Sexta-feira, 24 de Março de 2017

The Jesus And Mary Chain - Damage And Joy

Banda icónica do punk rock alternativo de final do século passado, os escoceses The Jesus And Mary Chain acabam de lançar o seu primeiro registo de originais do século XXI. O sucessor de Munki (1998) chama-se Damage And Joy, viu a luz do dia hoje à boleia da ADA/Warner Music e concretiza o regresso às luzes da ribalta de um projeto essencial para o relato da hitória do rock das últimas décadas e que, à semelhança do que acontece no seio de tantas outras bandas, é feito de desavenças, nomeadamente entre os irmãos Jim e William, dois egos que sempre pareceram demasiado grandes para coabitarem pacificamente, mas cujos desencontros, nomeadamente os conceptuais e estilísticos, acabaram por ser a grande força motriz dos The Jesus And Mary Chain.

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Em Damage And Joy desfilam catorze canções de forte índole nostálgica, como se o hiato temporal que separa este registo do antecessor quase não tivesse sucedido. E esta fidelidade aos cânones essenciais do adn da banda, se por um lado plasma a sua integridade e a opção válida por apostar numa forma estilística eminentemente vencedora, poderá ser vista pelos retratores como uma espécie de mais do mesmo ou, pior do que isso, uma ausência de coragem ou inabilidade para colocar nas canções alguns dos detalhes que definem o rock alternativo atual. Pessoalmente considero que os The Jesus And Mary Chain optaram corretamente por não enveredar numa arriscada inflexão sonora e, defeito meu talvez, ainda sou daqueles que apoia a pureza e a firme opção por uma identidade própria, independentemente da longevidade da banda. Assim, este é um trabalho feito com músicos já perto dos sessenta anos mas ainda longe de poderem estar acabados, ou seja, para mim they are not a rock n'roll amputation.

Ao longo do alinhamento de Damage And Joy encontramos excelentes canções, que merecem figurar na listagem futura dos melhores clássicos deste grupo escocês. Logo no fuzz da guitarra de Amputation é evidente o espírito jovial, mas também firme e arrebatador do grupo, em particular de Jim e depois nos efeitos que piscam o olho a territórios mais psicadélicos em War On Peace, na percussão coesa e bastante ritmada de Always Sad, no ambiente mais sombrio, progressivo e sussurrante de Mood Rider, nas exuberância das cordas que elevam aos píncaros Black And Blues, um tema que conta com a participação especial vocal de Sky Ferreira, até aos efeitos siderais que enfeitam a toada mais pop de Get On Home, desfila um esqueleto instrumental e lírico eminentemente melancólico, mas também realista e fortemente impressivo, fazendo com que neste último tema a frase I've got a pistol in my pocket, fique a ecoar dentro de nós com tal ênfase só possível de replicar por quem reside num universo emotivo e, amiúde, fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, como poderá atestar quem conhece minimamente o percurso atribulado destes irmãos Reid.

Banda consensual e única no panorama indie punk das últimas três décadas, os The Jesus And Mary Chain saíram-se bem neste regresso às luzes da ribalta, ancorados por um disco que além de comprovar o facto de estarem no apogeu da carreira e num grau de maturidade superior, acabam por atestar aquela ideia comum a vários projetos que procuram inteligentemente replicar ao longo da carreira zonas de conforto, porque tal sucede sempre com elevada bitola qualitativa. E a verdade é que com este Damage And Joy os The Jesus And Mary Chain firmam a sua posição na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Com o grupo escocês a encerrar este alinhamento à boleia do manifesto Can’t Stop The Rockestou certo que com regressos destes acho que isso será impossível.Espero que aprecies a sugestão...

The Jesus And Mary Chain - Damage And Joy

01. Amputation
02. War On Peace
03. All Things Pass
04. Always Sad
05. Songs For A Secret
06. The Two Of Us
07. Los Feliz (Blues And Greens)
08. Mood Rider
09. Presidici (Et Chapaquiditch)
10. Get On Home
11. Facing Up To The Facts
12. Simian Split
13. Black And Blues
14. Can’t Stop The Rock


autor stipe07 às 18:33
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Gorillaz - Saturn Barz (feat Popcaan)

Depois de há alguns dias atrás a página oficial do órgão Phonographic Performance Limited, entidade que no Reino Unido regista novas canções de artistas do país, ter criado enorme alarido ao informar que novos temas dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, estariam prestes a ver a luz do dia, eis que acaba de ser divulgado o título do novo álbum deste projeto liderado por Damon Albarn, assim como a sua data de lançamento e respetivo alinhamento de canções.

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Assim, Humanz, o próximo disco dos Gorillaz, produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011), irá ver a luz do dia a vinte e oito de abril e terá dezanove canções e seis interlúdios, que incluirão a participação especial de nomes tão relevantes como Mavis Staples, Carly Simon, Grace Jones, De La Soul, Jehnny Beth das Savages, Pusha T, Danny Brown, Vince Staples, Kelela e D.R.A.M., entre outros. Humanz foi gravado em cinco locais diferentes, nomeadamente Londres, Paris, Nova Iorque, Chicago e na Jamaica.

Com o anúncio destes detalhes do novo disco dos Gorillaz, foi também dado a conhecer o vídeo integral, realizado por Jamie Hewlett, de Saturnz Barz, o primeiro single retirado de Humanz e que conta com a participação especial vocal de Popcaan, assim como excertos de Ascension, Andromeda e We Got The Power, outras três canções do álbum, também já disponíveis para audição integral, abaixo.

1. Ascension feat. Vince Staples
2. Strobelite feat. Peven Everett
3. Saturnz Barz feat. Popcaan
4. Momentz feat. De La Soul
5. Submission feat. Danny Brown & Kelela
6. Charger feat. Grace Jones
7. Andromeda feat. D.R.A.M.
8. Busted and Blue
9. Carnival feat. Anthony Hamilton
10. Let Me Out feat. Mavis Staples & Pusha T
11. Sex Murder Party feat. Jamie Principle & Zebra Katz
12. She’s My Collar feat. Kali Uchis
13. Hallelujah Money feat. Benjamin Clementine
14. We Got The Power feat. Jehnny Beth
Bonus material on Deluxe:
15. The Apprentice feat. Rag’n’ Bone Man, Zebra Katz & RAY BLK
16. Halfway To The Halfway House feat. Peven Everett
17. Out Of Body feat. Kilo Kish, Zebra Katz & Imani Vonshà
18. Ticker Tape feat. Carly Simon & Kali Uchis
19. Circle Of Friendz feat. Brandon Markell Holmes

 


autor stipe07 às 09:14
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Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Temples - Volcano

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista) e que se estreou nos discos em 2014 com o excelente Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia através da Fat Possum. Agora, três anos depois e abrigados pela mesma etiqueta, os Temples dão a conhecer ao mundo o seu sempre difícil segundo disco, um álbum intitulado Volcano e que chegou aos escaparates no início deste mês de março.

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Em 2014, numa época em que vivia em plena orgia com o álbum homónimo de estreia dos TOY e cimentava a minha profunda relação de afecto com os The Horrors, não foi nada difícil para mim receber de braços abertos Sun Structures, o disco de estreia destes Temples, que logo me conquistaram pelo modo como me mostravam uma faceta mais luminosa e arejada de toda a vibe psicadélica em que navegava. E essa foi, desde logo, a firme impressão que eles me deixaram. Adorava e ainda hoje aprecio imenso o modo como as duas bandas acima citadas me mostram aquele lado mais contemplativo, misterioso e visceral do rock psicadélico e admiro a maneira como estes Temples conseguem mostrar-nos que há também algo de festivo e de certo modo mais descomprometido e descontraído neste subgénero do indie rock, eminentemente nostálgico.

Volcano, o segundo disco dos Temples, amplia ainda mais esta impressão, já que, mantendo a filosofia estética da estreia, contém uma produção mais cuidada e polida e uma maior insistência no sintetizador, como instrumento privilegiado de condução melódica das canções. Há uma aúrea pop mais acentuada na nova personalidade da banda e são vários os instantes em que fica plasmada com evidência nos nossos ouvidos tal intenção. A alegoria algo barroca e classicista das teclas que introduzem a pulsante (I Want To Be Your) Mirror, o modo como um efeito sideral plana, amiúde, na secção rítmica que conduz Strange Or Be Forgotten e a tonalidade desconcertante e aguda da sintetização que introduz Open Air são bons exemplos disso, três dos maiores catalizadores de efervescência ambiental e de criação do ambiente psicadélico que sustenta Volcano. Depois, o constante fuzz de fundo da guitarra ao longo do alinhamento, particularmente impressivo no groove de Roman God-like Man e, sendo mais específico relativamente a esse instrumento, o modo como a mesma gravita em redor do baixo e dos arranjos sintetizados da já referida Open Air e a forma como o riff que constrói dá as mãos ao piano em Mystery Of Pop, explicita a capacidade que nos Temples as cordas têm de orientar canções onde a intimidade também se centra no baixo e na guitarra, geralmente com extremo charme e classe, muito à moda daquele estilo alinhado, que dá alma à essência da melhor tradição do rock britânico.

Registo animado, festivo, imponente e contagiante, principalmente no modo como faz-nos, com grande eficácia, o convite para uma majestosa viagem no tempo, Volcano são pouco mais de quarenta minutos de pura lisergia sonora, que numa espécie de cruzamento entre Tame Impala, Pink Floyd e MGMT, nos oferecem um desfile de electricidade e de fuzz, rematado pela belíssima voz etérea de James, tendo tudo para se tornar num verdadeiro clássico que incorpora o melhor do rock psicadélico dos anos sessenta. Espero que aprecies a sugestão...

Temples - Volcano

01. Certainty
02. All Join In
03. (I Want To Be Your) Mirror
04. Oh The Saviour
05. Born Into The Sunset
06. How Would You Like To Go?
07. Open Air
08. In My Pocket
09. Celebration
10. Mystery Of Pop
11. Roman God-like Man
12. Strange Or Be Forgotten


autor stipe07 às 20:55
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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Real Estate - In Mind

Depois do excelente Atlas, editado em 2014, os norte americanos Real Estate de Martin Courtney, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman, acabam de regressar aos discos com In Mind, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de março através da Domino Records e que foi gravado em Los Angeles. São onze canções que tornam ainda mais impressa a personalidade e o som típico deste projeto oriundo de Rodgewood, nos arredores de Nova Jersey e que se assume cada vez mais como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual.

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Compêndio de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, In Mind contém ,como seria expectável, os traços identitários que têm construído o cardápio sonoro de um grupo que, disco após disco, olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo de final do século passado e, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fá-lo quase sempre com um cariz algo urbano e sempre atual. Logo nos acordes iniciais da guitarra de Matthew que conduz a solarenga Darling, mas também no baixo de Bleeker e na bateria de Jackson, fica patente todo este receituário inédito no panorama sonoro atual e depois, à medida que o alinhamento prossegue, conseguimos, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz de Martin e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite.

Na verdade, mesmo que haja abordagens díspares a alguns territórios sonoros mais dispersos, nomeadamente a country em Diamond Eyes, um piscar de olhos ao rock psicadélico em Time, ou ao mais clássico em Two Arrows, canções do calibre da já citada Darling ou a agridoce e radiofónica White Light levam-nos, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso bom gosto e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa.

Escutar os Real Estate é um elixir revitalizador para o espírito, aconchega a alma e faz esquecer, nem que seja por breves instantes, aquelas atribulações que de algum modo nos afligem, tal é a afabilidade e suavidade desta espécie de nostalgia melodiosa e açucarada, impressa num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Darling
02. Serve the Song
03. Stained Glass
04. After the Moon
05. Two Arrows
06. White Light
07. Holding Pattern
08. Time
09. Diamond Eyes
10. Same Sun
11. Saturday

 


autor stipe07 às 20:52
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Spoon - Hot Thoughts

Um dos trabalhos discográficos mais aguardados no início deste ano é, claramente, Hot Thoughts, o nono álbum de originais dos Spoon de Britt Daniel, dez canções que marcam o regresso da banda deste coletivo a uma casa que bem conhece, a Matador Records, que em 1996 editou Telephono, o disco de estreia destes texanos. Produzido pela banda e por Dave Fridmann, Hot Thoughts tem também a curiosidade de ser o primeiro disco dos Spoon a não contar com Mick Harvey, que abandonou o projeto depois da digressão de suporte a They Want My Soul (2014), o antecessor deste Hot Thoughts.

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Há quem considere os Spoon como a banda indie mais relevante dos últimos vinte anos e se afirmações deste calibre apenas encontram razão de ser na liberdade que cada um tem de exprimir livremente a sua opinião, a verdade é que este Hot Thoughts é um trunfo de peso para os defensores dessa tese. E ao longo do alinhamento do registo são vários os instantes sonoros que deslumbram o ouvinte mais incauto; O efeito metálico da guitarra que conduz, com bravura, o tema homónimo que disserta sobre a extrema sensualidade de uma rapariga misteriosa, o groove libidinoso e festivo de Can I Sit Next To You, o clima algo narcótico e desafiante de Do I Have To Talk Into It, canção que se sustenta num curioso diálogo sonoro entre dois dos grandes pilares instrumentais dos Spoon, o baterista Jim Eno e o teclista Alex Fischel e que também brilham em First Caress, composição que vagueia à tona de alguns dos demónios que afligem a mente de Britt Daniel (Coconut milk, coconut water, You still like to tell me they’re the same, And who am I to say?), os sinos e o saxofone de Us ou os arranjos exóticos que adornam Pink Up, tema sobre uma viagem de comboio com destino à cidade marroquina de Marraquexe, são, talvez, os melhores fragmentos sonoros de um registo cheio de vida e cor, ecléctico, abrangente e contundente no modo como agrega grandes canções de modo directo, orgânico e enérgico.

Se a música é vista hoje em dia por Britt Daniel como uma experiência sensual e física e que apela diretamente às emoções, este é então o disco certo para qualquer um de nós poder sentir na pele tal permissa, de preferência comungando tal experiência com alguém predisposto a deixar-se levar com o mesmo grau de devoção por dez canções que representam um enorme salto qualitativo em frente na carreira dos Spoon e que acabam por colocar um enorme e excitante ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao seu futuro sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

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01 Hot Thoughts
02 WhisperI’lllistentohearit
03 Do I Have to Talk You Into It
04 First Caress
05 Pink Up
06 Can I Sit Next to You
07 I Ain’t the One
08 Tear It Down
09 Shotgun
10 Us


autor stipe07 às 17:56
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Sábado, 18 de Março de 2017

Cave Story - Trying Not To Try (vídeo)

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Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) andam atualmente em digressão pela Europa e acabam de apresentar um belo vídeo para Trying Not To Try, tema que é um dos grandes destaques de West, disco que esta banda das Caldas da Rainha lançou no ocaso do ano passado.

Idealizado pelo próprio Gonçalo Formiga e realizado por João Pombeiro, o filme que ilustra Trying Not To Try continua a narrativa mais recente da banda, quer estética quer sonora, que aqui coabita com diferentes paisagens mais ou menos conhecidas enquanto nos mostra alguns dos seus melhores atributos sonoros, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre. Confere...


autor stipe07 às 17:32
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

Kasabian – You’re In Love With A Psycho

Kasabian - You're In Love With A Psycho

Os britânicos Kasabian regressam aos discos a vinte e oito de abril próximo e à boleia da Record Bird, com For Crying Out Loud, trabalho que vai suceder a 48:13, um registo pesado, marcante, elétrico e explosivo, que a banda lançou em 2014 e que firmou de modo ainda mais explícito, as várias intersecções que este coletivo de Leicester vinha a estabelecer entre rock e eletrónica nos últimos trabalhos.

You're In Love With a Psycho é o primeiro single divulgado de For Crying Out Loud, uma canção composta em apenas quinze minutos por Serge Pizzorno, o guitarrista da banda, e que traz consigo todo o esplendor festivo dos Kasabian, já que ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada, como é apanágio no cardápio do grupo, que, neste caso, teve osx anos oitenta em declarado ponto de mira. Confere...


autor stipe07 às 18:17
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The Shins – Heartworms

Editado no passado dia dez de março pela Columbia Records, Heartworms é o quinto e novo registo discográfico dos norte-americanos The Shins de James Mercer, onze canções que servem-se de fortes referências ao nosso quotidiano para construir o panorama lírico de um alinhamento que pende não só para a folk e para a indie pop mais adocicada e acessível, mas também para alguns laivos de experimentalismo e psicadelia, abordagens possibilitadas por uma instrumentação sempre radiante e com o bónus de constatarmos que Mercer continua a alcançar elevados parâmetros e patamares de qualidade na sua intepretação vocal.

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Os The Shins são um caso peculiar e bastante interessante no universo musical índie porque apesar da longevidade ainda vão só no quinto registo da sua carreira. Para eles parece não haver regras ou imposições temporais e esta espécie de ligeireza e despreocupação, como se a banda fosse para os seus membros uma espécie de passatempo que está ali para quando lhes apetecer, mas que quando passa para primeiro plano é abordada com frenesim, acaba por se refletir, indubitavelmente, no conteúdo sonoro dos vários alinhamentos que vão apresentando aos seus ávidos fãs.

Certamente reflexo de mais uma salutar dose de mistura entre uma visão irónica do mundo atual e das experiências pessoais mais recentes de James Mercer, Heartworms é, sonoramente, reflexo desta intrincada relação, ou seja, não contém uma única canção que possa ser encaixada facilmente num determinado perfil, mas sim um conjunto de temas que quer isoladamente quer no seu todo refletem toda a amálgama que inspira este coletivo norte-americano e que, salvo raras exceções, são sempre frenéticos, rápidos e incisivos e claros e diretos na mensagem que transmitem, mesmo que esteja subentendida numa qualquer espécie de piada ou jogo de palavras. Excepção e este perfil em Heartworms, observa-se na cândura de Mildenhall e na solenidade de The Fear.

Assim, se Name For You, o tema de abertura, é um desfile sónico de pop acessível e radiante e se existe uma new wave de forte intensidade e com um misto de nostalgia e contemporaneidade a balizar Painting A Hole, já a forte cadência das cordas eletrificadas que conduzem Rubber Ballz e a epicidade de Dead Alive servem para ampliar a paleta sonora disponível, como se a rede que capta os diferentes espetros sonoros do grupo desse uma volta de trezentos e sessenta graus sobre si própria. Analisando numa outra perspetiva, se há quem prefira um determinado psicoativo específico em determinados instantes da vida, para Mercer uma embriaguez sonora apanha-se com toda a pafernália que houver à disposição e que o arsenal instrumental presente possa proporcionar.

Impregnado com letras de forte cariz irónico, que abordam, neste caso, uma atmosfera de ideias relacionadas com a terra e, consequentemente, uma abordagem impressionista à morte, parece-me, Heartworms tem um resultado final intrincado e buliçoso e que atesta esse ecletismo algo incomum e de forte cariz identitário dos The Shins. Espero que aprecies a sugestão…

The Shins - Heartworms

01. Name For You
02. Painting A Hole
03. Cherry Hearts
04. Fantasy Island
05. Mildenhall
06. Rubber Ballz
07. Half A Million
08. Dead Alive
09. Heartworms
10. So Now What
11. The Fear

 

 


autor stipe07 às 10:26
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Terça-feira, 14 de Março de 2017

Vaarwell - Homebound 456

Foi no passado dia dez de março que os Vaarwell de Margarida Falcão, Ricardo Correia e Luis Monteiro, editaram Homebound 456, um lindíssimo trabalho, o longa duração de estreia de um projeto de indie pop nascido em Lisboa em finais de 2014 e que lançou, em Maio de 2015, Love and Forgiveness, o EP de estreia. É um alinhamento de doze canções gravadas por Joaquim Monte no Namouche Estúdio, misturadas e co-produzidas por Paulo Mouta Pereira e masterizadas por Miguel Pinheiro Marques (SDB Mastering). Para além dos Vaarwell, o disco conta ainda com a participação de Tomás Borralho (Anthony Left) e Diogo Teixeira de Abreu (Lotus Fever) nas baterias, Paulo Mouta Pereira (David Fonseca) no piano e Bernardo Afonso (Lotus Fever) nas teclas. O design foi da responsabilidade d​e​ Manuela Abreu Peixoto.

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Homebound 456 é um porto de abrigo acolhedor, cheio de virtudes e tentações, uma lufada aconchegante que nos protege e embala, tenhamos nós a disposição e o desejo de nos deixarmos contagiar por um compêndio de beleza melódica, lírica e instrumental incomum. A voz da Margarida é, por si só, capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, mas os arranjos e os instrumentos que sustentam as canções permitem também um suave levitar, tal é o rol de emoções que transmitem e a intensidade das mesmas. Se em Floater a distorção da guitarra calcorreia, sem receio, terrenos mais progressivos com forte sabor ao terreno e ao palpável, já nos metais que cirandam por American Dream a emoção instala-se, com 123 a recalcar toda a recatada introspeção, fortemente contemplativa, que Homebound 456 proporciona. Neste tema, o modo como a guitarra explode, não coloca em causa esta agradável sensação de letargia, servindo até como modo de nos fazer perceber que o que ouvimos é real, existe e foi composto por uma banda bastante assertiva, criativa e inspirada no momento de criar música.

Homebound 456 acaba por ser um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da filosofia dos Vaarwell e a maneira como exploram essa unidade e como selecionam as nuances sonoras que interligam as canções, contém um charme sedutor difícil de explicar. Aliás, se dúvidas ainda vão subsistindo, as variações ritmícas e o arsenal instrumental de Sheets, o tema que encerra o alinhamento, esclarecem definitivamente o mais céptico. No fundo, a receita é uma mescla efusivamente minimal de alguns detalhes implícitos do clássico rock experimental e lisérgico, com alguns dos principais atributos da eletrónica e da pop atual, com todos estes acertos a encontrarem o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de I Never Leave, I Never Go, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior um eco que faz parecer que existem dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. O assunto da canção pode não ter nada a ver com esta ideia, mas foi a isso que ela me soube.

No restante alinhamento de Homebound 456, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira You e o incisivo espairecer que nos suscita a guitarra de Waiting Game, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado na simplicidade do tema homónimo, por outro, insistem na já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que consegue apontar novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop nacional atual e que logo ao primeiro disco instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:38
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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Luis Severo - Luis Severo

Apresentado pela Cuca Monga, Luis Severo é o novo álbum de Luís Severo, um homónimo que sucede ao excelente trabalho Cara d’Anjo. Gravado e produzido em Alvalade com a ajuda de Diogo Rodrigues e de Manuel Palha e masterizado por Eduardo Vinhas no Golden Pony, Luis Severo está disponível no bandcamp desde sexta-feira, dia dez de Março e conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Teresa Castro, Bia Diniz e Primeira Dama nos coros, Tomás Wallenstein nos violinos, Violeta Azevedo nas flautas e Salvador Seabra na percussão. As fotografias do artwork do disco são da autoria de Francisco Aguiar e Raquel Rodrigues.

Registo bastante tocante e emotivo, contendo uma salutar contemporaneidade lírica e instrumental, proporcionada por um dos nomes maiores da nova música nacional, Luis Severo confirma e potencia uma das certezas maiores do panorama musical luso, que foi em tempos apelidado de Messi do nacional-cançonetismo, por causa de Cara d'Anjo, um trabalho de estreia que plasmou todos os excelentes atributos artísticos deste ex-O Cão da Morte. Assim, em oito canções, muitas delas resultantes de melodias que o músico já guardava no seu âmago, aguardando materialização, há alguns anos, Luis Severo configura uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco. A superior complacência romântica que transborda dos violinos de Amor E Verdade, as reminiscências da melhor pop oitocentista que contemplamos na luminosidade de A Escola, o swing buliçoso das cordas de Planície (tudo igual), ou o frenesim charmoso da guitarra que conduz Boa Companhia, podem muuto bem servir de inspiração para os filmes que na nossa mente podemos produzir com estas canções, sendo este realismo impressivo talvez o atributo maior de um trabalho bastante colorido e diversificado, não só porque é sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, mas também porque, numa outra perspetiva, pode também mostrar-se absolutamente minimal, incrivelmente simples e estupendamente crú, tal é o modo aberto e desafiante como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida.

É curioso constatar o acerto temporal em que Luis Severo chega aos escaparates, fazendo-o em pleno inverno tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós na próxima primavera, já que este é um alinhamento perfeito para saborear buliçosamente todos os odores, sensações, cores e flirts que a aproximação regular e anual do sol ao nosso hemisfério sempre suscita. E o verão está também logo ali, em O Olho de Lince. Se ouvirem o tema, vão perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:12
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