caverna, mas que foi revelada aos Yucatan em sonhos, já que só eles conseguiriam descodificar com notável precisão o seu conteúdo e materializá-lo nestas duas canções.

Sendo ou não obra do além ou apenas o resultado final de um trabalho intenso e planeado ao milímetro por quatro músicos que nasceram agraciados pelo desejo do lado bom de um dia se juntarem para compôr e tocar, Uwch Gopa’r Mynydd é festivo e grandioso e, contendo nuances variadas e harmonias magistrais, é um facto que todos os seus componentes, vocal e instrumental, orientam-se de forma controlada, como se tivessem sido agrupados com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma projeção do lado apenas bom de cada um de nós. Na verdade, é curioso perceber que sendo essa constatação natural perante uma audição sentida e dedicada, também é plausível constatar que as oito canções fluem de maneira hermética e acizentada. O piano e a voz de Halen Daean A Swn Y Mon e o modo como os tambores aumentam o rufar e os trompetes se insinuam à medida que o ritmo e a intensidade progridem, oferecem-nos essa sensação dicotómica expondo dentro de nós sentimentos de alegria e exaltação, mas também de arrepio e um certo torpor perante a grandiosidade do sentimento que exala do tema. 

Tendo na algibeira este álbum que conceptual e estilisticamente se fecha dentro de um campo próprio, intensamente místico e imerso num plano sonoro gracioso e sendo devidamente apreciados, estes Yucatan poderão ser acusados formalmente e posteriormente sentenciados, sem possibilidade de recurso, de serem responsáveis por uma nova geração de ouvintes se voltar a aproximar da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação sonora, que incluem tantas vezes estranhos mas produtivos diálogos sempre passíveis de existir neste imenso mar de possibilidades chamado música. São discos como estes que impelem qualquer amante e crítico musical a nunca virar a cara à luta, nem se deixar absorver pelo desalento da incompreensão. Espero que aprecies a sugestão...

Yucatan - Uwch Gopa’r Mynydd

01. Ffin
02. Cwm Llwm
03. Word Song
04. Halen Daean A Swn Y Mon
05. Ochenaid
06. Llyn Tawelwch
07. Angharad
08. Uwch Gopa’r Mynydd


autor stipe07 às 21:45
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Kubalove - Trouble

Algures entre os Goldfrapp e os M83 situam-se os Kubalove um projeto de eletropop sedeado em Londres e que faz já parte do cardápio da Lost In The Manor.

O pop funk sintetizado melódico e com um forte apelo às pistas de dança de Trouble, uma canção que se debruça sobre a pressão e o desejo que muitos de nós sentem relativamente aos impulsos imediatos que a sociedade contemporânea nos oferece constantemente é a proposta sonora mais recente deste projeto liderado por uma cantora que a coberto da sua sensualidade nos inebria com particular mestria. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Sábado, 4 de Julho de 2015

Grasscut - Everyone Was A Bird

​Oriundos de Brighton, os britânicos Grasscut são uma dupla formada por Andrew Phillips e Marcus O’Dair e estão de regresso aos discos com Everyone Was A Bird, o terceiro tomo da carreira do projeto, editado através da Lo Recordings. Se coube essencialmente a Phillips escrever, cantar, produzir e tocar piano, guitarra, baixo, sintetizador, Everyone Was A Bird acabou por ser o trabalho da dupla onde Marcus teve, até agora, um papel mais ativo, já que também toca piano e baixo na maior parte das canções.

Fortemente cinematográficos e imersivos, submergidos num mundo quase subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar estas oito nove músicas que acresecentam ao seu já notável cardápio, os Grasscut impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial das suas canções. Os feitos que borbulham de Islander, canção inspirada numa zona chamada Jersey onde Phillips cresceu e o mapa conciso que o tema cria do espaço escuro e fundo onde este disco foi criado, subsistem à custa de uma mistura feliz entre a eletrónica mais introspetiva e minimal e alguns dos mais preciosos detalhes do post rock, onde não faltam belíssimos violinos, particulamrnte ativos também em Radar. Depois, as teclas do piano, um baixo sempre vibrante e lindísiimas letras, algumas delas inspiradas na obra de Robert Macfarlane, autor do clássico Landmarks, Mountains of the Mind, The Wild Places and The Old Ways, são outros elementos sonoros do álbum que o emblezam particularmente.

Everyone Was A Bird fala do passado dos antepassados desta dupla, é uma busca muito particular das origens e da identidade de ambos, enquanto procuram replicar sonoramente as paisagens naturais onde habitaram os seus antecessores; Escutam-se os sons naturais de Curlews, o piano vintage que conduz a melodia e o registo vocal em coro num assombroso registo em falsete, para pintarmos sem grande dificuldade na nossa mente a tela paisagistíca que inspirou os Grasscut, onde não faltam ribeiros cheios de vida, manhãs dominadas pelo nevoeiro e um frio intenso e revigorante e uma fauna muito particular, com a curiosidade de, num patamar inferior, suportando este quadro idílico, estar o tal universo submerso, escuro e entalhado qase no ventre da terra mãe, expirando por um buraco cravado no solo poeirento toda esta vida feita música, que tanto pode estar ainda em Jersey, como já no estuário de Mawddach, no País de Gales, região de origem da família de Philips e onde a maioria da mesma ainda reside, ou a própria Brighton, que inspirou o conteúdo particularmente profundo e emotivo da balada Snowdown, cantada por Elisabeth Nygård e da pensativa e reflexiva, mas também épica The Field.

O momento mais emocionante, extorvertido e grandioso de Everyone Was A Bird acaba por ser o final com Red Kite, tema onde os Grasscut parecem já querer projetar-se para uma dimensão superior,  numa canção cheia de detalhes e sons fortemente apelativos e luminosos, aprofundando a relação intensa que existe neste disco entre música e uma componente mais visual, ao que não será alheio o trabalho de Phillips como criador de bandas sonoras, sendo bom exemplo a sua participação, por intermédio de outro quarteto de que faz parte, no aclamado documentário Piper Alpha: Fire In The Night, que relata os trágicos acontecientos ocorridos no Mar do Norte em Julho de 1988, quando um incêndio numa plataforma petrolífera tirou a vida a cento e sessenta e sete trabalhadores e a elaboração de uma série de filmes de paisagens naturais, da autoria de Roger Hyams e do fotógrafo Pedr Browne, para acompanahrem cada um dos oito temas de Everyone Was A Bird, nomeadamente quando forem tocados ao vivo, sendo projetados durante os concertos dos Grasscut.

Com as participações especiais nas vozes da já referida Elisabeth Nygård, de Adrian Crowley e de Seamus Fogarty e de Aram Zarikian na bateria, Emma Smith e Vince Sipprell nas cordas, Everyone Was A Bird é uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante, que nos faz imaginar a beleza daquelas ilhas sem grande esforço e quem se deixar contagiar pela melancolia destes Grasscut será transportado rapidamente para o gélido norte das ilhas britânicas, talvez acompanhado por uma xícara bem quente de chá. Espero que aprecies a sugestão...

Grasscut - Everyone Was A Bird

01. Islander
02. Radar
03. Curlews
04. Fallswater
05. Halflife
06. Snowdown
07. The Field
08. Red Kite


autor stipe07 às 18:35
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Eliot Sumner – After Dark

Eliot Sumner - After Dark

Com o ocaso do projeto I Blame Coco, Eliot Sumner virou definitivamente agulhas para o seu projeto a solo que deverá ver o disco de estreia ainda antes do final deste ano. After Dark é o primeiro single divulgado desse álbum e nela, a voz andrógena de Eliot é coberta por uma nuvem de sintetizadores, guitarras precisas e batidas que moldam uma melodia cujo clima soturno apela claramente à pop dos anos oitenta.

No vídeo, captado num estúdio pouco iluminado, a cantora surge com os colegas de banda, todos separados por estações, num ambiente repleto de luzes coloridas e projeções frenéticas que ajudam a ampliar o tom sombrio da canção. Confere...


autor stipe07 às 18:22
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2015

The Black Lamps – The Black Lamps

Greg Firth, Dean Ormston, Lyndon Scarfe e Liam Stewart são os The Black Lamps, uma banda inglesa oriunda de Barnsley e no ativo desde 2006, com uma já apreciável atividade, sempre com sonoridades adjacentes ao indie rock mais sombrio no ponto de mira. No início deste ano editaram um homónimo, através da Of National Importance Records, dez canções produzidas e misturadas pelos próprios The Black Lamps e masterizadas por Tom Woodhead.

Trio cheio de nomes consagrados do cenário indie punk local, com alguns músicos a andarem nestas andanças há mais de três décadas e com atividades paralelas mas que não deixam de ter a música como referência importante (Liam gere uma empresa local de manufatura de t-shirts, Greg é designer industrial e Dean artista gráfico e ilustrador), os The Black Lamps são um nome respeitado e este homónimo o culminar de vários anos de trabalho, momentos de apatia e outros de enorme produtividade, atuações ao vivo e gravações esporádicas e planeadas, num resultado final sóbrio e elegante, coberto por aqulea aúrea nostálgica e enevoada que só as bandas britânicas sabem criar.

Com os conterrâneos Cure e Joy Division a encabeçar as influências declaradas da sonoridade dos The Black Lamps, mas também com os sintetizadores dos New Order a ditaram lei, logo em The Archivist, The Black Lamps exala esse agradável sabor nostálgico ao dealbar dos anos oitenta. Casa Disco, o segundo tema, homenageia uma loja de discos local entretanto encerrada e as guitarras contêm essa familiariedade com o indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio.

A voz de Liam ganha plano de destaque maior sempre que procura acompanhar um esqueleto instrumental melancólico, fazendo-o com particular audácia na subtil Awnkward e no universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada que rodeia Low Hanging Fruit. Em The Smoking Party, mesmo com maior reverb, volta a não descolar no grau de emotividade que coloca na sua interpretação vocal, exemplarmente acompanhado pelas exuberância das cordas e em Gene Pool tem ao seu lado uma percurssão coesa e bastante ritmada.

Até ao ocaso de The Black Lamps torna-se imprescindível e especial deleitar os nossos ouvidos com o ritmo sempre crescente, num álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade e que é, sobretudo, um exercício de audição individual das canções. Mesmo ignorados por meio mundo, os The Black Lamps aproveitam o facto de estarem no apogeu da carreira e do grau de maturidade de todos os seus membros, para criar um disco fantástico, emocionante, vigoroso e comunicativo e que merecia uma maior projeção. Talvez seja desta vez que conseguem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns projetos que procuraram replicar apenas, ao longo da carreira, zonas de conforto, mesmo que o façam com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Black Lamps - The Black Lamps

01. The Archivist
02. Casa Disco
03. Colour 8
04. The Smoking Party
05. Awkward
06. Planets
07. Are There No More Surprises?
08. Low Hanging Fruit
09. Gene Pool
10. Scissors, Paper, Stone


autor stipe07 às 14:33
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The Libertines – Gunga Din

The Libertines - Gunga Din

Onze anos depois do último registo de originais, os britânicos The Libertines, de Peter Doherty e Carl Barât, têm finalmente um novo trabalho na calha. Anthems for Doomed Youth chega aos escaparates em setembro, via Harvest, e Gunga Din é o primeiro single divulgado.

A canção inspira-se num poema do século XIX com o mesmo nome da autoria de Rudyard Kipling e o vídeo, realizado por Roger Sargent, mostra o quarteto a deambular pelas ruas do Red Light District, na Tailândia. Confere...

 


autor stipe07 às 10:04
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2015

Cold Weather Company – Somewhere New

Brian Curry, Jeff Petescia e Steve Shimchick são os Cold Weather Company, um trio norte americano oriundo de New Brunswick, em Nova Jersey, que se estreou nos discos no início deste ano com Somewhere New, treze canções que viram a luz do dia logo em janeiro e que foram captadas em quartos, caves e até numa cabine, gravadas e misturadas por Ralph Nicastro dos Boxed Wine.

É a mais genuína herança sonora da América profunda que preenche o código genético destes Cold Weather Company, abastecido por cordas, que servem como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Este coletivo mergulha fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, este trio deixa-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem cada uma destas treze canções e expandem os territórios deste grupo da costa leste. A simbiose entre os dois géneros possibilita que eles se encontrem, como em Steer, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Fellow In The North, o piano de Unlocked, a luminosidade do dedilhar de Jasmine ou a pronúncia grave das notas de Fall Low denunciam de forma declarada.

Há em Somewhere New uma capacidade subtil de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, conforme indica o título, substancialmente melhor. Nas letras os Cold Weather Company assumem uma postura quase religiosa, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, num disco bucólico e nostálgico que o aproxima de outros grandes representantes da cena folk atual, com os Fleet Foxes, ou os The Decemberists a serem, cdertamente, referências óbvias. A própria subtileza vocal de Brian Curry parece rondar em várias canções Colin Meloy, uma aproximação que, por exemplo, em Horizon Fire, resulta num doce retrato do que seria a música pop há umas cinco décadas. Esta calma acaba por definir a estrutura geral de Somewhere New, com a busca de delicadeza e um altivo controle da espontaniedade a serem, para já, uma imagem de marca destes Cold Weather Company.

Na estreia, este trio norte americano utiliza a santa triologia da pop, da folk e da country de forma extremamente assertiva e eficaz, num resultado final que reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que simultanemente nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Weather Company - Somewhere New

01. Horizon Fire
02. Fellow In The North
03. Steer
04. Inside Your Eyes
05. Someone Else
06. Hey Bodham Dae / What Do I Do
07. Garden
08. Unlocked
09. Jasmine
10. Tumbling
11. Recollection
12. Fall Low
13. Seafarer


autor stipe07 às 22:00
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Beach House - Sparks

Beach House - Sparks

É já a vinte e oito de agosto que chega às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House e Sparks é o primeiro single divulgado do sucessor do aclamado Bloom

Com uma sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, assente em sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, os Beach House mantêm, em Sparks, intacta a sua aura melancólica e mágica, que vive em redor da voz doce de Victoria Legrand e da mestria instrumental de Alex Scally e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, com My Bloody Valentine, Rocketship e Slowdive a serem recordados com alguma nitidez neste tema. Confere...


autor stipe07 às 16:37
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DIV I DED - Late Awakening

A dezassete de julho chega aos escaparates Born To Sleep, o disco de estreia dos DIV I DED, um projeto checo criado pelo multi-instrumentista Filip Helštýn em 2013, juntamente com a vocalista Viktorie Marksová e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inspirados pela pop melancólica simples e intrigante, feita com aquele intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação e adornada com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, os DIV I DED também piscam o olho ao punk rock em Late Awakening, o primeiro single divulgado de Born To Sleep, um tema que exala um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Confere...


autor stipe07 às 16:25
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