Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Passenger Peru - Light Places

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, os Passenger Peru estão de regresso em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, viu a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que podes encomendar facilmente.

Fortemente psicadélicos e com o punk ali ao canto da mira, estes Passenger Peru têm uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurarem, em simultâneo, uma textura sonora aberta, melódica e expansiva e não descurar o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Stivers e, principalmente, nas guitarras plenas de fuzz e distorções rugosas e inebriantes. Este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de Light Places, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo em várias canções, com particular destaque logo para o pop rock, algo cósmico, mas ligeiramente lo fi, cheio de arranjos detalhado da impressiva The Best Way To Drown, o primeiro single retirado do álbum e o contraste entre o red line e a viola acústica em Placeholder e o apenas aparente caos grunge de One Time Daisy Fee, canção onde a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, sobrevive em contraste com a pujança do baixo, a distorção da voz e a amplitude épica da melodia.

Break My Neck, o segundo single retirado de Light Places, vira um pouco a agulha do álbum para um universo mais melancólico, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de cordas com arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...). Este tema plasma com precisão as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Na sequÊncia, o lindíssimo clima acústico de Falling Art School, canção que trasnpira a uma naturalidade e espontaneidade curiosas, com diferentes sons a arranjos a serem adicionados e retirados quase sem se dar por isso, é um exemplar modelo sonoro que prova que estes Passenger Peru sabem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que a dupla nos oferece nas reverberações ultra sónicas deste tema e no transe da batida e dos detalhes sintéticos de Better Than The Movies, assim como no agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários mas apoteótico que define Impossible Mathematics, é a demonstração cabal do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, levando-nos rumo ao período aúreo rock alternativo, com os solos e riffs da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental, que comprime tudo aquilo que sonoramente seduz os Passenger Peru em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Na reta final do disco, o regresso do simples dedilhar orgânico da viola na ternurenta On Company Time, que se repete em Pretty Lil' Paintin', alarga ainda mais o abraço sonoro que Stivers e Gonzales dão às fronteiras que definem o seu cardápio e são a cereja que faz de Light Places um marco na carreira destes Passenger Peru, definido em grande estilo, por um coletivo irreverente e inspirado, uma irrepreensível coletânea que aposta numa espécie de hardcore luminoso, uma hipnose instrumental abrasiva e direta, mas melodiosa e rica, que nos guia propositadamente para um mundo criado específicamente pelo grupo, onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Passenger Peru produzem, feita com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:41
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Spray Paint - Polar Beer

Depois de terem surpreendido em 2014 com o espetacular Clean Blood Regular Acid, os norte americanos Spray Paint, de Cory Plump (guitarra e voz), George Dishner (guitarra e voz) e Chris Stephenson (bateria e voz), uma banda artpunk de Austin, no Texas, na senda de nomes tão importantes como os Thee Oh Sees, Parquet Courts ou Viet Cong, estão de regresso em 2015 com Punters On The Barge, o quarto trabalho da carreira do trio, um disco que vai ver a luz do dia a um de junho através da Homeless Vinyl.

Polar Beer, uma canção que tem a Islândia como cerne temático, é o primeiro avanço divulgado desse trabalho, um tema assente numa guitarra hipnótica, esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, num resultado de proporções incirvelmente épicas, bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero, a quem se deixar enredar na armadilha emocionalmente desconcertante que os Spray Paint construiram neste tema. Confere...

 


autor stipe07 às 11:37
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27 abril Red Snapper - Wonky Bikes EP

O trio britÂnico Red Snapper continua a divulgar o conteúdo de 

 

ed Snapper are a British instrumental band founded in London in 1993 by Ali Friend (double bass), Richard Thair (drums), and David Ayers (guitar). The three core members are also joined by various guest musicians and vocalists on different records. According to music journalist, Jason Ankeny (Allmusic) "the British acid jazz triowere notable for their pioneering synthesis of acoustic instruments and electronic textures".


autor stipe07 às 11:15
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Brandon Flowers - Can't Deny My Love

Brandon Flowers - Can't Deny My Love

Vocalista e lider dos The Killers, Brandon Flowers voltou a apontar agulhas para a sua carreira a solo, estando para breve o lançamento du sucessor de Flamingo, o anterior registo do músico, editado em 2010.

Desired Effect irá ver a luz do dia a dezoito de maio e Can't Deny My Love é o primeiro avanço divulgado desse trabalho, uma canção com uma sonoridade diferente do habitual, sendo o produtor Ariel Rechtshaid responsável por essa inflexão, com o próprio Flowers a afirmar que procurou sair da sua habitual zona de conforto, para apostar agora numa sonoridade que não descura as guitarras, mas que coloca o sintetizador na linha da frente do processo de composição melódica. Confere...


autor stipe07 às 11:04
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Sounds Like Sunset – We Could Leave Tonight

Os australianos Sounds Like Sunset  são David Challinor, Tobey Doctor e David Hobson e já andam nestas andanças desde 1997, tendo-se estreado nos registos discográficos em 2000 com Saturdays. Editaram no passado dia vinte e dois de julho de 2014, We Could Leave Tonight, o terceiro registo do grupo, disponível para audição na plataforma bandcamp.

Impressiona perceber que estes Sounds Like Sunset andam nestas andanças há quase duas dé cadas e são ainda uns perfeitos desconhecidos tendo em conta o conteúdo de We Could Leave Tonight, um irrepreensível compêndio de indie rock com nove magníficas canções com um espiríto que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana, num mundo feito de dúvidas, deceções e guerras, tantas vezes desnecessárias e incompreensiveis.

Há aqui um clima sonoro que nos leva numa viagem espiritual, convidando-nos a usufruir de instantes que não deixando de ser ruidosos, assentam num excelente registo introspetivo que mostra muito do código genético de um projeto que tem colado a si o indie rock de cariz mais alternativo, que fez escola na década de noventa, mas também apontando agulhas para os primórdios do punk rock e de sonoridades mais progressivas. O single Second Chance, a canção que abre o disco com notável vigor e convicção, mostra uns Sounds Like Sunset a fazer aquilo que o próprio nome da banda indica, ou seja, a inebrirar os nossos sentidos com melodias luminosas e aditivas, apesar de parecerem liricamente entalhados numa forte teia emocional amargurada,que a distorção das guitarras ajuda a ampliar, em canções como Open My Eyes ou Misunderstood.

Se o rock alternativo é, por natureza, nem sempre dançável, aqui não faltam exemplos de canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora. Se a melancólica Maybe Eye é uma canção que seduz pelo baixo vigoroso e que nos faz ter vontade de pular e de querer desertar do universo paralelo onde muita vezes vivemos para um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos, já o fuzz de Sunshine e Fears, apontando rumo ao rock progressivo, ou o elevado cariz épico de Somebody Like You transportam consigo uma considerável carga emocional, à qual é difícil ficar indiferente. Outro destaque deste trabalho é, pela toada e pelo pendor acústico, cheio de arranjos lindíssimos, proporcionados por cordas deslumbrantes, a balada Undone, uma canção capaz de nos fazer acreditar que aquele desejo incontido que todos guardamos dentro de nós pode, um dia, concretizar-se.

Acaba por ser com a maior naturalidade que se confere em We Could Leave Tonight boas letras e belíssimos arranjos, assentes numa guitarra jovial, pulsante e disponível a criar diferentes efeitos, um baixo vigoroso e uma percussão diversificada e sempre pronta a dar o andamento certo ao clima e à mensagem que cada tema exala, em mais um projeto oriundo dos antípodas e que merece um reconhecimento superior. Espero que aprecies a sugestão...

Sounds Like Sunset - We Could Leave Tonight

01. Second Chance
02. Misunderstood
03. Open Up My Eyes
04. Maybe Eye
05. Sunshine
06. Fears
07. Somebody Like You
08. Undone
09. Find Your Way


autor stipe07 às 21:43
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Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:40
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single Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:38
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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Wind In Sails – Morning Light

Editado a vinte e quatro de fevereiro último, Morning Light é o novo disco do projeto a solo de Evan Pharmakis intitulado Wind In Sails, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio do consórcio Equal Vision Records / Headphone Music e que, de acordo com as intenções do autor, está cheio de canções honestas e que pretendem transmitir uma mensagem positiva e inspiradora. Na verdade, em onze canções apenas e com uma viola debaixo do braço, este músico norte americano, oriundo de Newport em Rhode Island, mostra ser exímio na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

As canções de amor nunca passam de moda por muito que haja quem aprecie reforçar o cariz algo frágil e ingénuo da temática. São canções que ficam sempre bem quando são cantadas de modo emotivo e particularmente profundo e sentido como é o caso de Evan, que consegue, com a mesma certeza e simplicidade ,em temas como Push and Shove ou Lucid State, abordar o lado mais exuberante e luminoso dos afetos e, em belíssimos e sentidos instantes sonoros como Keeping Count ou Hanging Over You, oferecer-nos a sua visão mais sombria e comtemplativa das relações humanas.

A guitarra, na sua versão acústica, é, como já referi, o amigo fiel de Wind In Sails, uma extensão viva e inteligente do seu próprio coração, já que não é preciso um grande esforço para sentir vida no modo com as cordas vibram e se entrelaçam com a percurssão para criar lindíssimas melodias, capazes de emocionar o ser mais incauto, sempre harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e que não descuram, por exemplo em The Mess We're In, um certo toque psicadélico e uma toada folk que em Murder Backwards e Set Adrift plasmam um charme indisfarçável muito bem replicado e bastante recomendável.

As canções de Wind In Sails estão cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Morning Light está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre as canções. A postura vocal de Pharmakis, sempre exuberante e capaz de deambular por diferentes tons e registos sem preder a emotividade nas sensações que transmite, é perfeita para encarnar este cosmos temático e em certos momentos é fantástico o modo como mistura harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz confessional, sendo esse um detalhe precioso no modo como Morning Light se mostra um álbum ameno, íntimo, cuidadosamente produzido e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Em Morning Light Evan Pharmakis assume um rumo muito próprio para este projeto Wind In Sails, avançando em passo acelerado em direção a uma maturidade fortemente espiritual, onde subsiste um ideal de leveza e cor constantes, como se ele quisesse transmitir ao mundo inteiro, com elevado e profundo sentido de urgência que se elogia, todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, seduzindo pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro com um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

Wind In Sails - Morning Light

01. Push And Shove
02. Keeping Count
03. Level Head
04. Lucid State
05. Murder Backwards
06. Side By Side
07. Hanging Over You
08. Set Adrift
09. The Mess We’re In
10. Heart To Focus
11. Wild Child


autor stipe07 às 22:01
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Nugget - Cheese Meister

Oriundos de Londres, uma das mais recentes apostas da Lost In The Manor e formados por três músicos extremamente talentosos e virtuosos os Nugget são Julien Baraness, um guitarrista e produtor canadiano natural de Toronto, Alex Lofoco, um baixista italiano e o baterista Jamie Murray. Juntos replicam uma fantástica fusão de indie rock com jazz, uma colagem genuína de estilos, proposta por um coletivo original e com qualidades técnicas ímpares, onde não faltam também abordagens diretas ao reggae, ao hip-hop e ao drum n'bass.

O EP de estreia dos Nugget chama-se Watercolour, vai ver a luz do dia nas próximas semanas e Cheese Meister é o primeiro avanço desse trabalho com cinco canções, quatro minutos e meio de um jazz rock, ácido e pleno de funk, uma canção com um groove animado e divertido que vai certamente impressionar-te. O tema está disponível para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 12:54
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Domingo, 22 de Março de 2015

Dead Mellotron – Winter EP

Oriundo de Baltimore, no Maryland, o projeto Dead Mellotron editou no passado mês de dezembro Winter, um EP com cinco canções onde reina um cruzamento feliz entre o rock progressivo e uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Intro, a canção de abertura do álbum, plasma essa relação quase simbiótica entre dois universos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, com a fragilidade incrivelmente sedutora de Totaled a mostrar já guitarras e um baixo e uma bateria que seguem a sua dinâmica natural, enquanto assumem uma faceta algo negra e obscura, para criar um instrumental tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

All Gray aconchega a chegada de uma voz sintetizada, que se confunde, de certo modo, com um simples arranjo instrumental, enquanto olha para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, numa melodia que explora uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente nos invade. Acaba por ser nesta canção que se percebe que a escrita dos Dead Mellotron carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi.

Até ao final, a guitarra planante e etérea de Who Else e o sintetizador lisérgico e cósmico por onde deambula Sleepover, mostra como estes Dead Mellotron nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito, já que, principalmente no último tema, das guitarras que escorrem ao longo do mesmo, passando pelo tal sintetizador e os efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do tema tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Winter é como o frio, a chuva, o vento ou a neve que nos apoquentam, enquanto nos recordam da importância dessa estação do ano algo incómoda para o ciclo de renovação da natureza, num EP que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem vasta, imensa e simultaneamente diversificada que sustenta o universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e que soa poderoso, jovial e inventivo, de onde este projeto norte americano é natural. Espero que aprecies a sugestão... 

No Cover

01. Intro

02. Totaled
03. All Gray
04. Who Else
05. Sleepover


autor stipe07 às 21:57
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